Caminhadas na Praia de Quiaios (Figueira da Foz)

A Associação "Trilhos d'Esplendor" com sede na Praia de Quiaios (Figueira da Foz), oferece ao longo do ano caminhadas guiadas na zona da Praia de Quiaios. Se querem descobrir e fotografar achados da Natureza da Praia de Quiaios e da Serra da Boa Viagem, visitem uma das regiões mais ricas em Biodiversidade e Geologia de Portugal!

Associação "Trilhos d'Esplendor" - Contactos: +351 967460855
trilhos.esplendor@gmail.com

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Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

Sexta-feira, 6 de Setembro de 2019

Projecto_Praia_Quiaios

 

Caminhadas na Praia de Quiaios

Encontro com a Natureza na Praia de Quiaios.

Uma perspectiva sistémica.


         


          


Fazem-se ao longo do ano pequenas caminhadas guiadas na zona de Praia de Quiaios. O objectivo das caminhadas é descobrir achados de Animais e Plantas da Praia de Quiaios :

- as espécies e os habitats de plantas e de animais que se encontram aqui;

- os diversos habitats e ecossistemas nos quais estas espécies estão integradas.

Fig. 1  - Praia de Quiaios visto do lado do Cabo Mondego


Cabo Mondego e das Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas, no extremo ocidente da Europa, reúnem numa área relativamente pequena um espéctro de ecossistemas e habitats bem diferenciados e de grande valor ecológico.


Fig. 2 - Cabo Mondego e Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas (PTCON0055 )




Fig. 2a - Habitats nas Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas 
(Habitats do Anexo I da Directiva Habitats (92/43/CEE ))






A seguinte lista de habitats naturais e semi-naturais (constantes do anexo B-I do Dec. Lei n.º 49/2005 ) é fornecida pelo  Instituto da Conservação da Natureza (ICNB) no âmbito do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 para as Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas:


1 - Habitats costeiros e vegetação halófila
11 - Águas marinhas e meios sob influência das marés
12 - Falésias e Arribas
1170Recifes.
1210Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela maré.
1230
1240
Falésias e Arribas

2 - Dunas marítimas e interiores
21 - Dunas marítimas das costas atlânticas, do mar do Norte e do Báltico
22 - Dunas marítimas das costas mediterrânicas
2110Dunas móveis embrionárias.
2120Dunas móveis do cordão litoral com Ammophila arenaria («dunas brancas»).
2130* Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas»).
2150* Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea).
2170Dunas com Salix repens ssp. argentea (Salicion arenariae).
2190Depressões húmidas intradunares.
2260Dunas com vegetação esclerófila da Cisto-Lavenduletalia.
2270* Dunas com florestas de Pinus pinea e ou Pinus pinaster

3 - Habitats de água doce
31 - Águas paradas
32 - Águas correntes — Troços de cursos de água com dinâmica natural e seminatural (leitos pequenos, médios e grandes) em que a qualidade da água não sofre mudanças significativas.
3110Águas oligotróficas muito pouco mineralizadas das planícies arenosas (Littorelletalia uniflorae).
3150Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion ou da Hydrocharition.
3270Cursos de água de margens vasosas com vegetação da Chenopodion rubri p. p. e da Bidention p. p.
3280Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix e Populus alba.

4 - Charnecas e matos das zonas temperadas
4030Charnecas secas europeias.

5 - Matos esclerófilos
52 - Matagais arborescentes mediterrânicos
53 - Matos termomediterrânicos pré-estépicos
5230* Matagais arborescentes de Laurus nobilis.
5330Matos termomediterrânicos pré-desérticos.

6 - Formações herbáceas naturais e seminaturais
61 - Prados rupícolas calcários ou basófilos
62 - Formações herbáceas secas seminaturais e fácies arbustivas
64 Pradarias húmidas seminaturais de ervas altas
6110
* Prados rupícolas calcários ou basófilos da. Alysso-Sedion albi.
6210Prados secos seminaturais e fácies arbustivas em substrato calcário (Festuco-Brometalia) (* importantes  habitats de orquídeas).
6420Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-Holoschoenion.
6430Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos pisos montano a alpino

8 - Habitats rochosos e grutas
82 - Vertentes rochosas com vegetação casmofítica
83 - Outros habitats rochosos
8210Vertentes rochosas calcárias com vegetação casmofítica.
8330Grutas marinhas submersas ou semi-submersas.

91 - Florestas da Europa temperada
91E0* Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae).
91F0Florestas mistas de Quercus robur, Ulmus laevis, Ulmus minor, Fraxinus excelsior ou Fraxinus angustifolia das margens de grandes rios (Ulmenion minoris).
92A0Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba.



Com fundo azulado:  habitats prioritários


Existem aqui no limite ocidental do continente europeu, entre o oceano e o interior no litoral português atlântico, dunas litorais (móveis e arborizadas) com plantas endémicas da Península Ibérica ou mesmo de Portugal,  como p. ex. as camarinhas (Corema album) da Família dos Empetraceae (cujas bagas brancas são comestíveis).


 

Fig 3a - Camarinhas (Corema album) nas dunas da Praia de Quiaios



Fig 3b - Pinheiros (Pinus pinaster e Pinus pinea)
nas dunas da Praia de Quiaios


O limite oriental da praia de Quiaios é formado por uma pequena serra, a Serra da Boaviagem, com comunidades de plantas na transição florística entre espécies mediterrânicas e atlânticas. Nestas comunidades de plantas existem  orquídeas  (habitat 6210 ) preciosas e tufos de espécies raras ou mesmo endémicas em pradarias sobre terrenos calcários - bem adaptadas ao clima ventoso desta costa.



Fig. 4 - Pulicaria odora - Espécie da família Compositae






Fig. 5a,b,c- Iberis procumbens ?ssp. microcarpa


Fig. 6 - Armeria welwitschii



O Cabo Mondego, limite sul da Praia de Quiaios, possui na zona do litoral marinho recifes de grande valor ecológico e um jazigo de fósseis num sistema geológico do Jurássico médio e superior com características únicas.

Para Norte da praia estendem-se dunas móveis e arborizadas extensas: as Dunas de Gândara, Mira e Gafanhas. E o oceano atlântico à volta do Cabo, com o mar muitas vezes agitado, deixa recordações únicas para quem gosta da Natureza.



Fig. 7  - Cabo Mondego no Inverno



Fig. 8  - Os recifes do Cabo Mondego



Fig. 8a - Fósseis do Cabo Mondego


Fig. 8b - Fósseis do Cabo Mondego

Por lado sul do Cabo Mondego encontra-se o Estuário do Mondego.  O estuário já não pertence às Dunas de Gândara, Mira e Gafanhas. Devido à pequena distância até ao estuário e à riqueza paisagística e ecológica deste estuário, vamos fazer também excursões para a Ilha da Murraceira. O sítio localiza-se na foz do Rio Mondego e faz parte dos sítios da Convenção Ramsar . Nesta zona, o rio divide-se em dois braços, rodeando uma ilha de aluvião (Ilha da Murraceira). A Ilha da Murraceira e a zona a sul do Braço Sul compreende sapais, salinas e aquaculturas. Aí observam-se plantas bem adaptadas ao sal (halófitas) e sobretudo aves raras como flamingos ( Phoenicopterus roseus )  e pernilongos (Himantopus himantopus), entre outros.



Sapais e esteiros extensos no lado sul-este da Ilha da Murraceira


A Ponte da Figueira da Foz que atravessa o Rio Mondego



Um antigo Moinho do vento na Ilha da Murraceira -
(veja também as contribuições valiosas do Prof. Carlos Machado
sobre
Moinhos de vento e Moinhos de água neste blog)



A extração de sal nas salinas


Flamingos nas salinas abandonadas




Antigo palheiro na Ilha da Murraceira
Ao lado esquerdo na fotografia a planta Wegwarte* (Cichorium intybus)
que tem aplicações interessantes na fitoterapia (veja também a página valiosa sobre Plantas medicinais da Carla Conde neste blog)

(*A palavre "Warte" provém do alemão da Idade Média: "warte" = "um lugar de observação ou visão ampla". Possivelmente a planta obteve o nome porque crescia em lugares abertos onde se encontravam sinais indicativos no caminho ou onde se tinha uma visão ampla. Segundo uma lenda do povo a "wegwarte" é uma menina enfeitiçada que está com olhar de procura para o seu namorado.)




  Caminhadas:1 

   

  • (VI) As Lagoas (Caminhada/Partida: C@fé-Gelataria "Quiaios-Praia" - Associação "Trilhos d' Esplendor")



Palestras:

  • (IX) Estudos sobre dinâmica de sistemas (1h – Palestra: C@fé-Gelataria "Quiaios-Praia" - Associação "Trilhos d' Esplendor")
  • (X) Resume de palestras de Carl Friedrich von Weizsäcker sobre a questão "Para onde nós nos dirigimos e o que devemos fazer?" (1h – Palestra: C@fé-Gelataria "Quiaios-Praia" - Associação "Trilhos d' Esplendor")


Outras contribuições:  O Sector Divisório Português & Tabelas fitossociológicas


Links:


Flora da Serra da Boaviagem (Figueira da Foz)
http://floradaserradaboaviagem.blogspot.com/
Fauna da Serra da Boaviagem (Figueira da Foz)
http://faunadaserradaboaviagem.blogspot.com/

Habitats do Triângulo do Cabo Mondego (Figueira da Foz)
http://habitatsdaserradaboaviagem.blogspot.com/
Fungi (Cogumelos) da Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz)
http://fungidaserradaboaviagem.blogspot.com/
Geometria - Espaço - Natureza
http://geometria-espaco-natureza.blogspot.com/
Maria da Assunção Ferreira Pedrosa de Araújo: Geomorfologia Litoral
http://web.letras.up.pt/asaraujo/seminario/Aula7.htm
Fixação e Arborização das Dunas do Litoral
http://www.drapc.min-agricultura.pt/base/documentos/fixacao_dunas.htm
Biogeografia de Portugal Continental
https://woc.uc.pt/fluc/getFile.do?tipo=2&id=915
The Coastal Vegetation of the Portuguese Divisory sector: Dune cliffs and Low-Scrub Communities
http://www.ceg.ul.pt/finisterra/numeros/2000-69/69_04.pdf
(Esta publicação é a mais importante para conhecer os releves de comunidades florísticas da zona e constitui uma inestimável ajuda para uma orientação aprofundada sobre a flora costeira do Cabo Mondego. Contém tabelas fito-sociológicas das comunidades de plantas das dunas e das falésias.)
COSTA, J.C. (2001) – Tipos de vegetação e adaptações das plantas do litoral dePortugal continental. In: Albergaria Moreira, M.E., A. Casal Moura, H.M. Granja & F.
Noronha (ed.) Homenagem (in honorio) Professor Doutor Soares de Carvalho: 283-299. Braga. Universidade do Minho.
(Um trabalho didáctico importante sobre adaptações ecológicas de plantas nas zonas costeiras)

Notas do Herbário da Estação FlorestalNacional (LISFA): Fasc. XXIV ∫2. De Vegetatio Lusitana Notae - V
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/slu/v14n2/v14n2a14.pdf
Esta publicação tem tabelas fito-sociológicas da vegetação das dunas
 (Overview of perennial sand-dune vegetation types of dry habitats occurring in
selected dune systems along Northern Portugal)

XXXII: Aditamentos à vegetação do Sector Divisório-Português
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/slu/v10n1/10n1a09.pdf
Notas do Herbário da Estação Florestal Nacional (LISFA): Fasc. XXIV
Invasões biológicas
http://www1.ci.uc.pt/invasoras/

Flora Iberica
http://www.rjb.csic.es/floraiberica/

(A Flora Iberica não está ainda completada, mas encontra-se aqui já a mais exaustiva informação sobre a Flora ibérica, disponível em formato pdf. A consulta e os downloads dos diversos taxa podem ser feitas a partir da página web da Flora Iberica. Mais uma vez obrigado por esta generosidade dos autores desta obra maravilhosa!)

Fauna Ibérica
http://www.fauna-iberica.mncn.csic.es/index.php
Flora Digital de Portugal
http://www.jb.utad.pt/pt/herbario/cons_reg.asp
Herbário da Universidade de Coimbra
http://www.uc.pt/herbario_digital
Plano Sectorial da Rede Natura 2000
Convenção Ramsar http://www.ramsar.org/
Les Dunes atlantiques - http://www.premiumwanadoo.com/dunes.atlantiques/ Página Web

Veja também os blogs:
Fotofigueira
Casa do sal
As minhas plantas
Flora da Serra da Boaviagem (Figueira da Foz)
Fauna da Serra da Boaviagem (Figueira da Foz)
Fungi (Cogumelos) na Serra da Boaviagem (Figueira da Foz)


Inscrições: Associação: "Trilhos d Esplendor"–  PRCT Pavilhão Terreiro 3,  Praia de QuiaiosRua dos Pescadores (Rua da Praia). 3080-515 Figueira da Foz. Mais Informações: Tel. 967460855 e por email: horst.engels@gmail.com.






notes



1 Os horários das caminhadas e de palestras serão anteriormente combinados..

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