domingo, 23 de Março de 2008

A vegetação das dunas

4 A vegetação das dunas


Segundo: J. C. Costa (2001): Tipos de vegetação e adaptações das plantas do litoral de Portugal continental.

Em nenhuma parte do Globo terrestre, mesmo na vizinhança dos vulcões, se observa uma mudança tão permanente e tão rápida dos processos inorgânicos e bióticos como nas costas marítimas. No litoral português podemos encontrar três tipos de formações distintas: de dunas, de sapais e de arribas. Estes meios são de difícil sobrevivência, pois em todos eles existe uma fraca disponibilidade de água, baixo teor de elementos nutritivos essenciais e acção abrasiva do mar, vivendo por isso em condições de secura fisiológica. As plantas para ultrapassarem estas limitações respondem com adaptações de natureza morfológica, anatómica, fenológica e fisiológica.

É no litoral ocidental de Portugal que o atlântico e mediterrâneo se encontram, como não existe uma fronteira com uma barreira física evidente é este o local onde as plantas migram entre estes dois “mundos”.

Nos meios salgados podemos observar três formações distintas: mangais, sapais e juncais. As salinas como meio artificial criado pelo homem são também um meio salgado.


  • Os mangais ocorrem nas regiões em que o macroclima é tropical, e são formados por árvores.

  • Os sapais assinalam-se em territórios onde o macroclima é mediterrânico, e são dominados por nanofanerófitos e arbustos acompanhados de caméfitos (pequenos arbustos até 25 cm) e alguns hemicriptófitos (plantas bienais ou vivazes de rosetas basais).

  • Enquanto os juncais e arrelvados halofíticos observam-se preferencialmente no litoral com macroclima temperado, e na sua constituição dominam hemicriptófitos com alguns caméfitos como acontece nas costas atlânticas.

  • As salinas também são um meio salgado, em que nos períodos que têm vegetação predominam os terófitos (plantas anuais).


Os halófitos são a designação das plantas que vivem em meios salgados. As espécies do sapal, apesar de terem bastante água à sua disposição, esta é salgada e às vezes, chegam a suportar concentrações de sal, durante períodos mais ou menos longos, superiores às águas do mar como pode acontecer com Ruppia maritima e algas do género Chara. Para sobreviver em ambiente tão hostil as plantas tiveram necessidade de adaptar o seu metabolismo, seguindo por isso várias estratégias:

  • Desenvolvimento da suculência resultante do aumento da diluição iónica mediante o incremento da relação volume/superfície externa
  • Absorção em alto grau de certos iões, como potássio
  • Extrusão iónica mediante glândulas especiais de sais
  • A existência de glândulas de sal é responsável pelo conteúdo mineral de muitos halófitos.





Nas dunas - apesar das diferenças acentuadas entre salgados e dunas - existem três características comuns: instabilidade, carência de nutrientes e falta de humidade do solo, que são melhoradas com restos orgânicos trazidos pelas marés, depositados no cimo da linha de inundação, sendo aqui o começo da formação da duna.

Para sobreviver em meio tão adverso as plantas das dunas também sofreram modificações morfológicas, anatómicas e fisiológicas, assim:

  • Para diminuir a transpiração possuem folhas de reduzidas dimensões
  • Possuir uma forma prostrada
  • Raízes muito profundas para captar água em profundidade
  • Aptidão e capacidade para formar entre-nós ou rizomas horizontais e verticais conforme as deposições sobre a planta e da mobilidade da areia ;
  • Caules e folhas suculentas com reservas de água
  • Plantas CAM, isto é que só abrem os estomas à noite
  • Presença de micorrizas nas raízes que ajudam a sobreviver as plântulas e posteriormente colonizar as dunas.


Dunas embrionárias


Na praia
onde as águas da preia-mar depositam os detritos orgânicos desenvolve-se uma vegetação terofítica e migratória onde ocorrem

  • Euphorbia peplis,


  • Salsola kali,



  • Cakile maritima,




  • Honkenia peploides.






Em Portugal continental, na praia alta, onde a areia é muito móvel, encontra instalada uma comunidade dominada pelo pequeno hemicriptófito


  • Elymus farctus subsp. boreali-atlanticus,




  • acompanhado frequentemente de Eryngium maritimum,


  • Otanthus maritimus,






  • Polygonum maritimum,



  • Euphorbia paralias.




Dunas brancas

Nas cristas das dunas, onde a areia ainda possui uma mobilidade elevada, domina o hemicriptófito

  • Ammophila arenaria subsp. australis (estorno) acompanhado de






  • Calystegia soldanella,







  • Euphorbia paralias,





  • Otanthus maritimus,









  • Medicago marina,








  • Eryngium maritimum,








  • Pancratium maritimum



entre outras.


Dunas cinzentas


Por detrás das cristas dunares a areia encontra-se fixada por caméfitos, esta formação é chamada de duna cinzenta. É na costa de Portugal continental onde se encontram as mais belas dunas cinzentas da Europa e com maior diversidade de espécies.

  • Crucianella maritima,






  • Artemisia crithmifolia (= A. campestris),







  • Helichrysum picardi,





  • ?Malcolmia littorea,






  • Anagallis monelli var. microphylla,








  • Scrophularia frutescens (= S. canina),




  • Silene littorea




  • Silene niceensis (= S. arenaria, S. littoralis)



  • Cyperus capitatus,




  • Aetheorhiza bulbosa (= Crepis bulbosa),


  • ?Leontodon taraxoides arenaria








  • Pancratium maritimum,


  • Euphorbia portlandica,




  • Medicago marina,


  • Corynephorus canescens var. maritimus,











  • Iberis procumbens



  • Senecio gallicus



















  • Paronychia argentea








  • ?Helianthemum spec.





  • Sedum sediforme






  • Seseli tortuosum




  • Limonium ?virgatum



podem aparecer em quase todas as dunas portuguesas.


As dunas a e as plantas invasoras

5 As dunas e as plantas invasoras

Fixação e Arborização das Dunas do Litoral

A fixação e arborização das dunas do litoral constitui uma das obras mais notáveis da engenharia florestal portuguesa

Parte significativa das nossas costas marítimas era constituída por extensos desertos de areias moveis, que invadiam os terrenos agrícolas marginais e obstruíam as barras de muitos dos nossos rios, com graves prejuízos para a agricultura e a economia das populações da beira mar.


Séc. XVIII

  • primeiros trabalhos sem sucesso realizados no final do século.


Séc. XIX

  • primeiras sementeiras metódicas no início do século;
  • trabalhos regulares a partir de meados do século;
  • intensificação dos trabalhos no final do século;
  • florestados 3 000 ha de dunas do litoral.

Séc XX

  • conclusão dos trabalhos de fixação de dunas;
  • florestados novos 34 000 ha.

A crescente, e por vezes desregrada, pressão humana sobre o litoral constitui hoje uma ameaça para a sua preservação, a qual passa pela conservação dos ecossistemas dunares e por uma adequada gestão silvícola das suas áreas arborizadas.


Outra ameaça para a preservação das espécies e da biodiversidade são plantas invasoras que foram utilizadas na fixação das dunas e que ameaçam hoje a vegetação natural das zonas do litoral e do interior.

A introdução de espécies exóticas corresponde, no início, a um aumento da riqueza específica à escala regional. Com a continuidade, algumas espécies revelam elevado sucesso no seu estabelecimento, e aumentam exponencialmente a sua área de distribuição. Outras nunca chegam a expandir-se ou, em casos extremos, extinguem-se mesmo.

De todas as espécies que são introduzidas, uma parte fixa-se para além do seu local de introdução inicial e forma populações que se mantêm a si próprias, sem a intervenção do Homem, em habitat naturais ou semi-naturais. Quando isto sucede, diz-se que essa espécie está naturalizada (ver figura). Uma espécie naturalizada pode permanecer estável, com uma população em equilíbrio, durante tempo variável (em alguns casos para sempre) até que algum fenómeno estimule o aumento da sua distribuição. Se esse estímulo ocorrer a espécie torna-se invasora. O estímulo pode ser uma perturbação natural (como um fogo ou uma tempestade) ou antropogénica (como alterações no uso da terra, fogos de origem humana, ou construção de infra-estruturas). As perturbações traduzem-se, muitas vezes, por aberturas de clareiras e o aparecimento destes nichos vazios constitui uma excelente oportunidade para uma espécie invasora se fixar. O estímulo pode ainda ser dado pela introdução de um agente dispersor ou polinizador, ou pela ausência de inimigos naturais.


(Marchante, H.; Marchante, E. e Freitas, H. 2005. Plantas Invasoras em Portugal - fichas para identificação e controlo. Coimbra. Weblink)






Exemplos de plantas invasoras na Praia de Quiaios e na Serra da Boaviagem:




Acacia ?longifolia


Acacia ?longifolia



Carpobrotus edulis
Carpobrotos edulis


Acacia ?longifolia

As falésias, arribas, friganas e as plantas invasoras

5 As falésias, arribas, friganas e as plantas invasoras

O Cabo Mondego possui arribas que têm um elevado valor ecológico devido à flora que possuem. Porém, a flora característica e única destas arribas está gravemente ameaçada, nem apenas pela exploração da fábrica do cal, mas sobretudo por plantas invasoras.

Caracterização das arribas

• Arribas litorais sobranceiras ao mar, de litologia variável (calcários, margas, arenitos, etc.), submetidas a ventos marítimos carregados de sal (salsugem) com frequência moderados a fortes.

• Colonizadas por comunidades perenes, de fraco grau de cobertura, constituídas por pequenos geófitos, caméfitos e hemicriptófitos rupícolas, entre os quais se conta um elevado número de microendemismos de distribuição restrita dos géneros Limonium e Armeria (família das plumbagináceas).

• Estas plantas colonizam fendas ou pequenas acumulações terrosas (casmofilia) e estão adaptadas a condições de grande secura edáfica (xerofilia) e a elevados teores de cloreto de sódio no solo (halofilia).

• As comunidades halocasmófilas perenes são pouco diversas à escala local (α diversidade). No entanto, as arribas litorais portuguesas apresentam uma β e δ diversidades muito significativas. Este facto é, provavelmente, uma consequência das condições ecológicas extremas dos habitates de arriba marítima, da elevada taxa de especiação intrínseca aos géneros Limonium e Armeria e da alternância entre espaços dunares e arribas litorais, litologicamente diversas, que caracteriza boa parte da costa portuguesa.

• As comunidades halocasmófilas perenes litorais constituem a primeira banda de vegetação vascular das costas rochosas, dispõem-se em mosaico (microgeosigmeta) com comunidades anuais aero-halófilas pioneiras (classe Saginetea maritimae) e contactando na parte superior das arribas com diferentes tipos de matos-baixos (e.g. urzais-tojais aero-halófilos, classe Calluno-Ulicetea, vd. habitat 4030) ou matagais (e.g. zimbrais-carrascais de Juniperus turbinata subsp. turbinata, vd. habitat 5210).

• Têm uma composição florística muito variável: espécies com frequência dominantes: Limonium virgatum, L. ovalifolium, L. multiflorum, L. plurisquamatum, L. laxiusculum, Armeria pseudarmeria, A. pungens subsp. major, A. welwitschii subsp. cinerea, Crithmum maritimum, Dactylis marina, Daucus halophilus, Dianthus cintranus subsp. cintranus, Helianthemum apenninum subsp. stoechadifolium, Silene cintrana, S. obtusifolia, S. rothmaleri, Plantago coronopus subsp. occidentalis, Spergularia australis, Spergularia rupicola, Helichrysum decumbens, Calendula incana.

o outras espécies: Astericus maritimus, Beta maritima, Calendula suffruticosa subsp. algarviense, Euphorbia portlantica, Frankenia laevis, Helianthemum origanifolium, Inula crithmoides, Limonium ferulaceum, Leontodon taraxacoides, Lobularia maritima, Lotus creticus.

Bioindicadores

• Presença de Crithmum maritimum, Dactylis marina, Daucus halophilus, Limonium ferulaceum, L. virgatum, Plantago coronopus subsp. occidentalis, Spergularia australis, S. rupicola, e ainda as espécies endémicas e diferenciais de cada território (vd. Caracterização, vd. Serviços prestados).



Invasoras


Uma ameaça para a preservação das espécies e da biodiversidade são plantas invasoras que foram utilizadas na fixação das dunas ou como plantas ornamentais e que ameaçam hoje a vegetação natural das zonas do litoral e do interior.

A introdução de espécies exóticas corresponde, no início, a um aumento da riqueza específica à escala regional. Com a continuidade, algumas espécies revelam elevado sucesso no seu estabelecimento, e aumentam exponencialmente a sua área de distribuição. Outras nunca chegam a expandir-se ou, em casos extremos, extinguem-se mesmo.

De todas as espécies que são introduzidas, uma parte fixa-se para além do seu local de introdução inicial e forma populações que se mantêm a si próprias, sem a intervenção do Homem, em habitat naturais ou semi-naturais. Quando isto sucede, diz-se que essa espécie está naturalizada (ver figura). Uma espécie naturalizada pode permanecer estável, com uma população em equilíbrio, durante tempo variável (em alguns casos para sempre) até que algum fenómeno estimule o aumento da sua distribuição. Se esse estímulo ocorrer a espécie torna-se invasora. O estímulo pode ser uma perturbação natural (como um fogo ou uma tempestade) ou antropogénica (como alterações no uso da terra, fogos de origem humana, ou construção de infra-estruturas). As perturbações traduzem-se, muitas vezes, por aberturas de clareiras e o aparecimento destes nichos vazios constitui uma excelente oportunidade para uma espécie invasora se fixar. O estímulo pode ainda ser dado pela introdução de um agente dispersor ou polinizador, ou pela ausência de inimigos naturais.


(Marchante, H.; Marchante, E. e Freitas, H. 2005. Plantas Invasoras em Portugal - fichas para identificação e controlo. Coimbra. Weblink)






Exemplos de plantas invasoras nas falésias e arribas do Cabo Mondego:







Agave americana



Carpobrotus edulis
Carpobrotos edulis


Acacia ?longifolia


O Cabo Mondego e os recifes

4 O Cabo Mondego e os recifes

O Cabo Mondego situa-se na costa marítima portuguesa, pelo que é banhado pelo Oceano Atlântico. Localiza-se na ponta ocidental da Serra da Boa Viagem, a uma latitude de 40º 11´ 3´´ N e a uma longitude de 08º 54´34´´W, a três quilómetros a norte da cidade da Figueira da Foz. Cortado a pique e com inúmeras falésias, tem cerca de quarenta metros de altura. Junto dele está localizado o Farol do Cabo Mondego, com quinze metros de altura, destinado ao apoio da navegação marítima.

Do ponto de vista geológico, este cabo tem um alto valor científico, como é reconhecido mundialmente. Foi classificado como Monumento Natural, pelo Decreto Regulamentar n.º 82/2007, de 3 de Outubro.






A Serra da Boa Viagem apresenta cerca de 6 km de comprimento, uma direcção sensivelmente NW-SE e uma cota máxima de 257m na Bandeira.





Termina abruptamente nas vertentes setentrional e ocidental onde dominam as escarpas de natureza carbonatada, de que é exemplo a "Escarpa da Murtinheira" na vertente setentrional, que correponderá a uma falha inversa, com eventual actividade quaternária - falha de Quiaios.
Esta falha, que limita o maciço a norte, terá contribuído para colocar em contacto terrenos margo-calcários do Liásico com areias eólicas quaternárias - Areias de Cantanhede.
Na vertente ocidental, as formações do Dogger e Malm formam a arriba litoral do promontório, que se encontra actualmente descaracterizada devido à actividade extrativa secular que se desenvolveu no local.
A transição para o flanco meridional processa-se de forma "suave", terminando com uma série cretácica greso-carbonatada, à qual se sobrepõem depósitos quaternários que marginam o estuário do Mondego.



ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO


A região da Serra da Boa Viagem insere-se na Orla Meso-Cenozóica Ocidental onde predominam rochas sedimentares químicas e detríticas. Apresenta uma estrutura em monoclinal com desenvolvimento Este-Oeste, e cerca de 30º de inclinação para Sul.


O Jurássico Médio é bastante monótono, corresponde geralmente a bancadas de calcário compacto mais ou menos argiloso alternando com camadas margosas. Alguns níveis revelam-se muito fossilíferos destacando-se uma importante fauna de amonites.


A passagem para o Jurássico Superior é marcada por uma importante lacuna. Seguem-se importantes depósitos lacustres ou lagunares nos quais se intercalam algumas bancadas de fácies marinhas litoral que correspondem a três formações litostratigráficas (da base para o topo):


  • Complexo Carbonoso com leitos de lignite. Na sua parte superior bancadas de calcário alternam com bancadas de arenito avermelhado, onde são visíveis pegadas de dinossáurio.


  • Calcários Hidráulicos. Começam por bancadas espessas de calcário cinzentos escuros alternados com argilas lignitosas, seguidas de bancadas pouco espessas de calcário margoso separados por leitos de xisto betuminoso.
    NOTA: Estas duas formações foram agrupadas recentemente sob o nome de Camadas de Vale Verde (Wilson, 1979; Wright,1985 in Pinto, 1997).

  • Camadas marinhas ricas de lamelibrânquios. Corresponde a um conjunto de depósitos litorais com tendência regressiva na parte superior onde se intercalam bancadas de calcário ou calcários margosos (onde se conhecem pegadas de dinossáurio, em frente à Fabrica do Cabo Mondego), com gastrópodes, braquiópodes e lamelibrânquios muito abundantes.




O Jurássico superior termina com o complexo arenítico - Arenitos de Boa Viagem - que se prolongam na base do Cretácico. Trata-se de uma alternância de arenitos argilosos (vermelhos a amarelos) e de argilas (sendo as cores predominantes o amarelo, o cinzento e o esverdeado); que terão sido gerados em ambientes de plataforma-delta. Podem observar-se estruturas sedimentares entrecruzadas, figuras de carga (slumping) e marcas de ondulação (ripple marks).

O Cretácico Inferior e Médio está representado pelos Arenitos do Carrascal que assentam em discordância sobre as formações do Jurássico. É constituído por arenitos mais ou menos argilosos, finos a grosseiros e por argilas, em geral arenosas, sendo de natureza essencialmente flúvio-deltaica. A formação apresenta uma diminuição no calibre dos grãos para o topo. Apresenta estruturas sedimentares entrecruzadas. Nesta região não afloram rochas de idade compreendida entre o Cretácico Superior e o Miocénico.

O Plio-Quaternário pode ser reconhecido por um conjunto de afloramentos constituídos por depósitos de origem fluvial, marinha (praia), eólica e torrencial que, de maneira geral, colmatam plataformas resultantes de fenómenos transgressivos.

O Pliocénico está representado por complexo de areias com estratificações entrecruzadas, com seixos, de grés argiloso e de argilas. Surgem afloramentos tanto a Norte como a Sul do rio Mondego.

O Plistocénico é constituído por tufos calcários (que não surgem nesta região), e também por vestígios de praias quaternárias e de terraços fluviais, representados por areias e cascalheiras.
Os terrenos modernos são representados por aluviões, areias de praia e areias de dunas.



Os recifes do Cabo Mondego são uma grande atração turística e de valor ecológico elevado. Encontram-se na parte central e sul do Cabo Mondego donde se estendem até a praia de Buarcos.







Habitats


Para poder compreender melhor a composição da fauna e a flora de uma determinada região, temos de estudar os locais e as condições ambientais em que as espécies se encontram. Neste ambiente, são os factores bióticos e os factores abioticos que determinam a presença ou não-presença de uma espécie.
As espécies frequentemente não têm apenas tendência de encontrar-se em grupos da mesma espécie, mas encontram-se junto com outras espécies, portanto em comunidades de espécies diferentes. As comunidades de espécies existem porque espécies estão ligadas a um determinado hábitat, um determinado ambiente que lhes é favorável.
Quando queremos preservar espécies, temos de conservar e preservar os seus habitas potenciais. Um habitat potencial é um habitat que pode servir de habitat para uma espécie, independentemente do facto se ela já existe neste habitat ou não.

Classificação dos habitats


Uma boa definição do habitat encontramos na Wikipédia:


Hábitat [1] ou habitat (do latim, ele habita) é um conceito usado em ecologia que inclui o espaço físico e os factores abióticos que condicionam um ecossistema e por essa via determinam a distribuição das populações de determinada espécie. O conceito de hábitat é em geral usado em referência a uma ou mais espécies no sentido de estabelecer os locais e as condições ambientais onde o estabelecimento de populações desses organismos é viável (por exemplo, o hábitat da truta são os cursos de água bem oxigenados e com baixa salinidade das zonas temperadas).

Uma classificação dos habitats europeus encontra-se no projecto EUNIS - European Nature Information System.

Uma classificação dos habitats marinhos encontra-se na classificação dos habitas marinhos da Grande-Bretagne e da Irlândia. Esta classificação é compátivel e integrada na classificação EUNIS.
(The marine habitat classification for Britain and Ireland provides a tool to aid the management and conservation of marine habitats. It is one of the most comprehensive marine benthic classification systems currently in use, and has been developed through the analysis of empirical data sets, the review of other classifications and scientific literature, and in collaboration with a wide range of marine scientists and conservation managers. It is fully compatible with and contributes to the European EUNIS habitat classification system.)

Os habitats do litoral (zona das marés ou intermareal) são facilmente acessíveis ao visitante da praia, especialmente em dias de marés grandes. Porém, nos achados da praia encontram-se também espécies de outras zonas benticas como do sublitoral (zona subtidal).

Neste momento, a classificação dos habitats marinhos para a Grã-Bretanha e Irlanda é o que temos à disposição em Portugal, uma vez que uma classificação dos habitats marinhos da costa portuguesa ainda não existe. O ICN exprime isso no âmbito da elaboração do Plano Sectorial da Rede Natura 2000:

A aplicação da Directiva 92/43/CEE ao meio marinho obriga à classificação de áreas no Mar Territorial (até às 12 nM) e na Zona Económica Exclusiva (até às 200 nM). Por lacunas de conhecimento, dificuldades de delimitação de áreas e custos associados, a classificação de áreas deste habitat de excepcional importância científica é incipiente.





Veja também :





As dunas móveis do litoral e a sua vegetação

3 As dunas móveis do litoral e a sua vegetação

Segundo: Plano Sectorial da Rede Natura 2000 e Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas


O campo dunar de Vagos e Quiaios inclui dois tipos de dunas diferenciados: por um lado as dunas frontais do cordão litoral - activas e instáveis - e por outro as dunas mais antigas com formas bem conservadas e consolidadas. A tipologia das dunas, a especificidade dos espaços interdunares, a pujança das dunas primárias e a excelência das dunas longitudinais associada ao bom estado de conservação, conferem-lhe, no contexto europeu a primazia quer em termos de desenvolvimento espacial quer em termos de unidade sedimentar e ecológica. Sendo um sítio que como o nome indica, é dominado pela presença de dunas, abrange 4 tipos de habitats prioritários, destacando-se, pela sua representatividade, o habitat 2270 - florestas dunares de Pinus pinea e Pinus pinaster.

Fig. 14 - Pinheiro manso - Pinus pinea



Fig. 15a - Pinheiro marítimo - Pinus pinaster



Fig. 15b - Pinheiro marítimo - Pinus pinaster


Fig. 15c - Pinheiro marítimo - Pinus pinaster
Por outras razões destaca-se também o habitat 2190 - depressões húmidas intra dunares, que devido à sua distribuição geográfica está insuficientemente representado. Este tipo de habitat é formado por pequenos planos de água pouco profundos que existem apenas durante o Inverno ou no fim da Primavera, com uma flora bastante característica e capaz de resistir aos períodos de seca estival. É um dos dois únicos sítios onde ocorre o habitat 2170 (dunas com Salix arenaria).
Fig. 16 - Salix repens ssp. arenaria



Possuem
ainda particular interesse as lagoas de água doce e os charcos mediterrânicos temporários (habitat 3170 ). Esta área é também importante para repouso e alimentação de aves migradoras e invernantes, nomeadamente anatídeos e larídeos (caso das lagoas e praias) e passeriformes (caso das matas).









O ambiente marinho e a biodiversidade marinha

2 O ambiente marinho e a biodiversidade marinha

Uma página bem estruturada sobre o ambiente marinho e a vida marinha, é o Espaço Sariego:

Um mar de estabilidade

O mar sempre exerceu extraordinário fascínio sobre os homens, do poeta ao cientista, suscitando a curiosidade. O estudo de seus ambientes e da vida que o preenche é uma das maiores aventuras da Ciência e da Tecnologia moderna, além de tornar-se prioritária em vista da crescente degradação ambiental, que ameaça a vida no Planeta. No mar está a futura “fronteira agrícola” que poderá alimentar a bilhões de seres humanos. E é nele que encontraremos as respostas para o mistério da origem e evolução da vida.

A principal chave para a compreensão da vida marinha e de sua ecologia é o conhecimento do ambiente marinho, no que tem de característico e diferente do ambiente terrestre, quanto aos seus fatores físicos e químicos, capazes de determinar e limitar a distribuição dos animais marinhos, de acordo com suas habilidades e capacidade de adaptação.

A comparação entre esses dois ambientes, revela um princípio fundamental: o mar é um ambiente muito mais estável e constante que o terrestre. No interior dos oceanos a mudança de temperatura não é tão rápida e dramática, nem se notam tão claramente as diferenças entre as estações do ano.

É um erro imaginar que o mar, um ambiente dotado de notável estabilidade, seja uniforme e até mesmo monótono. Nada mais longe da verdade. Ele possui, tal como os continentes uma enorme variedade de habitats, mini-ambientes caracterizados pelas condições ambientais que lhe são próprias e que exigem adaptações específicas para se viver neles. Uma árvore bem adaptada ao frio, ventos e tempestades dos topos das altas montanhas pode não prosperar no interior quente e úmido das florestas tropicais. Assim é no mar.

Não só a distribuição de cada espécie pelos diversos habitats, mas como a própria sobrevivência do indivíduo, estão determinadas pela existência de certos elementos do meio ambiente que podem agir diretamente sobre o funcionamento do organismo, e sobre o seu ciclo de vida. Esses elementos receberam o nome de factores ecológicos.

Os factores ecológicos mais importantes no ambiente marinho são a luminosidade, a temperatura, a salinidade e a pressão. São eles que impõem as mais sérias limitações à vida e que permitem reconhecer os principais habitats, mas outros factores também influem nas adaptações dos seres vivos e mesmo no aproveitamento que fazemos dos recursos marinhos.



A biodiversidade marinha

Os factores físicos e químicos que estruturam e caracterizam o ambiente marinho compõem o que a Ecologia denomina factores abióticos, o primeiro dos dois componentes de qualquer ecossistema. O segundo componente inclui os chamados factores bióticos, os seres vivos que povoam o ecossistema, interagindo com os fatores abióticos.

O conjunto e variedade das espécies animais e vegetais de qualquer ecossistema recebe o nome de biodiversidade. O estudo da biodiversidade é uma tarefa apaixonante pois revela como o processo da Evolução biológica actuou ao longo da história da vida na Terra adaptando os seres vivos ao ambiente – quase sempre de forma engenhosa – e gerando sempre novas espécies que enriquecem ainda mais a biodiversidade.

A biodiversidade marinha destaca-se dentre os demais ambientes do nosso planeta por ser muito expressiva. Sinal disso é o facto de nos oceanos serem encontrados representantes de 27 dos 31 filos de invertebrados atualmente existentes. No entanto, o conhecimento da vida marinha não é uma tarefa fácil pois, segundo estimativas conservadoras, são conhecidas 160 mil espécies marinhas, enquanto que no ambiente terrestre foram identificadas 178 mil espécies. Isso indica que ainda há muitos animais a serem descobertos no ambiente marinho. Acredita-se que nos amplos e inexplorados fundos oceânicos habitem até cinco milhões de espécies diferentes.


Árvore filogenética dos metazoários




Fig. 4 - Árvore filogenética dos metazoários (de Espaço Sariego)



A árvore filogenética é uma forma bem visual de representar as relações evolutivas entre os reinos e filos metazoários. Nela, os números indicam o ponto de origem de novas estrutura orgânicas que direcionaram o processo evolutivo.


0 - DNA e RNA.
1 - Complexo de Golgi, vacúolos contráteis e movimento amebóide.
2 - Flagelos e cílios.
3 - Colagens, espongina, diferenciação celular de organismos multicelulares.
4 - neurônios e células musculares.
5 - simetria biradial.
6 - bilateralidade, sistema excretor e mesoderme.
7 - sistema sangüíneo vascular.
8 - celoma e metamerismo.
9 - clivagem radial.


O número de filos de metazoários pode variar conforme o sistema de classificação adotado, ponto no qual os cientistas ainda divergem entre si.



Veja também: Achados na Praia de Quiaios









O Oceano Atlântico e o litoral

1 O oceano atlântico e o litoral

Fig. 2 - O oceano atlântico - Bodyboarding

Quase três quartos (71%) da superfície da Terra é coberta pelo oceano (Cerca de 61% do Hemisfério Norte e de 81% do Hemisfério Sul). Este corpo d'água global interconectado de água salgada é dividido pelos continentes e grandes arquipélagos em cinco oceanos, como segue:





Fig. 3 - O litoral atlântico - Praia de Quiaios

Uma boa introdução sobre o conceito do litoral encontra-se no Seminário sobre Geomorfologia do litoral, publicado por Maria da Assunção Araújo na Internet.

Segundo esta autora, o termo litoral é utilizado todos os dias na linguagem corrente, sem se cuidar de fazer dele um uso rigoroso e, muito menos, de o definir com precisão. A palavra é utilizada como contraponto à palavra interior e referida, muitas vezes, a propósito do processo de litoralização .


Veja também: o oceano e o litoral português atlântico e as dunas litorais



6 Marine Littoral (Intertidal) - Litora...

6 Marine Littoral (Intertidal) - Litoral (Zona das Marés - Intermareal)





Recifes em Buarcos (Cabo Mondego).


BREVES APONTAMENTOS SOBRE ECOLOGIA MARINHA

Extraído de: Saldanha, Luiz: Fauna Submarina Atlântica. 3.ª Edição. Publicações Europa-América, Lda. Portugal. 1995.

Categorias de organismos

No mar existem organismos bentónicos e pelágicos. Os animais (e vegetais) bentónicos (ou demersais) são aqueles cuja vida está di­rectamente relacionada com o fundo, quer vivam fixos, quer sejam livres. Podemos exemplificar o primeiro caso com as esponjas, as gorgónias e as ascídias e o segundo com as raias. Os organismos bentónicos podem ainda viver sem ser em contacto directo com o fundo, como é o caso de numerosos peixes (os sargos, p. ex.), mas a sua existência depende desse mesmo fundo, por questões alimentares ou outras.
    Os organismos pelágicos (animais e vegetais) são os que vivem no seio das massas de água. Não dependem do fundo, mas sim das propriedades fisico-químicas e do alimento existentes nas mesmas. Dentro desta categoria de organismos ainda podemos distinguir o plâncton e o necton. O plâncton é constituído pelos animais e vege­tais que vivem passivamente na coluna de água. Podem ou não ter mobilidade própria, que não é, no entanto, suficientemente forte para vencer os movimentos (correntes, p. cx.) da massa de água onde vivem. São exemplos de organismos planctónicos grande número de algas unicelulares (diatomáceas) e diversos pequenos crustáceos (copépodes), não esquecendo os ovos e larvas, entre os quais se contam os de muitos peixes. Os animais que constituem o necton, como os atuns e muitos outros, podem, pelo contrário, deslocar-se activamente e vencer os movimentos da água. Os seres que vivem na zona superficial do mar chamam-se epipelágicos. Por bentopelágicos designam-se os organismos que vivem na coluna de água junto ao fundo.

Topografia dos fundos

Os organismos bentónicos distribuem-se por toda a superfície dos fundos marinhos, da orla litoral até às maiores profundidades existentes. O perfil da topografia do fundo dos oceanos está esquematizado na  Fig. 1. Nele podemos verificar que logo após a orla litoral existe uma plataforma que se estende, geralmente, até uma profundidade de cerca de 130 m -150 m a 200 m e que se chama plataforma continental. É sobre esta que se exerce a maior parte da actividade da pesca, por apresentar as águas mais ricas em nutrientes (ou sais nutritivos, utilizados no crescimento dos vegetais fotossintéticos, base da cadeia alimentar) e, consequentemente, em espécies de interesse económico. Ocupa apenas cerca de 8% da superfície total dos mares e oceanos.
    A plataforma continental segue-se um fundo bastante inclinado que se designa por vertente continental e que se estende até cerca de 2500 m a 3000 m de profundidade. A esta cota o fundo começa a apresentar apenas uma pequena inclinação, constituindo a rampa continental, que conduz à planície abissal a cerca de 4000 m a 5000 m de profundidade, conforme os casos. Esta pode estender-se até cerca de 6500 m -7000 m de profundidade e ser percorrida, nalguns locais, por estreitas e longas ravinas — as ravinas ou fossas abissais — que apresentam as maiores profundidades conheci­das, ou seja, cerca de 11020 m. Esta profundidade, conhecida por Challenger Deep, está localizada junto às ilhas Marianas, no oceano Pacífico. O conjunto rampa-planície abissal ocupa a maior parte da superfície total do leito marinho ou seja cerca de 75,8% do mesmo. De um modo simplificado alguns autores designam por planície abissal o conjunto rampa-planície abissal, tanto mais que a composição da fauna nelas existente não permite, no estado actual dos conhecimentos, a divisão em duas entidades faunísticas diferentes.
    Chamam-se neríticos os organismos que povoam a coluna de água e os fundos da plataforma continental. O conjunto destes elementos constitui a Província nerítica, em contraste com a Província oceânica, mais pobre em nutrientes e organismos. Esta engloba as águas e os fundos da vertente e rampa continentais, bem como da planície e ravinas abissais. Corresponde a cerca de 92% da superfície total dos mares e oceanos. As águas neríticas são em regra de tons esverdeados, ao passo que as águas oceânicas são de cor azul.
Fig. 1 - Topografia esquemática do fundo dos oceanos  - distribuição
dos organismos e zonação dos andares. Saldanha (1995).




Zonação do litoral

A natueza qualitativa e quantitativa das comunidades animais e vegetais que vivem sobre os fundos do mar (organismos bentónicos) vai variar bastante conforme os diversos factores físicos existentes nos vários níveis do fundo marinho.
    Entre esses factores citaremos a luz, a temperatura, a humectação, o hidrodinamismo (ou seja, agitação da água), a pressão e a natureza do substrato. Este pode ser rígido (rocha consolidada, p.ex.) ou móvel (detrítico, arenoso, vasoso, p. ex.).
    Existem, assim, conjuntos de organismos que correspondem a determinadas condições ecológicas, sensivelmente constantes em função da situação em relação ao nível do mar, que vão caracterizar o que se chama um andar. Podemos deste modo distinguir vários andares com base na natureza dos povoamentos e agrupá-los em sistemas. Os povoamentos existentes sobre a plataforma continental podem ser agrupados em quatro andares diferentes: o supralitoral, o mediolitoral, o infralitoral e o circalitoral. Estes quatro andares constituem o sistema litoral ou fital, pelo facto de apresentar vegetais.



Andares do Sistema litoral

Supralitoral


Os primeiros povoamentos marinhos que se encontram logo a seguir ao domínio terrestre sobre substratos rochosos e que formam o andar supralitoral são caracterizados pela existência de um pequeno molusco gastrópode — Littorina neritoides (= Melaraphe neritoides),
?Littorina neritoides


que encontramos em grande quantidade, sobretudo nas fissuras dos rochedos, e pela presença de algas azuis microscópicas — as cianofíceas que vivem no interior da rocha e lhe conferem uma cor acinzentada. Esta cor permite limitar superiormente o andar, podendo-se assim estabelecer a fronteira entre o domínio marinho e o terrestre.
    Quando a agitação da água (ou seja, o hidrodinamismo) diminui, além dos elementos citados, iremos encontrar um líquene negro Verrucaria maura,
Verrucaria maura


cujo aspecto lembra o alcatrão derramado sobre a rocha. Característico também deste andar é o crustáceo isópode Ligia oceanica que vive geralmente nas fissuras das rochas, pequenas concavidades ou tecto de grutas.
Ligia oceanica

    O andar supralitoral é raramente coberto pela água do mar. o que, no entanto, pode acontecer durante as marés vivas, mas sempre por pouco tempo. De um modo geral, está apenas sujeito à aspersão por gotículas de água provenientes das vagas. Pode. por vezes, ser banhado pelas vagas muito fortes. A extensão vertical deste andar, assim como a do mediolitoral, vai evidentemente variar em função da exposição da costa à intensidade hidrodinâmica e da amplitude da maré (que condicionam a humectação). Ambos estão compreendidos na zona das marés, bem como a parte superior do infraliloral.
Sobre os substratos arenosos, o povoamento do andar supralitoral é em regra constituído por crustáceos anfípodes (as pulgas-do-mar).


Mediolitoral


A natureza dos povoamentos apresentados pelo andar mediolitoral que se encontra totalmente compreendido na zona das marés, sobre substratos rochosos, vai também variar em função do hidrodinamismo. Em qualquer circunstância, os primeiros elementos mediolitorais, que se observam para baixo do supralitoral, são constituídos por indivíduos dos crustáceos cirrípedes Chthamalus montagui e Chthamalus stellatus, espécies presentes em toda a extensão vertical do andar.


?Chthamalus montagui


Chthamalus ?montagui


    Na parte mais baixa do mediolitoral existem povoamentos densos de mexilhões — Mytilus galloprovincialis,

Mytilus galloprovincialis



sendo o limite do andar delimitado inferiormente por uma alga calcária, Lithophyllum lichenoides <= Lithophyllum tortuosum).


Lithophyllum sp.



Ao nível desta alga vamos também encontrar o crustáceo cirrípede Balanus perforatus.

Balanus perforatus

Balanus ?perforatus

Nos locais em que o hidrodinamismo é mais atenuado, além dos elementos que acabámos de citar, existe muito perto do limite superior do andar uma cintura (faixa de altura regular) de cor negra, constituída pelo líquene Lichina pygmaea

Lichina pygmea


e na parte inferior a alga Fucus spiralis.


Fucus spiralis

Fucus ?spiralis


Nos locais em questão, o limite inferior do andar é constituído por povoamentos densos de Balanus perforatus. Pois Lithophyllum lichenoides desaparece quando o hidrodinamismo atinge determinado valor mínimo.

    Na extensão vertical do andar mediolitoral poderemos encontrar numerosas poças permanentemente repletas de água, onde as condições ambientais são semelhantes às existentes no andar infralitoral, constituindo assim um enclave do andar infralitoral no mediolitoral. As poças em questão encontram-se geralmente forradas pela alga calcária Lithopyllum incrustans e apresentam organismos infralitorais, entre os quais o ouriço Paracentrotus lividus.


Poça com Paracentrotus lividus e Litophyllum sp.


    Os substratos arenosos mediolitorais apresentam crustáceos anfípodes e poliquetas.




Infralitoral


    O andar infralitoral estende-se desde o limite inferior do andar mediolitoral até à profundidade compatível com a existência das algas fotófilas (algas que exigem bastante iluminação) ou das angiospérmicas marinhas (Zostera, p. cx.), que na costa portuguesa se situa a cerca de 20 m a 24 m de profundidade. Este andar, de que apenas uma pequena zona da parte superior descobre na baixa-mar, é essencialmente ocupado pela biocenose das algas fotófilas, que apresenta várias fácies, ou seja, a proliferação de determinada espécie (da biocenose) em determinada área. Nos locais de maior hidrodinamismo e na zona mais superficial encontra—se a fácies constituída pela alga Corallina elongata.



Corallina ?elongata



Corallina ?elongata
Mais abaixo são as algas Gelidium sesquipedale e Asparagopsis armata as responsáveis pela formação de importantes fácies. Nos locais em questão pode também aparecer uma fácies constituída pelo mexilhão Mytilus galloprovincialis (que apresenta, portanto, povoamentos médio e infralitorais). Em muitas zonas assistimos à implantação, sobre os povoamentos de Gelidium sesquipedale e de Asparagopsis armata, de uma fácies de Saccorhiza polyschides. Esta alga é geralmente acompanhada por Cystoseira usneoides nos locais onde há uma certa diminuição da intensidade hidrodinâmica. No nível mais superficial, o povoamento de Corallina elongata, dos locais mais batidos, é substituído pelo de Gigartina acicularis nos locais menos batidos ou calmos. Nos fundos infralitorais. o ouriço Paracentrotus lividus, pelo facto de se alimentar de algas, pode destruir toda a vegetação de determinada área e provocar ass im o aparecimento de uma fácies de Lithophyllum incrustans, alga calcária que o ouriço geralmente não ataca e que é aderente às rochas do fundo.

    Sobre os substratos arenosos infralitorais há a assinalar os povoamentos densos constituídos por Zostera marina. No interior das areias vivem igualmente numerosas formas animais, das quais poderemos citar o ouriço irregular Echinocardium cordatum
Echinocardium cordatum


Exoesqueleto de Echinocardium cordatum

e o molusco bivalve Callista chione.
Callista chione

Circalitoral

   Se ao longo da costa portuguesa a paisagem dos fundos infralitorais rochosos é dominada pelas algas, a fracção dominante dos povoamentos circalitorais é constituída por organismos animais. O aspecto fisiográfico dos fundos rochosos circalitorais portugueses, acessíveis com escafandro autónomo, é assim fundamentalmente dominado por esponjas (em regra de porte elevado), alcionários, gorgónias e briozoários (colónias de grandes dimensões). Outra das características do andar circalitoral é a que diz respeito às exigências das algas, no que concerne à luz. Com efeito, as algas circalitorais só toleram uma luminosidade atenuada e por isso são chamadas algas ciáfilas.
    Na nossa costa o limite superior do andar circalitoral pode considerar-se como situado a cerca de 20 m a 24 m de profundidade, mas é evidente que existe uma zona de transição entre o andar infralitoral e o circalitoral. É portanto à volta dessa profundidade que vamos encontrar organismos preferenciais do circalitoral rochoso como sejam a esponja Axinella polypoides, a gorgónia Eunicella verrucosa, os alcionários Alcyonium palmatum, Alcyonium acaule, Alcyonium coralloides  e os briozoários Pentapora foliacea e Myriapora truncata.
    Sobre as rochas da parte mais profundado circalitoral é possível encontrar o coral Dendrophyllia ramea, que atinge grandes dimensões.
   É com base no desaparecimento das algas ciáfilas que se pode estabelecer o limite inferior do circalitoral, que coincide frequentemente com a margem da plataforma continental.
    As grutas submarinas, existentes ao longo do nosso litoral, apresentam povoamentos muito ricos, de afinidade circalitoral. A esponja Petrosia ficiformis


Petrosia ficiformis
e o antozoário Parazoanthus axinellae
Parazoanthus axinellae


são espécies preferenciais das grutas onde não há obscuridade total. Podem, no entanto, aparecer nos fundos circalitorais, quando a luminosidade é equivalente a existente nas grutas semiobscuras.



 



Zonação relativa aos andares supra, médio, e parte superior do infralitoral,
tendo em conta o grau de hidrodinamismo - maior agitação à esquerda e menor à direita. Saldanha (1995).


1(SL)Cianofíceas endólitas
2(SL)Littorina neritoides
3(SL)Ligia oceanica
4(MLs)Chthamalus montagui
5(MLs)Patella rustica
6(MLs)Patella vulgata
7(ML)Mytilus galloprovincialis
8(ML)Patella intermedia
9(MLi)Balanus perforatus
10(MLi)Lithophyllum lichenoides
11(MLi)Patella aspersa
12(ML)Poça (enclave infralitoral) forada por Lithophyllum incrustans e povoada por Paracentrotus lividus
13(IL)Corallina elongata
14(IL)Gelidium sesquipedale
15(IL)Saccorhiza polyschides
16(SL)Verrucaria maura
17(MLs)Lichina pygmea
18(ML)Fucus spiralis
19(IL)Gigartina acicularis




Zonação dos povoamentos litorais sobre substrato rochoso. Saldanha (1995).

 

1(ILs)Lithophyllum lichenoides (limite superior do andar infralitoral)
2(ILs)Corallina elongata
3(ILs)Gigartina acicularis
4(IL)Mytilus galloprovincialis
5(IL)Gelidium sesquipedale
6(IL)Sacchoriza polyschides
7(IL)Cystoseira usneoides
8(IL)Asparagopsis armata
9(CLs)Paracentrotus lividus e fácies de Lithophyllum incrustans
10(GR)Algas calcárias
11(GR)Leptopsammia pruvoti, Hoplangia durotrix
12(GR)Caryophyllia smithii
13(GR)Petrosia ficiformis
14(CL)Eunicella verrucosa
15(CL)Myriapora truncata
16(CL)Pentapora foliacea
17(CL)Axinella polypoides
18(CL)Parazoanthus axinellae sobre esponja


  
  




As comunidades e organismos que se encontram nas diversas zonas e andares do litoral ou zona das marés constituiem assim uma rede de organismos interdependentes numa cadeia alimentar complexa:




O ICN (Instituto da Conservação da Natureza, Portugal) tem publicado no âmbito do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 um papel informátivo sobre o habitat 1170 dos recifes portugueses. Este papel ajuda compreender a importância ecológica dos recifes que se encontram frequentemente na zona das marés:


Os recifes

Proposta de designação portuguesa

• Recifes.

Diagnose

• Substratos rochosos ou de origem biológica, submarinos ou expostos durante a maré baixa, desde o fundo do mar até às zonas sublitorais e litorais. Nestes recifes ocorrem comunidades bentónicas vegetais e animais, bem como comunidades não bentónicas associadas.

Correspondência fitossociológica

• Não aplicável.

Subtipos

• A extrema diversidade de subtipos existentes, torna premente a elaboração de uma classificação própria.

Caracterização

• É composto por substratos duros, de origem biogénica ou geogénica, que emergem do fundo marinho, podendo estender-se desde a zona entre marés até profundidades muito variáveis. Pode apresentar plataformas que se dispõem desde a costa até grandes profundidades ou ocorrer em manchas isoladas entre substratos de areia ou lôdo.

• Habitat caracterizado por uma muito elevada diversidade biológica. Apresenta sazonalmente um crescimento muito acentuado dos povoamentos de algas, que durante a Primavera e Verão dominam toda a paisagem subaquática até profundidades onde a luz é suficiente (ca. -30 metros). Os povoamentos animais, que neste habitat apresentam representantes de todos os grandes Filos, surgem nas mais diversas situações: fauna nectónica, fauna bentónica fixa aos substratos e fauna bentónica não fixa aos substratos. Pode apresentar concreções, incrustações ou formações recifiais biogénicas, em que a fauna é parte do recife, ocorrendo desde a zona entre marés até grandes profundidades, mesmo ultrapassando o limite de ocorrência de algas. Os recifes costeiros concentram mais de 80% da vida no mar. Deles dependem também, em muitos casos, formas de vida animal mais características do mar alto, particularmente nos períodos críticos de reprodução ou crescimento de juvenis.

• Substratos duros cobertos por uma camada fina e móvel de sedimento são considerados neste habitat se a fauna ou a flora associadas forem dependentes sobretudo dos substratos duros subjacentes.

• Pode dispor-se em mosaico com os tipos de habitat 1110 “Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda” e 1140 “Lodaçais e areais a descoberto na maré-baixa” Frequentemente é uma componente dos habitates 1130 “Estuários” e 1160 “Enseadas e baías pouco profundas”; pontual no habitat 1150 “Lagunas costeiras”.

  • Pode ainda contactar com os habitates 8330 “Grutas marinhas submersas ou semi-submersas”, 1230 “Falésias com vegetação das costas atlânticas e bálticas” e 1240 “Falésias com vegetação das costas mediterrânicas com Limonium spp.”.

Distribuição e abundância
Escala temporal (anos desde o presente) -103 -102 -101

Variação da área de ocupação ↔ ↔ ↔

• Comum nas zonas costeiras (Províncias Cantabro-Atlântica e Gaditano-Onubo-Algarvia).

Bioindicadores

• A grande maioria das algas, castanhas (Saccorhiza, Fucus, Laminaria, Cystoseira, etc.), vermelhas (família das Corillanaceae, Ceramiceaceae, Rhodomelaceae) e verdes (Ulva, etc.). Entre a fauna mais característica, é de assinalar a presença quase exclusiva neste habitat de muitos grupos tais como as esponjas (Porifera), as anémonas, antozoários e gorgónias (Cnidaria), os briozoários (Briozoa) e as ascídeas (Tunicata). Os restantes grupos animais, embora ocorram também noutros habitates marinhos, ocorrem maioritariamente nos recifes, como por exemplo os grupos dos moluscos (e.g. Mytilus, Charonia), crustáceos (e.g. Palaemon, Palinurus), equinodermes (e.g. Paracentrotus, Marthasterias), anelídeos (e.g. Spirographis, Filograna) e peixes (e.g. Parablennuis, Serranus).

Serviços prestados

• Refúgio de biodiversidade (local de desova e maternidade).
• Sequestração de CO2.
• Regulação climática.
• Prevenção de fenómenos catastróficos.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Eliminação-reciclagem de resíduos.
• Alimentos.
• Recursos genéticos.
• Substâncias de uso farmacêutico.
• Recursos de uso ornamental.
• Informação estética.
• Recreação.
• Informação artística e cultural.
• Informação espiritual e histórica.
• Educação e ciência.

Conservação
Grau de conservação

• Sofrível a mau, por acção antropogénica.

Ameaças

• Dragagem de fundos marinhos, costeiros ou estuarinos.
• Pesca ou apanha por artes ou métodos que perturbem o fundo.
• Poluição por efluentes não tratados.
• Introdução de espécies exóticas invasoras por águas de lastro.
• Poluição por produtos poluentes (e.g. hidrocarbonetos) e catástrofes envolvendo o seu derrame no mar.
• Obras de engenharia costeira indutoras de alterações ao regime de correntes e à dinâmica sedimentar ou que impliquem a destruição directa do habitat.
• Fundeação desordenada de embarcações de recreio.
• Introdução de espécies exóticas invasoras.
• Excesso de pesca e apanha de organismos marinhos.

Objectivos de conservação

• Manutenção da área de ocupação.
• Melhoria do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Condicionar dragagens.
• Condicionar obras de engenharia costeira que modifiquem a dinâmica de sedimentos junto à costa ou que impliquem a destruição directa do habitat.
• Reforçar a fiscalização sobre a pesca e a apanha de organismos marinhos.
• Condicionar a pesca ou apanha por artes ou métodos que revolvam o fundo.
• Criar áreas marinhas interditas a actividades de pesca, apanha ou extracção.
• Reforçar a fiscalização da lavagem de tanques de petroleiros.
• Afastar os corredores de circulação de navios com cargas perigosas para mais longe da costa.
• Controlar o despejo de águas de lastro.
• Promover o tratamento das águas de lastro.
• Reforçar o controle sobre o despejo de efluentes não tratados.
• Incrementar a qualidade do tratamento de esgotos e águas residuais.
• Condicionar actividades subaquáticas, nomeadamente as dirigidas para a pesca, apanha ou extracção.
• Ordenar a fundeação de embarcações de recreio.
• É urgente ampliar o conhecimento sobre o habitat, nomeadamente em situações de mar profundo ou
offshore (e.g. recifes de coral de água fria; Lophelia pertusa), quanto a:
o localização e cartografia;
o biologia;
o ameaças;
o grau de afectação causado pelas actividades humanas, e.g. exploração dos recursos pesqueiros;
o estado de conservação.

Outra informação relevante

• A aplicação da Directiva 92/43/CEE ao meio marinho obriga à classificação de áreas no Mar Territorial
(até às 12 nM) e na Zona Económica Exclusiva (até às 200 nM). Por lacunas de conhecimento,
dificuldades de delimitação de áreas e custos associados, a classificação de áreas deste habitat de
excepcional importância científica é incipiente.

Bibliografia

Almada V, Gonçalves E & Henriques M (2000). Inventariação e ecologia da ictiofauna do substrato rochoso da costa Arrábida/Espichel. Relatório. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente; Unidade Natureza e Biodiversidade) (2003). Interpretation Manual of European Union Habitats. Bruxelas.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2002) Atlantic Region. Reference List of habitat types and species present in the region. Doc. Atl/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2003) Mediterranean Region. Reference List of habitat types and species present in the region. Doc. Med/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Henriques M, Gonçalves EJ & Almada VC (1999). The conservation of littoral fish communities: a case study at Arrábida coast (Portugal). In Almada VC, Oliveira RF & Gonçalves EJ (eds). Behaviour and Conservation of Littoral Fishes: 473-519. Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Lisboa.

Saldanha L (1974). Estudo do povoamento dos horizontes superiores da rocha litoral da costa da Arrábida (Portugal). Arquivos do Museu Bocage (2ª série), 1: 1-382.


Classificação Marinha da Grã-Bretagne e da Irlanda


Uma classificação dos habitats europeus encontra-se no projecto EUNIS - European Nature Information System.

Uma classificação dos habitats marinhos encontra-se na classificação dos habitas marinhos da Grande-Bretagne e da Irlândia. Esta classificação é compátivel e integrada na classificação EUNIS.

Os habitats do litoral (zona das marés - intermareal) são facilmente acessíveis ao visitante da praia, especialmente em dias de marés grandes. Porém, nos achados da praia encontram-se também espécies de outras zonas benticas como do sublitoral (zona subtidal).

"The marine habitat classification for Britain and Ireland provides a tool to aid the management and conservation of marine habitats. It is one of the most comprehensive marine benthic classification systems currently in use, and has been developed through the analysis of empirical data sets, the review of other classifications and scientific literature, and in collaboration with a wide range of marine scientists and conservation managers. It is fully compatible with and contributes to the European EUNIS habitat classification system."
Habitat categories and codes - Categorias de habitats e os códigos
L Littoral (intertidal)
L Litoral (Zona das marés)
LR Littoral rock
LR Rocha litoral
LR1 Exposed rocky shores
LR1 Costas rochosas expostas
    LR2 Moderately exposed rocky shores
LR2 Costas rochosas semi-expostas
    LR3 Sheltered rocky shores
LR3 Costas rochosas protegidas
    LR4 Mixed substrata shores
LR4 Costas com substratos mistos
    LR5 Sea caves
LR5 Grutas marinhas
  LS Littoral sediment
LS Sedimento litoral
LS1 Shingle and gravel shores
LS1 Costas com cascalho e seixo
    LS2 Sand shores
LS2 Costas arenosas
    LS3 Muddy sand shores
LS3 Costas com lama (silte/argila) e areia
    LS4 Mud shores
LS4 Costas com lama (silte/argila)
    LS5 Mixed sediment shores
LS5 Costas com sedimentos mistos

 



Esta secção da zona litoral ou zona das marés (intermareal) é definida como a área entre o limite superior da zona supralitoral (zona não coberta de água, mas sujeita à aspersão por gotículas de água provenientes das vagas em zonas rochosas e da borda de água ("strandline") nas costas com sedimento) e a zona do MLWS (Mean Low Water Spring = Baixa-mar média de sizígia*).


Alguns habitats, embora influenciados pelas tidas no limite superior da zona litoral, foram colocados na secção da costa da classificação em vez da zona litoral ou zona das marés (intermareal):

  • Entre estes encontram-se os sapais (salt marshes (CM1-2)), as falésias (sea cliffs (CS1-3)), as lagunas (Lagoas), lagos salgados (CW1) e rios tidais (CW2).
  • Note também que construções costais do intertidal são tratados separadamente  sob ?paredes (sea walls), ?pontões (piers) e ?barras (jetties) (CC1).
A borda do sublitoral ("sublittoral fringe"), zona costeira entre zona do MLWS (Baixa-mar média de sizígia) e baixa-mar extrema de sizígia, não está incluida nesta definição da zona litoral.

O termo "exposição" é usado em relação ao ambiente marinho e refere-se às acções das ondas e das tidas, e não ao ar. Em vez disso, os termos emersão (exposto ao ar) e submersão (submerso com água) são usados.


*As grandes marés causadas pelo alinhamento do sol, Terra e lua são chamadas de marés de sizígia (spring tides).



Distribuição de organismos marinhos

em função de exposição (horizontal) e zona intertidal (vertical).

Reproduced from Ballantine, W.J. (1961) Field Studies 1.


Porphyra (SL)
Chthalamus (ML)
Pelvetia (MLs)
Fucus spiralis (MLs)
Balanus balanoides (ML)
Ascophyllum (ML)
Fucus vesicolosus (ML)
Gigartina (MLi)
Himanthalia (MLi)
Fucus serratus (MLi)
Alaria (IL)
Laminaria digitata (IL)
Laminaria saccharina (IL)





Os habitats do litoral, da zona das marés, são subdivididos em duas secções na base do tipo do substrato: rocha litoral (substrados duros e consolidados, colonialisados sobretudo por epibiota) e sedimento litoral (materiais não-consolidados e colonialisado sobretudo por "Infauna*").


*Infauna é fauna que vive no substrato do sedimento.



Rocha inclui rocha maciça e acumulações de material rochoso estável (veja Tabela 2).
Sedimento inclui acumulações móveis arredondados de seixo e pedregulhos, areias e lodos.
Costa marítima com substratos mistos de rocha e sedimento são incluidos na secção de substratos sólidos com rocha (LR4)
Depósitos intertidais de turfa são tratados como substratos sólidos com rocha
Substratos artificiais são tratados na secção da costa terrestre (CC1). Note que estes substratos geralmente contêm as mesmas comunidades marinhas como substratos naturais.
Islas de lodo ou areia e canais de estuários que estão expostos ao ar durante a maré baixa, não são tratados separadamente, mas devem ser categorizados na base do tipo de substrato na secção do litoral (zona das marés).
Canais de estuários que mantêm água (doce ou salobra) na maré baixa devm ser incluidas na secção do litoral.
Caniço em estuários deve ser categorisados como caniços e pauis (FS1).




Tabela 2: Intervais de tamanhos de partículas de rocha solta e sedimento


Particle Type Size range - diameter (mm)
Boulder (?bloco)
>256
Cobble (?calhau)
64-256
Pebble (?Seixo - Pedregulho - Cascalho)
16-64
Gravel (?Seixo - Pedregulho - Cascalho) 4-16
Coarse sand (?Areia grossa) 1-4
Medium sand (?Areia media) 0.25-1
Fine sand (?Areia fina) 0.063-0.25
Mud (silt/clay fraction) (?Lodo) <0.063

 


! A terminologia do litoral, usada na zonação em função de exposição e hidrodinâmica na classificação da Grã-Bretagne e da Irlanda, não se deve confundir com a terminologia usada por Saldanha (1995).  Saldanha define como sistema litoral os quatro andares do supralitoral, mediolitoral, infralitoral e circalitoral que no seu conjunto constituem a zona do fital (onde se encontram vegetais). A zona das marés (também designada como intermareal) é apenas uma parte desta zona do fital e extende-se do supralitoral até a uma parte superior do infralitoral. A parte inferior do infralitoral e o circalitoral já não fazem parte da zona das marés.
Saldanha (1995) aponta também para os factores abióticos (físicos) e a importância do hidrodinâmismo para a composição biótica da zona das marés.




Veja também:





Bibliografia:

Saldanha, Luiz: Fauna Submarina Atlântica. 3.ª Edição. Publicações Europa-América, Lda. Portugal. 1995.

The Marine Habitat Classification for Britain and Ireland (version 04.05)

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 - Habitats Naturais












sexta-feira, 14 de Março de 2008

Caminhada (Ib) - Praia da Murtinheira

Caminhada (Ib) - Praia da Murtinheira

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes






Esta caminhada na praia não exige nenhuma precondição física elevada. O trajecto é de aproximadamente 4 km. Para a caminhada também não é preciso calçado especial.


Tópicos:

Oceano e litoral; ambiente marinho; biodiversidade; dunas; recifes; vegetação nas arribas e falésias; plantas invasoras; o conceito do ecossistema.




        Estações:




Algumas impressões fotográficas:



















Fazem-se ao longo do ano (normalmente nas sexta-feiras e fins-de-semana na parte da manha) pequenas caminhadas guiadas na zona da Praia de Quiaios (Figueira da Foz). O objectivo das caminhadas: Descobrir achados da Natureza da Praia de Quiaios.

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