quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Tabelas fitossociológicas Parte Ic

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte Ic.




Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93)





A vegetação climax das dunas estáveis é a comunidade termomediterrânica do Juniperus turbinata : Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae. Esta comunidade é um sintaxone endémico das dunas de areia de Cadiz até ao Cabo Mondego (Província Gaditano-Onubo-Algarviense). Ela aparece em dunas fósseis das arribas da costa. As suas composições incluem: Juniperus turbinata ssp. turbinata, Rubia peregrina var. longifolia, Asparagus aphyllus, Daphne gnidium, Pistacia lentiscus, Phillyrea angustifolia, Smilax aspera var. mauritanica, Corema album, Antirrhinum majus ssp. cirrhigerum, etc. (tabela VII). Na margem e como o primeiro estado de degradação aparece a associação Rubio longifoliae-Coremetum albi (tabela VIII). Esta comunidade segue geograficamente a de Juniperus turbinata e chega até Aveiro. O seu carácter florístico é formado pela combinação de Corema album, Rubia peregrina var. longifolia e Antirrhinum majus ssp. cirrhigerum. Esta comunidade não se encontra no Superdistricto Olissiponense.




Tabela VII. - Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae

(extraído da Tabela VII de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )

Características:

Juniperus turbinata


Rubia peregrina var. longifolia

Asparagus aphyllus

Daphne gnidium

Pistacia lentiscus

Phillyrea angustifolia







Smilax aspera var. nigra

Antirrhinum majus ssp. cirrhigerum

Corema album

Rhamnus alaternus

Olea europaea var. sylvestris




Arisarum vulgare var. clusii

Lonicera implexa

Scilla monophyllos

Bupleurum rigidum ssp. paniculatum

Myrtus communis

Osyris alba

Quercus coccifera


Companheiras

Armeria welwitschii ssp. welwitschii

Cistus salviifolius

Carpobrotus edulis

Ononis natrix ssp. ramosissima

Crucianella marítima

Helichrysum picardi

Euphorbia portlandica

Halimium calycinum

Lotus creticus

Calluna vulgaris

Dactylis marina
?Dactylis marina
Ulex jussiaei ssp. congestus



Calendula suffruticosa ssp. algarbiensis
?Calendula suffruticosa

Artemisia crithmifolia

Urginea maritima

Malcolmia littorea

Seseli tortuosum





Lonicera periclymenum ssp. hispanica


40°12'14.47"N    8°53'58.47"W











 40°12'58.45"N    8°52'35.01"W


Aetheorhiza bulbosa

Scrophularia frutescens

Daucus halophilus
?Daucus halophilus
Lobularia maritima

Ammophila australis

Lithodora lusitanica

Geranium purpureum

Brachypodium phoenicoides

Pimpinella villosa

Sedum sediforme

Cistus crispus

Mais:
Oxalis pes-caprae

Iberis procumbens

Thapsia villosa

Erica scoparia

Hedera helix ssp. canariensis



Tabela VIII. - Rubio longifoliae-Coremetum albi

(Relevés 7,12 extraídos da Tabela VIII de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )

Número do relevé
7
12
Releves 7: Quiaios; 12: Murtinheira
Área mínima (m2)
80
10

Número de espécies
16
7

Características:



Corema album
4
5

Rubia peregrina ssp. longifolia
1
2




Antirrhinum cirrhigerum
1
.

Daphne gnidium
.
1

Asparagus aphyllus
.
.

Scilla monophyllos
+
.

Juniperus turbinata
.
.
Pistacia lentiscus
.
.
Euphorbia characias
.
.

Quercus coccifera
.
.
Smilax aspera
.
.
Companheiras



Helichrysum picardi
1
.

Cistus salviifolius
2
.

Armeria welwitschii ssp. welwitschii
+
+

Artemisia crithmifolia
1
+



Carpobrotus edulis
2
1

Crucianella maritima
1
.

Sedum sediforme
+
.

Seseli tortuosum
+
+


Ammophila australis
.
.
Corynephorus canescens var. maritimus
+
.

Scrophularia frutescens
+
.

Aetheorhiza bulbosa
+
.

Iberis procumbens
.
.

Ononis natrix ssp. ramosissima
.
.

Euphorbia portlandica
.
.

Vulpia alopecurus
.
.

Linaria caesia ssp. decumbens
.
.

Carex arenaria
+
.
Lotus creticus
.
.

Carlina corymbosa
.
.

Anagallis monelli var. microphylla
.
.

Malcolmia littorea
.
.

More relevé











Continuação: --> Parte 1d






sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Tabelas fitossociológicas Parte Ia

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte Ia.




Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93)




Metodologia:

As tabelas fitossociológicas registam a "Artmächtigkeit" (abundância/dominância) em função da cobertura das espécies presentes segundo o método semi-quantitativo de Braun-Blanquet.


A cobertura consiste na percentagem da área total que é ocupada pelos indivíduos de uma espécie comumente utilizada como uma medida de abundância, especialmente quando é difícil calcular-se a densidade. Porém, está sujeita a erros, já que se trata de uma observação subjetiva. Braun-Blanquet descreveu um sistema de classificação baseado em escalas de cobertura:


5
Contínua ou dominante: mais de 75% de cobertura
4
Frequente ou interrompida: 50 a 75% de cobertura
3
Dispersa ou comum: 25 a 50% de cobertura
2
Rara: 15 a 25% de cobertura
1
Muito rara: 5 a 15% de cobertura
+
Esporádica: 1 a 5% de cobertura
r
Quase ausente: menos de 1% de cobertura
.
ausente


Em comunidades com diversos estratos, cada um deve ser tomado separadamente. A exactidão da estimativa bastante satisfatória em superfícies pequenas (até 10 m2). Em áreas grandes, a estimativa é difícil de se realizar principalmente quando se apresentam muitas espécies. Já quando se trata de comunidades que mostram grandes variações estacionais em sua cobertura, a estimativa deve se repetir em diferentes épocas do ano.


A descrição da escala da "Artmächtigkeit" (abundância/dominância) original de Braun-Blanquet é a seguinte:





A partir da escala original de Braun-Blanquet foram introduzidas novas escalas diferentes, às vezes mais pormenorizadas, às vezes com menos categorias do que na escala original. Parece que no trabalho de Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 donde foram extraídos os relevés de Murtinheira e Quiaios, as duas categorias de "+" e "r" foram reduzidas à uma só de "+" - mas isto não está explícito no texto.




Quadro de ajuda para determinação de cobertura e "Artmächtigkeit" (Abundância/Dominância) segundo Braun-Blanquet. (As letras grandes, números 1 à 5, são os da escala de Braun-Blanquet)



1. Dunas e comunidades arbustivos pequenos

1.1. Dunas embrionárias


Na zona das dunas embrionários encontra-se uma comunidade hemicriptofítica (Euphorbio paraliae-Agropyretum junceiformis) (tabela I) das seguntes taxones dominantes: Elymus farctus ssp. boreali-atlanticus, Euphorbia paralias, Eryngium maritimum, Calystegia soldanella e Pancratium maritimum

Tabela I - Euphorbio paraliae-Agropyretum junceiformis

(Relevés 8,9 extraídos da Tabela I de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )


Numero do relevé
8
9
Relevés: 8 = Murtinheira; 9 = Quiaios
Superfície mínima (m2)
10
4

Numero de espécies
8
6

Espécies características



Elymus farctus ssp. boreali-atlanticus
2
2
Euphorbia paralias
1
1

Eryngium maritimum
+
1
Calystegia soldanella
+
1

Pancratium maritimum
+
1

Polygonum maritimum
.
.

Medicago marina
+
.

Espécies differentiais da subassociação
otanthosum maritimae




Otanthus maritimus
2
3

Espécies companheiras



Cakile maritima
+
.



Crucianella maritima
.
.

Reichardia gaditana
.
.

Silene nicaeensis
.
.

Crithmum maritimum
.
.

More relevé














Outras espécies encontradas:


Euphorbia Peplis


Euphorbia peplis - Praia da Murtinheira

40°12'9.56"N   8°54'2.65"W

















1.2. Dunas brancas


As crestas das dunas móveis (dunas brancas) são ocupadas pela associação Otantho-Ammophiletum australis (syn.= Agropyro-Otanthetum maritimi ammophiletosum arenariae J. & G. Br.-Bl., Rozeira & P. Silva 1972). Esta comunidade estende-se do pais Basque até Peniche. Taxa camefíticos e hemicriptofíticos como Ammophila arenaria ssp. australis, Otanthus maritimus, Eryngium maritimum, Medicago marina, Calystegia soldanella são frequentes. A subassociação crucianellietosum maritimae existe na área onde a areia começa a consolidar (tabela II). A associação Otantho-Ammophiletum é encontrada às vezes longe do mar (até 3 km para dentro do litoral) devido aos ventos fortes (p.ex. nos pinhais de Leiria).


Tabela IIOtantho-Ammophiletum australis

(Relevos 2,4,5 extraídos da Tabela II de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )



Numero de relevés 2 4 5 Relevés: 2,4 = Murtinheira; 5 = Quiaios
Superfície mínima (m2) 30
20
20

Numero de espécies 10
11
10

Espécies características



Ammophila arenaria ssp. australis
3
3
3

Otanthus maritimus
1
+
1
Eryngium maritimum
1
.
+
Medicago marina
1
+
1
Calystegia soldanella
.
.
.
Euphorbia paralias
+
.
1
Pancratium maritimum
.
.
+
Leontodon arenarius
+
.
1
Polygonum maritimum
.
1
.


Aetheorhiza bulbosa
1
+
.

Matthiola sinuata
+
+
.

Cyperus capitatus
+
.
.

Differentials of subassociation crucianelletosum
maritimae





Crucianella maritima
.
.
1
Artemisia crithmifolia
.
+
+

Helichrysum picardi
.
+
.




Armeria welwitschii ssp. welwitschii
.
+
.

Iberis procumbens
.
+
.


Companions




Carpobrotus edulis
.
.
.

Elymus farctus ssp. boreali-atlanticus
1
.
.
Seseli tortuosum
.
.
.

Malcolmia littorea
.
.
.

Hydrocotyle bonariensis
.
.
.

Verbascum litigiosum
.
.
.





Silene littorea
.
+
.
Sedum sediforme
.
.
.

Silene nicaeensis
.
.
.

Reichardia gaditana
.
.
.

Crithmum maritimum
.
.
+
More relevé




Cakile maritima
r
.
.



Outras espécies encontradas:


























1.3. Dunas cinzentas


As dunas cinzentas, nas areias fixas, onde as camefitos são dominantes, encontra-se uma associação endémica para a área do estudo, a associação Armerio welwitschii-Crucianelletum maritimae. A sua composição florística inclui as seguintes espécies: Crucianella marítima, Helichrysum picardi, Armeria welwitschii ssp. welwitschii, Artemisia crithmifolia, Pancratium maritimum, Lotus creticus, Ononis natrix ssp. ramosissima, Malcolmia littorea, Carpobrotus edulis, Sedum sediforme, Aetheorhiza bulbosa, Scrophularia frutescens, Euphorbia portlandica, Iberis procumbens ssp. procumbens, Verbascum litigiosum, Cyperus capitatus, Seseli tortuosum, Linaria caesia ssp. decumbens, Vulpia alopecurus, Corynephorus canescens var. maritimus and Calendula suffruticosa ssp. algarbiense (tabela IV). Esta comunidade extende-se de Cascais até Quiaios onde é subsituida por uma segunda associação: a associação atlântica Scrophulario-Vulpietum alopecuris (syn. Iberidetum procumbentis Bellot 1966, pp.).




Tabela IV - Armerio welwitschii-Crucianelletum maritimae

(Relevés 16,17,18 extraídos da Tabela IV de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )


Número do relevé 16
17
18
Relevés: 16 = Quiaios 17,18 = Murtinheira
Superfície mínima (m2) 80
80
60

Número de espécies 19
26
19

Espécies características



Crucianella maritima
2
3
2
Helichrysum picardi
1
+
3
Armeria welwitschii ssp. welwitschii
1
1
1
Pancratium maritimum
+
+
+
Artemisia crithmifolia
3
3
1
Sedum sediforme
2
+
2
Ononis natrix ssp. ramosissima
.
.
.

Malcolmia littorea
.
.
.
Aetheorhiza bulbosa
+
1
+

Euphorbia portlandica
.
+
+

Lotus creticus
.
.
.

Corynephorus canescens var. maritimus
+
1
1

Scrophularia frutescens
1
2
.

Iberis procumbens
.
+
.
Cyperus capitatus
1
+
1
Linaria caesia ssp. decumbens
+
+
+

Seseli tortuosum
+
+
1
Medicago marina
1
+
1
Anagallis monelli var. microphylla
.
+
1

Silene nicaeensis
1
+
+
Carex arenaria
.
+
.




Matthiola sinuata
.
1
.

Herniaria maritima
.
.
.

Herniaria ciliolata ssp. robusta
.
1
+

Leontodon arenarius
.
.
+

Caracteristicas do Ammophilion




Ammophila arenaria ssp. australis
1
.
.

Calystegia soldanella
.
.
.

Otanthus maritimus
1
.
.
Eryngium maritimum
.
.
.


Companheiras




Carpobrotus edulis
2
1
+

Verbascum litigiosum
+
+
+

Vulpia alopecurus
1
1
.

Calendula suffruticosa ssp. algarbiensis
.
.
.

Senecio gallicus
.
.
.

Silene littorea
+
.
.

Dactylis marina
.
.
.

Lobularia maritima
.
.
.

Reichardia gaditana
.
+
.

Anchusa calcarea
.
.
.

Pimpinella villosa
.
.
.

Corema album
.
1
+

Medicago littoralis
.
.
.

Crithmum maritimum
.
.
.

Euphorbia terracina
.
.
.

More relevé



















Continuação: --> Parte Ib








quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Caminhada (Vc) - Encosta até Bandeira

Caminhada (Vc) - Encosta da Serra da Boaviagem até ao mirador "A Bandeira"

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes

Trajecto e estações da Caminhada Vc


Esta caminhada na encosta da Serra da Boaviagem exige alguma precondição física. O trajecto é de aproximadamente 7,6 km. Para a caminhada é preciso calçado tracking ou tenis. Duração da caminhada: Aproximadamente entre 3-4 horas.

Tópicos:

Oceano e litoral; biodiversidade; vegetação mediterrânica e atlântica; matagais arborescentes; pradarias calcárias; orquídeas; plantas invasoras; cantinhos dos pássaros; as arribas do Cabo Mondego.




        Estações:

  1. O moinho do Pardal
  2. Matagais arborescentes
  3. Cantinhos dos pássaros
  4. Falésias da Serra da Boaviagem
  5. Pradarias calcárias nas encostas da Serra da Boaviagem
  6. As Arribas do Cabo Mondego


Algumas impressões fotográficas:


o moinho do Pardal...















caminhada em Maio...





















































































Mais uma caminhada em Maio pela encosta ...Um dia de rara beleza...






quarta-feira, 14 de Maio de 2008

O Sector Divisório Português

O Sector Divisório Português

Extracto de:
Costa, J. C., C. Aguiar, J. H. Capelo, M. Lousã & C. Neto (1999) Biogeografia de Portugal Continental. Quercetea.



A REGIÃO EUROSIBERIANA
SUB-REGIÃO ATLÂNTICA-MEDIOEUROPEIA
        SUPERPROVÍNCIA ATLÂNTICA
I PROVÍNCIA CANTABRO-ATLÂNTICA
    SUBPROVÍNCIA GALAICO-ASTURIANA
1 SECTOR GALAICO-PORTUGUÊS
1A SUBSECTOR MINIENSE
1A1 SUPERDISTRITO MINIENSE LITORAL
1A2 SUPERDISTRITO DO ALVÃO-MARÃO
1A3 SUPERDISTRITO BEIRADURIENSE
1B SUBSECTOR GERESIANO-QUEIXENSE
B REGIÃO MEDITERRÂNICA
SUB-REGIÃO MEDITERRÂNICA OCIDENTAL
SUPERPROVÍNCIA MEDITERRÂNICA IBERO-ATLÂNTICA
II PROVÍNCIA CARPETANO-IBÉRICO-LEONESA
2A SECTOR ORENSANO-SANABRIENSE
    SUBSECTOR MARGATO-SANABRIENSE
2B SECTOR SALMANTINO
2C SECTOR LUSITANO-DURIENSE
2C1 SUPERDISTRITO DURIENSE
2C2 SUPERDISTRITO DA TERRA QUENTE
2C3 SUPERDISTRITO DE MIRANDA-BORNES-ANSIÃES
2C4 SUPERDISTRITO ALTIBEIRENSE
2C5 SUPERDISTRITO RIBACOENSE
2D SECTOR ESTRELENSE
III PROVÍNCIA LUSO-EXTREMADURENSE
3A SECTOR TOLEDANO-TAGANO
3A1 SUBSECTOR HURDANO-ZEZERENSE
3A11 SUPERDISTRITO ZEZERENSE
3A12 SUPERDISTRITO CACERENSE
3A2 SUBSECTOR ORETANO
3B SECTOR MARIÂNICO-MONCHIQUENSE
3B1 SUBSECTOR ARACENO-PACENSE
3B11 SUPERDISTRITO ARACENENSE
3B12 SUPERDISTRITO PACENSE
3B13 SUPERDISTRITO ALTO ALENTEJANO
3B2 SUBSECTOR BAIXO ALENTEJANO-MONCHIQUENSE
3B21 SUPERDISTRITO SERRANO-MONCHIQUENSE
3B22 SUPERDISTRITO BAIXO ALENTEJANO
IV PROVÍNCIA GADITANO-ONUBO-ALGARVIENSE
4A SECTOR DIVISÓRIO PORTUGUÊS
4A1 SUBSECTOR BEIRENSE LITORAL
4A2 SUBSECTOR OESTE-ESTREMENHO
4A21 SUPERDISTRITO COSTEIRO PORTUGUÊS
4A22 SUPERDISTRITO BERLENGUENSE
4A23 SUPERDISTRITO ESTREMENHO
4A24 SUPERDISTRITO OLISSIPONENSE
4A25 SUPERDISTRITO SINTRANO
4B SECTOR RIBATAGANO-SADENSE
4B1 SUPERDISTRITO RIBATAGANO
4B2 SUPERDISTRITO SADENSE
4B3 SUPERDISTRITO ARRABIDENSE
4C SECTOR ALGARVIENSE
4C1 SUPERDISTRITO COSTEIRO VICENTINO
4C2 SUPERDISTRITO PROMONTÓRIO VICENTINO
4C3 SUPERDISTRTO ALGÁRVICO





Província Gaditano-Onubo-Algarviense

A Província Gaditano-Onubo-Algarviense é uma unidade biogeográfica essencialmente litoral que se estende desde a Ria de Aveiro até aos areais da Costa del Sol e aos arenitos das serras gaditanas do Campo de Gibraltar. Inclui os Sectores Divisório Português, Ribatagano-Sadense, Algarviense, Gaditano-Onubense e Algíbico. Os substratos predominantes são arenosos e calcários.

    A flora e vegetação desta Província é rica em endemismos paleomediterrânicos e paleotropicais lianóides e lauróides de folhas coriáceas13. Devido ao carácter ameno (oceânico ou hiperoceânico), com quantidades de frio invernal muito baixas, numerosas plantas termófilas e de gemas nuas encontraram neste território litoral e sublitoral o seu refúgio, tendo sido pouco afectadas pelas sucessivas glaciações. Estas plantas, próprias dos bosques termófilos de carácter oceânico (Quercion broteroi p.p. e Querco-Oleion sylvestris), desaparecem dos azinhais, sobreirais e carvalhais mais continentais porque não puderam recolonizar as áreas mais frias do interior da Península Ibérica durante o Holoceno14. Esta particularidade climática e paleo-ecológica, permitiu ainda a entrada de inúmeros elementos mauritânicos e pôntico-índicos, assim como a persistência dos referidos elementos terciários paleomediterrânicos em comum com a Sub-região Macaronésica (e.g. Myrica faia, Convolvulus fernandesii, Cheilantes guanchica, Polypodium macaronesicum, Woodwardia radicans, etc.). As principais vias migratórias florísticas que confluem neste território são as vias litoral mediterrânica e a correspondente à dorsal calcária bética (das Baleares ao Barrocal algarvio). Do Norte, por seu turno, chegaram sucessivamente táxones atlânticos planifólios e de folha branda da classe Querco-Fagetea, nos períodos em que o macroclima temperado atingiu latitudes mais baixas (Acer spp., Querci caducifólias, Ilex, Inula, Sorbus, etc.). As ericáceas atingiram também esta Província na mesma altura (sobretudo durante o Período atlântico). De modo análogo, a flora predominante nos matagais altos (nanofanerofíticos) – Asparago-Rhamnion (Pistacio-Rahmanetalia alaterni) possui uma grande riqueza em arbustos com origem paleotropical xérica (sp. de Olea, Pistacia, Rhamnus, Myrtus, Asparagus, etc.), que sobreviveram à transição do clima tropical para o mediterrânico durante o Miocénico. Estes ocorrem ainda como comunidades permanentes ou etapas de substituição em territórios não muito pluviosos e quentes.

    A Província Gaditano-Onubo-Algarviense constitui assim, uma extensa área de provável especiação a partir de genótipos diversos (e muito mais antigos) dos ocorrentes nas áreas não costeiras do Ocidente da Península (e.g. Stauracanthus spp.). Diversas vias de migração florística, que têm contribuido de forma muito importante para a “pool” genética muito rica e original desta área. São de destacar as duas vias litorais (uma ascendente, nos substractos dunares móveis e halófílicos, por onde migram táxones mediterrânicos e uma descendente, sub-litoral que desloca táxones atlânticos). Há que considerar uma importante via migratória bética que consiste na dorsal calcária deste a Serra Nevada ao Barrocal algarvio. Muitas das populações de táxones calcícolas gaditano-onubo-algarvienses tem origem em elementos vindos por esta via. Por seu turno, há que considerar a ocorrência das populações com origem numa via norte-africana (táxones iberomauritânicos).

    A sua flora inclui assim, numerosos endemismos de que se podem destacar os seguintes táxones: Arabis sadina, Armeria gaditana, Armeria macrophylla, Armeria velutina, Arenaria algarbiensis, Biarum galiani, Brassica barrelieri subsp. oxyrrhina, Cirsium welwitschii, Cistus libanotis, Dianthus broteri subsp. hinoxianus, Erica umbellata var. major, Euphorbia baetica, Euphorbia welwitschii, E. transtagana, Fritilaria lusitanica var. stenophylla, Helichrysum picardii subsp. virescens, Herniaria maritima, Juncus valvatus, Leuzea longifolia, Loeflingia tavaresiana, Limonium algarviense, Limonium diffusum, Limonium lanceolatum, Linaria lamarckii, Linaria ficalhoana, Narcissus calcicola, Narcissus gaditanus, Narcissus wilkolmmii, Romulea ramiflora subsp. gaditana, Salvia sclareoides, Scilla odorata, Scrophularia sublyrata, Serratula baetica subsp. lusitanica, Stauracanthus genistoides, Stauracanthus spectabilis subsp. vicentinus, Thymus albicans, Thymus mastichina subsp. donyanae, Thymus carnosus, Ulex airensis, Ulex subsericeus, Ulex australis subsp. australis, U. australis subsp. welwitschianus, Verbascum litigiosum.
        Existem outras espécies que são preferenciais deste território como Armeria pungens, Arthrocnemum macrostachyum, Asparagus albus, Asparagus aphyllus, Bartsia aspera, Carduus meonanthus, Ceratonia siliqua, Cheirolophus sempervirens, Corema album, Deschampsia stricta, Fumana thymifolia, Genista tournefortii, Halimium calycinum, Halimium halimifolium, Lavandula pedunculata subsp. lusitanica, Limoniastrum monopetalum, Lotus creticus, Nepeta tuberosa, Osyris lanceolata (= O. quadripartita), Quercus faginea subsp. broteroi, Quercus lusitanica, Retama monosperma, Stachys germanica subsp. lusitanica, Stachys ocymastrum, Stauracanthus boivinii, Sideritis hirsuta var. hirtula, Thymus villosus s.l., etc.

    A sua vegetação é consequentemente e como referido, extremamente original do ponto de vista sintaxonómico. Os bosques potenciais correspondem a várias associações termófilas, Arisaro-Quercetu  broteroi* e Viburno tini-Oleetum sylvestris* (Quercion broteroi e Querco-Oleion). Os bosques Oleo-Quercetum suberis, Myrto-Quercetum suberis, Asparago aphylli-Quercetum suberis*, Smilaco-Quercetum rotundifoliae. Os matagais Asparago albi-Rhamnetum oleoidis, Asparago aphylli-Myrtetum communis*, Quercetum cocciferae-airensis* e Melico arrectae-Quercetum cocciferae* constituem a vegetação florestal e nanofanerofítica endémica da Província. Ressalta também a originalidade sintaxonómica da vegetação não florestal, são exemplos: as charnecas com matos psamofílicos da Stauracantho genistoidis-Halimietalia commutati (Coremion albi*); as associações psamofílicas dunares Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae*, Rubio longifoliae-Coremetum albi* e Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis*; a a comunidade de arribas costeiras Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae*; as subalianças de tojais Stauracanthenion boivinii, e outra de orlas florestais xeroficohumícolas Stachydo lusitanicae-Cheirolophenion sempervirentis*; a aliança rupícola Calendulo lusitanicae-Anthirrhinion linkiani* (Sileno longiciliae-Anthirrhinetum linkiani*). Os freixiais do Ranunculo ficario-Fraxinetum angustifoliae e os salgueirais Viti sylvestris-Salicetum atrocinereae e Salicetum atrocinereo-australis ocorrem nesta Província, bem como os silvados do Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifoliae. Os sapais também posuem vegetação original: Spartinetum maritimi, Sarcocornio perennis-Puccinellietum convolutae*, Cistancho phelypaeae-Arthrocnemetum fruticosae*, Halimiono portulacoidis-Sarcocornietum alpini, Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum glauci*, Arthrocnemo glauci-Juncetum subulati juncetosum subulati e juncetosum maritimi, Cistancho phelypaeae-Suaedetum verae*, Polygono equisetiformis-Juncetum maritimi*, Salicornietum fragilis, Halimiono portulacoidis-Salicornietum patulae*. Nos muros das salinas e outros biótopos halonitrófilos desenvolvem-se as comunidades: Spergulario bocconei-Mesembryanthemetum nodiflori* e Frankenio laevis-Salsoletum vermiculatae*.

    O Sector Divisório Português que se estende desde a Ria de Aveiro, prolonga-se para o interior pelo vale do Mondego até à base da Serra do Açor, seguindo a área de calcários até Tomar até atingir a Lezíria do rio Tejo. É um território litoral plano com algumas serras de baixa altitude, sendo a mais elevada a da Lousã com 1204 metros de altitude. Encontra-se quase todo situado no andar mesomediterrânico inferior de ombroclima sub-húmido a húmido, com excepção das zonas litorais e olissiponenses que são termomediterrânicas superiores sub-húmidas. Possui alguns endemismos próprios (Scrophularia grandiflora, Senecio doronicum subsp. lusitanicus, Ulex jussiaei), além dos exclusivos das unidades inferiores. No entanto, a maioria dos suas espécies endémicas são comuns com o Superdistrito Arrabidense, como por exemplo: Anthirrhinum linkianum, Arabis sadina, Iberis procumbens subsp. microcarpa, Juncus valvatus, Pseudarrhenatherum pallens, Prunus spinosa subsp. insititioides, Serratula estremadurensis, Silene longicilia, Teucrium polium subsp. capitatum, Thymus zygis subsp. sylvestris, Ulex densus. Também ajudam a caracterizar o território Calendula suffruticosa subsp. lusitanica, Hyacintoides hispanica, Laurus nobilis, Leuzea longifolia, Quercus faginea subsp. broteroi, Quercus lusitanica, Scilla monophyllos, Serratula baetica subsp. lusitanica, Serratula monardii. A vegetação é original, de onde se salientam os bosques de carvalho-cerquinho (Arisaro-Quercetum broteroi), os carrascais (Melico arrectae-Quercetum coccciferae e Quercetum coccifero-airensis) e os arrelvados (Phlomido lychnitidis-Brachypodietum phoenicoidis), bem como os sobreirais (Asparago aphylli-Quercetum suberis), os matagais de carvalhiça (Erico-Quercetum lusitanicae), os tojais de tojo-durázio (Lavandulo luisieri-Ulicetum jussiaei), e também os carvalhais termófilos de carvalho-roble (Rusco aculeati-Quercetum roboris viburnetosum tini).

    A posição do Sector Divisório Português não é pacífica, pois este já esteve incluido na Província Luso-Extremadurense (RIVAS-MARTÍNEZ, 1985, LADERO et al. 1987), devido à sua vegetação potencial pertencer ao Quercion broteroi, mas no presente trabalho seguimos o critério de RIVAS-MARTÍNEZ et al. (1990). Possui dois Subsectores: o Beirense Litoral e o Oeste-Estremenho.

    Beirense Litoral16 é um Subsector essencialmente silicioso, com algumas ilhas calcárias (Serra da Boa Viagem e Cantanhede). A região costeira é mais ou menos plana mas torna-se acidentada em direcção ao interior. Estende-se a partir das areias e arenitos litorais de Leiria até à Ria de Aveiro, penetrando pelo vale do Mondego até à Serra do Açor. Encontra-se posicionada no andar mesomediterrânico com a excepção do vale do baixo Mondego a oeste de Coimbra que está no termomediterrânico e ombroclima subhúmido a húmido. O Narcissus scaberulus é uma espécie endémica deste território, sendo os híbridos Quercus x coutinhoi (Q. robur x Q. faginea subsp. broteroi), Quercus x andegavensis (Q. robur x Q. pyrenaica) e Quercus x neomarei (Q. pyrenaica x Q. faginea subsp. broteroi) quase exclusivos do Beirense Litoral. Erica cinerea, Halimium alyssoides, Halimium ocymoides e Pseudarrhremnatherum longifolium são espécies diferenciais desta unidade. É a área por excelência dos carvalhais termófilos de carvalho-roble: Rusco aculeati-Quercetum roboris viburnetosum tini. A sua orla arbustiva é uma comunidade endémica em que domina o azereiro (Prunus lusitanica) - Frangulo alnae-Prunetum lusitanicae - que muitas vezes se encontra em contacto já com o amial mesofítico Scrophulario-Alnetum glutinosae. O urzal Ulici minoris-Ericetum umbellatae é uma das etapas regressivas do carvalhal mais abundantes. Contudo, grande parte do território é ocupada pelos bosques de sobreiro - Asparago aphylli-Quercetum suberis - e pelas suas etapas subseriais: Erico-Quercetum lusitanicae e Lavandulo luisieri-Ulicetum jussiaei ulicetosum minoris. A subassociação ulicetosum minoris da associação Lavandulo luisieri-Ulicetum jussiaei é endémica do Beirense Litoral, assim como os bosques do Arisaro-Quercetum broteroi quercetosum roboris que se encontram nos calcários descalcificados desta área. No sapal do rio Mondego observam-se comunidades mediterrânicas, ainda que empobrecidas como o Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum glauci, quer como associações atlânticas como o Limonio-Juncetum maritimi e o Inulo crithmoidis-Elymetum pycnanthi.

    O Subsector Oeste-Estremenho é um território onde predominam as rochas calcárias duras do Jurássico e Cretácico com algumas bolsas de arenitos cretácicos. A maioria dos seus endemismos como já foi dito são comuns com o Arrabidense17. Contudo possui alguns táxones exclusivos como Armeria welwitschii subsp. welwitschii, Rhynchosinapis monensis subsp. cintrana, Dianthus cintranus subsp. barbatus, Limonium laxiusculum, Limonium multiflorum, Saxifraga cintrana, Ulex jussiaei var. congestus. Por outro lado são diferenciais do território Bartsia aspera, Cistus albidus, Delphinum pentagynum, Fumana thymifolia, Genista tournefortii, Phlomis lychitis, Prunella x intermedia, Prunella vulgaris subsp. estremadurensis, Quercus x airensis, Salvia sclareoides, Sideritis hirsuta var. hirtula, Ulex densus. Predominam as séries de vegetação dos carvalhais de carvalhocerquinho (Arisaro-Quercetum broteroi — > Melico arrectae-Quercetum cocciferae — > Phlomido lychitidis-Brachypodietum phoenicoides — > Salvio sclaareoidis-Ulicetum densi) e dos sobreirais (Asparago aphylli-Quercetum suberis — > Erico-Quercetum lusitanicae —> Lavandulo luisieri-Ulicetum jussiaei). As orlas dos carvalhais Vinco difformis-Lauretum nobilis, Leucanthemo sylvaticae-Cheirolophetum sempervirentis, Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifoliae prunetosum insititioidis, os tojais Salvio sclareoidis-Ulicetum densi ulicetosum densi e Daphno maritimi-Ulicetum congesti, a associação dunar Armerio welwitschii-Crucianellietum maritimi e a comunidade casmofítica aero-halina Limonietum multiflori-virgatae são endémicas deste Subsector. A aliança Calendulo-Anthirrinion linkiani com a associação Sileno longiciliae-Anthirrhinetum linkiani, a comunidade nitrófila de muros Centranthi rubi-Anthirrhinetum linkiani e o juncal de solos calcários mal drenados Juncetum acutifloro-valvati, apesar de comuns com o Arrabidense, tem a maior expressão nesta unidade. O Estremenho, Olissiponense, Sintrano, Costeiro Português e Berlenguense são os Superdistritos que ocorrem nesta unidade.

    O Superdistrito Estremenho é essencialmente calcícola com algumas bolsas de arenitos e situa-se no andar mesomediterrânico inferior húmido a sub-húmido. Possui uma uma cadeia de serras calcárias de baixa altitude que não ultrapassam os 670 m, (Serras do Sicó, Rabaçal, Alvaiázere, Aire, Candeeiros e Montejunto). A zona mais costeira é mais baixa, e tem um relevo ondulado de pequenas colinas. Asplenium ruta-muraria, Biarum arundanum, Cleonia lusitanica, Micromeria juliana, Narcissus calcicola, Quercus rotundifolia e Scabiosa turolensis são táxones que ocorrem neste Superdistrito e ajudam a caracterizá-lo. Além das séries de vegetação do carvalho-cerquinho (Arisaro-Querceto broteroi S.) e do sobreiro (Asparago aphylli-Querceto suberis S.), possui uma outra série florestal original. Esta série mesomediterrânica sub-húmida é encimada por bosques de azinheiras instaladas em solos derivados de calcários cársicos (Lonicero implexae-Quercetum rotundifoliae — > Quercetum cocciferae-airensis — > Teucrium capitatae-Thymetum sylvestris). A vegetação rupícola calcícola (Asplenietalia petrachae-Narciso calcicolae-Asplenietum ruta-murariae) tem um carácter algo distinto no contexto da Província. O juncal e a vegetação rupícola calcícola assinaladas para o Subsector são vulgares neste Superdistrito.

    O território a norte da parte terminal do vale do Tejo, que engloba os concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Amadora, Loures, Mafra, parte de Vila Franca de Xira e Sintra, conhecido como Região saloia, constitui o Superdistrito Olissiponense. É uma área de grande variedade e riqueza geológica onde se observa um mosaico de margas, argilas, calcários e arenitos do Cretácico, rochas eruptivas do Complexo Vulcânico Lisboa-Mafra (basaltos, dioritos, andesitos), calcários e arenitos do Jurássico, arenitos, conglomerados e calcários brancos do Paleogénico e arenitos e calcários margosos do Mio-Pliocénico. O relevo é ondulado com pequenas colinas que não ultrapassam os 400 m de altitude, sendo muitas delas antigos cones vulcânicos. A paisagem agrária de minifúndio de pequenas hortas, pomares e searas separadas por sebes de Prunus spinosa subsp. insititioides (Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifoliae prunetosum insititiodis) é muito típica desta unidade. Situa-se quase na sua totalidade no andar termomediterrânico superior de ombroclima sub-húmido, com exepção de uma pequena área que é mesomediterrânica inferior. Asparagus albus, Acanthus mollis, Ballota nigra subsp. foetida, Biarum galiani, Cachrys sicula, Capnophyllum peregrinum, Ceratonia siliqua, Convolvulus farinosus, Erodium chium, Euphorbia transtagana, Euphorbia welwitschii, Halimium lasianthum, Orobanche densiflora, Ptilostemmon casabonae, Rhamnus oleoides, Reichardia picroides Scrophularia peregrina, são alguns táxones diferenciais do Superdistrito. A vegetação climácica nos solos vérticos termomediterrânicos é constituida por um zambujal arbóreo com alfarrobeiras (Viburno tini-Oleetum sylvestris), que por degradação resulta no Asparago albi-Rhamnetum oleoidis e no arrelvado Carici depressae-Hyparrhenietum hirtae. Nas rochas vulcânicas ácidas e nos arenitos observam-se os sobreirais do Asparago aphylli-Quercetum suberis. Este sobreiral, em solos mal drenados de arenitos duros cretácicos, tem como etapa de substituição um tojal endémico do território - Halimio lasianthi-Ulicetum minoris. Por seu turno, nos luvissolos e cambissolos calcários a série florestal é a do carvalhal cerquinho Arisaro-Querceto broteroi S., onde o tojal resultante da sua degradação - Salvio sclareoidis-Ulicetum densi ulicetosum densi tem a sua maior área de distribuição. O juncal Juncetum acutiflori-valvati ocorre no âmbito desta unidade biogeográfica em biótopos edafo-higrófilos. Alguns dos seus sintáxones endémicos de maior destaque, ocorrem nas arribas marítimas calcárias com a comunidade aero-halina Limonietum multiflori-virgati e o sabinal Querco-Juniperetum turbinatae. Nas dunas encontra-se o Loto cretici-Ammophiletum, o Armerio welwitschii-Crucianellietum e o Osyrio-Juniperetum turbinatae.

    O Superdistrito Sintrano é uma "ilha" de solos siliciosos de origem granítica e sienítica da Serra de Sintra, incluida num contexto de rochas básicas. Situa-se junto ao mar pelo que seu clima tem um forte carácter oceânico. Este território é rico em elementos atlânticos eurosiberianos. A sua flora e vegetação tem um carácter reliquial, em virtude da situação bioclimática temperada. Alguns elementos florísticos que atestam este facto são: Quercus robur, Acer pseudoplatanus, Ilex aquifolium, Hypericum androsaemum, Polygonatum odoratum, Primula vulgaris, Trachelium caeruleum, Cytisus striatus var. eriocarpus e Ulex europaeus subsp. lactebracteatus. Possui alguns endemismos próprios como a Armeria pseudarmeria, Dianthus cintranus subsp. cintranus e Silene cintrana. Devido à amenidade do clima encontram-se diversas espécies macaronésicas naturalizadas de que são exemplo Aichryson dichotomum e Persea indica. No andar termomediterânico sub-húmido a húmido observa-se a série de vegetação Asparago aphylli-Quercetum suberis, que predomina até à meia encosta da Serra de Sintra. No andar mesomediterrânico sub-húmido situam-se os bosques de carvalho-negral (Arbuto unedonis-Quercetum pyrenaicae), enquanto que no ombrotipo húmido, especialmente nos locais onde no Verão os nevoeiros são frequentes, observam-se os bosques termófilos de carvalho-roble (Rusco aculeati-Quercetum roboris viburnetosum tini). O giestal de Cytisus striatus var. eriocarpus, Adenocarpus complicatus subsp. anisochilus, Ulex europaeus subsp. latebracteatus e Pteridium aquilinum (Ulici latebracteati-Cytisetum eriocarpi) e o tojal de Ulex minor, Ulex europaeus subsp. latebracteatus, Erica umbellata, Erica scoparia, Thymus villosus, Cistus psilosepalus etc. (Thymo villosae-Ulicetum lactebracteati) são as etapas regressivas dos carvalhais. No Cabo da Roca também se podem observar as comunidades anemófilas e halófilas Daphno maritimi-Ulicetum congesti e o Diantho cintrani-Daucetum halophili, esta última endémica do território.

O Superdistrito Costeiro Português é um território litoral de areias e arribas calcárias, que se estende desde a Ria de Aveiro até ao Cabo da Roca. É essencialmente termomediterrânico. Armeria welwitschii subsp. cinerea e Limonium plurisquamatum são endémicos deste Superdistrito, e Armeria welwitschii subsp. welwitschii, Corema album, Halimium halimifolium, Halimium calycinum, Herniaria maritima, Iberis procumbens, Juniperus turbinata, Limonium multiflorum, Linaria caesia subsp. decumbens, Stauracanthus genistoides, Ulex europaeus subsp. latebracteactus são alguns dos táxones diferenciais desta unidade. É neste Superdistrito, na zona de Peniche, que se encontra a fronteira entre o Otantho-Ammophiletum australis e o Loto cretici-Amophiletum australis. Estas duas comunidades, são de óptimo eurosiberiano (atlântico) e mediterrânico respectivamente, o que atesta o encontro neste território das vias migratórias litorais atlântica (descendente) e mediterrânica (ascendente). As suas dunas são a área preferencial de distribuição da comunidade de “ duna cinzenta” Armerio welwitschii-Crucianellietum maritimae. Os sabinais Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae e Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae são as comunidades permanentes respectivamente das dunas e das arribas calcárias respectivamente. Ainda nestas arribas também se observam os tojais Daphno maritimi-Ulicetum congesti, Salvio sclareoidis-Ulicetum densi ulicetosum densi e as comunidades casmofíticas aero-halinas Limonietum multiflori-virgati e Dactylo marini-Limonietum plurisquamati, esta última endémica do superdistrito. Outras comunidades exclusivas deste território são: o mato psamofílico Stauracantho genistoidis-Coremetum albi e o medronhal dunar de carácter oceânico Myrico faiae-Arbutetum unedonis inéd.. Também ocorrem algumas lagoas, cuja vegetação hidrofítica se assemelha à que surge no Superdistrito Sadense.

O Arquipélago das Berlengas, que se encontra a Oeste de Peniche, constitui o Superdistrito Berlenguense18, e cuja litologia é dominada por granitos e gneisses. Tem dois endemismos: a Armeria berlengensis e a Herniaria berlengiana. Angelica pachycharpa, Calendula suffruticosa subsp. algarbiensis, Cochlearia danica, Dactylis marina, Linaria spartea, Silene uniflora, Silene marizii, Scrophularia sublyrata, Spergularia rupicola são algumas das espécies que são diferenciais da unidade constituida por estas pequenas ilhas. Em relação à vegetação estão presentes as seguintes associações: Scrophulario rupicolae-Armerietum berlengensis, Scrophulario sublyratae-Suaedetum verae e Sagino maritimae-Cochlearietum danicae.







13 I.e. plantas da “durisilva” oceânica pluvial, erradamente classificada como “laurisilva” (sensu Rübel). Esta vegetação antiga, remontando aos paleo-ambientes tropicais e mediterrânicos pluviestacionais, não tendo sofrido o efeito das glaciações, persiste na Macaronésia (Pruno-Lauretea azoricae). A partilha de alguns táxones com esta ultima Sub-Região deu origem à expressão muito divulgada, mas errónea na opinião dos autores, “ flora” ou “elemento” “macaronésico” da flora do SW da Península.


14 Nestas últimas (Províncias Luso-Extremadurense e Carpetano-Iberico-Leonesa) o sub-bosque é dominado por plantas remanescentes das estepes semi-arborizadas tardiglaciares (clima frio, continental e seco).

15 * sintáxones endémicas da Província

15
Esta última também faz a transição entre o sapal e a duna.

16
A inserção biogeográfica desta unidade põe alguns problemas. Este território que corresponde grosso modo, à superfície de erosão do rio Mondego, não possui barreiras orográficas importantes orientadas no sentido W-E. Deste modo, é provável, que durante todo o final do Quaternário (Holoceno) a oscilação do limite entre os macroclimas Temperado e Mediterrânico tenha levado à alternância sucessiva da ocupação deste território por vegetação mediterrânica (bosques esclerófilos perenifólios) e eurosiberiana (bosques caducifólios). A referida ausência de barreiras orográficas transversais ao sentido das variações climáticas e concomitantemente das constantes migrações sucessivas de floras mediterrânicas (no sentido N) e temperadas (no sentido S), concorreram para a grande heterogeneidade da sua paisagem vegetal. Assim, constata-se que actualmente a maioria da área se situa no macroclima mediterrânico, apesar das numerosas ilhas temperadas (submediterrânicas) que ocorrem ainda nas cotas mais elevadas (e.g. Serra da Lousã). Nestas últimas, e dependendo da exposição, os clímaces climatófilos são bosques de Quercus robur (temperado), enquanto que o restante território está ocupado pela Quercus suber (mediterrânico). Nos territórios claramente mediterrânicos, a Q. robur só surge em biótopos edafo-higrófilos com água no solo de origem freática (freixiais com carvalhos). A análise das geoséries (ômbricas) do território comprova largamente a “ subida” recente da vegetação mediterrânica. Sobretudo nas etapas sub-seriais dominam elementos mediterrânicos divisório-portugueses (e em geral gaditano-onubo-algarvienses) e.g. Ulex jussiaei, Quercus lusitanica, etc. No sub-bosque dos carvalhais robles são co-dominantes elementos próprios da classe Quercetea ilicis (Rubia peregrina, Smilax aspera, Viburnum tinus, Phillyrea latifolia, etc.), o que demonstra igualmente a colonização recente desta unidade pelo mundo mediterrânico. Deste modo, a posição biogeográfica alternativa desta Região seria, pelas razões expostas, no Sector Galaico-Português. Optámos, no entanto, pela sua colocação no Sector Divisório-Português por uma questão de consistência com a tendência dominante da evolução da vegetação no território. O corte de bosques, a erosão dos solos e a consequente xerofilização dos biótopos acelerou a entrada dos elementos e da vegetação mediterrânica.

17 A lógica da classificação biogeográfica exige a continuidade espacial das unidades, pelo que se situa o Superdistrito Arrabidense no Ribatagano-Sadense, que o envolve completamente. Sem esta exigência formal, este Superdistrito seria naturalmente afectado ao Sector Divisório-Português.


18 Este Superdistrito unidistrital possui elementos endémicos, que justificam a sua provável categoria superdistrital. Esta originalidade resulta da presença, não só de endemismos, mas de relíquias litorais eurosiberianas (Angelica pachycarpa) ausentes da costa de Peniche.


Veja também:


Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quaios (Sector Divisório Português).









Dunas litorais

Dunas litorais


Ao contrário do que o senso comum poderia levar a pensar, o mar é um consumidor e não um criador de areias. É fácil compreender isso, já que o mar, mesmo se actua com muita energia, fá-lo numa estreita faixa. Os rios, pelo contrário actuam sobre quase toda a superfície terrestre, e levam os produtos da meteorização das imensas superfícies continentais e da erosão que efectuam até ao mar, onde são depois mobilizados e distribuídos pelos litorais. Parte destas areias que os rios e os ventos levam ao mar, são então devolvidos pela acção dos ventos e do mar ao litoral, em forma de dunas.

Maria da Assunção Ferreira Pedrosa de Araújo







Cordão litoral da costa portuguesa para Norte da Praia de Quiaios com dunas móveis e arborizadas, visto pela perspectiva aérea

Dunas litorais

A movimentação das areias pelo vento, necessária à criação de dunas, depende de diversos factores:


  • · disponibilidade em areias finas e secas,
  • · ausência de vegetação,
  • · ventos eficazes (só os ventos que têm uma velocidade superior a 16km/h conseguem mobilizar as areias).

Como estas condições são frequentes nas regiões litorais, os litorais são locais favoráveis à constituição de dunas.

Entre as praias e as dunas que se situam na sua retaguarda estabelece-se uma relação de complementaridade. Com efeito, durante o verão, a deflação pode exercer-se numa área relativamente extensa de areia seca. Durante o inverno, todavia, uma parte das areias já acumulada sob a forma de dunas pode ser arrastada para o mar indo constituir uma reserva de areias que poderá ser lançada, de novo, na costa, na situação de bom tempo.




Fig. 2 - Arrasto parcial da duna primária pela acção do mar no inverno.



A travagem do vento quando surgem as primeiras irregularidades no terreno é a principal causa que vai levar a um depósito de areias. Este pode fazer-se a favor de tufos de vegetação halófita que vão colonizando a antepraia. Para isso é necessário que esta fique fora da acção das ondas durante algum tempo, o que implica, pelo menos, uma situação de equilíbrio na praia. Uma descida do nível do mar, ou processos de acumulação muito intensos, originando uma progradação do litoral e o abandono de antigos cordões litorais podem favorecer, como é evidente, a acumulação de campos dunares mais ou menos extensos.

As dunas embrionárias originadas pela acumulação de areias nos tufos de vegetação da antepraia são designada por nebkas. A coalescência de diversas nebkas origina uma duna frontal, também chamada duna primária ou duna branca ,


Fig. 3a - Duna primária ("White Dune") com Ammophila arenaria nas crestas da duna.




grosseiramente paralela à linha de costa e com um perfil mais ou menos simétrico. A circulação do ar a sotavento da duna frontal cria turbilhões que acabam por originar a formação de depressões interdúnicas, também chamadas duna cinzentas (devido à cor acinzentada que o detrito orgânico e vegetação rasteira, sobretudo a granza das praias (Crucianella maritima), dá às areias).



Fig. 3b - Dunas cinzentas com Crucianella maritima na Praia de Quiaios.




Fig. 4a - Crucianella maritima, a granza das praias, nas dunas cinzentas



Fig. 4b - Crucianella maritima - as folhas formam quatro verticilos em forma de cruz.


Fig. 4c - Crucianella maritima - com flores.


Em situações em que a vegetação é escassa ou inexistente ou em que o fornecimento de areias é muito abundante, podem formar-se dunas livres, ou barkhans. Estas dunas, em forma de crescente com a convexidade face ao vento, apresentam um perfil dissimétrico em que a face exposta ao vento tem um declive entre 5° e 10° e a face a sotavento tem um declive elevado, da ordem dos 30-33°.



Mais para o lado do interior do litoral seguem-se às dunas cinzentas frequentemente as dunas descalcificadas e dunas arborizadas.


As dunas fixas descalcificadas atlánticas caracterizam-se pelo seguinte:

• são dunas fixas com tojais, tojais-urzais e tojais-estevais psamófilos (= com preferência para solos arenosos) litorais ou sublitorais.
• Dominância de arbustos espinhosos do género Ulex (fam. Leguminosae) (U. australis subsp. welwitschianus ou U. europaeus subsp. latebracteatus).


Fig. 5 - Tojo (Ulex lactebracteatus)

• Solos de textura arenosa profundos, oligotróficos e com baixa capacidade de retenção de água.
• Vegetação é interpretada como comunidades subseriais de bosques de Querci ou Pinus.
• Genericamente, é favorecida pela perturbação pelo fogo.



Fig. 6 - O Pinheiro marítimo (Pinus pinaster) em dunas terciárias de Praia de Quiaios


As dunas arborizadas atlánticas têm as seguintes características:


• Dunas costeiras – terciárias ou paleodunas – com bosques psamófilos mistos de carvalhos e sobreiros (Rusco aculeati-Quercetum roboris subas. quercetosum suberis) (vd. Caracterização, habitat 9230 “Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus pyrenaica ”.

• Dunas costeiras – terciárias ou paleodunas – com formações arbóreas dominadas pelo pinheiro-bravo (Pinus pinaster subsp. atlantica) adultos, plantados ou de regeneração natural, com sub-bosque dominado por vegetação arbustiva espontânea, evoluída e sem uma história de perturbação recente, constituída por tojais altos (de Ulex europaeus subsp. latebracteatus), camarinhais (de Corema album), giestais (com Cytisus grandiflorus, Erica scoparia), matagais mistos (com Arbutus unedo)

Fig. 7 - O medronheiro (Arbutus unedo)


e/ou árvores dispersas de carvalho-alvarinho (Quercus robur ) e sobreiro (Q. suber ).



Fig. 8 a,b - Pinheiros marítimos (Pinus pinaster) em (?paleo)dunas arborizadas de Praia de Quiaios


• As formações arbustivas naturais e as árvores autóctones dispersas que hoje constituem o sub-bosque destes pinhais testemunham, na maioria das situações (paleodunas), a existência prévia de uma faciação particular da subsérie de vegetação típica dos territórios minienses meridionais (Rusco aculeati-Querco roboris sigmetum querco suberis sigmetosum).



Fig. 9 - Gilbardeira (Ruscus aculeatus)


• Ambos os tipos de formações boscosas ocorrem, maioritariamente, nos andares termomediterrânico ou termotemperado sub-húmido a húmido, em dunas holocénicas com solos de textura arenosa mais ou menos podzolizados.


Portugal teve grandes problemas com dunas móveis antes da fixação e arborização das dunas, que começou no no século 18 e foi concluido no início do século XX.





Fig. 10 a,b - Areias móveis em Portugal antes da fixação das dunas.

Desenvolvimento sequencial de dunas litorais

Muitas vezes, atrás da duna frontal existem outras cristas dunares, formadas em períodos anteriores.

Num litoral em que haja uma certa progradação podem existir várias cristas dunares mais ou menos paralelas, correspondendo a sucessivas dunas frontais progressivamente mais antigas à medida que nos afastamos do mar.

À medida que uma crista de dunas perde a sua ligação à praia, ela deixa de receber areias e cria-se uma tendência à erosão. Esta pode ser materializada pelos “blow outs”, depressões de forma semi-circular existentes na face da duna. Estes blow outs têm tendência a acentuar-se e a migrar para o interior. Essa migração acaba por deixar na sua frente braços afilados que têm uma direcção aproximadamente paralela à dos ventos dominantes e que se podem designar como dunas longitudinais (veja Fig. 1). Na sua retaguarda encontram-se dunas de forma parabólica. Estas dunas têm um desenvolvimento contrário ao das dunas do tipo barkhan. Com efeito, embora a forma seja também em crescente, no caso das dunas parabólicas a concavidade situa-se do lado onde sopra o vento, ao contrário do que se passava com as barkhans.


Dunas actuais e dunas fósseis

Muitas vezes coexistem, no mesmo espaço, diversos sistemas de dunas. Elas reconhecem-se quer através da orientação das suas cristas, que podem representar ventos dominantes contrastantes com os actuais, quer, sobretudo, através do tipo de pedogénese que sofreram.

A sobreposição de diversos conjuntos dunares ocorre noutros locais. Embora as propostas existentes para as idades das dunas das Landes e das dunas da região de Cortegaça sejam diversas, o conjunto tem analogias notórias, nomeadamente pelo facto de existir um sistema de dunas antigas com uma crosta aliótica em ambos os casos. Essas analogias não passaram despercebidas a R. Paskoff que escreveu um artigo justamente sobre as semelhanças entre as dunas das Landes e as dunas da região da Gândara (que, por sua vez, têm analogias evidentes com as dunas de Cortegaça.

Se as dunas consolidadas do Norte do país se apresentam geralmente com um fácies semelhante ao descrito para as dunas de Cortegaça, na região de Lisboa (Magoito, Oitavos), a sua consolidação fica a dever-se ao carbonato de cálcio. O mesmo acontece na região de Porto Côvo e Vila Nova de Milfontes, onde o grés calcário que constitui a duna consolidada sofreu um processo de carsificação, mantendo, no conjunto a forma típica de uma duna.



A importância da vegetação na formação das dunas litorais


As dunas litorais constituem uma zona de interacção entre o continente e o oceano. O desenvolvimento de actividades, a intensificação de usos recreativos e a ocupação incauta deste espaço do território, têm conduzido a situações de desequilíbrio e erosão costeira e consequentemente à destruição dos ecossistemas dunares litorais.


Fig. 11 - Duna embrionária (pré-duna) na Praia de Quiaios



Estes ecossistemas estão sujeitos a processos de erosão - transporte - sedimentação, intrínsecos à sua natureza e dinâmica costeira, que se desenrolam lentamente, mas que são acelerados de forma catastrófica pela acção humana.



Em termos básicos as dunas litorais podem ter origem em processos diferentes, embora existam etapas comuns a todos eles:



Transporte pelo vento da areia seca da praia, na maré baixa e sua deposição mais adiante, para o interior.




A areia depositada começa a formar um pequeno montículo, onde aparece a primeira vegetação - espécies pioneiras - que vão consolidando as areias depositadas.



É depositada mais areia, pela acção do vento e a diversidade de espécies vegetais vai aumentando progressivamente.


É esta deposição permanente de areia e progressiva fixação de vegetação, que determina a formação das dunas, sua manutenção e consolidação, conferindo-lhe estabilidade, apesar do dinamismo de todo este processo, permanente e contínuo, razão pela qual, desempenha um papel preponderante na protecção do litoral.




Em todo este dinamismo que caracteriza os ecossistemas, é fundamental o papel da vegetação na formação das dunas, sendo o mar o elemento selectivo da sua colonização, dado que apenas algumas plantas conseguem sobreviver, pelos mecanismos de defesa e adaptabilidade que possuem. São plantas que têm de resistir ao vento, à salinidade, às grandes amplitudes térmicas, que ocorrem durante o ano, à grande luminosidade, à falta de água doce no solo e soterramento constante.


Assim, o lado virado para o mar é de grande pobreza florística, destacando-se o estorno (Ammophila arenaria), planta com grande resistência ao vento e salinidade e, sobretudo ao soterramento, devido à sua grande capacidade de regeneração.



Fig. 12a - Estorno (Ammophila arenaria)

Fig. 12b - Ammophila arenaria - corte transversal da folha


Salientam-se, ainda, as armérias (Armeria sp.)




Fig. 13 - Armérias (Armeria sp.) nas falésias do Cabo Mondego


em forma de tufo, com rigidez suficiente para suportar a acção dos ventos, os cordeirinhos-da-praia (Otanthus maritimus)




Fig. 14 - Cordeirinhos-da-praia (Otanthus maritimus)



e os cardos marítimos (Eryngium maritimum),




Fig. 15 - Cardos marítimos (Eryngium maritimum) nas pré-dunas na praia da Murtinheira.


cujas raízes formam uma rede densa que consolida as areias.


O lado virado para o interior e zona inter-dunar, também chamado "Dunas cinzentas", mais abrigados da acção do vento e sem contacto directo com o mar, apresenta maior diversidade florística, encontrando-se alguns arbustos como a camarinha (Corema album),




Fig. 16 - Camarinhas (Corema album) nas dunas cinzentas de Praia de Quiaios.

algumas estevas e até mesmo algumas árvores, na zona interdunar, como o pinheiro bravo (Pinus pinaster)


Fig. 17 - Pinheiro bravo (Pinus pinaster) nas dunas cinzentas de Praia de Quiaios.



e o pinheiro manso



Fig. 18 Pinheiro manso (Pinus pinea ) nas dunas cinzentas de Praia de Quiaios.


Associado a esta vegetação, já se encontram algumas espécies animais, essencialmente insectos, pequenos répteis e algumas aves limícolas que nidificam nas dunas.


Para além de serem os "pulmões" do litoral, as dunas constituem uma das riquezas ecológicas e paisagísticas da região onde se inserem.


Um exemplo desta riqueza é a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, detentora de um sistema dunar litoral com cerca de 90 ha, num estado de equilíbrio dinâmico praticamente único no País.


No sentido de preservar a riqueza ecológica deste espaço, a RNDSJ tem vindo a desenvolver trabalhos de renaturalização da duna primária e zona inter-dunar, onde, com bastante sucesso, se tem vindo a proceder ao corte de infestantes como a acácia


Fig. 19 - Acacia sp. nas dunas cinzentas da Praia de Quiaios.



e o chorão





Fig. 20a - Chorão (Carpobrotus edulis)




Fig. 20b - Chorão (Carpobrotus edulis)


e posterior plantação com espécies vegetais características deste ecossistema.


Porém, as acácias (que são como o eucalipto de origem da Austrália) invadem não apenas as dunas móveis e zonas interdunares, mas também as dunas terciárias, pinhais, paleodunas e as encostas da Serra da Boaviagem. Esta invasão, que também se observa em outros sítios do país, como por exemplo da Serra da Lousã ou do Parque Nacional da Serro do Gerês, está longe de ser combatida ou dominada e tem por consequência a destruição parcial ou até total das floras autóctones deste e de outros países mediterrânicas.

Aqui verifica-se mais uma vez o tremendo perigo que constitui a incontrolada introdução de espécies exóticas.




Fig. 21a - Jovens Acácias num pinhal de Pinus pinaster em paleodunas de Praia de Quiaios

Fig. 21b - Acácias num pinhal de Pinus pinaster em paleodunas de Praia de Quiaios



Veja também:






Links:

Photos de horstengels
http://www.panoramio.com/user/199980

Photos de horstengels2
http://www.panoramio.com/user/1601996

Reserva Natural Dunas S. Jacinto
http://camarinha.aveiro-digital.net/habitats002.htm

Maria da Assunção Ferreira Pedrosa de Araújo: Geomorfologia Litoral
http://web.letras.up.pt/asaraujo/seminario/Aula7.htm

Fixação e Arborização das Dunas do Litoral http://www.drapc.min-agricultura.pt/base/documentos/fixacao_dunas.htm

Invasões biológicas
http://www1.ci.uc.pt/invasoras/









terça-feira, 6 de Maio de 2008

Achados de plantas na Praia de Quiaios e na Encosta da Serr...

Achados de Plantas na Praia de Quiaios e na Encosta da Serra da Boaviagem



No limite ocidental do continente europeu e na margem do oceano e do litoral português atlântico, encontram-se dunas litorais (móveis e arborizadas) com plantas endémicas da Península Ibérica ou mesmo de Portugal.

 

Camarinhas (Corema album) nas dunas da Praia de Quiaios


O limite oriental da praia de Quiaios é formado por uma pequena serra, a Serra da Boaviagem, com comunidades de plantas na transição florística entre espécies mediterrânicas e atlânticas. Nestas comunidades de plantas existem  orquídeas  (habitat 6210 ) preciosas e tufos de espécies raras ou mesmo endémicas em pradarias sobre terrenos calcários - bem adaptadas ao clima ventoso desta costa.

Esta parte da orla portuguesa pertence
biogeograficamente à Província Gaditano-Onubo-Algarviense.
A Província Gaditano-Onubo-Algarviense é uma unidade biogeográfica essencialmente litoral que se estende desde a Ria de Aveiro até aos areais da Costa del Sol e aos arenitos das serras gaditanas do Campo de Gibraltar. Inclui os Sectores Divisório Português, Ribatagano-Sadense, Algarviense, Gaditano-Onubense e Algíbico. Os substratos predominantes são arenosos e calcários.

A flora e vegetação desta Província é rica em endemismos paleomediterrânicos e paleotropicais lianóides e lauróides de folhas coriáceas. Devido ao carácter ameno plantas termófilas e de gemas nuas encontraram neste território litoral e sublitoral o seu refúgio, tendo sido pouco afectadas pelas sucessivas glaciações. Estas plantas, próprias dos bosques termófilos de carácter oceânico (Quercion broteroi p.p. e Querco-Oleion sylvestris), desaparecem dos azinhais, sobreirais e carvalhais mais continentais porque não puderam recolonizar as áreas mais frias do interior da Península Ibérica durante o Holoceno. Esta particularidade climática e paleo-ecológica, permitiu ainda a entrada de inúmeros elementos mauritânicos e pôntico-índicos, assim como a persistência dos referidos elementos terciários paleomediterrânicos em comum com a Sub-região Macaronésica (e.g. Myrica faia, Convolvulus fernandesii, Cheilantes guanchica, Polypodium macaronesicum, Woodwardia radicans, etc.).

As principais vias migratórias florísticas que confluem neste território são as vias litoral mediterrânica e a correspondente à dorsal calcária bética (das Baleares ao Barrocal algarvio). Do Norte, por seu turno, chegaram sucessivamente táxones atlânticos planifólios e de folha branda da classe Querco-Fagetea, nos períodos em que o macroclima temperado atingiu latitudes mais baixas (Acer spp., Querci caducifólias, Ilex, Inula, Sorbus, etc.). As ericáceas atingiram também esta Província na mesma altura (sobretudo durante o Período atlântico). De modo análogo, a flora predominante nos matagais altos (nanofanerofíticos ) – (Asparago-Rhamnion Pistacio-Rahmanetalia alaterni) possui uma grande riqueza em arbustos com origem paleotropical xérica (sp. de Olea, Pistacia, Rhamnus, Myrtus, Asparagus, etc.), que sobreviveram à transição do clima tropical para o mediterrânico durante o Miocénico. Estes ocorrem ainda como comunidades permanentes ou etapas de substituição em territórios não muito pluviosos e quentes.

    A Província Gaditano-Onubo-Algarviense constitui assim, uma extensa área de provável especiação a partir de genótipos diversos (e muito mais antigos) dos ocorrentes nas áreas não costeiras do Ocidente da Península (e.g. Stauracanthus spp.). Diversas vias de migração florística, que têm contribuido de forma muito importante para a “ pool” genética muito rica e original desta área. São de destacar as duas vias litorais (uma ascendente, nos substractos dunares móveis e halófílicos, por onde migram táxones mediterrânicos e uma descendente, sub-litoral que desloca táxones atlânticos). Há que considerar uma importante via migratória bética que consiste na dorsal calcária deste a Serra Nevada ao Barrocal algarvio. Muitas das populações de táxones calcícolas gaditano-onubo-algarvienses tem origem em elementos vindos por esta via. Por seu turno, há que considerar a ocorrência das populações com origem numa via norte-africana (táxones iberomauritânicos).


Descrevemos nesta página alguns destes achados de plantas numa sequência não sistemática.




As plantas das dunas


Os halófitos são a designação das plantas que vivem em meios salgados. As espécies do sapal, apesar de terem bastante água à sua disposição, esta é salgada e às vezes, chegam a suportar concentrações de sal, durante períodos mais ou menos longos, superiores às águas do mar como pode acontecer com Ruppia maritima e algas do género Chara. Para sobreviver em ambiente tão hostil as plantas tiveram necessidade de adaptar o seu metabolismo, seguindo por isso várias estratégias:

  • Desenvolvimento da suculência resultante do aumento da diluição iónica mediante o incremento da relação volume/superfície externa
  • Absorção em alto grau de certos iões, como potássio
  • Extrusão iónica mediante glândulas especiais de sais
  • A existência de glândulas de sal é responsável pelo conteúdo mineral de muitos halófitos.





Nas dunas - apesar das diferenças acentuadas entre salgados e dunas - existem três características comuns: instabilidade, carência de nutrientes e falta de humidade do solo, que são melhoradas com restos orgânicos trazidos pelas marés, depositados no cimo da linha de inundação, sendo aqui o começo da formação da duna.

Para sobreviver em meio tão adverso as plantas das dunas também sofreram modificações morfológicas, anatómicas e fisiológicas, assim:

  • Para diminuir a transpiração possuem folhas de reduzidas dimensões
  • Possuir uma forma prostrada
  • Raízes muito profundas para captar água em profundidade
  • Aptidão e capacidade para formar entre-nós ou rizomas horizontais e verticais conforme as deposições sobre a planta e da mobilidade da areia ;
  • Caules e folhas suculentas com reservas de água
  • Plantas CAM, isto é que só abrem os estomas à noite
  • Presença de micorrizas nas raízes que ajudam a sobreviver as plântulas e posteriormente colonizar as dunas.


Dunas brancas

Nas cristas das dunas, onde a areia ainda possui uma mobilidade elevada, domina o hemicriptófito







Dunas cinzentas


Por detrás das cristas dunares a areia encontra-se fixada por caméfitos, esta formação é chamada de duna cinzenta. É na costa de Portugal continental onde se encontram as mais belas dunas cinzentas da Europa e com maior diversidade de espécies.


Aqui encontram-se entre outras:


  • Camarinhas (Corema album)




 veja também: Camarinhas no blog : Um amador da Natureza




  • Crucianella maritima,






  • Othantus maritimus






  • Antirrhinum majus ssp. cirrhigerum





  • Reichardia gaditana







  • Pancratium maritimum

Pancratium maritimum, or sea daffodil, is a species of Amaryllidaceae native to the Mediterranean region and south-western Europe. That plant can also be seen on the south Bulgarian coast of Black Sea where is threatened with extinction. It grows on coastal sands or just above the high tide mark. Other vernacular names are Sand Daffodil and Sand Lily. The Latin maritimum means "on the sea-coast".

P. maritimum is a bulbous perennial with a long neck and glaucous, broadly linear leaves, evergreen, but the leaves often die back during hot summers. Scape to 40 cm. Flowers 3-15 in an umbel, to 15 cm long, white. Corona two-thirds as long as the tepals. The flowers have an exotic lily scent. Flowering in August to October.

Easy to grown but requires a very sunny position and a very well drained, sandy soil. Need hot summers to induce flowering and is often a shy bloomer in cooler climates. Hardy to USDA zone 8. Tolerates temperatures down to about -5°C. Propagation by seeds or division after flowering. Seedlings may flower in their third or fouth year.

The Hebrew name for the flower is חבצלת החוף, closely related to the rose of Sharon (חבצלת השרון) mentioned in the Song of Solomon. It is commonly assumed by most people in Israel that, the Sharon plain being on the coast of the Mediterranean Sea, the Biblical passage refers to this flower.




  • Anagallis monelli


  • Silene littorea




  • Silene niceensis (= S. arenaria, S. littoralis)




  • Cyperus capitatus




  • ?Leontodon taraxoides arenaria 


  • Seseli tortuosum






  • Limonium sp.








  • Iberis procumbens








As plantas da encosta da serra da Boaviagem e das arribas do Cabo Mondego



A - Orquídeas (veja também os links: orquídeas  (habitat 6210 ) )


  • Ophrys apifera


  • Ophrys speculum






The genus Ophrys is a large group of orchids from the alliance Orchis in the subtribe Orchidinae. There are many natural hybrids. The type species is Ophrys insectifera L.1753

They are referred to as the "Bee orchids" due to the flowers of some species resemblance to the furry bodies of Bumble Bees and other insects. Their scientific name is derived from the Greek word "ophrys", meaning "eyebrow", referring to the furry edges of the lips of several species.

Ophrys was first mentioned in the book "Natural History" by Pliny the Elder (23-79 AD).

They are terrestrial or ground orchids from central to South Europe, North Africa, Asia Minor, up to the Caucasus Mountains, but mostly around the Mediterranean. They are considered the most important group of European terrestrial orchids.

During summer all Ophrys orchids are dormant as an underground bulbous tuber, which serves as a food reserve. In late summer/autumn they develop a rosette of leaves. Also a new tuber starts to grow and matures until the following spring; the old tuber slowly dies. The next spring the flowering stem starts to grow. During flowering the leaves already start to wither.

Most Ophrys orchids are dependent on symbiotic fungi. Because of this, some species only develop small alternate leaves. Transplanting specimens, especially wild specimens, is difficult, sometimes impossible, due to this symbiosis. The shiny, basal leaves have a green or bluish color.

The flowers surpass all other European orchids. Two to twelve flowers grow on an erect stem with basal leaves. They are absolutely unique not only because of their unequaled beauty, color range and exceptional forms, but also because of the ingenuity by which they attract insects. Their lip mimics several insects, such as that of a bee, a wasp, or a beetle, attracting and duping the right pollinator. This visual cue serves as a close-range attractant. This pollination mimicry is enhanced by producing the scent of the receptive female insect. This is the long-range attractant. These insect pheromones cause them to approach and investigate the flowers more closely. This all happens in a period that only males are active and females haven't appeared yet.

The Bumblebee Orchid (Ophrys bombyliflora) is a typical example. It has flowers that look and smell so much like female Bumble Bees that males flying nearby are irresistibly drawn in by this chemical signal, stimulating them sexually. The insect gets so excited that he starts to copulate with the flower. This is termed pseudocopulation. The firmness, the smoothness and the velvety hairs of the lip are a further incentive for the insect to enter the flower. The pollinia inadvertently stick to the head or the abdomen of the male bumblebee. On visiting another orchid of the same species, the bumblebee pollinates its sticky stigma with the pollinia. The filaments of the pollinia have, during transport, taken such a position that the waxy pollen are able to stick to the stigma. Such is the refinement of the reproduction. If the filaments hadn’t taken the new position, the pollinia could not have pollinated the new orchid.

Every Ophrys orchid has its own pollinator insect and is completely dependent on this species for its survival. Furthermore, duped males are not likely to return. They even ignore other plants of the same species. Therefore, only about 10% of an Ophrys population gets pollinated. This is enough to preserve the population, since each Ophrys orchid produces about 12,000 minute seeds.





  • Cephalanthera longifolia






Cephalanthera (Ce-pha-lan-thé-ra), abbreviated Ceph in horticultural trade, is a genus of, mostly, terrestrial orchids. Members of this genus have rhizomes rather than tubers. About 15 species are currently recognised, several of them common in Europe, for example the Sword-leaved Helleborine C. longifolia. Most others are native to Asia, ranging from the Caucasus, e.g. C. caucasica, to Japan, e.g. the Bamboo-leaved Silver Orchid C. longibracteata. The Chinese species C. gracilis was only described in 2002. The only species found in North America is the Phantom Orchid or Snow Orchid C. austiniae. Ecologically, this species is partially myco-heterotrophic. Some of the Eurasian species hybridise.

Several of the European species have common names including the word "helleborine", but this name does not correspond to any modern taxon, and orchids in other genera are also called helleborines. In addition to those listed here, very large numbers of other specific names will be found in the older literature, but these are almost all synonyms for the best known species such as C. longifolia or C. damasonium, the European White Helleborine.


As cefalanteras encontram-se nos pinhais da serra da Boavigem.



  • Anacamptis pyramidalis




Anacamptis Rich., 1817 is a small genus from the orchid family (Orchidaceae). This genus is abbreviated as Ant. in trade journals.

The type species is Anacamptis pyramidalis [L.]L.C. Rich. 1818

The scientific name is derived from the Greek word 'anakamptein', meaning 'to bend backwards'.

These terrestrial orchids occur on grasslands, limestone or chalk deposits or on dunes in Europe, from the Mediterranean to Central Asia.

They have linear to lanceolate leaves with an acute tip. They grow a long, pyramidal, erect spike with many fragrant flowers. These flowers bloom in summer. They are pollinated by moths and butterflies. Their proboscis is adapted to the long spur of these flowers.

Except Anacamptis pyramidalis all species listed below, were formerly classified under Orchis morio-clade. They have a diploid chromosome number of 32 or 36. A useful character for distinguishing Anacamptis from Orchis is the basal fusion of the three sepals in Anacamptis.

The few bigeneric hybrids are between sister-genera (closely related clades), in this case Anacamptis x Serapias. Recently found specimens of Orchis mascula x Anacamptis morio, found in Cumbria, UK in 1997, proved short-lived because of a highly divergent genomic lineage.



B - Outras plantas


  • Armeria welwitschii





Armeria is the botanical name for a genus of flowering plants. These plants are sometimes known as "thrift" or as the "sea pinks". The genus counts over a hundred species, mostly native to the Mediterranean, although Armeria maritima is an exception, being distributed along the coasts of the Northern Hemisphere.
The plant often grow in rocky situations, including the sea shore. Some are popular with gardeners as rockery plants.








  • Iberis procumbens







Iberis is a genus of flowering plant belonging to the family Brassicaceae. It comprises herbs and subshrubs of the Old World. These species are commonly known as candytufts. Used in Homeopathy for nervousness and muscle soreness. According to the US Dispensatory (1918)the leaves, stem, and root are said to possess medicinal properties, but the seeds are most efficacious. The plant appears to have been employed by the ancients in rheumatism, gout, and other diseases. In large doses it is said to produce giddiness, nausea, and diarrhea, and to be useful in cardiac hypertrophy, asthma, and bronchitis in doses of from one to three grains (0.065--0.2 Gm.) of the seed. Currently the foliage and stalks are employed in German Phytomedicine as a bitter digestive tonic.

The genus Iberis consists of about 50 species of annuals, perennials and evergreen subshrubs. They are excellent for rock gardens, bedding and borders. Candytuft is a fast-hardy, fast-growing annual with lance shaped green leaves. It reaches a height of about 12 inches with a spread of about 6 inches. Lightly trim after flowering.





  • Funcho gigante (Ferula communis)



Ferula (from Latin "rod" or "ferula") is a genus of about 170 species of flowering plants in the family Apiaceae, native to the Mediterranean region east to central Asia, mostly growing in arid climates. They are herbaceous perennial plants growing to 1–4 m tall, with stout, hollow, somewhat succulent stems. The leaves are tripinnate or even more finely divided, with a stout basal sheath clasping the stem. The flowers are yellow, produced in large umbels. Many plants of this genus, especially F. communis are referred to as "giant fennel," although they are not fennel in the strict sense.



  • Paonia broteroi





  • Iris lusitanica






  • Nepeta tuberosa



Nepeta is a genus of about 250 species of flowering plants in the family Lamiaceae. The members of this group are known as catnips or catmints because of their famed effect on cats—nepeta pleasantly stimulates cats' pheromonic receptors. The genus is native to Europe, Asia and Africa, with the highest species diversity in the Mediterranean region east to mainland China. It is now common in North America as a weed.[1] Most of the species are herbaceous perennial plants, but some are annuals. They have sturdy stems with opposite heart-shaped, green to grayish-green leaves. The flowers are white, blue, pink or lilac and occur in several clusters toward the tip of the stems. The flowers are tubular and spotted with tiny purple dots. The scent of the plant has a stimulating effect on cats.

Oil isolated from catnip by steam distillation is a repellent against insects, in particular mosquitoes, cockroaches and termites.[2][3] Research suggests that in a test tube, distilled nepetalactone, the active ingredient in catnip, repels mosquitoes ten times more effectively than DEET, the active ingredient in most insect repellents,[4][5] but that it is not as effective as a repellent on skin.[6]





  • Sabina-da-praia (Juniperus turbinata)

(No caso dos exemplares da Serra da Boaviagem não tenho a certeza se não foram plantados pelos Serviços florestais - porque os exemplares encontram-se predominantemente ao longo de estradas florestais. Porém, no Reserva Natural das Dunas S. Jacinto existem exemplares desta espécie nas dunas que comprova que a sua distribuição extende-se até mais para a Norte do que para a serra da Boaviagem.)







Juniperus phoenicea (Phoenicean Juniper or Arâr) is a juniper found throughout the Mediterranean region, from Morocco and Portugal east to Turkey and Egypt, and also on Madeira and the Canary Islands, and on the mountains of western Saudi Arabia near the Red Sea. It mostly grows at low altitudes close to the coast, but reaches 2,400 m altitude in the south of its range in the Atlas Mountains.

It is a large shrub or small tree reaching 2-12 m tall, with a trunk up to 1 m diameter and a rounded or irregular crown. The leaves are of two forms, juvenile needle-like leaves 8-10 mm long on seedlings, and adult scale-leaves 0.5-2 mm long on older plants; they are arranged in opposite decussate pairs or whorls of three. It is largely monoecious, but some individual plants are dioecious. The cones are berry-like, 6-14 mm in diameter, orange-brown, occasionally with a pinkish waxy bloom, and contain 3-8 seeds; they are mature in about 18 months. The male cones are 2-4 mm long, and shed their pollen in early spring.


There are two varieties, treated as subspecies by some authors:

  • Juniperus phoenicea var. phoenicea. Throughout the range of the species. Cones globose, about as wide as long.
  • Juniperus phoenicea var. turbinata (syn. J. turbinata). Confined to coastal sand dune habitats. Cones oval, narrower than long.





  • Senecio doronicum ssp. lusitanicum


As raridades.

As compostas são uma família rica em endemismos nacionais, bem como em espécies raras, sendo alguns géneros mais propícios a este tipo de fenómenos, como Serratula e Centaurea. No entanto, as maiores raridades estão dispersas por vários géneros. É difícil quantificar ou mesmo qualificar quais são as espécies mais raras, precisamente porque raramente são vistas e pouco se sabe sobre elas.

















  • Também Senecio doronicum?







Nos calcários a norte do Tejo surge uma planta estranha, de grandes e vistosas flores amarelas, à qual foi atribuída uma subespécie própria – Senecio doronicum subsp. lusitanicus. A subespécie irmã S. doronicum subsp. doronicum, que não existe em Portugal, é uma planta alpina que habita nas montanhas da Europa em geral, nomeadamente nos Alpes. No entanto, apesar de em Portugal as serras calcárias não chegarem aos 700 m de altitude, esta planta está cá e é apenas ligeiramente diferente da sua congénere, pelo que se considera apenas como subespécie, neste caso endémica. A sua ocorrência é francamente pontual, principalmente na região a norte de Lisboa, e geralmente nas cumeadas mais altas e expostas. Embora apareça em núcleos com um razoável número de indivíduos, é muito rara no global, e pode-se considerar que esteja em perigo de se extinguir.


Veja também o artigo bem escrito de Miguel Porto do Herbário da Universidade de Coimbra sobre as Compostas, donde foi tirado este texto sobre Senecio doronicum.


  • Mais uma composta rara (Pulicaria odora) que se encontra nas encostas da Serra da Boaviagem










  • Aristolochia paucinervis




  • Polygonum sp.







  • Filipendula vulgaris








Veja também:


e
















sábado, 3 de Maio de 2008

Achados de animais na Praia de Quiaios

Achados de Animais na Praia de Quiaios



Na praia de Quiaios não se encontram à primeira vista sinais de uma grande biodiversidade marinha, uma vez que o litoral aqui é arenoso e relativamente pobre em animais e plantas.

    Porém, no Cabo Mondego existem recifes com uma biodiversidade muito grande - e frequentemente as correntes e ventos do sul ou de sul-oeste trazem achados muito interessantes destes recifes a esta praia. Também, objectos que provêm do atlântico a flutuar, são encontrados frequentemente.


Podem encontrar-se aqui na praia de Quiaios conchas de diversas espécies de bivalves, gastrópodes, anêmonas do mar, estrelas do mar, peixes e aves marinhas, carangueijos, algas, conchas internas dos chocos, ovos de tuberões e de rajas e muitos outros indícios da vida e biodiversidade marinha. De vez enquanto o mar traz também mamíferos do mar, como balaeias, para a praia - mas isto já são acontecimentos felizmente bastante mais raros.


Descrevemos nesta página alguns destes achados numa sequência não sistemática, apenas na ordem como foram encontrados.




Estrela do mar (Astropecten ?irregularis)


A Estrela-do-mar é um animal do filo dos equinodermos, classe Asteroidea ou dos asteróides. Têm simetria radiada. Esta simetria radial é uma adaptação secundária à vida relativamente séssil que estes animais têm. Porém, os Equinodermes, apesar de serem relativamente sésseis, são grandes predadores e têm um sistema de locomoção único, o sistema ambulacral. E como se vê na árvore filogenética da Fig. 4, os equinodermos são com a posse de um celoma verdadeiro um filo bem perto dos cordados. Apesar da aparente primitividade e da falta de um cérebro, os equinodermos, pertencentes aos deutorostomes, e com um celoma verdadeiro considerado o mais primitivo celomado, estão filogeneticamente bem perto dos cordados que condizuram aos vertebrados e ao homem.


Sistema ambulacral (ou ambulacrário) é um sistema de órgãos exclusivo dos equinodermos, que funciona como um sistema hidráulico, tanto na locomoção, no transporte de substâncias, na respiração, na excreção, na circulação e percepção do meio externo pelo animal.


O funcionamento do sistema ambulacral como peça locomotora é resumido no seguinte: A água penetra no sistema pela placa madrepórica e alcança vários canais pelos quais chega aos pés ambulacrais. Cilíndricos e fechados, esses "pés" se projetam para fora do animal, através dos poros presentes em seu esqueleto, promovendo dessa forma, o deslocamento do indivíduo.



Fig. 2 - Estrela do mar - Astropecten ?irregularis




Ouriço do mar (Echinocardium cordatum)


Nesta fotografia vê-se ao lado de um gastrópode o esqueleto de um ouriço do mar. Esta espécie, Echinocardium cordatum,  vive na areia e tem simetria bilateral - invés da simetria radial que se encontra normalmente nos ouriços do mar. No esqueleto são bem à vista os poros do sistema ambulacral que serve também para esta espécie de sistema locomotora.


 

Fig. 3a - Gastrópode e
esqueleto de ouriço do mar (
Echinocardium cordatum)




Fig. 3b - Exoesqueleto de ouriço do mar (Echinocardium cordatum)



As Cracas


Ao contrário ao que se podia pensar, estes pequenos animais, bem protegidos numa pequena casa de placas calcárias (também chamado o exoesqueleto dos artrópodos), são crústaceos e pertencem ao mesmo grupo (subfilo Crustacea) como os caranguejos e a lagosta.  Os Balinidae com a infraclasse de Cirripedia pertencem de facto ao subfilo de Crustacea.


Cirripedia é uma infra-classe dentro da classe Maxillopoda de crustáceos marinhos, com cerca de 1220 espécies, que inclui as cracas e percebes. O grupo é por vezes considerado uma classe separada da Maxillopoda. O primeiro cientista a estudar os cirripédios em detalhe foi Charles Darwin. Os cirripédios são organismos sésseis que vivem fixos a um substrato, em geral em zonas entre-marés.

Os cirripédios têm um desenvolvimento em três estádios. Na primeira fase larvar fazem parte do plâncton e vivem à deriva nas correntes oceânicas. No segundo estádio larvar, os cirripédios procuram um substrato adequado à fixação e em condições de vida. Uma vez encontrado o local ideal, estas larvas desenvolvem-se para o adulto, que se fixa ao substrato directamente por cimentação ou através de um pedúnculo carnoso. Normalmente, o substrato escolhido é rochoso, mas também pode ser o fundo de um barco, outros animais, como baleias ou mesmo outros crustáceos, no caso dos rizocéfalos. O organismo adulto vive protegido por placas calcárias e alimenta-se por filtração.

Algumas espécies de cirripédios, como os percebes, são consideradas especialidades gastronómicas.




Fig. 4 - Cirripedia (?Balanus perforatus) em cima do mexilhão (Mytilus ?galloprovincialis)



Percebes (Polliceps polliceps) - provenientes dos recifes do Cabo Mondego

Fig. 5 - Percebes (Polliceps polliceps)




Fig. 6 - Lepus anatifera - fixados à uma garrafa de plástico




Bivalves


Bivalvia (ant. Pelecypoda ou Lamellibranchia) é a classe do filo Mollusca que inclui os animais aquáticos popularmente designados por bivalves. Estes organismos caracterizam-se pela presença de uma concha carbonatada formada por duas valvas. Esta concha protegem o corpo do molusco, entre elas há o pé muscular e os sifões inalantes e exalante para a entrada e saída da água, que traz oxigênio, depois absorvido por difusão direta pelas lâminas branquiais, assim como alimento e também aumenta o risco de intoxicações, pois este tipo de alimentação é comum em animais fixos represantando um grande risco caso a ostra e/ou marisco entre em contato com poluição. O grupo surgiu no Câmbrico e é actualmente muito diversificado, com cerca de 15,000 espécies. A separação das diferentes sub-classes faz-se pelo tipo e estrutura das guelras nos organismos vivos, e pelas características das valvas nos bivalves fósseis. O mexilhão, a amêijoa e a conquilha são exemplos populares de bivalves que servem como alimento ao Homem. As ostras são também a origem das pérolas.

Fig. 7 - Bivalve (Cardium sp.)


Bivalve  (Ensis sp.)


The Atlantic jackknife , Ensis directus, also known as the American jackknife clam or razor clam (but note that "razor clam" sometimes refers to different species), is a large species of edible marine bivalve mollusc, found on the North American Atlantic coast, from Canada to South Carolina as well as in Europe.

This clam lives in sand and mud and is found in intertidal or subtidal zones in bays and estuaries. Because of its streamlined shell and strong foot, it can burrow in wet sand very quickly indeed, and is also able to swim.

At low tide the position of the Atlantic jackknife clam is revealed by a keyhole-shaped opening in the sand; when the clam is disturbed, a small jet of water squirts from this opening as the clam starts to dig. This species' remarkable speed in digging can easily outstrip a human digger, making the clam difficult to catch. Thus the species is not often commercially fished, even though it is widely regarded as delicious.



Fig. 8 - Bivalve - Navalheira (Ensis sp.)

 


Gastrópodes




Fig. 9 - Gastrópode



Ovo de tuberão


A reprodução dos tubarões ocorre por fecundação interna, na qual o macho introduz o orgão reprodutor masculino (clasper) no orgão copulador feminino (oviducto) da fêmea. Clasper são dois órgãos alongados e cônicos com o formato de duas pequenas nadadeiras que funcionam como um auxiliador na cópula. O clasper é muito comum nos tubarões machos que fazem uso dele para melhorar a aderência durante a cópula.


As fêmeas atingem, em geral, a sua maturidade sexual com maior tamanho do que os machos e normalmente procriam em anos alternados.


  • Nas espécies ovíparas, que correspondem a cerca de 20% do total, a fêmea realiza a postura dos ovos rectangulares, protegidos por uma membrana filamentosa, de modo a fixá-los ao substrato marinho.
  • Nas espécie ovovíparas - cerca de 70% -, o desenvolvimento dos ovos ocorre no oviducto da fêmea, sendo as crias expulsas já desenvolvidas.
  • Nas espécies vivíparas - cerca de 10% -, o desenvolvimento do embrião realiza-se internamente, com ligações placentárias, sendo as crias também expulsas já desenvolvidas.

A seleção natural dos tubarões inicia-se, em algumas espécies ovovíparas e vivíparas, no próprio meio intra-uterino, através da prática do canibalismo. As crias que se formam primeiro - num número entre quatro a quinze - e providas de dentes afiados, ingerem, na sua vida uterina, os embriões em formação e, posteriormente, devoram-se umas às outras, sobrevivendo apenas as mais fortes e aptas.




Fig. 10 - Ovo de um tuberão

Ovo de raia



Ao contrário de todos os outros raias, que são vivíparas, a família das Rajidae é a única que é ovípara e cujos ovos encontram-se alojados em cápsulas córneas de cor negra, rectangulares, com prolongamentos pontiagudos nos quatro vértices. Na cápsula encontram-se pequenas fendas que permitem a entrada da água e fornecimento de oxigénio através da água marinha aos embriões. As raias pequenas nascem depois de 4-14 meses de estadia no ovo.

Fig. 11 - Ovo de uma raia






Peixe porco  (Balistes carolinensis)


Peixe porco ou peixe burro é o nome comum desta curiosa espécie de peixe, a que muitos pescadores ainda chamam, erradamente, pampo.  De hábitos diurnos, tem um corpo comprimido e em feitio de diamante,  com escamas placóides àsperas e consegue rodar cada um dos olhos independentemente. Com um mecanismo de bloqueio da primeira espinha dorsal e uma boca forte com oito dentes grandes e muito afiados em cada maxilar, são muito agressivos, exigindo do pescador algum cuidado no seu manuseamento. Conhecidos também são os verdadeiros roncos que emite, donde se presume derive o seu nome vulgar.



Fig. 12 - Peixe porco (Balistes sp.)



Pipefish - Peixe cachimbo (Sygnathus spec.)

From Wikipedia

Pipefishes or pipe-fishes (Syngnathinae) are a subfamily of small fishes, which with the seahorses form a distinct family.


Anatomy


Pipefish look like straight-bodied seahorses with tiny mouths. The name is derived from the peculiar form of their snout, which is like a long tube, ending in narrow and small mouth which opens upwards and is toothless. The body and tail are long, thin, and snake-like. They have a highly modified skeleton formed into armored plating. This dermal skeleton has several longitudinal ridges, so that a vertical section through the body looks angular, not round or oval as in the majority of other fishes.

A dorsal fin is always present, and is the principal (in some species, the only) organ of locomotion. The ventral fins are constantly absent, and the other fins may or may not be developed. The gill openings are extremely small and placed near the upper posterior angle of the gill-cover.

Many are very weak swimmers in open water, moving slowly by means of rapid movements of the dorsal fin. Some species of pipefish have tails that are prehensile as in seahorses. The majority of pipefishes have some form of a caudal fin (unlike seahorses), which can be used for locomotion. See fish anatomy for fin descriptions. There are species of pipefish with more developed caudal fins, such as the group collectively known as flag-tail pipefish, are quite strong swimmers.


Habitat and distribution


Most of the pipe-fishes are marine, only a few being freshwater. Pipe-fishes are abundant on coasts of the tropical and temperate zones. Most species of pipefish are usually 35-40 cm in length and generally inhabit sheltered areas in coral reefs, seagrass beds and sandy lagoons. There are approximately 200 species of pipefish.


Reproduction


Pipefishes, like their seahorse relatives, leave most of the parenting duties to the male. Courtship tends to be elaborately choreographed displays between the males and females. Pair bonding varies wildly between different species of pipefish. While some are monogamous or seasonally monogamous, others are not.

Male pipefishes have a specially developed area to carry eggs, which are deposited by the female. In some species this is just a patch of spongy skin that the eggs adhere to until hatching. Other species have a partial or even fully developed pouch to carry the eggs. The location of the brood patch or pouch can be along the entire underside of the pipefish or just at the base of the tail, as with seahorses. Many species exhibit polyandry, a breeding system in which one female mates with two or more males. This tends to occur with greater frequency in internal brooding species of pipefishes than with external brooding species.

Young are born freeswimming with relatively little or no yolk sac, and begin feeding immediately. From the time they hatch they are independent of their parents, who at that time may choose to view them as food. Some fry have short larval stages and live as plankton for a short while. Others are fully developed but miniature versions of their parents, assuming the same behaviors as their parents immediately.





O Cachalote (Physeter catodon)

O cachalote (Physeter catodon) dos termos gregos physao (soprar) e cata (base) + odon (dente)[1], também Physeter macrocephalus) é a maior das baleias com dentes bem como o maior animal com dentes actualmente existente, medindo até 18 metros de comprimento. Esta baleia tem como característica distintiva o facto de possuir na cabeça uma substância cerosa de cor leitosa, o espermacete. A enorme cabeça e a forma distintiva do cachalote, bem como o seu papel na obra Moby Dick de Herman Melville, levaram muitos a descreverem o cachalote como o arquétipo de baleia por excelência. O cachalote foi caçado nas águas dos arquipélagos portugueses da Madeira e Açores até 1981[2] e 1984[3] respectivamente.





Fig. 13 a-c - Baleia (?Cachalote) encontrada morta na Praia de Quiaios









Animais venenosos:



Physalia - A caravela portuguesa


Cuidado! Não mexer! Causa queimaduras e reacções alérgicas graves!




Fig. 14a - ?Physalia
Fig. 14b - Physalia physalis



A caravela-portuguesa (Physalia physalis), também conhecida como garrafa-azul, é um animal do grupo dos cnidários. Tem cor azul e tentáculos cheios de células urticantes, e aparece nas águas de todas as regiões tropicais dos oceanos.

Características gerais

A caravela-portuguesa não tem movimento próprio - flutua à superfície das águas, empurrada pelo vento, com os seus tentáculos por baixo, sempre prontos a envolver um peixe para a sua alimentação. Os seus tentáculos podem chegar aos 30 metros.


A caravela-portuguesa tem quatro tipos de pólipos:

  • Um pneumatóforo transformado numa vesícula cheia de ar;
  • Os dactilozoóides que formam os tentáculos;
  • Os gastrozoóides que formam os "estômagos" da colónia; e
  • Os gonozoóides que produzem os gâmetas para a reprodução.

Os cnidócitos, que são as células urticantes, portadoras dos nematocistos, encontram-se nos tentáculos e são accionados pela "rede nervosa". A caravela-portuguesa tem dois tipos de nematocistos: pequenos e grandes; estes "órgãos" conservam as suas propriedades por muito tempo, mesmo que o indivíduo tenha ficado várias horas a seco na praia. A sua ação é baseada nas suas pressões osmótica e hidrostática individuais. Existem numerosas células sensoriais localizadas na epiderme dos tentáculos e na região próxima à boca.

A caravela-portuguesa é importante para a alimentação das tartarugas marinhas, que são imunes ao veneno.

A caravela portuguesa, também conhecida como vespa do mar, é comumente identificada como uma água-viva, mas na verdade, é uma colônia de quatro tipos de pólipos. Um animal semelhante é a velella. O flutuador da caravela é simétrico bilateralmente com os tentáculos no final, enquanto a velella é simétrica radialmente com a vela em um ângulo. Além disso, a caravela tem um sifão, contudo a velella não.

Uma curiosidade é o nome da caravela-portuguesa noutras línguas: em inglês, chama-se "Portuguese man o'war", literalmente "homem de guerra português", man-of-war é uma expressão para um navio armado.





O Peixa-aranha (Trachinus vipera)


O Peixe-aranha pertence à família dos Trachinidae, existe o peixe-aranha maior (Trachinus draco) cujo tamanho máximo registado é de 55cm e o peixe-aranha menor (Trachinus vipera) cujo tamanho máximo registado é de 15cm.



Fig. 15a,b - Peixe aranha ou Escorpião (Trachinus vipera)


É muito comum na costa Portuguesa e Açores e que pode ser usado em culinária (por exemplo em caldeiradas) bastante conhecido e temido pelos banhistas já que as suas capacidades venenosas são do conhecimento de toda a gente, aparece principalmente na maré baixa, sendo mais comum nas zonas rochosas e com algas.

    Este peixe tem por hábito permanecer imóvel no fundo arenoso à espera de presa, alimenta-se sobretudo de pequenos peixes e invertebrados e para isso serve-se da sua cor facilmente confundida com a areia. Quando se sente ameaçado ou é pisado ergue a barbatana dorsal, onde os seus 3 primeiros raios são venenosos, desta forma picam a pele e injectam o veneno, provocando dores intensas. Deve ser tido em conta que cada opérculo branquial também tem veneno e que o peixe-aranha permanece vivo várias horas depois de retirado da água, por outro lado a sua picada permanece venenosa mesmo muito tempo depois de morto, isto reveste-se de uma importância maior para os pescadores.


Os primeiros socorros consistem na aplicação local de calor já que a toxina libertada pelo peixe é termolábil (decompõe-se devido ao calor), assim, se possível, o membro afectado deve ser submerso em água tão quente quanto se possa suportar durante +/- 30 minutos, tendo o cuidado de não provocar queimadura. Quando isto não é possível, deve-se improvisar, por exemplo, aproximando um cigarro da zona afectada à menor distância possível, na maior parte das vezes, os efeitos benéficos do calor fazem-se sentir rapidamente.   

    Esta actuação só é 100% eficaz quando realizada na 1ª meia hora após a picada, caso isso não aconteça e se os sintomas não passarem com o calor, poderá haver necessidade de recorrer a um serviço de saúde para que a pessoa afectada seja tratada e medicada.

    È possível, embora raro, que fique na ferida um resto de espículo e neste caso deve ser retirado, caso contrário, não há necessidade de abertura da ferida, esta deve ser apenas lavada e posteriormente desinfectada.


Da mesma forma, se ocorrer algum dos sintomas abaixo mencionados, a pessoa deve ser de imediato conduzida a um médico:

-         Tonturas e sensação de desmaio

-         Vertigens

-         Náuseas

-         Febre

-         Vómitos

-         Dores de cabeça

-         Cãibras generalizadas

-         Sudorese

-         Dor inguinal

-         Convulsões

-         Dificuldade em respirar

-         Alteração da coloração e temperatura do membro afectado


É aconselhado o uso de chinelos ou sapatos de borracha principalmente durante a maré baixa e vazante quando se anda na linha de água, essencialmente pelas crianças, de forma a protegê-las deste animal tão temido.          


Animais que se encontram na zona dunar:



  • Hyles euphorbiae - larva (lagarta) de uma borboleta nocturna

Nas eufórbias (Euphorbia paralias) das dunas embrionárias encontra-se em outono uma lagarta muito bonita de uma borboleta nocturna, de Hyles euphorbiae. A lagarta alimenta se da eufórbia que para nós é altamente venenosa e carcinogênica por causa do leite que contém. A larva de Hyles euphorbia, bastante colorida, com manchas brancas de vários tamanhos, linhas verdes ou vermelhos (num estadío larvar mais avançado), partes pretas, verdes ou vermelhas, mas sempre muito bem camoflada por estas cores que nas eufórbias encontram-se também nesta altura do ano, alimenta-se da eufórbia.

A larva (lagarta) de Hyles euphorbiae
Parte da cabeça da lagarta de Hyles euphorbiae


Parte posterior da lagarta de Hyles euphorbiae com uma protuberância anal



Parte inferior com dois dos três pares de "patas" da lagarta de Hyles euphorbiae









Vegetação da duna embrionária com Euphorbia paralias, Othantus maritimus e Ammophila arenaria



Fruto (cápsula) e flores de Euphorbia paralias





  • Uma "formiga" que é na realidade um himenóptero da familia Mutillidae


Mutillidae or velvet ants, are a family of wasps which resemble ants, and belong to the same superfamily. The velvet ant name refers to their hair which may be red, black, white, silvery or golden. In some places they are also known as cow killers or cow ants.


Their integument is very tough and roughly textured, providing protection against the stings of the wasps and bees whose nests they invade. As in other related families in the Vespoidea, the males have wings, but females are completely wingless. They exhibit extreme sexual dimorphism; the males and females are so different in appearance that it is, in fact, almost impossible to associate the two sexes of any given species, unless they are actually captured in the act of mating. In a few species, the male is so much larger than the female that he carries her aloft while mating (also seen in the related family Tiphiidae).


They are known for their extremely painful sting, the venom of which was jokingly stated to be powerful enough to kill a cow, hence the nickname "cow killers". As with all Hymenoptera, only the females sting, and like all other wasps, they can sting multiple times. If handled, they also have a structure called a stridulitrum on the metasoma which they use to produce a squeaking, chirping sound (more like a high pitched hum) to warn would-be predators.


The family can be recognized best in the female; they are the only wingless female wasps that have hair-lined grooves on the side of the metasoma (called "felt lines") and in which the segments of the mesosoma are all fused dorsally. Only one other vespoid family (Bradynobaenidae) has felt lines, but the females have a distinct pronotum and an elongated ant-like petiole. The earliest-known velvet ants are believed to be specimens from the Dominican Republic preserved in amber for some 25 to 40 million years.









A Borboleta Cauda de andorinha é uma borboleta da família Papilionidae. A borboleta também é conhecida como o Rabo de andorinha, que ocorre na Europa, Ásia e também na América do Norte.


A Borboleta - Rabo de andorinha (Papilio machaon )
Lagartas de ?Rabo de andorinha


Veja também:









Fazem-se ao longo do ano (normalmente nas sexta-feiras e fins-de-semana na parte da manha) pequenas caminhadas guiadas na zona da Praia de Quiaios (Figueira da Foz). O objectivo das caminhadas: Descobrir achados da Natureza da Praia de Quiaios.

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