quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Tabelas fitossociológicas Parte IIb

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte IIb.



Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )




2. Arribas e Falésias (Sea Cliffs)



    No <<Sintrano>> e na parte mais sul do Superdistrito Costeiro Português, em solos graníticos e dunas fósseis e consolidadas, pode ver-se a nova comunidade Daphno maritimi-Ulicetum congesti; é dominado pelo endémico Ulex jussiaei ssp. congestus, Daphne gnidium var. maritima, Carlina corymbosa var. major, Armeria pseudarmeria, Daucus halophilus, Dactylis marina, Euphorbia portlandica, Calluna vulgaris, etc. (syntypus relevé 2, tabela XII). Esta comunidade forma um mosaico com o Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae. É a associação mais por sul da aliança atlântica das falésias marinhas: Dactylido maritimae-Ulicion maritimi, endémica na área do estudo.

    Por sul de Nazaré em solos calcários, a degradação da comunidade do junípero resulta numa comunidade de pequenos arbustos de Ulex densus. Outras espécies comuns são: Salvia sclareoides, Eryngium dilatatum, Anthyllis vulneraria ssp. maura, Plantago serraria var. hispanica: Salvio sclareoidis-Ulicetum densi ulicetosum densi (tabela XIII). É uma comunidade endémica do Sector Divisório Português. Daphne gnidium var. maritima, Dactylis marina, Daucus halophilus, Carlina corymbosa var. major, Ononis natrix ssp. ramosissima, Calendula suffruticosa ssp. algarbiensis, Helichrysum decumbens definem uma variante costeira desta associação (variante de Daphne maritima) em relação à comunidade típica do Superdistrito Costeiro Português. Ela forma um mosaico com as pradarias do Brachypodium phoinicoides (Phlomido lychnitidis-Brachypodietum phoenicoidis) que são habitats ricos em orquídeas selvagens.

Outras comunidades das falésias são: comunidades do Arundo donax (Arundini donacis-Convolvuletum sepium) e comunidades de Tamarix africana de características semi-naturais - desde que estas são promovidas por objectivos de protecção contra ventos marinhos.




Tabela XII. - Daphno maritimi-Ulicetum congesti

(Relevé 12 extraído da Tabela XII de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )

Número do relevé
12
Relevés: 12 = Cabo Mondego;
Aspecto
S

Área mínima (m2)
50

Número de espécies
30

Características


Ulex jussiaei ssp. congestus
3

Daphne gnidium var. maritima
2

Carlina corymbosa var. major
.

Armeria pseudarmeria
.

Calluna vulgaris
2






Ulex europaeus ssp. latebracteatus
1







Ulex minor
.








Ulex congestus x latebracteatus
.

Simethis planifolia
+

Companions


Cistus salviifolius
2

Daucus halophilus
1

Dactylis marina
1

Euphorbia portlandica
+











Calendula suffruticosa ssp. algarbiensis
1






Carpobrotus edulis
.

Brachypodium phoenicoides
1
?Brachypodium phoenicoides


Cistus crispus
.

Urginea maritima
+

Stipa gigantea
.

Thapsia villosa
.

Dianthus cintranus
.

Lobularia maritima
+

Juniperus turbinata
.

Lavandula luisieri
.

Asparagus aphyllus
.

Lithodora lusitanica
.

Pulicaria odora
.

Eryngium dilatatum
+

Briza maxima
.

Anagallis monelli var. microphylla
+

Holcus lanatus
+

Dittrichia viscosa
.


Agrostis castellana
.

Avena barbata
.

Asphodelus ramosus
.

Rubus ulmifolius
.

Armeria welwitschii
.

Avenula sulcata
.

Centaurium grandiflorum
.

Galactites tomentosa
.

Andryala integrifolia
.

Crucianella maritima
+

Quercus pyrenaica
.

Helichrysum decumbens
.

Pimpinella villosa
.

Lathyrus clymenum
.

Centaurea sphaerocephala
.


Halimium calycinum
.

Helichrysum picardi
.

Cistus ladanifer
.
http://www.elvalenciano.com/floresdelsureste/familias/cistus_ladanifer.htm
Quercus coccifera
.

Pteridium aquilinum
.

Schoenus nigricans
.

Plantago lanceolata
.

Cuscuta kotschyi
.

Coincya cintrana
.

Anthyllis vulneraria ssp. maura
.

Bellis perennis
.

Ionopsidium acaule .

Rhamnus alaternus
.

Smilax aspera var. nigra
.







Tabela XIII (Apenas parcialmente reproduzida)

Salvio sclareoidis-Ulicetum densi ulicetosum densi

Características

Ruta chalepensis


 40°11'57.20"N    8°54'0.67"W


Differentiais da variante Daphne maritima



Companheiras








Outras espécies encontradas:

Tamarix africana




Eryngium ?campestre
Scolymys hispanicus

















Continuação: --> Parte IIIa (Encosta Serra da Boaviagem)







terça-feira, 29 de Julho de 2008

Caminhadas (VI) - As Lagoas

Caminhadas (VIa e VIb) - Lagoa das Braças e Lagoa da Vela

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes

Fig. 1 - Percurso e estações da caminhada para a Lagoa das Braças



Fig. 2 - Percurso e estações da caminhada para a Lagoa da Vela



Esta caminhadas na Mata Nacional até as lagoas não exigem nenhuma precondição física elevada. Os trajectos são de aproximadamente 9 e 6 km. Para as caminhadas não é preciso calçado especial.

Tópicos:

Dunas de Mira, Gândara e Gafanha; Depressões intradunares; biodiversidade; vegetação nas dunas arborizadas; plantas invasoras; as lagoas.





Lagoa das Braças
e
Lagoa da Vela, Quiaios

Texto extraído de: Danielsen, R.; Castilho, A.M.; Dinis, P.; Callapez, P.: Evolução da Paisagem a Norte do Cabo Mondego durante os últimos milhares de Anos.  Em: As Ciências da Terra ao serviço do ensino e do desenvolvimento. O exemplo Figueira da Foz. Figueira da Foz, 2006.







Algumas impressões fotográficas ao longo de uma caminhada para a Lagoa das Braças:




Carla e Isaura - os membros permanentes da equipa







Pinheiros mansos (Pinus pinea) na mata  (dunas arborizadas)



Um Cipreste





Papoelas




Carla a fotografar Seseli tortuosa em frente da abandonada Casa das Guardas Florestais











Uma placa abraçada para a Lagoa das Braças




Arafix gosta da água




Lagoa das Braças




Uma menta aquática




Lagoa da Braças - belesa esquecida




As plantas invasoras da Australia (Acacia spec.) também têm beleza - e os Aborigines parecem dar uma curiosa olhada sobre nós.










Um cogumelo bem camuflado num tronco de uma árvore





Seseli tortuosa numa depressão intradunar. O junco atrás (?Holoschoenus) demonstra que há humidade por aqui.





Algumas impressões fotográficas ao longo de uma caminhada para a Lagoa da Vela:




Os caminheiros




Salix arenaria numa vala seca - o primeiro achado valioso do dia




Lagoa da Vela e nufars - beleza adormecida.




Lagoa da Vela





Um Stilleben em óleo (pensava-se inicialmente que a mancha de óleo seria poluição ambiental, mas mais provavelmente os óleos formaram-se por decomposição de matéria orgânica nos sedimentos da lagoa)









Vestígios de Procambarus alleni, uma espécie da América do Norte




Fotografias da Fa:


Dois caracois numa Robinia pseudoacacia




Um pinheiro marítimo fotografado por olhos artísticos




Myrica faya - um fruto bem adstringente










Fotografia da Carla:



Foi por esta plantinha (Salix arenaria) e também para ver a beleza das lagoas que tivemos de andar quilómetros!







Veja também: --> Tabelas fitossociológicas (IV)



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sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Tabelas fitossociológicas Parte IV

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte IV.



Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )




Lagoa das Braças
e
Lagoa da Vela, Quiaios

Texto extraído de: Randi, D.; Castilho, A.M.; Dinis, P.; Callapez, P.: Evolução da Paisagem a Norte do Cabo Mondego durante os últimos milhares de Anos.  Em: As Ciências da Terra ao serviço do ensino e do desenvolvimento. O exemplo Figueira da Foz. Figueira da Foz, 2006.











Holoschoeno australis-Salicetum arenariae M.J. Martins & Penas ex J.C. Costa, Neto, Capelo & Lousã, associatio nova hoc loco

Comunidade arbustiva com 1-2 m de altura, dominada pelo Salix arenaria acompanhado de Holoschoenus romanus var. australis, Schoenus nigricans, Juncus acutus, Agrostis stolonifera, Salix atrocinerea, Carex arenaria, Lythrum salicaria, entre outras [Tabela XIV, syntypus inventário nº 3]. Observa-se em depressões dunares, que de Inverno podem ficar inundadas, em margens de lagoas e de valas de drenagem, que secam no Verão mas onde o lençol freático se encontra frequentemente próximo da superfície. Ocorre na parte mais setentrional do Costeiro Português (entre Quiaios e S. Jacinto), no andar mesomediterrânico e em ombroclima sub-húmido. NETO (1994) observou esta comunidade nas dunas de S. Jacinto designando-a por "comunidade de Salix arenaria e Salix atrocinerea", posterior-mente MARTINS (1999) também a assinalou entre Mira e Quiaios designando-a Salicetum atrocinereo-arenariae nom. inval. WEBER (1999) posicionou as associações constituidas por Salix arenaria nas alianças das costas psamofílicas nortatlânticas Salicion arenariae Tüxen ex Passarge in Scamoni 1963, [desde a Escandinávia até à Holanda] e Ligustro-Hippophaeion J.M. Géhu & Géhu-Frank 1983 [desde o sul da Holanda até à França], ordem Salicetalia arenariae Preising & Weber in Weber 1999 da classe Rhamno-Prunetea. Apesar da dominância do Salix arenaria e da presença de Carex arenaria posicionamos esta comunidade na Molinio-Holoschoenion, Holoschoenetalia, MOLINIO-ARRHENATHERETEA. Esta colocação sintaxonómica é a mais parcimoniosa, pois evita a criação excessiva de sintáxones de categoria superior e parece-nos consistente em termos ecológicos e biogeográficos.



Tabela XIV (Quadro 5)  - Holoschoeno australis-Salicetum arenariae

Nº de ordem
4

Área mínima (m2)
20

Características


Salix arenaria
5
40°15'40.96"N    8°47'38.25"W

Holoschoenus romanus var. australis
+

Schoenus nigricans
+

Agrostis stolonifera
1

Juncus acutus
.

Mentha suaveolens
.

Companheiras


Carex arenaria
1


Salix atrocinerea
.

Lythrum salicaria
+
40°15'40.96"N    8°47'38.25"W


Rubus ulmifolius
+
40°14'34.35"N  8°48'32.99"W


Carex extensa
.

Mais


Phragmites australis
.

Helichrysum virescens
.

Mentha aquatica
.


Mentha ?aquatica

 40°14'36.65"N   8°48'30.26"W


Cladium mariscus
+
40°15'40.96"N    8°47'38.25"W







Outras espécies encontradas nas Lagoa das Braças e Lagoa da Vela:

Lysimachia spec.


40°15'40.96"N    8°47'38.25"W

Typha latifolia
 40°15'40.96"N    8°47'38.25"W
Ranunculus spec.














Fazem-se ao longo do ano (normalmente nas sexta-feiras e fins-de-semana na parte da manha) pequenas caminhadas guiadas na zona da Praia de Quiaios (Figueira da Foz). O objectivo das caminhadas: Descobrir achados da Natureza da Praia de Quiaios.

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