sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Caminhada (Vd) Para o Vale de Ant...

Caminhada (Vd) -  Para o Vale de Anta à procura de fósseis

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes





Impressões fotográficas














...os primeiros fósseis!









... e no fim depois de tanto esforço vem a recompensação!

















quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Tabelas fitossociológicas Parte IIIc

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte IIIc.



Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )








Parte IIIc -
Outras comunidades fitossociológicas com afinidades para as comunidades da Serra da Boaviagem


Não tenho conhecimento de tabelas fitossociológicas das Encostas da Serra da Boaviagem além daquelas da área do Cabo Mondego. Porém, existem levantamentos fitossociológicos de outros locais do Sector Divisório Português com características semelhantes às da Serra da Boaviagem e que talvez revelam o espectro das espécies potentias da Serra da Boaviagem. As espécies encontradas nas encostas da Serra da Boaviagem estão aqui documentadas por fotografias. A documentação fotográfica vai ser completada na medida que se registam novos taxones.

Existem na Serra da Boaviagem, situadas por norte do miradouro da Bandeira, areas interessantes sob terreno calcário com espécies como Arbutus unedo, Erica scoparia, Viburnum tinus, Pistacia lentiscus, Myrtus communis, Quercus coccifera e Quercus broteroi e Smilax aspera. Nestas comunidades encontram-se também geófitos raros como Iris lusitanica. Elas merecem de um estudo mais pormenorizado e de protecção contra destruição futura.



Tabela XV. – Bupleuro fruticosae-Arbutetum unedonis

Locais: 1, 2, 6 Serra da Arrábida; 3 Cheleiros (Mafra); 4 Sabugo (Sintra); 5 Galamares (Sintra) 7, 8, 9 Curvachia (Leiria)


Características:

Arbutus unedo

Erica ?arborea









Erica ?scoparia
Viburnum tinus

Coronilla glauca*

Smilax aspera

Phillyrea angustifolia





Asparagus aphyllus*

Pistacia lentiscus

Rubia longifolia

Myrtus communis*

Vinca difformis*
Vinca ?difformis
Phillyrea latifolia*
Quercus coccifera




Daphne gnidium

Bupleurum fruticosum*

Rosa sempervirens*
Rosa ?sempervirens
Rhamnus alaternus


40°12'38.39"N  8°51'13.61"W

Olea sylvestris

Lonicera implexa



Lonicera ?implexa

 
40°11'34.50"N    8°53'55.10"W

Arisarum vulgare

Ruscus aculeatus

Osyris alba

Euphorbia characias*

Quercus suber

Quercus broteroi

Rhamnus oleoides*

Lonicera etrusca






Lonicera ?etrusca

 40°12'5.47"N    8°53'56.90"W

Laurus nobilis*
40°12'55.61"N   8°52'24.85"W
Anemone palmata
  40°11'41.69"N   8°53'44.36"W

Bupleurum paniculatum

Jasminum fruticans

Genista tournefortii*



?Genista tournefortii
Juniperus turbinata

Rubus ulmifolius





Teucrium scorodonia

Brachypodium phoenicoides

Crataegus brevispina
Crataegus ?brevispina

Crataegus ?brevispina


Tamus communis

Cistus monspeliensis




Cistus salvifolius

Calamintha baetica
Calamintha ?baetica
Cheirolophus sempervirens*

Pulicaria odora

Geranium purpureum

Prunus insititioides*
Prunus ?insititioides


Lonicera hispanica
Lonicera ?hispanica
Lavandula luisieri

More relevé

Picris spinifera

Astragalus lusitanicus


Cistus crispus

Dactylis hispanica

Bryonia dioica

Iris foetidissima

Salvia sclareoides

Cytisus grandiflorus

Geum sylvaticum

Ulex jussiaei


Centaurium erythraea ssp. grandiflorum








Continuação: --> Parte IIId








Tabelas fitossociológicas Parte IIIa

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte IIIa.



Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )




Parte IIIa - Encosta da Serra da Boaviagem

Não tenho conhecimento de tabelas fitossociológicas das Encostas da Serra da Boaviagem além daquelas da área do Cabo Mondego. Porém, existem levantamentos fitossociológicos de outros locais do Sector Divisório Português com características semelhantes às da Serra da Boaviagem e que talvez revelam o espectro das espécies potentiais da Serra da Boaviagem. As espécies encontradas nas encostas da Serra da Boaviagem estão documentadas por fotografias e ficam publicadas no blog "Flora da Serra da Boaviagem". A documentação fotográfica vai ser completada na medida que se registam novos taxones.

Existem na Serra da Boaviagem, situadas por norte do miradouro da Bandeira, áreas interessantes sob terreno calcário com espécies como Arbutus unedo, Erica scoparia, Viburnum tinus, Pistacia lentiscus, Myrtus communis, Quercus coccifera e Quercus faginea e Smilax aspera. Nestas comunidades encontram-se também geófitos raros como Iris lusitanica. Elas merecem de um estudo mais pormenorizado e de protecção.
Fig. 1 - Áreas de registo de cormófitos na Praia de Quiaios e Serra da Boaviagem






Tabela XIII. – Lista dos taxones de cormófitos registadas nas áreas  delimitadas da Figura 1.1 Para uma descrição mais completa dos taxa com chaves de identificação veja o blog: "Flora da Serra da Boaviagem". .




Nome do Taxon
Áreas de registo
Google Earth - Location
Acacia dealbata
EB; DA1
Genus Acacia (1)
Acacia longifolia
CM; EBGenus Acacia (1)
Acacia melanoxylon
LQ1; CM
Genus (Acacia (2)
Aceras anthropophorum CM; EB

Achillea ageratum CM; EB
?Aetheorhiza bulbosaCM;

Agava americana CM; EB; DQ; DI;

Agrimonia eupatoria
EB;

Ailanthus altissimusDA2 (DI);

Albizzia lophanta
CM

Alisma plantago-aquatica
DI1

Allium roseum
EB

Allium spec.
DI1

Ammophila arenaria


Anacamptis pyramidalis


Anagallis campestris


Anagallis monelli


Anemone palmata EB;

Anthemis maritima

Anthyllis ?vulneraria


Antirrhinum majus


Araucaria excelsior


Arbutus unedo CM; EB; DA; DI; LQ; PB; Outros

Arisarum simorrhinum DI1; DQ; EB

Arthrocnemum sp.*
Foz Mondego

Astragalus lusitanicusCM; EB

Aristolochia paucinervis
EB

Armeria welwitschii


Artemisia campestris


Artemisia crithmifolia


Arthrocnemum macrostachyum


Arum italicum


Arundo donax

Asparagus acutifolius


Asparagus aphyllus


Asphodelus ramosus


Aster tripolium

Astragalus lusitanicus


Atriplex spec.


Bellardia trixago
EB

Bellis ?perennis


Bellis ?sylvestris

Beta vulgaris
CM

Blackstonia serotina


Borago officinalis


Bougainvillea sp. (ornamental)


Brachypodium phoenicoides
EB

Briza maxima


Bromus (diandrus) rigidus
EB; CM

Bryonia dioica
EB

Cakile maritima


Callendula suffruticosa


Calamintha


Calluna vulgaris


Calystegia soldanella

Campanula


Carex arenaria


Carex decapitata


Carlina corymbosa


Carpobrotus edulis


Centaurea sphaerocephala


Centaurium erythraea

Centranthus calcitrapae

Cephalanthera longifolia
EB

Cerinthe maior


Cheirolophus sempervirens

Cichorium intybus

Cistus crispus

Cistus monspeliensis

Cistus salvifolius

Cladium mariscus

Coincya johnstonii

Convolvolus althaeoides

Corema album

Coronilla glauca


Coronilla repanda


Cortaderia selloana

Corynephorus canescens

Crataegus monogyna

Crithmum maritimum

Crocus clusii


Crucianella maritima

Cucurbita sp. (cultivada)


Cutandia maritima

Cydonia oblonga (cultivada)


Cynara humilis

Cynodon dactylon

?Cyperus badius

Cyperus capitatus

Cytisus grandiflora

Dactylis hispanica

Daphne gnidium

Datura


Daucus halophilus

Delphinium

Dipsacus

Dittrichia viscosa

Echium


Elytrigia juncea

Epilobium tetragonum

Equisetum

?Erica arborea

Erica scoparia

Erica umbellata

?Erigeron


Erodium aethiopicum

Erodium ?laciniatum

Eryngium dilatatum

Eryngium maritimum

Eucalyptus globulus


Euphorbia characias

Euphorbia paralias

Euphorbia peplis

Euphorbia portlandica

Euphorbia terracina

Ferula communis

Ficus carica

Filipendula vulgaris


Foeniculum vulgare

Fraxinus excelsior

Fumaria sp.


Galactites tomentosa

Genista tournefortii

Genista triacanthos

Gladiolus ?illyricus


Halimione*
Foz Mondego

Halimium calycinum

Halimium halimifolium

Hedera helix

Hedypnois cretica

Helianthemum sp.


Helichrysum picardi

Heliotropium sp.


Hibiscus (ornamental)


Holcus lanatus

Hyparrhenia hirta

Hypericum ?perforatum


Iberis procumbens

Inula crithmoides

Ipomoea sp. (ornamental)


Iris lusitanica

Jasione ?montana

Juncus acutus

Juniperus turbinata

Lagurus ovata

Lathyrus ?aphaca

Lathyrus clymenum

Laurus nobilis

Lavandula pedunculata

?Leontodon

Leucojum trichophyllum

Ligustrum vulgare

Linaria ?Antirrhinum

Limonium sp.


Linaria caesia

Linaria lamarckii

Linaria pedunculata

Linum sp.


Lithospermum sp.


Lobularia maritima

Lolium multiflorum

Lonicera etrusca

Lonicera implexa

Lonicera periclymenum

Lotus creticus

Lupinus sp.


Lycopus sp.


Lycoris sp.


Lysimachia sp.


Lythrum sp.


Malcolmia littorea

Malcolmia ramosissima

Malus sp.


?Matthiola

Medicago littorals


Medicago marina

Medicago sativa

Melilotus sp.


Melium sp.


Mentha aquática

Mentha suaveolens

Mesembryanthemum crystallinum
Foz do Mondego

Muscari sp.


Myoporum tenuifolium

Myrica faya

Myrtus communis

Narcissus sp.


Narcissus tazetta


Nasturtium officinale

Nepeta tuberosa

Nerium oleander

Nicotiana sp.


Nymphaea alba

Oenothera sp.


Olea sylvestris

Ononis sp.


Ophrys apifera

Ophrys ?speculum

Oreganum vulgare

Ornithopus pennatus

Otanthus maritimus

Oxalis pes-caprae


Paeonia broteroi

Pancratium maritimum

Papaver sp.


Parentucellia sp.


Paronychia argentea

Petrorhagia nanteuilli

Phillyrea angustifolia

Phillyrea media

Phlomis sp.


Phragmites australis

Pinus halepensis

Pinus pinaster

Pinus pinea

Pistacia lentiscus

Plantago coronopus

Plantago maritima

Plantago serraria

Platanus sp.


Polycarpon tetraphyllum

Polygonum maritimum

Populus alba

Populus nigra

Portulaca sp.


Prunella sp.


Prunus domesticus

Prunus spinosa

Pterydium aquilinum

Pulicaria odora

Punica granatum

Quercus broteroi

Quercus coccifera

Ranunculus sp.


Ranunculus ficaria

Reichardia gaditana

Rhamnus alaternus

Rhizinus communis

Robinia pseudoacacia

Rosa canina

Rosa sempervirens

Rosmarinus officinalis

Rubia peregrina

Rubia sp.


Rubus ulmifolius

Rumex bucephalophorus

Ruscus aculeatus

Ruta chalepensis

Salicornia sp.
Foz Mondego

Salix alba

Salix arenaria

Salix atrocinerea

Salsola sp.
Foz Mondego

Salvia sclareoides

Sambucus nigra

Scabiosa atropurpurea

Schoenus nigricans

Scilla sp.


Scirpoides holoschoenus

Scolymys hispanicus

Scrophularia frutescens

Scrophularia sambucifolia

Sedum album

Sedum sediforme

Selaginella sp.


Senecio doronicum

Senecio gallicus

Serapias lingua

Seseli tortuosum

Silene littorea

Silene nicaeensis

Smilax aspera

Solanum sp.


Spartina sp.
Foz Mondego

Staehelina dubia

Stauracanthus genistoides

Stipa gigantea

Tamarix africana

Thapsia villosa

?Thorella verticillatinundata

Trifolium campestre

Trifolium rubrum


Trifolium scabrum


Trifolium stellatum


Tuberaria guttata

Typha sp.


Ulex jussiaei


Ulex lacetebracteatus

Ulex minor

Ulmus minor


Urginea maritima

Urtica sp.


Verbascum litigiosum

Verbascum ?thapsus

?Verbena sp.


Viburnum tinus

Vinca difformis

Vulpia sp.

















Continuação: --> Parte IIIb









  1. Taxa não encontrados (mas mencionados por outras fontes) ou parcialmente identificados com um ponto de interrogação (?)

Tabelas fitossociológicas Parte IIId

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte IIId.



Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )








Parte IIId - Outras comunidades fitossociológicas com afinidades para as comunidades da Serra da Boaviagem



Rubo ulmifolii-Prunetum insititioidis (Capelo, J.C. Costa & Lousã 1996), stat. nov.
[Basiónimo: Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifoliae Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & Valdés 1980 prunetosum insititioidis Capelo, J.C. Costa, Lousã 1996, Anais Inst. Sup. Agron. 44 (1) pag. 299, quadro 2 pag. 298]


Espinhais de abrunheiro-bravo (Prunus spinosa subsp. insititioides), com silvas (Rubus ulmifolius), madressilvas (Lonicera spp.), roseiras-bravas (Rosa spp.), pilriteiros (Crataegus monogyna subsp. brevispina), entre outras [Tabela XVI (quadro 2)]. Ocorrem sobretudo em solos derivados de margas calcárias, nos andares termomediterrânico e mesomediterrânico inferior de ombroclima sub-húmido a húmido e inserem-se nas séries do Arisaro-Querco broteroi S. e Viburno tini-Oleo sylvestris S. Apesar de ser frequente no Divisório Português (LOPES, 2001), tem a sua maior expressão no Olissiponense onde é comum formar sebes vivas. A sua sintaxonomia é: Rosenion carioti-pouzinii, Pruno-Rubion ulmifoliae, Prunetalia spinosae, RHAMNO CATHARTICI-PRUNETEA SPINOSAE.


Tabela XVI. - Rubo ulmifoliae-Prunetum insititioidis

Locais: 1 Telhal (calcários), 2 Queluz (basaltos); 3 Valejas (basaltos); 4 Pero Pinheiro (calcários); 5 Lousa (calcários); 6 Lourel (calcários); 6 Capelo et al. (1995); 7 Lopes (2001)


Características:

Prunus insititioides
Prunus insititioides

 40°12'40.48"N   8°53'2.26"W

Rubus ulmifolius
Rubus ?ulmifolius
Lonicera hispanica (= L. periclymenum)


Lonicera ?hispanica
Crataegus brevispina (= C. monogyna ssp. brevispina)



Rosa canina

Tamus communis


?Tamus communis
Smilax aspera

Rosa pouzinii

Rosa sempervirens



Hedera helix s.l.

Lonicera etrusca



Lonicera ?etrusca
Bryonia dioica

Prunus domestica ssp. insititia
40°12'15.49"N   8°51'5.78"W
40°12'33.75"N  8°51'50.78"W
 40°12'17.60"N   8°52'50.58"W

Companheiras:

Rubia longifolia
Rubia longifolia
Daphne gnidium

Arum italicum

Asparagus aphyllus

Urginea maritima

Calamintha baetica

Geranium purpureum

Oxalis pes-caprae

Dactylis hispanica

Osyris alba

Arisarum vulgare

Fumaria capreolata

Olea sylvestris

Pteridium aquilinum

Solanum nigrum

Teucrium scorodonia

Vicia nigra

Galactites tomentosa

Iris foetidissima

Euphorbia characias

Quercus coccifera

Lonicera implexa




Lonicera ?implexa
Cynara humilis

Vinca difformis

Ulex densus

Asparagus acutifolius

Quercus broteroi

Fraxinus angustifolia

Geranium lucidum

Rhamnus alaternus

Jasminum fruticans

Agrimonia eupatoria

Cistus albidus

Laurus nobilis


 40°12'39.48"N    8°51'14.25"W
40°12'39.48"N    8°51'14.25"W


Arbutus unedo


40°12'17.03"N  8°51'2.04"W
  40°12'17.03"N  8°51'2.04"W
Ulex jussiaei

Pistacia lentiscus


Brachypodium sylvaticum

Galium fruticescens

Mais relevé

Centaurium erythraea ssp. grandiflorum










Continuação: --> Parte IIIe








Tabelas fitossociológicas Parte IIIe

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte IIIe.



Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )








Parte IIId -
Outras comunidades fitossociológicas com afinidades para as comunidades da Serra da Boaviagem



Ulici airensis-Ericetum scopariae Espírito Santo, Capelo, Lousã & J.C. Costa in Espírito Santo, Lousã, J.C. Costa & Capelo 2000

"Urzal/tojal mesomediterrânico, sub-húmido a húmido, em cambissolos derivados de calcários jurássicos cársicos do Divisório Português e subsserial do Lonicero implexae-Quercetum rotundifoliae. Apresentamos neste trabalho novos inventários realizados no Superdistrito Maciço-Estremenho [Tabela XVII (Quadro 3)]. Esta comunidade encontra-se bem caracterizada em LOPES (2001). Posiciona-se na Ericenion umbellatae, Ericion umbellatae, Ulicetalia minoris, CALLUNO-ULICETEA."


Tabela XVII. - Ulici airensis-Ericetum scopariae

Locais: 1, 2 Serra de Alvaiázere, 3 Cabeço do Milho (Rio Maior); 4 Serra de Stº António; 5, 6, 7 Serra de Aire; 8, 9 Serra de Candeeiros.

Características:

Erica scoparia

Ulex airensis

Avenula occidentalis (dif. ass.)

Pulicaria odora

Genista triacanthos



Calluna vulgaris


Erica umbellata

Ulex. latebracteatus

Companheiras

Rosmarinus officinalis

Brachypodium phoenicoides

Cistus crispus

Cistus salvifolius

Thymus sylvestris (dif. ass.)

Lavandula luisieri

Genista tournefortii (dif. ass.)


Dactylis hispanica

Cistus albidus (dif. ass.)

Urginea maritima

Quercus coccifera

Daphne gnidium

Euphorbia portlantica

Arisarum vulgare

Quercus rotundifolia (frut.)

Anthyllis maura

Pteridium aquilinum

Teucrium capitatum (dif. ass.)

Bupleurum paniculatum

Asparagus aphyllus

Thapsia villosa

Rubus ulmifolius

Quercus x airensis

Rhamnus alaternus

Anemone palmata

Ajuga iva

Biscutella lusitanica

Agrostis castellana

Cistus monspeliensis

Carex hallerana

Helichrysum stoechas

Siderites hirsuta (dif. ass.)

More relevé

Fumana thymifolia

Biarum arundanum

Bellis perennis

Romulea bulbocodium

Asparagus acutifolius

Ornithogalum baeticum

Silene longicilia

Pimpinella villosa

Fritillaria lusitanica

Gladiolus italicus

Euphorbia characias

Salvia sclareoides

Pistacia lentiscus






Continuação: --> Parte IV (Lagoas das Braças e da Vela)








terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Estuário do Mondego

Estuário do Mondego - importante zona húmida e local de invernada e passagem migratória de aves


Species
Season
Year
Min
Max
Quality
Criteria
Greater Flamingo -  Flamingo
(Phoenicopterus roseus )
non-breeding
2002
0
140
unknown
C6
Purple Heron -
Garça Vermelha
(Ardea purpurea )
passage
2002
0
0
-
C6
Osprey - Água-pesqueira
(Pandion haliaetus)
non-breeding
2001
0
0
-
C6
Western marsh-harrier -
Águia-sapeira
(Circus aeruginosus )
resident
2000
2
2
unknown
C6
Black-winged Stilt - Pernilongo
(Himantopus himantopus )
breeding
1999
39
274
unknownC6
Pied Avocet - Alfaiate
(Recurvirostra avosetta )
non-breeding
2000
505
977
unknown
A4i; B1i;
C3; C6
Little Tern - Chilreta
(Sterna albifrons )
breeding
2002
4
4
unknown
C6
Bluethroat - Pisco-de-peito-azul
(Luscinia svecica )
non-breeding
2002
0
0
-
C6








Table from: Birdlife IBA


Código: PT039
Centro: Figueira da Foz (Coimbra)
Coordenadas geográficas: 40º08’ N, 8º50’ W
Área: 1.518 ha
Altitudes: 0-16m


Critérios (http://www.ramsar.org/key_criteria.htm )
A4i (Recurvirostra avosetta)
B1i (Recurvirostra avosetta)
C3 (Recurvirostra avosetta)
C6 (Phoenicopterus ruber, Pandion haliaetus, Circus aeruginosus, Recurvirostra avosetta, Himantopus himantopus, Sterna albifrons, Luscinia svecica)


Descrição do sítio
O sítio localiza-se na foz do Rio Mondego. Nesta zona o rio divide-se em dois braços, rodeando uma ilha de aluvião (Ilha da Murraceira). Os dois braços (norte e sul) juntam-se novamente a cerca de 1 km da embocadura, em frente da cidade da Figueira da Foz. O sítio compreende a Ilha da Murraceira, a zona entre o braço sul e o Rio Pranto (afluente que desemboca no braço Sul) e a zona a sul do braço Sul do Rio Mondego. O braço Sul possui zonas intermareais, sapais e caniçais e juncais. A Ilha da Murraceira e a zona a sul do Braço Sul compreende sapais, salinas e aquaculturas. A zona entre o braço Sul e o Rio Pranto engloba sapais, caniçais e arrozais.


Habitats: Zonas húmidas (rios com marés; sapais).

Uso do solo: Agricultura; Caça; Pesca/aquacultura; Turismo/recreio; Gestão de recursos hídricos.

Importância ornitológica
Durante o Inverno e as migrações a zona possui um grande valor para aves limícolas, com relevância para o Alfaiate, regularmente com mais de 700 indivíduos. Possui dois casais nidificantes de Águia-sapeira, e o número destas aves aumenta durante a época de invernada. Apresenta um núcleo nidificante interessante de Pernilongo e de Chilreta. Muitos registos de Águia-pesqueira confirmam a importância desta zona como local de invernada e passagem migratória para esta espécie. A Garça-vermelha também ocorre frequentemente nos arrozais durante a época de nidificação.


Protecção legal
Nacional: nenhuma
Internacional: desde 2006 sítio RAMSAR

Conservação
A existência de um elevado fluxo de nutrientes provenientes dos campos agrícolas do vale do Baixo Mondego origina  eutroficação das zonas intermareais, provocando o crescimento elevado de macro-algas. Existe uma gradual transformação das salinas activas em aquaculturas ou em salinas abandonadas, o que se traduz por uma perda irreversível de habitat de alimentação e nidificação de aves limícolas. Tem sido registada caça furtiva a limícolas e a flamingos.

Ameaças: Aquacultura/pesca; Perturbação das aves.


Referências
Múrias (1997), Múrias et al. (1997), Lopes (1999), Rosa et al. (2001c), Catry (2002), Lopes et al.
(2002)


Uma notícia importante (extrato da notícia):

Estuário do Mondego junta-se à lista das zonas húmidas mais importantes no mundo
Lisboa, 31 de Janeiro de 2006


No próximo dia 2 de Fevereiro celebra-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas, que é comemorado em Portugal com uma série de actividades nas zonas húmidas mais importantes, designadas como Sítios de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar. Desta lista vai passar a constar brevemente o Estuário do Mondego, situado na Figueira da Foz, e que tinha sido já identificado pela SPEA como uma das Áreas Importantes para as Aves em Portugal. Será organizada uma visita guiada ao Estuário do Mondego no dia 2 de Fevereiro às 10 horas, aberta a público e jornalistas interessados, no âmbito das comemorações do Dia Mundial das Zonas Húmidas.
A Convenção de Ramsar* congrega actualmente 150 países em prol da conservação e da utilização racional das principais zonas húmidas mundiais, que constituem os habitats mais produtivos do mundo. Uma das obrigações dos Estados que ratificaram a Convenção de Ramsar é identificar as zonas húmidas mais importantes do mundo, a partir dos critérios definidos pela Convenção – os sítios Ramsar. Actualmente existem 1579 sítios Ramsar identificados, que ocupam cerca de 133,9 milhões de hectares, dos quais 12 designados por Portugal. Na nova lista constam mais 5 sítios, entre os quais o Estuário do Mondego por iniciativa da SPEA e do ICN (ver http://www.icn.pt/destaques/dia_mundial_zonas_humidas.htm ) O Estuário do Mondego estava já identificado pela SPEA como uma Área Importante para as Aves (IBA, do inglês Important Bird Area). Esta designação da rede de áreas mais importantes para aves da BirdLife International deve-se sobretudo à importância que a área tem para as aves aquáticas migradoras que aí passam o Inverno, com destaque para o Alfaiate (Recurvirostra avosetta). É também localde nidificação do Pernilongo (Himantopus himantopus), uma espécie que tem aí uma colónia reprodutora.

...

* neste momento (2008) 1759 sítios em 158 países identificados por Ramsar

Links:







segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

1130 Estuários

1130 Estuários
(segundo ICN, Plano Sectorial da Rede Natura 2000)



Vista aérea da Ilha da Murriceira (Estuário do Mondego)



Protecção legal

Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril – Anexo B-1.
Directiva 92/43/CEE – Anexo I.

Distribuição EUR15

• Região Biogeográfica Atlântica: Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Irlanda, Portugal e Reino Unido.
• Região Biogeográfica Mediterrânica: Espanha, França, Grécia, Itália e Portugal.


Proposta de designação portuguesa

• Estuários.

Diagnose

• Os estuários estendem-se desde a foz até ao limite das águas salobras i.e., espacialmente, correspondem ao troço final de um rio sujeito ao fluxo bidiário das marés. Dada a complexidade ecológica e geomorfológica de muitos estuários é frequente o uso do conceito de “sistema estuarino”.

• Para além de extensas áreas desprovidas de vegetação vascular, nos estuários são frequentes comunidades de plantas vasculares halófilas ou sub-halófilas especializadas.

Correspondência fitossociológica

• Os diversos gradientes ecológicos fortes (vd. Caracterização) que se cruzam nos estuários têm como consequência mais evidente na vegetação vascular a estruturação em microgeosigmeta, num curto espaço, de um elevado número de comunidades vegetais (elevada de diversidade fitocenótica) (vd. Subtipos).

• Em nenhum outro tipo de habitat em Portugal confluem tantas classes de vegetação como num estuário (vd. Subtipos).

Subtipos

• Estuários mediterrânicos (1130pt1 ).
• Estuários atlânticos (1130pt2).

Caracterização

• Os estuários localizam-se nas fozes dos grandes rios portugueses, em espaços protegidos por reentrâncias de costa, i.e. zonas costeiras de baixa energia, menos sujeitas à agitação e às correntes marítimas, porém muito atreitas a correntes de maré. O contacto dos estuários com a água marinha é permanente, o mesmo não acontecendo nas lagoas costeiras (habitat 1150 “Lagunas costeiras”).

• Os estuários do Norte do país são naturalmente de pequena dimensão, estreitos e no mesmo sentido do talvegue. A sul do Mondego, inclusive, os estuários são geralmente de maior dimensão e de maior complexidade geomorfológica e ecológica. Ao contrário do que acontece no Norte, caracterizam-se pela presença de extensas e complexas reentrâncias, abrigadas das correntes fluviais e mareais mais fortes, no passado certamente conjugadas com sistemas de lagoas de águas doces e salobras.

• A mistura da água salgada do mar com a água doce fluvial e a fraca corrente das marés nas zonas protegidas dos estuários permite a deposição de sedimentos finos e a formação de lodaçais e bancos arenosos e/ou limosos, submersos durante a preia-mar (vd. habitates 1110 e 1140 ). Nos estuários é frequente a presença de complexos de comunidades vegetais vasculares halófilas ou sub-halófilas correntemente designadas por sapais. Os sapais desenvolvem-se sobre lodaçais onde as correntes são incapazes de transportar a totalidade dos sedimentos que carreiam. A estabilização do substrato de sapal inicia-se com a floculação dos sedimentos finos pela acção do cloreto de sódio da água do mar e pela sua estabilização com microalgas (e.g. diatomáceas). Onde ocorrem bancos de Cymodocea e Zostera (vd. habitat 1110 ), estes possuem também significativa importância, devido à retenção de sedimentos finos que promovem no seu interior. As plantas do género Spartina (habitat 1320 ), e em menor grau as do
género Sarcocornia (vd. habitat 1420 ), têm um papel fundamental na estabilização dos fundos dos sapais estuarinos no momento em que começam a formar pequenas ilhotas de vegetação pioneira. O sistema radicular das Spartina, de tipo fasciculado, torna mais coesas as partículas do solo e os seus caules ao diminuírem a velocidade da água favorecem a sedimentação. À medida que o solo do sapal se torna mais espesso, e o período de submersão menor, criam-se condições para a entrada de novos taxa e, consequentemente, de novas fitocenoses.

• No litoral português a diversidade da flora e da vegetação halófila e sub-halófila é máxima nos sapais, por causa dos numerosos tipos de micro-habitates que resultam da intercepção de um número também elevado de gradientes ecológicos fortes. Os tipos vegetacionais de sapal são muito variáveis, embora nas nossas latitudes sejam exclusivamente herbáceos ou arbustivos (as formações arbóreas de mangue são exclusivamente tropicais). A sua composição florística e a sua organização em microgeosigmeta dependem, sobretudo, da salinidade da água (factor correlacionado com a proximidade à foz), da probabilidade e duração do encharcamento ou submersão (i.e. da cota), da amplitude das marés (aumenta com a latitude), do abastecimento subsuperficial de água doce, da geomorfologia a pequena escala e do contexto biogeográfico. Nas áreas de sapal mais próximas da foz, banhadas por águas mais salinas e submetidas ao movimento da água mareal, situa-se o sapal externo. No sapal interno a influência da água doce é muito maior, as marés são menos evidentes e a vegetação é progressivamente dominada por elementos não halófilos.

• Os factores ecológicos que exercem um maior controlo na zonação da vegetação dos sapais externos são a probabilidade e a duração do encharcamento (ou submersão) pela água da maré. Reconhecem-se três tipos fundamentais de sapal externo: alto, médio e baixo. O sapal baixo situa-se no extremo inferior do sapal, coloniza solos de salinidade mais ou menos constante, permanentemente saturados de água salgada, sendo completamente submergido durante a preia-mar (vd. habitates 1320 e 1420 ). Nas comunidades mais interiores do sapal baixo e no sapal médio verifica-se um intenso ciclo de inundaçãodrenagem bidiário. As condições ecológicas do sapal médio são intermédias entre os sapais baixo e alto. O sapal alto, em regra, só é visitado pelas águas marinhas na preia-mar (vd. habitates 1310 e 1420 ). Situa-se desde um pouco abaixo do nível de preia-mar morta (NPM) até, aproximadamente, ao nível de preia-mar viva (NPV), sendo, consequentemente, os períodos de submersão curtos e ocasionais. Nestas condições, sob um macrobioclima mediterrânico, os sais tendem a concentrar-se por capilaridade à superfície do solo, sendo atingindos teores de salinidade muito altos, tanto maiores quanto menor a probabilidade de encharcamento. Nos territórios pouco chuvosos (e.g. Sapal de Castro Marim, Sotavento Algarvio) chegam, inclusivamente, a formar-se eflorescências salinas – crostas salinas (ing. salt pans) (vd. habitates 1310, 1420 e 1510 ). Após longos períodos de chuva ou chuvadas muito intensas a salinidade do solo do sapal alto pode descer, temporariamente, a valores muito baixos. Ao contrário do que acontece no sapal baixo, as comunidades de sapal alto suportam variações bruscas e grandes variações sazonais na profundidade dos lençóis freáticos.

• Na explanação ecológica dos microgeosigmeta de sapal externo é necessário considerar a geomorfologia a pequena escala e a presença de lençóis freáticos de água doce. Por exemplo, áreas depressionárias podem introduzir manchas de vegetação de sapal baixo no interior de uma matriz de sapal médio; aquíferos subterrâneos permitem o desenvolvimento de juncais halófilos (habitates 1330 e 1410 ) no interior do sapal médio ou alto.

• As condições ecológicas proporcionadas pelos sapais externos são muito selectivas para as plantas e somente um pequeno número de espécies halófilas consegue prosperar nestes habitates. As plantas características do sapal baixo são arbustos suculentos pertencentes às famílias das quenopodiáceas ou gramíneas (gén. Spartina ou Puccinellia). As quenopodiáceas arbustivas dominam igualmente o sapal médio. No sapal alto além das quenopodiáceas, consoante o território biogeográfico, são também frequentes gramíneas, compostas e plumbagináceas (vd. habitat 1420 ).

• As diversidades florística e fitocenótica aumentam do sapal baixo para o sapal alto e, por oposição aos sapais dos territórios eurossiberianos, são francamente superiores nos sapais mediterrânicos. A elevada diversidade dos sapais mediterrânicos deve-se sobretudo ao clima mediterrânico que favorece a acumulação de sais no sapal alto (aumento da extensão do gradiente salinidade), ao papel de refúgio de espécies halófitas destes ecossistemas durante os pleniglaciares pleistocénicos e à menor amplitude de maré, o que, entre outras consequências, reduz a perturbação causada pelo movimento de marés (perturbação intermédia). Em Portugal poder-se-á ainda adicionar o efeito da dimensão dos sapais mediterrânicos e a heterogeneidade e a diversificação de habitates introduzidos pelas salinas.

• Nos sapais externos de maior dimensão a subida e descida da água com as marés dá-se com muita intensidade porque os volumes de água são muito significativos. Devido ao efeito erosivo da água das marés nos bancos de sedimentos formam-se sapais meandrizados que se caracterizam por uma rede complexa de canais, alguns de grande profundidade e largura, designados por esteiros. A proximidade aos esteiros cria um grandiente ecológico que se revela numa zonação da vegetação (desde a vegetação de sapal baixo até à vegetação de sapal alto) em cada um dos bancos de sedimentos. A perturbação pelo movimento das águas da maré é determinante no estabelecimento de algumas comunidades anuais de Salicornia sp. pl. (habitat 1310 ). Por vezes os canais dos sapais podem, por desmoronamento dos bancos de sedimentos, encerrar-se e originar águas salobras estagnadas propícias às comunidades de Ruppietea ou de juncais-halófilos ou sub-halófilos (habitates 1330 e 1410 ).

• No sapal interno a água é menos salina, a perturbação pelas marés menor e a perturbação pelo pastoreio, geralmente, significativa. Na orla externa do sapal interno, a cotas menores, consoante o teor em sal da água, desenvolvem-se comunidades de Scirpus maritimus var. compactus (Scirpetalia compacti, classe Phragmito-Magnocaricetea) ou comunidades de grandes helófitos de Phragmitetalia (classe Phragmito-Magnocaricetea), de que são um exemplo frequente os caniçais de Phragmites australis. São também frequentes juncais halófilos ou juncais e prados-juncais sub-halófilos (classe Juncetea maritimi, respectivamente habitates 1330 e 1410 ) e prados de prados sub-halófilos e subnitrófilos de Elytrigia atherica da ordem Elytrigietalia repentis.

• Por natureza, os estuários são espaços naturais geomorfologicamente dinâmicos e heterogéneos. Vários factores afectam a dinâmica sedimentar dos sapais – tema que extravasa os objectivos desta ficha – e, consoante a sua combinação ao longo do tempo, um mesmo sapal pode ter sofrido vários ciclos de crescimento-erosão. A intensa dinâmica sedimentar dos sapais reflecte-se no arranjo espacial e na dominância dos vários tipos de habitates já, ou adiante, descriminados. Por exemplo, num estuário em que se verifique uma deposição activa de sedimentos as comunidades pioneiras de sapal baixo são substancialmente mais extensas do que num estuário em regressão por erosão. A dragagem de sedimentos e a redução dos sedimentos carreados pelos rios pode reflectir-se numa redução da área de sapal.

• Nos estuários confluem então, em mosaicos complexos e fluidos, vários habitates contemplados pela Directiva 92/43/CEE:
  • 1110 Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda;
  • 1140 Lodaçais e areais a descoberto na maré baixa;
  • 1170 Recifes;
  • 1310 Vegetação pioneira de Salicornia e outras espécies anuais das zonas lodosas e arenosas;
  • 1320 Prados de Spartina (Spartinion maritimae);
  • 1330 Prados salgados atlânticos (Glauco-Puccinellietalia maritimae);
  • 1410 Prados salgados mediterrânicos (Juncetalia maritimi);
  • 1420 Matos halófilos mediterrânicos e termoatlânticos (Sarcocornetea fruticosi);
  • 1430 Matos halonitrófilos (Pegano-Salsoletea);
  • 1510 * Estepes salgadas mediterrânicas (Limonietalia).

Os complexos de vegetação do sapal externo são os mais diversos e complexos de Portugal (vd. habitates 1320 e 1420) e aqueles que contêm maior número de habitates contemplados na Directiva 92/43/CEE. As comunidades características de sapal alto, à excepção dos juncais e prados juncais de Juncetalia maritimi (habitates 1330 e 1410), não estão representadas no habitates da Directiva 92/43/CEE.

• A extracção do sal em salinas é um dos usos mais ancestrais dos salgados estuarinos2. As salinas foram construídas em áreas de sapal externo, o tipo de sapal mais próximo do mar e sujeito a maiores variações da altura da maré. A sua construção incrementou a diversidade florística e fitocenótica dos sapais porque as salinas induzem uma “subida” latitudinal da vegetação hiper-halófila que naturalmente, por razões macroclimáticas, nunca atingiria latitudes tão elevadas (e.g. comunidades de Salicornia patula das salinas do Tejo). Existem, inclusivamente, espécies vegetais (Frankenia pulverulenta, Salicornia patula, Sphenopus divaricatus, Suaeda splendens, Salsola soda) e sintaxa (Frankenion pulverulentae, Salicornion patulae, Thero-Suaedion) cuja ocorrência, em Portugal, se verifica maioritariamente em salinas. O abandono das salinas ou a sua substituição por outros tipos de uso (e.g. campos de arroz no Sado ou por tanques de piscicultura no Algarve e Costa Alentejana) implicam um empobrecimento e habitates dos estuários que se repercute nas zoocenoses a vários níveis tróficos. Em termos de habitates contemplados na Directiva 92/43/CEE, o abandono das salinas tem um efeito muito marcado na regressão de comunidades anuais (habitates 1310 e 1510 ) e num aumento da área de ocupação de comunidades vivazes a priori já de si abundantes (habitates 1410 e 1420 p.p.).

• A eutrofização das águas estuarinas tem como consequência mais evidente a colonização dos bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda (habitat 1110 ) e dos lodaçais e areais a descoberto na maré baixa (habitat 1140 ), por formações de Spartina (habitat 1320 ) ou, numa fase inicial, pelo incremento dos bancos de Zostera noltii (habitat 1140 ). Contudo o aumento da carga de nutrientes tem, a prazo, como resultado a redução drástica da cobertura das manchas de Z. noltii.

• Os estuários são sistemas muito permeáveis e sensíveis à entrada de xenófitos. O exemplo recente mais grave é a entrada da Spartina densiflora no estuário do Guadiana. Esta espécie tem um comportamento muito agressivo e, aparentemente, poderá excluir competitivamente várias espécies e comunidades vegetais (sobretudo da classe Sarcocornietea fruticosae, habitat 1420 ). A Spartina versicolor é também bastante agressiva podendo eliminar, por completo, comunidades de Juncetea maritimi. Outras invasoras – de que são exemplo Cotula australis, Paspalum paspalodes, P. urvilei, P. vaginatum e Stenothaphrum secundatum – são menos agressivas e embora se estruturem em comunidades estáveis admite-se que têm um impacte pouco significativo nas comunidades vegetais vasculares indígenas.

• Por fim refira-se que as comunidades de sapal de uma forma geral têm naturalmente uma grande resiliência e resistência à perturbação. A reconstituição da dinâmica sedimentar primitiva, o controlo das fontes de poluição e a reposição dos padrões de perturbação primitivos são normalmente suficientes para uma rápida restauração.

Distribuição e abundância



• A erosão associada aos sistemas agropastoris tradicionais teve um efeito favorável na área de ocupação deste habitat. Esta tendência milenar inverteu-se recentemente com o abandono agrícola e os factores de ameaça mais adiante discriminados por subtipo.

• Os estuários são frequentes no Superdistrito Miniense Litoral (Província Cantabro-Atlântica) (rios Ave, Cávado, Lima e Minho) e na Província Gaditano-Onubo-Algarvia (rios Mondego, Tejo, Sado, Mira, Guadiana, ribeira de Aljezur, rias de Alvor e Formosa).

Em Portugal, a fronteira entre os estuários atlânticos e mediterrânicos situa-se no estuário do rio Mondego.

Outra informação relevante

• A ria3 de Aveiro potencialmente, i.e. num cenário de ausência de dragagens e de obras de regularização da ria, é uma lagoa costeira (habitat 1150 ). No entanto, a manutenção de uma conexão artificial com o mar permite um fluxo bidiário da água das marés que se repercute na organização dos microgeosigmeta de sapal. Deste modo, uma interpretação objectiva dos critérios que definem os habitates do Anexo I da Directiva 92/43/CEE implica que a ria de Aveiro deva ser considerada no habitat 1130 “Estuários”.

• As rias Formosa e de Alvor são consideradas no habitat 1160 “Enseadas e baías pouco profundas”. Estas rias também têm conexões artificiais com o mar que lhes permitem um fluxo bidiário da água das marés porém, ao invés da ria de Aveiro, têm uma influência diminuta ou nula das águas doces ou salobras.

• Num sentido estrito, de acordo com o proposto pela Directiva 92/43/CEE, os estuários são banhados por águas salgadas ou salobras e, consequentemente, devem ser espacialmente delimitados através de comunidades de halófilas ou sub-halófilas. No sapal externo servem esse propósito as comunidades de Pegano-Salsoletea, nos estuários mediterrânicos, e as comunidades de Elymus pycnanthus (Artemisietea vulgaris) ou os prados-juncais de Glauco-Puccinellietalia (classe Juncetea maritimi), nos estuários eurossiberianos. Os estuários eurossiberianos ou os estuários mediterrânicos servidos por rios de grande caudal (e.g. Tejo), são delimitados a montante, já no sapal interno, pelas comunidades menos halófilas de Bolboschoenion compacti (Scirpetum compacti-tabernaemontani e Scirpetum compacti-Phragmitetum australidis) ou, somente os estuários eurossiberianos, pelos juncais de Agrostio-Juncetum maritimi (Glauco-Puccinellietalia, Juncetea maritimi). Nos estuários e rias mediterrânicos abastecidos por linhas de água pouco caudalosas ou temporárias são os juncais de Juncetalia maritimi (Polygono equisetiformis-Juncetum maritimae) e as comunidades mais halófilas de Bolboschoenion compacti  (Bolboschoenetum compacti e Bolboschoeno compacti-Scirpetum litoralis) que demarcam os limites a montante. Num conceito mais lato de estuário, nas zonas húmidas dulceaquícolas situadas a montante, onde o efeito da salinidade é negligível, desenvolvem-se comunidades e mosaicos de vegetação higrófila análogos aos que caracterizam os paúis.

Estuários mediterrânicos     1130pt1


Correspondência fitossociológica

• Mosaicos complexos de sedimentos não colonizados por vegetação vascular, de comunidades vegetais pertencentes às classes Halodulo wrigthii-Thalassietea testudinum, Zosteretea, Spartinetea maritimae, Sarcocornietea fruticosae, Pegano-Salsoletea, Phragmito-Magnocaricetea, Thero-Salicornietea e Saginetea maritimae.

Caracterização

• Os sapais dos estuários mediterrânicos caracterizam-se por estarem sujeitos a marés de menor amplitude, e a uma estação seca prolongada, que se reflecte numa acentuada concentração de sais no sapal alto. O efeito na vegetação do eventual abastecimento por águas doces subsuperficiais é também mais evidente nos sapais mediterrânicos.

• A complexidade fitocenótica dos estuários mediterrânicos é substancialmente superior à dos estuários
eurossiberianos. Os habitates 1410, 1430, 1510 e uma boa parte dos subtipos reconhecidos no habitat 1420 são exclusivos dos sapais mediterrânicos. À escala dos habitates da Directiva 92/43/CEE poder-seá dizer que são exclusivamente mediterrânicos e, portanto, diagnósticos dos estuários e sapais mediterrânicos:
  • sapal externo médio de Sarcocornia fruticosa (vd. subtipo 1420pt3 );
  • comunidades de sapal externo alto de Arthrocnemum macrostachyum (Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum macrostachyi, classe Sarcocornietea fruticosae) (vd. subtipo 1420pt4 ); o as comunidades mediterrrânica de sapal externo alto de Suaeda vera (Suedion verae, classe Sarcocornietalia fruticosae, classe Sarcocornietea fruticosae) (vd. subtipo 1420pt5);
  • comunidades de sapal externo alto de Limoniastrum monopetalum (vd. subtipo 1420pt6);
  • comunidades de sapal externo alto de Limonium ferulaceum (vd. subtipo 1420pt7);
  • matos halonitrófilos (Pegano-Salsoletea) (vd. 1430 );
  • estepes salgadas mediterrânicas (Limonietalia) (vd. 1510 ).

Distribuição e abundância


Os estuários mediterrânicos estendem-se por toda a costa Sul, Sudoeste e Centro-Oeste de Portugal até ao estuário do Mondego (inclusive).

• A construção de portos (e de outras estruturas relacionadas com o transporte marítimo) no interior dos sapais (e.g. Lisboa, Setúbal, Faro, Alvor) conduziu a uma redução da extensão dos estuários e ao desaparecimento completo da vegetação de sapal nos locais onde foram edificados.

• Os estuários mediterrânicos, e respectivos sapais, sofreram um impacto da acção humana francamente inferior à dos estuários atlânticos. A dimensão destes estuários, o facto dos seus sapais e lodaçais serem mais movediços, de mais difícil conversão à agricultura (menor pluviosidade, com uma menos eficiente lavagem dos sais) e de se situarem, em muitos casos, longe da barra, protegeram um significativa porção da vegetação vascular halófila estuarina da destruição física directa causada pelas obras portuárias. São uma excepção, em tempos muito recuados, os sapais da margem direita do Tejo. A área de sapal interno, pelo contrário, regrediu assinalavelmente como consequência da expansão da orizicultura e da agricultura de regadio (vd. imagem).

Bioindicadores

• Taxa bioindicadores:
  • presença em combinações florísticas variáveis de Apium graveolens, Armeria maritima, Artemisia gallica subsp.subsp. pannonicus, Carex extensa, Centaurium tenuiflorum, Cistanche phelypaea, Cymodocea nodosa, Elytrigia elongata (= Elymus elongatus), Halimione portulacoides, Inula crithmoides, Juncus acutus, Juncus maritimus, Juncus subulatus, Limoniastrum monopetalum, Limonium algarvense, Limonium daveaui, Limonium diffusum, Limonium ferulaceum, Limonium lanceolatum, Limonium vulgare, Puccinellia iberica, Puccinellia tenuifolia, Sarcocornia fruticosa, Sarcocornia perennis subsp. alpini, S. perennis subsp. perennis, Sonchus maritimus, Spartina maritima, Suaeda vera, Triglochin bulbosa subsp. barrelieri, Zostera noltii.

• Bioindicadores fitocenóticos (presenciais):
  • mosaicos complexos de sedimentos não colonizados por vegetação vascular, de comunidades vegetais pertencentes às classes Halodulo wrigthii-Thalassietea testudinum, Zosteretea, Spartinetea maritimae, Sarcocornietea fruticosae, Pegano-Salsoletea, Phragmito-Magnocaricetea, Thero-Salicornietea e Saginetea maritimae.

• Bioindicadores fitocenóticos diferenciais frente aos sapais atlânticos (subtipo 1130pt2):
  • comunidades de Sarcocornia perennis subsp. perennis e S. fruticosa do Puccinellio ibericae-Sarcocornietum perennis e do Cistancho phelypeae-Sarcocornietum fruticosae (classe Sarcocornietea fruticosae);
  • comunidades de Arthrocnemum macrostachyum (Arthrocnemenion glauci, classe Sarcocornietea fruticosae);
  • comunidades de Suaeda vera (Suaedion verae, classe Sarcocornietea fruticosae);
  • comunidades de Limoniastrum monopetalum ou de Limonium ferulaceum (Limonietalia, classe Sarcocornietea fruticosae);
  • matos halo-subnitrófilos (classe Pegano-Salsoletea);
  • juncais mediterrânicos (aliança Juncion maritimae);
  • comunidades anuais (Thero-Suaedetalia, Frankenion pulvurulentae e Salicornietum patulae).

Serviços prestados

• Refúgio de biodiversidade
  • habitat muito importante no ciclo de vida de alguns animais marinhos (e.g. local de desova, maternidade e refúgio de fauna marinha);
  • presença de espécies raras;
  • área de alimentação de aves.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Eliminação-reciclagem de resíduos.
• Produção de alimentos.
• Recursos genéticos.
• Educação e ciência.


Conservação

Grau de conservação

• Em Portugal, o grau de conservação dos estuários mediterrânicos é francamente melhor do que o grau de conservação dos estuários eurossiberianos.

Ameaças

• Dragagem de fundos estuarinos.
• Pesca ou apanha por artes ou métodos que perturbem o fundo.
• Redução do volume de sedimentos transportados pelos rios (efeito da redução da actividade agrícola e pastoril e do represamento por obras hidráulicas).
• Poluição por efluentes não tratados.
• Introdução de espécies exóticas invasoras por águas de lastro.
• Plantas exóticas invasoras (e.g. Spartina sp.pl.) (vd. Ameaças, dos habitates 1320 “Prados de Spartina (Spartinion maritimae)” e 1330 “Prados salgados atlânticos (Glauco-Puccinellietalia maritimae)”).
• Poluição por produtos poluentes (e.g. hidrocarbonetos) e catástrofes envolvendo o seu derrame no mar (próximo da costa).
• Trânsito de veículos e excesso de pisoteio nas áreas de sapal.
• Destruição directa por alteração ao uso do solo, nomeadamente através de construções, aterros e abertura ou alargamento de caminhos e vias de comunicação.
• Obras de engenharia indutoras de alterações ao regime de correntes e à dinâmica sedimentar ou que impliquem a destruição directa do habitat.
• Despejo de lixos, entulhos e outros resíduos.
• Tráfego e fundeação de embarcações a motor.
• Abandono das salinas.
• Subida do nível do mar.
• Impedimento de circulação de águas marinhas no sapal.

Objectivos de conservação

• Manutenção da área de ocupação.
• Melhoria do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Condicionar a pesca ou apanha por artes ou métodos que revolvam o fundo.
• Condicionar as dragagens no espaço estuarino.
• Reforçar a fiscalização sobre o despejo de efluentes não tratados.
• Controlar o despejo de águas de lastro.
• Promover o tratamento das águas de lastro.
• Reforçar a fiscalização sobre a lavagem de tanques de petroleiros.
• Afastar os corredores de circulação de navios com cargas perigosas para mais longe da costa.
• Incrementar a qualidade e extensão do tratamento de efluentes agrícolas, urbanos e industriais.
• Condicionar actividades subaquáticas dirigidas para a pesca, apanha ou extracção.
• Ordenar a acessibilidade a veículos e pessoas.
• Condicionar obras de engenharia indutoras de alterações ao regime de correntes e à dinâmica sedimentar ou que impliquem a destruição directa do habitat.
• Condicionar as alterações ao uso do solo.
• Reforçar a fiscalização sobre a deposição de resíduos.
• Condicionar o tráfego e a fundeação de embarcações a motor.
• Promover a produção de sal em salinas existentes.
• Condicionar a transformação de salinas em tanques de piscicultura.
• Desenvolvimento de um programa nacional de controlo de plantas invasoras, incluindo um sistema de vigilância e alarme contra a instalação das espécies invasoras de sapal (e.g. Baccharis halimifolia).


Estuários atlânticos     1130pt2

Correspondência fitossociológica

• Mosaicos complexos de sedimentos não colonizados por vegetação vascular, de comunidades vegetais pertencentes às classes Zosteretea, Spartinetea maritimae, Sarcocornietea fruticosae, Artemisietea vulgaris, Molinio-Arrhenatheretea, Phragmito-Magnocaricetea, Thero-Salicornietea, Saginetea maritimae.

Caracterização

• Nos sapais eurossiberianos está ausente o sapal externo alto colonizado por espécies adaptadas a teores muito elevados e variáveis de sais no solo. As chuvas abundantes, o calor estival moderado e as abundantes águas subsuperficiais doces estão na génese de comunidades sub-halófilas como sejam os juncais e prados-juncais da aliança Glauco maritimae-Juncion maritimi (classe Juncetea maritimi, habitat 1330 ) e dos prados sub-halófilos e subnitrófilos de Elytrigia atherica (Elytrigietalia repentis, classe Artemisietea vulgaris).

• Quando comparadas com os sapais mediterrânicos, as comunidades de sapal baixo nos sapais atlânticos – comunidades de Spartina maritima (classe Spartinetea maritimi) e de Sarcorcornia perennis subsp. perennis Sarcorcornietea perennis (classe ) – são muito estreitas, fragmentárias ou estão mesmo ausentes. Existem duas causas possíveis para este fenómeno: a maior violência das marés e a erosão do sapal.

Distribuição e abundância



• Os estuários temperados foram severamente modificados por acção antrópica, inclusivamente alguns totalmente artificializados (e.g. foz do rio Leça). A vegetação de sapal destes pequenos estuários foi profundamente alterada por obras portuárias (e.g. rios Lima e Douro), pela expansão urbana (e.g. foz dos rios Ave, Cávado, Lima e Minho), pela construção de estradas e caminhos (e.g. estuário do rio Minho), extracção de areias (e.g. rios Lima e Douro), etc.

• Para além das causas referidas em Distribuição e abundância do subtipo 1130pt1, a estrutura alongada e estreita no prolongamento às margens dos rios atlânticos tornou-os muito sensíveis à consolidação artificial das margens dos rios e fozes.

Bioindicadores

• Taxa bioindicadores:
  • presença em combinações florísticas variáveis de Apium graveolens, Armeria maritima, Aster tripolium subsp.subsp. perennis, Sarcocornia fruticosa, Spartina maritima, Triglochin maritima, Zostera noltii.

• Bioindicadores fitocenóticos (presenciais):
  • mosaicos complexos de sedimentos não colonizados por vegetação vascular, de comunidades vegetais pertencentes às classes Zosteretea, Spartinetea maritimae, Sarcocornietea fruticosae, Artemisietea vulgaris, Molinio-Arrhenatheretea, Phragmito-Magnocaricetea, Thero-Salicornietea, Saginetea maritimae.

• Bioindicadores fitocenóticos diferenciais frente aos sapais mediterrânicos (subtipo 1130pt1):
  • comunidades de Sarcocornia perennis subsp. perennis e S. fruticosa do Puccinellio  maritimae-Sarcocornietum perennis ou do Puccinellio maritimae-Sarcocornietum fruticosae (classe Sarcocornietea fruticosae);
  • prados-juncais da aliança Glauco maritimae-Juncion maritimi (classe Juncetea maritimi, habitat 1330 );
  • prados sub-halófilos e subnitrófilos de Elytrigia atherica (Elytrigietalia repentis, Artemisietea vulgaris);
  • comunidades de Paspalum vaginatum e/ou Cotula coronopifolia (Spergulario-Paspalenion vaginati, classe Molinio-Arrhenatheretea).

Serviços prestados

• Vd. subtipo 1130pt1.

Conservação

Grau de conservação

• Estuário profundamente alterados pela acção antrópica e, consequentemente, com um grau de conservação muito baixo.

Ameaças

• Vd. subtipo 1130pt1.

Objectivos de conservação

• Incremento da área de ocupação.
• Melhoria do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Vd. subtipo 1130pt1.


Bibliografia

ALFA (2003). Checklist dos sintaxa de Portugal. Continente e Ilhas. 7ª versão. Associação Lusitana de Fitossociologia (ALFA) (mimeografado).

Alves J, Espírito-Santo MD, Costa JC, Capelo J & Lousã M (1998). Habitats Naturais e Seminaturais de Portugal Continental. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa. 167 pp.

Bueno A (1997). Flora y vegetación de los estuarios asturianos. Cuadernos de Medio Ambiente, Naturaleza.
Oviedo
3: 1-334.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente; Unidade Natureza e Biodiversidade) (2003). Interpretation Manual of European Union Habitats. Bruxelas.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2002) Atlantic Region. Reference List of habitat types and species present in the region. Doc. Atl/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2003) Mediterranean Region. Reference List of habitat types and species present in the region. Doc. Med/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Costa JC (1991). Flora e Vegetação do Parque Natural da Ria Formosa. Dissertação para obtenção do grau de Doutor. Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Agronomia. Lisboa.

Costa JC (1999). Guia da excursão científica aos estuários do Tejo e do Sado. Livro de resumos e guias de excursões das V Jornadas de Taxonomia Botânica. 87-101. Lisboa.

Costa JC (2001). Tipos de vegetação e adaptações das plantas do litoral de Portugal continental. In Albergaria-Moreira, Casal-Moura A & Granja HM (eds.). Homenagem (in honorium) Professor Doutor Gaspar Soares de Carvalho: 283-299. Braga.

Costa JC, Capelo J, Aguiar C, Neto C, Lousã M & Espírito-Santo, MD (2000). An overview of the Pegano-Salsoletea Br.-Bl & O. Bolòs 1958 vegetation class in the continental Portugal. Colloques Phytosociologiques 27: 81-93.

Costa JC, Capelo J, Lousã M & Espírito-Santo MD (1998). Guia da II excursão ALFA. Vegetação da bacia hidrográfica do rio Guadiana. Associação Lusitana de Fitossociologia (ALFA). 95pp.

Costa JC & Lousã M (1989). Communautés psamophiles et halophiles du “Ria de Alvor”. Colloques Phytosociologiques 18: 121-135.

Costa JC, Lousã M & Espírito-Santo MD (1996). A Vegetação do Parque Natural da Ria Formosa (Algarve, Portugal). Studia Bot. 15: 69-157.

González-Bernáldez F (1992). Los Paisajes del Agua: Terminologia Popular de los Humedales. Reyero JM (ed.). Madrid. 257 pp.

Izco J & Sánchez JM (1997). Los medios halófilos de la ría de Ortigueira (A Coruña, España). Vegetación de dunas y marismas. Thalassas 12: 63-100.

Little C (2000). The Biology of Soft Shores and Estuaries. Oxford University Press. Oxford. 252 pp. Pinto-da-Silva AR & Teles A (1972). Description sommaire des aires visités. Excursion au Portugal. 29 Mai-7 Juin. Estação Agronómica Nacional. Oeiras.

Rivas-Martínez S, Costa M, Castroviejo S, & Valdés B (1980). Vegetación de Doñana (Huelva, España). Lazaroa 2: 5-190.

Rivas-Martínez S, Lousã M, Díaz TE, Fernández-González F, & Costa JC (1990). La vegetación del sur de Portugal (Sado, Alentejo y Algarve). Itinera Geobot. 3: 5- 126.

sábado, 23 de Agosto de 2008

As Fotos da Carla (Caminhada na Ilha da Murriceira, Figueira da Foz)

As Fotos da Carla (Caminhada na Ilha da Murriceira, Figueira da Foz)



sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Caminhada (VIIb) - Flamingos no Estuário do Rio Mondego


Caminhada (VIIb) - Flamingos no Estuário do Rio Mondego

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes



Esta caminhada não exige precondição física elevada. O trajecto é de aproximadamente 10 km. Para a caminhada não é preciso calçado especial.


Tópicos:  Estuários; Estuário do Mondego; sapais; aquacultura; salinas; aves; vegetação halofítica; biodiversidade; plantas invasoras.



Algumas impressões fotográficas:


terça-feira, 19 de Agosto de 2008

As Fotos da Luísa Sales da caminhada na Ilha da Murriceira

As Fotos da Luísa Sales da caminhada na Ilha da Murraceira


Caminhada (III) - Dunas consolidadas e depressões intradunares

Caminhada (III) - As dunas consolidadas e depressões intradunares

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes


Fig. 1 - Percurso e estações da caminhada

Esta caminhada na praia não exige nenhuma precondição física elevada. O trajecto é de aproximadamente 5 km. Para a caminhada também não é preciso calçado especial.

Tópicos:

Oceano e litoral; dunas consolidadas; depressões intradunares;biodiversidade; vegetação nas dunas; plantas invasoras; o conceito do ecossistema.




        Estações:


Algumas impressões fotográficas:












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segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Caminhada (IVb) - Da Pedra da Nau até Buarcos

Caminhada (IVb) - Da Pedra da Nau até Buarcos

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes


Fig. 1 - Percurso e estações da caminhada

Esta caminhada não exige nenhuma precondição física elevada. O trajecto é de aproximadamente 2 km. Para a caminhada devia usar calçado de tenis ou tracking.

Tópicos:

Oceano e litoral; Geomorfologia da Serra da Boaviagem; Ambiente marinho; recifes; zona das marés; o conceito do ecossistema.




        Temas:


Algumas impressões fotográficas:














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Caminhada (IVa) - Até a Bandeira pelo Cabo Mondego

Caminhada (IVa) - Até ao Mirador da Bandeira pelo Cabo Mondego

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes

Fig. 1 - Percurso e estações da caminhada

Esta caminhada não exige nenhuma precondição física elevada. O trajecto é de aproximadamente 10 km. Para a caminhada devia usar calçado de tenis ou tracking.

Tópicos:

Oceano e litoral; ambiente marinho; biodiversidade; dunas; vegetação nas dunas; plantas invasoras; o conceito do ecossistema.




        Estações:


Algumas impressões fotográficas:








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domingo, 17 de Agosto de 2008

Caminhada (VIIa) - Ilha da Murraceira- Estuário do Mondego

Caminhada (VIIa) - Ilha da Murraceira - Estuário do Mondego

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes



Esta caminhada não exige nenhuma precondição física elevada. O trajecto é de aproximadamente 5 km. Para a caminhada não é preciso calçado especial.


Tópicos:  Estuários; Estuário do Mondego; sapais; aquacultura; salinas; aves; vegetação halofítica; biodiversidade; plantas invasoras.




Algumas impressões fotográficas:












Fotografias da Luisa Sales da caminhada na Ilha da Murraceira



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Caminhada (II) - Até a Praia da Costinha

Caminhada (II) - Até a Praia da Costinha

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N  8º53'31.15'' O  elev 44 pes


Fig. 1 - Percurso e estações da caminhada

Esta caminhada na praia exige alguma precondição física. O trajecto é de aproximadamente 10 km. Para a caminhada é preciso calçado de tenis ou tracking.

Tópicos:

Oceano e litoral; ambiente marinho; biodiversidade; dunas; vegetação nas dunas; plantas invasoras; o conceito do ecossistema.




        Estações:


Algumas impressões fotográficas:
















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sábado, 16 de Agosto de 2008

Os moinhos e azenhas de água de Quiaios




Os moinhos e azenhas de água de Quiaios


Carlos Alberto Dias Machado*



A azenha e moinho de água de Quiaios objecto deste “post” foram visitados pela primeira vez pelo autor do blogue e a minha contribuição tem por base uma visita ao local e uma entrevista com o último moleiro.

O local onde se situam os moinhos é verdadeiramente espectacular, dadas as suas características geológicas e botânicas.

A ribeira nasce na encosta da Serra da Boa Viagem e corre num vale apertadíssimo até chegar à planura da vila de Quiaios. A água é extremamente calcária e daí o fenómeno resultante da deposição de calcário por todo o lado por onde a água passa, deixando um rasto fantasmagórico dentro de um túnel de vegetação, “um lugar de fadas” como o caracterizou o autor do blogue e que só uma visita ao local permite apreciar. Até as próprias raízes das árvores foram recobertas com calcário, transformando-se num tubo, com o apodrecimento e desaparecimento do lenho.

Neste ambiente, a imaginação de cada um facilmente atribui a cada uma das formas que observa, criadas pela natureza, uma representatividade real de coisas ou objectos conhecidos.

A vegetação é tipicamente mediterrânica, e de porte superior ao normal, dado o microclima do lugar. De entre as espécies aí existentes podem observar-se o carvalho, o loureiro, o medronheiro e no mais fundo do vale canaviais e fetos de tamanho invulgar.

 


1 – Entrevista com o Sr. Arlindo


Tendo por base uma entrevista que realizei, em 11 de Agosto de 2008, com o moleiro mais antigo de Quiaios, o Sr. Arlindo Martins Pereira e esposa, recolhi alguns elementos que me permitiram ilustrar a série de fotografias obtidas no local onde se encontram os vestígios de uma azenha de água e logo a seguir um moinho de água de rodízio, na encosta da Serra da Boa Viagem voltada a Quiaios.



 



Foto 1 – O moleiro Sr. Arlindo na sua casa de Quiaios



CM – Que idade tem Sr. Arlindo?

AR – 82 anos

CM – Sabe desde quando existem os moinhos da Serra?

AR – Oh, não sei. Só sei que eram dos meus avós.

CM – Provavelmente já existiriam no início do século XIX.

Como se chamava o seu pai?

AR – Chamava-se António Martins Pereira Ventura.

CM – E o seu avô, moleiro?

AR – Chamava-se José Ventura, o qual comprou os moinhos aos Curados.

CM – De que tipo são os moinhos?

AR – Há uma presa construída em alvenaria por cima da qual se pode passar para o outro lado da ribeira. Em tempos chegou a ter uma guarda ou corrimão. Por dois orifícios redondos existentes na presa, e que podiam ser fechados com tampões, a água era encaminhada para a azenha. A água depois de passar pela azenha era encaminhada para o moinho, situado mais abaixo, fazendo girar um rodízio.

CM – De que material eram as penas ou palhetas do rodízio?

AR – Eram de madeira.

CM – Os moinhos que cereal moíam?

AR – Milho e às vezes trigo.

CM – Mas num sítio destes deve haver pouca água durante o ano!

AR –Antigamente havia água de Outubro a Maio. Mas agora está tudo mudado …[opinião confirmada pela esposa]

CM – Em que ano deixou de moer?

AR – [hesitou] O meu filho tem 55 anos. Quando tinha 10 anos o moinho ainda moia. Talvez por volta de 1963 ou depois.

CM – Aqui em Quiaios havia mais moinhos de água?

AR – Por trás do cemitério havia uma azenha que agora está em ruínas e coberta de silvas. Mas para cima havia mais duas azenhas e para baixo havia duas azenhas e um moinho de rodízio. As águas das duas ribeiras juntavam-se e encaminhavam-se para as dunas do lado do mar.



2 – Visita aos moinhos do Sr. Arlindo


A visita foi iniciada no largo junto ao Grupo Instrução e Recreio Quiaiense, seguindo pela rua do Viso, por um curto troço alcatroado e prosseguindo pela estrada de terra batida. À direita passa-se por um carvalho de grande porte (Quercus ?broteroi) e é com alguma dificuldade que mais acima se pode dar conta que caminhamos ao lado da copa das árvores do vale da ribeira, a apreciável altura do seu leito.

Chegados ao cimo da subida encontramos á nossa direita um paredão em alvenaria de pedra atravessando a ribeira.


 


Foto 2a - Presa da azenha



Foto 2b - Presa da azenha no inverno


Este muro não é mais do que a presa (ou açude) que represava a água vinda da Serra. Atravessando para a margem esquerda, e do lado de jusante, vemos um orifício rectangular no canto inferior direito da presa. Do lado de montante este orifício era tapado com um taipal ou portinhola de madeira e com barro, que servia para esvaziar o depósito, quando necessário. Do lado direito desta abertura havia dois orifícios redondos que podiam ser tapados com a ajuda de varas de madeira com cerca de 2 metros de comprimento, tendo, cada uma, na sua extremidade, uma bucha de madeira. Para regular o caudal de água que seguia para a azenha ou se tirava uma das buchas ou as duas simultaneamente. O caudal assim desviado seguia por uma caleira (ou levada) em alvenaria, com cerca de 25 cm de largura e 17 ou 18 cm de altura, que verificamos encontrar-se parcialmente destruída.


 


Foto 3 - Orifício de descarga da levada


Esta caleira, com um comprimento de vários metros e ligeiramente inclinada, servia para conduzir a água do açude até á azenha, encontrando-se actualmente invadida pela vegetação, como se pode ver pela fotografia junta.


 


Foto 4 - Foto da levada ou caleira ( à direita vem da presa e à esquerda vai para a azenha)


Vale a pena descer ao leito da ribeira para observar os efeitos da deposição do calcário transportado pela água, nomeadamente as autênticas cascatas e caldeiras, não de água e rocha, mas sim de calcário, que melhor se podem ver nas fotografias tiradas pelo autor do blogue e inseridas em Caminhada (Va) - Encosta da Serra até ao moinho de água (Quiaios) .
 

Foto 5 - Cascata formada pelo calcário que se deposita

No final da levada encontra-se o que resta da antiga azenha. Era constituída por uma roda de eixo horizontal semelhante á que se vê na foto 6, só que esta roda trabalhava no intervalo entre o edifício do moinho e uma parede lateral (Foto 7) onde o respectivo eixo se apoiava.


 

 
Foto 6 - Azenha de Cernache semelhante á de Quiaios





 


Foto 7 - Parede de apoio e parte do edifício do moinho



O movimento rotativo da roda de eixo horizontal transmitia-se ao eixo vertical do sistema de moagem através de engrenagens em madeira, uma chamada carreto que estava solidária com o eixo da azenha e a outra a entrosga solidária com o eixo da mó, ambas muito semelhantes às utilizadas nos moinhos de vento (Ver neste mesmo blogue, o documento O Moinho de Vento do Pardal  ).


 


Foto 8 - O que resta da mó fixa da azenha



O sistema de moagem propriamente dito deveria ser idêntico ao do moinho de rodízio que a seguir se vai descrever.



 


Foto 9 - Moinho de rodízio de Quiaios


Algumas dezenas de metros mais abaixo, a água da ribeira, depois de passar pela azenha, era represada com a ajuda de pedras e barro e era encaminhada por uma vala, para o moinho de rodízio representado na foto 9. O edifício do moinho construído em pedra, à semelhança da maior parte dos moinhos tem dois compartimentos: o inferior onde trabalha o rodízio (compartimento esse nalguns lugares conhecido por “inferno”) e o superior onde funciona o sistema de moagem e onde o moleiro passa a maior parte do tempo, dispondo apenas de duas aberturas: a porta de entrada virada a Sul e uma janela voltada a Nascente.

A parte inferior dispõe apenas de uma entrada que se vê na parte inferior direita da fotografia e era por aí que se tinha acesso ao rodízio a fim de fazer a sua manutenção.

Essa abertura tem, normalmente, a forma de um pentágono regular com os lados laterais paralelos entre si. Só que aqui, dada a grande quantidade de calcário transportado pelas águas, este foi-se depositando nas paredes laterais da saída, parecendo que elas são inclinadas, convergindo para a parte inferior, como está representado na figura junta.



Para compreender como o moinho funcionava, vou-me socorrer do texto que faz parte do livro de minha autoria “Moinhos e Moleiros de Cernache” editado em 2007 pela Câmara Municipal de Coimbra, mas colocando entre [ ] a designação das peças usada em Quiaios:

“Os rodízios, neste caso de eixo vertical, são montados num local situado por debaixo do pavimento da moagem propriamente dita. Por outras palavras é como se tratasse da cave dos moinhos, denominada nalgumas regiões por inferno [em Quiaios sem designação especial] , onde chega a água a toda a velocidade pela boquilha [em Quiaios sem designação especial] do cubo e onde ao bater nas penas [palhetas] do rodízio lhe imprime o movimento de rotação que se vai transmitir à mó andadeira.


 


Foto 10 - Rodízio de ferro de um moinho de Cernache


O eixo vertical (Fig. 1 ) ao qual está fixado o rodízio (1) designa-se por pela [mastro] (7); na maior parte dos casos era construída em madeira e em menor número em ferro. A extremidade inferior da pela [mastro] termina no aguilhão [pião] (2) que por sua vez se apoia na chamada rela [seixo] (3) ou dado que é uma pedra que encaixa no centro de um barrote [ponte] (por vezes chamado grama (4) ou urreiro ) de pinho verde, colocado em posição quase horizontal, com uma extremidade apoiada e a outra suspensa por uma vara vertical designada aliviadouro [tempero].

 



Fig. 1 – Sistema de accionamento mecânico desde o rodízio até às mós1


Os deslocamentos verticais dados ao aliviadouro [tempero] (5) a partir do sobrado do moinho, determinam o afastamento da mó andadeira (11) à mó fixa (10), regulando-se assim o apuramento da farinha produzida, por forma a sair mais fina (mole) ou mais grossa (dura); o moleiro ia fazendo a avaliação do apuramento da farinha, esfregando-a lentamente entre os dedos, apercebendo-se assim da respectiva granolometria.

A pela [mastro] na sua extremidade superior, encaixa num veio metálico (9) que atravessa a bucha (geralmente construída em madeira de figueira impregnada de uma gordura e entalada no olho da mó fixa) e termina superiormente numa peça de ferro chamada a segurelha sobre a qual se apoia a mó andadeira (11). A peça de transição entre os dois eixos, chamada nalguns sítios lobete [em Quiaios sem designação especial] (8), permite uma montagem e desmontagem fácil do conjunto.

Para se fazer parar o moinho, basta descer o pujadouro [tábua] (6). Trata-se de uma alavanca, situada no sobrado do moinho da qual se encontra suspenso um arame que atravessa o pavimento e se vai fixar a uma tábua colocada em frente da boquilha [em Quiaios sem designação especial]. O movimento desta alavanca vai fazer com que a tábua se desloque para uma posição em que o jacto da água proveniente da boquilha seja desviado do rodízio, caindo em cima da tábua, obrigando o moinho a parar.

As mós usadas nos moinhos de Cernache, dividiam-se em dois tipos: as mós alveiras construídas de material litológico de menor dureza, normalmente o calcário (extraído de pedreiras de Condeixa-a-Velha) utilizadas para moer o trigo; outras de arenito silicioso (tipo grés do Buçaco) ou quartzito, servem para moer o milho. Estas últimas eram extraídas em Olho Marinho, Poiares. A mó de cima (galga ou andadeira) é formada por um único bloco onde são abertos sulcos radiais e um rasgo rectangular ao centro, onde encaixa a segurelha que suporta o peso da mó e lhe transmite o movimento rotativo do rodízio. A mó inferior, fixa, é mais grossa e no centro leva a bucha a que já fizemos referência. As pedras do moinho sofrem desgaste, pelo que, periodicamente há necessidade de serem picadas.

Vejamos agora a constituição e funcionamento da parte do moinho que fica situada no sobrado (Fig. 2 ).

 

 


Fig. 2 – Sistema típico de moagem



O grão do cereal é colocado na moega [gamelão] (1) em madeira, com a forma duma pirâmide invertida, saindo a pouco e pouco pelo orifício inferior e passa para a quelha [telha] (2) por onde vai escorregando e caindo para o olho da pedra móvel. A regulação da quantidade de grão que cai para a mó é efectuada através do ponto de fixação do cordel que suporta a parte dianteira da quelha [telha], variando-se assim a sua inclinação. O escorregamento do grão pela quelha [telha] é facilitado pela trepidação que lhe é transmitida pelo “chamadouro” ou “tramela” [cachorro] (3) que é uma peça em madeira em forma de cruz; o braço horizontal apoia-se do lado esquerdo na estrutura fixa do moinho e do lado direito na quelha [telha]; o braço inclinado poisa na mó e quando esta se encontra em movimento o chamadouro [cachorro] trepida fazendo com que o grão caia. É importantíssimo que o moinho moa sempre a quantidade certa de grão, para o tipo de farinha que se pretende obter. Só a experiência do moleiro, que reconhece a boa ou má regulação do sistema, pelo som que ouve do trabalhar do moinho, lhe permite ter a moagem em boas condições de funcionamento. Mesmo que se encontre a dormir, a alteração do som ou a ausência de ruído faz com que acorde e vá ver o que se passa.

O grão ao cair pelo olho da mó é obrigado, com a ajuda do movimento rotativo da segurelha, a encaminhar-se para o espaço situado entre as duas mós.

A força centrífuga e os sulcos radiais abertos na face inferior da mó móvel com uma profundidade que vai diminuindo do centro para a periferia, concorrem para a trituração do cereal [diz-me o moleiro de Quiaios que aqui as mós não tinham estes sulcos]. A farinha assim produzida vai sendo projectada para a frente do moinho, batendo contra os panais (5) e caindo no tremonhado (4) que é o espaço vedado no soalho por umas tábuas ou directamente para a taleiga, isto é, uma saca, que pode ser a mesma que trouxe o grão para moer. [No moinho de Quiaios, à semelhança do que acontece nesta região, em vez desta solução, havia o que chamam o paneiro que é um cilindro em chapa que envolve toda a mó impedindo que a farinha se espalhe]. Os sacos de farinha eram marcados com o nome do moleiro, utilizando-se, para isso, uma chapa de zinco com as letras recortadas em vazio; colocada a chapa sobre o saco, passava-se com tinta preta, ficando os dizeres impressos no saco.

O moleiro reservava para si a maquia como pagamento pelo trabalho efectuado e entregava o restante ao cliente. As medidas mais usadas eram o alqueire – caixa de madeira que, rasa de milho, leva cerca de 11 a 12 quilos de grão, o meio-alqueire, a tetra e o celamim (décima sexta parte de um alqueire) [em Quiaios em vez da tetra e do celamim, usava-se o litro e o meio litro. Como instrumentos auxiliares usava-se a peneira e o crivo, o primeiro para separar os resíduos da farinha e o segundo dos cereais; a pá de madeira para manusear a farinha, o picão de ferro para picar as mós e a vassoura essencialmente para varrer a farinha à volta das mós, feita geralmente de milho painço [folhas de palmeira]. O moinho era mantido livre de ratos pela caça que lhes dava o gato do moleiro, e daí haver geralmente uma abertura que permitia a entrada e saída do mesmo.”

São muito interessantes algumas particularidades do moinho de Quiaios, nomeadamente o facto da “boquilha”, assemelhando-se a uma vulva, por onde saía a água em direcção às penas do rodízio, ser talhada numa pedra como se mostra na  foto 11. O caudal de água era regulado por uma cunha em madeira que era inserida no orifício situado na face superior da pedra e que se pode ver nesta foto.


 


Foto 11 - Fenda por onde saía a água


Do rodízio apenas resta o "mastro” e a peça inferior, circular, em madeira, onde se fixavam as “palhetas”. O arco circular em ferro que se vê na foto 12, não deve pertencer ao rodízio.


 


Foto 12 - Resto do mastro 



Colocando o “mastro” em posição horizontal, é possível observar na foto 13, uma peça central chamada “pião”, que não é mais do que um seixo arredondado que, com o mastro na sua posição vertical, vai poisar noutro seixo. Este tipo engenhoso de construção permite que durante a rotação do rodízio seja mínimo o atrito entre a parte que roda e a parte fixa.



 


Foto 13 - Pela deitada para se ver o pião.


Passando à parte superior tudo foi desmontado para permitir reconstruir o telhado e o sobrado e respectivo vigamento.

Durante esta operação deve-se ter partido ao meio a mó fixa, como se pode observar na foto 13.


 


Foto 14 - Mó fixa partida e deslocada da sua posição normal.



Na foto 15 vemos o orifício criado no sobrado para permitir a passagem da parte superior da pela que depois ia atravessar a “bucha” entalada no olho da mó fixa.



 


Foto 15 - Abertura no sobrado por onde passava a parte superior do mastro.



A um canto, sobre o sobrado, pode ver-se a mó andadeira (foto 16).



 


Foto 16 - Mó andadeira


A um canto, no prego, ainda se pode ver o casaco usado pelo filho do último moleiro deste moinho.
 

Foto 17 - O casaco do filho do moleiro

Concluindo, lamentamos que o trabalho de recuperação do moinho tenha sido interrompido, ao que nos dizem, devido a divergências entre os herdeiros, devido às partilhas da herança ainda se encontrarem pendentes.

As características específicas da azenha e moinho e acima de tudo as características invulgares do local, bem mereciam que alguém olhasse por esta autêntica relíquia da molinologia.


____________________________

1 Gravura extraída de Bráulio Baptista, e Aníbal de Castro, Moinhos de Cernache, União Desportiva Recreativa de Cernache, 1998

 
 Bibliografia
 
Machado, Carlos, Moinhos e Moleiros de Cernache, Câmara Municipal de Coimbra, Série Coimbra Património, nº 8, Coimbra, 2007.
Marcelo, Lopes, Moinhos da Baságueda, A Mar Arte, ADRACES, Castelo Branco, 1999.
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Viegas, João Carlos e outros, Levantamento dos Moinhos de Boticas, Câmara Municipal de Boticas, s/d.
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Molinologia Portuguesa, Volume Anual 2007, Rede Portuguesa de Moinhos, Etnoideia, Lda., Belas, 2007






quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

91F0 Florestas mistas de Quercus robur, Ulmus laevis, Ulmus minor, Fraxinus excelsior ou Fraxinus angustifolia das margens dos grandes rios (Ulmenion

91F0 Florestas mistas de Quercus robur, Ulmus laevis, Ulmus minor, Fraxinus excelsior ou Fraxinus angustifolia das margens dos grandes rios (Ulmenion minoris) (Segundo ICN, Plano Sectorial da Rede Natura 2000)
Ulmus ?minor 40°12'14.28"N 8°51'4.36"W
Populus alba 40°13'38.52"N 8°50'54.29"W
Fraxinus angustifolia 40°14'36.92"N 8°48'30.19"W
Protecção legal
Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril – Anexo B-1. • Directiva 92/43/CEE – Anexo I.
Distribuição EUR15
• Região Biogeográfica Atlântica: Alemanha, Bélgica e França. Em Portugal provavelmente presente. • Região Biogeográfica Mediterrânica: França, Grécia, Itália e Portugal.
Proposta de designação portuguesa
• Florestas mistas sub-higrófilas de Fraxinus angustifolia, Quercus robur e Ulmus minor.
Diagnose
• Florestas mistas sub-higrófilas de Fraxinus angustifolia, Quercus robur e Ulmus minor, próprias de depressões ligeiras, planas e extensas, em aluviões raramente inundados, nos limites mais afastados do leito do sistema estuarino.
Correspondência fitossociológica
• Aliança Populion albae (= Fraxino angustifoliae-Ulmenion minoris).
Subtipos
• Sem subtipos.
Caracterização
• Florestas mistas de árvores caducifólias (Quercus robur, Fraxinus angustifolia, Ulmus minor, Salix atrocinerea, Celtis australis, muito raramente Q. suber), de características sub-higrófilas, que ocupam depressões ligeiras, planas e geralmente extensas das grandes extensões aluvionares de grandes rios. • O sub-bosque lianóide e herbáceo nemoral é bastante desenvolvido e inclui frequentemente: Arum italicum, Iris foetidissima, Solanum dulcamara, Humulus lupulus, Lonicera periclymenum subsp. periclymenum, Ulmus minor, Coryllus avelana, Carex arenaria, Molinia caerulea subsp. arundinacea, Carex pendula, Carex hispida, Cheirolophus uliginosus, Cladium mariscus. • Outro habitat adjacente importante são os amiais ripícolas (habitat 91E0). • Estas depressões situam-se geralmente nos limites geomorfolóficos do sistema aluvionar associado a um grande rio e geralmente não longe da foz. São biótopos sujeitos a inundação esporádica e à influência, variável ao longo do ano, da toalha freática. • Os solos correspondentes são aluviossolos com horizontes pseudo-gley. • Este habitat ocorre secundariamente nas depressões intradunares ligeiras, nas imediações de pequenas lagoas de características lóticas ou “linhas de água”, situadas em paleodunas litorais (frequentemente em ambiente de pinhal). • Estes bosques são azonais, isto é representam um tipo de vegetação caducifólia, de óptimo temperado, mas que tendem a ocorrer, por compensação freática do défice estival, em áreas mediterrânicas (termo e mesomediterânicas).
Distribuição e abundância
• A maior parte destes carvalhais/freixiais ocorre nas imediações do sistema estuarino do rio Mondego e em algumas zonas do estuário do rio Vouga. Secundariamente ocorre nas áreas de paleodunas da zona de Leiria. É possível que correspondam a vestígios de uma área maior anterior à colmatação pleistocénica do estuário do rio Liz ou a uma posterior re-invasão destes biótopos. • A sua área de distribuição é maioritariamente no Subsector Beirense Litoral. • Algumas depressões associadas a antigos areeiros, ou a margem de lagoas semi-artificiais, pateiras, antigos “maceiros” (e.g. Lagoa da Vela, Lagoa das Três Braças, Barrinha de Esmoriz, etc.) exibem este habitat. • Trata-se de vegetação florestal sub-higrófila de características temperadas e como tal, presumivelmente, a sua área terá vindo a regredir naturalmente desde o período Atlântico com a mediterraneização do clima. • Vestigialmente, esta vegetação ocorre (sem Quercus robur, mas por vezes com Quercus suber) em aluviões dos rios Tejo e Sado. • A influência antrópica, ou seja o aproveitamento agrícola das grandes extensões aluvionares, terá contribuído para a sua diminuição. • Mesmo em rios de menor importância, a porção mais recuada do terraço aluvionar, onde se localizaria alguma desta vegetação está ocupada com agricultura.
Bioindicadores
Quercus robur, Fraxinus angustifolia, Ulmus minor, Salix atrocinerea, Celtis australis, Arum italicum, Iris foetidissima, Solanum dulcamara, Humulus lupulus, Lonicera periclymenum subsp. periclymenum, Ulmus minor, Corylus avellana, Carex arenaria, Molinia caerulea subsp. arundinacea, Carex pendula, Carex hispida, Cheirolophus uliginosus, Cladium mariscus.
Serviços prestados
• Retenção do solo. • Regulação do ciclo da água. • Refúgio de biodiversidade. • Informação estética. • Informação espiritual e histórica. • Educação e ciência.
Conservação Grau de conservação
• Os núcleos bem conservados deste habitat são moderadamente abundantes. Outras situações acham-se semi-antropizadas sobretudo pelo aproveitamento hortícola dos aluviões. Estas hortas abandonadas frequentemente acham-se invadidas por canas (Arundo donax), Acacia sp. pl. ou Eryngium pandanifolium.
Ameaças
• Conversão para uso hortícola. • Pisoteio, pastoreio e nitrificação, por instalação de áreas de redil e bebedouro de gado. • Obras de regularização hidráulica e construção de canais de rega. • Invasão por plantas exóticas. • Escassez de informação sobre a naturalidade e o valor do habitat para a conservação.
Objectivos de conservação
• Manter a área de ocupação. • Incrementar o grau de conservação, através da recuperação das manchas degradadas.
Orientações de gestão
• Promover a cartografia da área de ocupação e do grau de conservação do habitat, assegurar uma representação suficiente em Sítios Classificadas. • Interditar a conversão agrícola da área de ocupação. • Interditar a instalação de áreas de redil e bebedouro de gado. • Condicionar obras regularização hidráulica e construção de canais de rega. • Controlar a infestação por plantas exóticas. • Divulgar a importância do habitat para a conservação, destacando o seu carácter reliquial.
Outra informação relevante
• Este habitat apresenta algumas semelhanças geomorfológicas com os bosques paludosos de amieiro (Alnetea glutinosa). No entanto, estes últimos apesar de ocuparem depressões de características lênticas correspondem a situações de inundação durante uma parte importante do ano, condições de anóxia, baixo potencial redox e acumulação de turfa. As depressões de Populion albae, são em termos de condições ambientais muito distintas, pela presença muito menor de água. • Esta vegetação é muito representativa dos estuários dos grandes rios da Europa Central (e.g. Pó, Danúbio, Reno, Lena). Ocorre vestigialmente nos estuários dos rios Mondego e Vouga, em acordo com alguma semelhança geomorfológica e ecofisiográfica e pela proximidade do macrobioclima temperado.
Bibliografia Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2002) Atlantic Region. Reference List of habitat types and species present in the region. Doc. Atl/B/fin. 5. Bruxelas-Paris. Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2003) Mediterranean Region. Reference List of habitat types and species present in the region. Doc. Med/B/fin. 5. Bruxelas-Paris. Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente; Unidade Natureza e Biodiversidade) (2003). Interpretation Manual of European Union Habitats. Bruxelas. Paiva J, Samaniego MCLM & Arriegas PI (1993). A flora e a vegetação da Reserva Natural do Paul de Arzila. Colecção Natureza e Paisagem, 12. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza. Lisboa. 65 pp. Rivas-Martínez S, Díaz TE, Fernández-González F, Izco J, Loidi J, Lousã M & Penas A (2002). Vascular plant communities of Spain and Portugal. Addenda to the syntaxonomical checklist of 2001. Itinera Geobot. 15(1-2): 5-992.

quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos

5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos (segundo ICN, Plano Sectorial da Rede Natura 2000)




Protecção legal
Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril – Anexo B-1.
Directiva 92/43/CEE – Anexo I.


Distribuição EUR15
• Região Biogeográfica Mediterrânica: Espanha, França, Grécia e Portugal.

Proposta de designação portuguesa
• Matagais altos e matos baixos meso-xerófilos mediterrânicos.


Diagnose
• Matagais e matos meso-xerófilos mediterrânicos dominados por microfanerófitos e/ou mesofanerófitos.

Correspondência fitossociológica
• Ordem Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni p.p.max. (classe Quercetea ilicis).
• Alianças Retamion sphaerocarpae e Retamion monospermae (classe Cytisetea scopario-striati).
• Classe Rosmarinetea officinalis.

Subtipos
• Piornais psamófilos de Retama monosperma (5330pt1).
• Piornais de Retama sphaerocarpa (5330pt2).
• Medronhais (5330pt3).
• Matagais com Quercus lusitanica (5330pt4).
• Carrascais, espargueirais e matagais afins basófilos (5330pt5).
• Carrascais, espargueirais e matagais afins acidófilos (5330pt6).
• Matos baixos calcícolas (5330pt7).

Caracterização
• Comunidades mediterrânicas arbustivas altas de características fisionómicas e ecológicas pré-florestais (microfanerofíticas) ou baixas (nanofanerófíticas), pontualmente arborescentes, dominadas por um leque muito variado de taxa e integrantes de um elevado número de sintaxa.

• Trata-se de um habitat estrutural e floristicamente heterogéneo que reúne comunidades arbustivas dominadas por espécies com estratégias adaptativas muito diversas, que têm em comum o facto de serem exclusivamente mediterrânicas e de não suportarem solos hidricamente compensados e encharcamentos estacionais muito prolongados.

• Constituem frequentemente etapas de substituição ou orlas naturais de bosques esclerofilos
mediterrânicos (Quercetalia ilicis – habitates 9320, 9320 e 9340). Alternativamente representam clímaces infra-florestais permanentes em biótopos edafoxerófilos (e.g. cristas rochosas, topos de dunas) ou etapas seriais mais regressivas (vd. matos baixos calcícolas, subtipo 5330pt7).

• Os matos altos, genericamente, estão associados a níveis de perturbação relativamente baixos porém sempre superiores aos exigidos pelos bosques. A persistência dos matos baixos calcícolas de Rosmarinetea (subtipo 5330pt7), pelo contrário, depende de níveis elevados de perturbação pelo fogo e pela herbivoria de mamíferos.

• São formadores de matéria orgânica do tipo mull (xeromull) ou moder, se houver co-dominância de ericáceas ou gimnoespérmicas.

• São predominantemente termomediterrânicos, podendo atingir o mesomediterrânico em estações topograficamente expostas à insolação e abrigadas.


Distribuição e abundância

• O abandono agrícola está genericamente a favorecer a expansão da área de ocupação deste habitat.


Outra informação relevante
• A interpretação proposta nesta ficha, sendo mais lata do que a do Manual de Interpretação dos Habitats da União Europeia, aplica a flexibilidade permitida para integração das variações regionais.





Piornais psamófilos de Retama monosperma 5330pt1


Correspondência fitossociológica
Retamion monospermae (classe Cytisetea scopario-striati).

Caracterização
• Comunidades pauciespecíficas microfanerofíticas, microfilas e caducifólias retamóides, dominadas pela Retama monosperma, um arqueófito da família Leguminosae e da tribo das Cytiseae.

• Estas comunidades estritamente heliófilas surgem em dunas terciárias (pontualmente dunas secundárias ou paleodunas) perturbadas pelo homem (pisoteio, mobilização artificial das areias, etc.) e abrigadas dos ventos marinhos.

• As formações de Retama monosperma dispõem-se, frequentemente, em mosaico com prados anuais psamófilos seminitrófilos da aliança Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris. Os contactos catenais mais comuns verificam-se com comunidades camefíticas de duna secundária (vd. habitat 2130).

• Ocupam regossolos psamíticos profundos oligotróficos e secos.

• Este subtipo é exclusivo de sistemas dunares termomediterrânicos semi-áridos a secos.

Distribuição e abundância

• Comunidade muito pontual nos cordões dunares mediterrânicos, particularmente bem representada em Tróia e na ria Formosa (Superdistritos Sadense e Algarvio; Província Gaditano-Onubo-Algarvia).
• Não se podem presumir variações sensíveis na área deste habitat. No entanto, a pressão sobre o litoral faz supôr uma diminuição da sua área nos anos mais recentes.

Bioindicadores
Retama monosperma, Pycnocomon rutifolium.

Serviços prestados
• Retenção do solo.
• Regulação do ciclo da água.
• Refúgio de biodiversidade.
• Informação estética.
• Informação espiritual e histórica.
• Educação e ciência.

Conservação

Grau de conservação
• Em geral bom.

Ameaças
• Destruição directa do habitat, nomeadamente através de:
o construções;
o aterros;
o abertura ou alargamento de estradas e caminhos.
• Invasão por plantas exóticas (e.g. Acacia sp. pl.).

Objectivos de conservação
• Manutenção da área de ocupação
• Manutenção do grau de conservação.


Orientações de gestão
• Condicionamento das alterações ao uso do solo que impliquem a destruição directa do habitat, nomeadamente a realização de obras (construções, aterros, abertura ou alargamento de vias de comunicação, etc.).
• Controlo de plantas exóticas invasoras em ecossistemas dunares.


Piornais de Retama sphaerocarpa 5330pt2


Correspondência fitossociológica
Retamion sphaerocarpae (classe Cytisetea scopario-striati).


Caracterização
• Comunidades microfanerofíticas microfilas e caducifólias retamóides, pouco densas, pauciespecíficas, dominadas pela Retama sphaerocarpa. Além da Retama sphaerocarpa são frequentes outras leguminosas da tribo das Cytiseae como o Cytisus scoparius subsp. scoparius, C. scoparius subsp. bougaei, C. multiforus e Genista polyanthos.

• Estas comunidades são subseriais de bosques perenifólios esclerofilos (habitates 9320, 9330 e 9340). Apesar de poderem constituir a primeira etapa de substituição destes bosques (sentido regressivo da sucessão ecológica), estes matos são particularmente frequentes em solos agrícolas abandonados dada a natureza estritamente heliófila e o forte carácter pioneiro da R. sphaerocarpa.

• Dispõem-se em mosaico, principalmente, com matos baixos de cistáceas (classe Cisto-Lavanduletea) e com um elevado número de comunidades herbáceas, e.g. arrelvados vivazes de Agrostis castellana, comunidades anuais seminitrófilas (e.g. comunidades Stipa capensis, Thero-Brometalia, classe Stellarietea mediae) e prados anuais não nitrófilos (Helianthemetalia, classe Helianthemetea). Como frequentemente são pastoreadas extensivamente por ovinos e caprinos, nestes mosaicos são ainda frequentes cardais de Carduus sp.pl., Dipsacus fullonum, Centaurea calcitrapa, Scolymus hispanicus, Cynara sp.pl., etc. (Onopordenea acanthii, classe Artemisietea vulgaris). Em territórios de ombroclima seco inferior, sobretudo em solos derivados de granitos, os matos de R. sphaerocarpa organizam-se com menos frequência em mosaico com matos baixos de cistáceas (classe Cisto-Lavanduletea) e demonstram uma enorme estabilidade temporal.

• Frequentemente, em torno da R. sphaerocarpa, sobretudo em territórios pouco chuvosos, observam-se ilhas de fertilidade, identificáveis por uma maior pujança da vegetação herbácea vivaz, certamente devido à presença de bactérias fixadoras do azoto nas raízes da R. sphaerocarpa, a um maior turn-over da matéria orgânica, à bombagem de nutrientes de camadas mais profundas do solo, a um balanço hídrico do solo mais favorável na sua vizinhança, a uma atenuação dos fenómenos erosivos e ao abrigo fornecido por este arbusto a espécies animais.

• Desenvolvem-se em solos relativamente profundos, oligo-mesotróficos, bem drenados, derivados de substratos rochosos ou de materiais coluvionares, normalmente siliciosos, com muita frequência do tipo luvissolo.

• Este habitat ocorre sobretudo em territórios termo e mesomediterrânicos secos.

Distribuição e abundância

• Frequente nas Províncias Carpetano-Ibérico-Leonesa e Luso-Estremadurense.
Bioindicadores
• Presença de Retama sphaerocarpa.

Serviços prestados
• Retenção do solo.
• Formação do solo.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Madeiras, lenha, pasto, etc. (sobretudo pasto).
• Recursos de uso ornamental.
• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação
• Muito variável.
• Dependente, por exemplo, de:
o estádio sucessional;
o uso do solo passado e presente;
o disponibilidade de diásporos.

Ameaças
• Arroteamentos para expansão agrícola e silvícola.
• Abertura ou alargamento de vias e caminhos.
• Expansão urbana.
• Progressão da sucessão ecológica.
• Fogo.
• Pastoreio intensivo.
• Regressão do pastoreio extensivo.

Objectivos de conservação
• Aceitável a conversão até 50% da área de ocupação, com 35% exclusivamente por progressão
sucessional.
• Melhoria do grau de conservação.

Orientações de gestão
• Gestão da progressão sucessional
o Vd. Orientações de gestão, habitates 9320, 9330 e 9340.
• Manutenção e melhoria do grau de conservação da área actual do habitat:
o condicionar alteração do uso do solo, nomeadamente para:
�� arborização;
�� expansão agrícola;
�� edificação;
�� instalação de infraestruturas;
�� abertura ou alargamento de vias de comunicação;
o ordenar o pastoreio, orientando-o para a manutenção de um modelo extensivo;
o limpeza mecânica da vegetação arbustiva baixa;
o redução dos riscos de incêndio (por exemplo, através da abertura de aceiros e corta-fogos, e instalação de pontos de água).



Medronhais 5330pt3


Correspondência fitossociológica
• Aliança Ericion arboreae (classe Quercetea ilicis).

Caracterização
• Matagais altos dominados por Arbutus unedo e Erica arborea, de características pré-florestais, constituintes das orlas naturais de bosques de Quercus suber (habitat 9330), menos vezes de carvalhais (habitates 9230 e 9240). Por vezes constituem comunidades permanentes edafoxerófilas em encostas rochosas ou cristas.

• Outros arbustos co-dominantes incluem, por exemplo, Phillyrea angustifolia, P. latifolia, Quercus coccifera, Rhamnus oleoides sp. pl., Pistacia lentiscus, Asparagus sp. pl.

• Ocorrem em mosaico com o remanescente dos bosques e com matos baixos que representam fases avançadas de degradação dos ecossistemas florestais.

• Ocupam preferencialmente solos do tipo cambissolo derivados de substratos siliciosos (nota: os medronhais do habitat 5230, podem ser calcícolas).

• São essencialmente mesomediterrânicos. No andar termomediterrânico são substituídos pelos medronhais do habitat 5230).

Distribuição e abundância

• A sua área terá sido menor num passado recente, por efeito da agricultura. Actualmente assiste-se a alguma recuperação.

• Os medronhais distribuem-se por todo o território de Portugal continental. Predominam no entanto, nas unidades biogeográficas mais próximas do litoral, e.g. Superdistritos Serrano-Monchiquense (Província Luso-Estremadurense) e Geresiano-Queixense (Província Cantabro-Atlântica).


Bioindicadores
• Dominância de Arbutus unedo, Erica arborea.


Serviços prestados
• Retenção do solo.
• Formação do solo.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Madeiras, lenha, pasto, etc. (sobretudo lenha).
• Alimentação (medronho: fruto e aguardente).
• Recursos de uso ornamental.
• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação
• Em geral bom.

Ameaças
• Desmatação orientada para:
o protecção contra incêndios;
o transformação em montado de áreas de sobreiro com este habitat.
• Pastoreio.
• Incêndios florestais.

Objectivos de conservação
• Manutenção da área de ocupação
• Manutenção do grau de conservação.

Orientações de gestão
• Condicionar as operações de desmatação.
• Condicionar a actividade pastoril na vizinhança deste habitat.
• Executar medidas preventivas dos incêndios florestais:
o rede de vigilância;
o existência de rede viária nas matas para fácil acesso de bombeiros e sapadores;
o instalação de pontos de água;
o aceiramento de faixas corta-fogo nas imediações das manchas pré-climácicas;
o plantação de faixas de folhosas de baixa inflamabilidade, como medida auxiliar de protecção.
• Sensibilizar os gestores e proprietários florestais para a conveniência e necessidade da conservação do habitat.

Outra informação relevante
• A exploração dos medronhais para colheita de medronho é, em princípio, compatível com a conservação do mesmo, se para tal não se proceder à desmatação ou poda. Deve, no entanto, ficar garantida a reserva de sementes, cerca de 20% dos frutos.
• Os medronhais co-dominados por outros taxa laurifólios – Laurus nobilis, Prunus lusitanica, Myrica faya, de carácter termófilo, paleotemperado/húmido são considerados no habitat 5230.


Matagais com Quercus lusitanica 5330pt4


Correspondência fitossociológica
Quercion fruticosae (classe Quercetea ilicis).

Caracterização
• Matos densos, baixos, em tapete, dominados por Quercus lusitanica. Presença frequente de Avenella stricta, Centaurea sp. pl., Drosophylum lusitanicum, Euphorbia transtagana, Juniperus navicularis, Serratula sp.pl. Por vezes presença de plantas próprias dos matos da classe Calluno-Ulicetea e.g. Agrostis curtisii, Erica scoparia, E. umbellata, Stauracanthus boivinii, Tuberaria lignosa, Ulex jussiaei (vd. habitat 4030).

• É normalmente uma etapa de substituição ou recuperação, em séries de vegetação com clímax de Quercus suber.

• O tipo de substrato preferencial dos matagais de Quercus lusitanica são solos do tipo cambissolo truncados, delgados, derivados de arenitos, conglomerados mio-pliocénicos, xistos ou areias consolidadas, com uma fina camada de matéria orgânica ácida do tipo moder ou mesmo mor.

• Andar termoclimático termomediterrânico, pontualmente termotemperado.

Distribuição e abundância
• A sua área terá sido menor num passado recente, por efeito da agricultura. Actualmente assiste-se a alguma recuperação.
• A sua maior área ocorre na Província Gaditano-Onubo-Algarvia. Atinge o litoral Sul do Subsector
Miniense (Província Cantabro-Atlântica).

Bioindicadores
• Dominância de Quercus lusitanica.

Serviços prestados
• Retenção do solo.
• Formação do solo.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Refúgio de biodiversidade (vd. Bioindicadores).
• Alimentação (medronho: fruto e aguardente).
• Recursos de uso ornamental.
• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação
• Genericamente bom.

Ameaças
• Desmatação dos montados de sobro e dos pinhais.
• Incêndios.

Objectivos de conservação
• Manutenção da área de ocupação
• Manutenção do grau de conservação.

Orientações de gestão
• Condicionar as operações de desmatação.
• Executar medidas preventivas dos incêndios florestais (vd. subtipo 5330pt3).

Carrascais, espargueirais e matagais afins basófilos 5330pt5

Correspondência fitossociológica
• Aliança Asparago albi-Rhamnion oleoidis p.p. (classe Quercetea ilicis).

Caracterização
• Matagais densos dominados geralmente por carrasco (Quercus coccifera subsp. coccifera) constituídos maioritariamente por arbustos pirófilos paleo-mediterânicos esclerofilos, adaptados a ciclos de recorrência de fogo não muito curtos (superiores aos matos baixos e inferiores aos bosques), com a capacidade de rebentar de toiça após perturbação (sprouters).

• Além do Quercus coccifera subsp. coccifera estão presentes, em combinações florísticas variáveis, muitas outras espécies de arbustos, e.g. Asparagus albus, A. aphyllus, A. acutifolius, Chamaerops humilis, Coronilla juncea, C. glauca, Ephedra fragilis, Jasminum fruticans, Myrtus communis, Olea europaea var. sylvestris (arbustiva), Osyris alba, O. lanceolata, Pistacia lentiscus, P. terebinthus, Phillyrea angustifolia, Ph. media, Quercus x airensis, Phlomis purpurea, Rhamnus alaternus, R. oleoides subsp. oleoides, Teucrium fruticans, Viburnum tinus.

• Podem ser etapas de substituição de bosques basófilos (azinhais, habitat 9340, ou carvalhais de Quercus faginea subsp. broteroi, habitat 9240) ou vegetação de carácter permanente (clímaces pré-florestais).
Ocorrem em mosaico com matos baixos basófilos (subtipo 5330pt7), remanescentes de bosques (habitates 9340 e 9240) e arrelvados vivazes de Brachypodium phoenicoides (habitat 6210).

• Ocorrem em cambissolos derivados de calcários.

• São essencialmente termomediterrânicos, com ligeiras disjunções mesomediterrânicas.

Distribuição e abundância


• Nos calcários da Província Gaditano-Onubo-Algarvia (Sector Divisório Português e Superdistritos Arrabidense e Algarvio).

• Noutros enclaves calcários do Alentejo (e.g. alto-alentejanos e araceno-pacenses: e.g. Sousel, Borba, Vila-Viçosa, Estremoz, Elvas, serra de Ficalho).

• O abandono da agricultura tem favorecido a sua expansão. No entanto existem zonas onde, pelo contrário, têm regredido (áreas de expansão urbana ou agrícola).

Bioindicadores
• Dominância em combinações florísticas variáveis de Asparagus albus, Rhamnus oleoides subsp. oleoides, Myrtus communis, Pistacia lentiscus, P. terebinthus, Osyris lanceolata, Quercus x airensis, Q. coccifera.
• Ausência de Juniperus sp.pl.

Serviços prestados
• Retenção do solo.
• Formação do solo.
• Regulação do ciclo da água.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Refúgio de biodiversidade (vd. Bioindicadores).
o Pela sua associação em mosaico com matos basófilos, são importantes habitates de flora calcícola (vd. subtipo 5330pt7).
• Recursos de uso ornamental.
• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação
• Bom ou moderado.

Ameaças
• Alteração do uso do solo com destruição directa do habitat, nomeadamente devido a:
o expansão urbana;
o expansao agrícola.
• Incêndios.

Objectivos de conservação
• Manutenção da área de ocupação
• Manutenção do grau de conservação.

Orientações de gestão
• Condicionar a alteração do uso do solo, nomeadamente devida a:
o expansão agrícola;
o edificação;
o instalação de infraestruturas;
o abertura ou alargamento de vias de comunicação.
• Prevenir e minimizar os incêndios com períodos de recorrência curtos (menores que 20 anos), através da
execução das seguintes medidas:
o rede de vigilância;
o existência de rede viária para fácil acesso de bombeiros e sapadores;
o instalação de pontos de água;
o aceiramento de faixas corta-fogo.

Outra informação relevante
• Estes matagais representam uma vegetação com um enorme valor ecológico e paisagístico.
Frequentemente cumprem funções análogas aos bosques no ciclo hidrológico, de nutrientes, etc.
• São frequentemente etapas de recuperação de bosques e importantes habitates de fauna.
Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 296

Carrascais, espargueirais e matagais afins acidófilos 5330pt6

Correspondência fitossociológica
• Aliança Asparago albi-Rhamnion oleoidis p.p.

Caracterização
• Matagais densos de Calicotome villosa, Myrtus communis, Olea europaea var. sylvestris, Pistacia terebinthus, Quercus coccifera, Rhamnus sp.pl. Além destas espécies podem ocorrer outros arbustos como, por exemplo, Crataegus monogyna ou Asparagus sp. pl.
• São normalmente etapas de substituição de bosques de sobreiro (habitat 9330) ou de azinheira (habitat 9340).
• Ocorrem em cambissolos ou regossolos (depósitos de vertente e coluviões) derivados de rochas ácidas, incluindo substratos compactos e areias (paleodunas). Algumas variantes (murteiras) podem ser ligeiramente freatófilas.
• Os carrascais e zambujais são essencialmente mesomediterrânicos. As murteiras e comunidades de Calicotome villosa maioritariamente termomediterrânicas.

Distribuição e abundância



• Distribuem-se sobretudo na porção mais interior da Província Luso-Estremadurense. Raros na Província Carpetano-Ibérico-Leonesa. As murteiras são essencialmente ribatagano-sadenses.

Bioindicadores
• Dominância em combinações florísticas variáveis por Calicotome villosa, Myrtus communis, Rhamnus sp.pl., Quercus coccifera ou Pistacia therebinthus.
• Ausência de Juniperus sp.pl.

Serviços prestados
• Retenção do solo.
• Formação do solo.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Refúgio de biodiversidade
• Recursos de uso ornamental.
• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação

• De bom a moderado.

Ameaças
• Vd. subtipo 5330pt5.

Objectivos de conservação
• Vd. subtipo 5330pt5.

Orientações de gestão
• Vd. subtipo 5330pt5.



Matos baixos calcícolas 5330pt7

Correspondência fitossociológica
• Classe Rosmarinetea officinalis.

Caracterização
• Matos baixos de calcários, resultantes da degradação das comunidades florestais ou dos matagais calcícolas (subtipo 5330pt5), por efeito da agricultura, pastoreio, fogo e subsequente erosão dos horizontes superficiais do solo.

• Em Portugal continental, são representados por tojais e tomilhais dominados por Corydothymus capitatus, Thymus silvestris, Ulex erinaceus ou U. densus. Entre as espécies com frequência codominantes citam-se Genista hirsuta subsp. algarviensis, Rosmarinus officinais, Teucrium polium subsp. capitatum, T. polium subsp. lusitanicum, T. hanseleri e Thymus lotocephalus.

• A diversidade florística destes matos é elevadíssima. Outras espécies que encontram o seu óptimo ecológico nestes matos são, por exemplo, Anthyllis vulneraria subsp. gandogeri, Argyrolobium zanonii, Asperula hirsuta, Avenula hackelli subsp. algarbiensis, Cistus albidus, Coris monspeliensis, Coronilla minima subsp. lotoides, Dorycnium pentaphyllum, Euphorbia nicaensis, Fumana ericoides, F. thymifolia, Helianthemum apeninum, H. croceum subsp. stoechadifolium, H. hirtum subsp. bethuricum, H. origanifolium, H. violaceum, Hyacinthoides vicentina, Iberis microcarpa, Orobanche latisquama, Plantago almogravensis, Satureja graeca subsp. micrantha, Serratula baetica subsp. lusitanica, S. estremadurensis, S. flavescens var. leucantha, S. leucantha subsp. neglecta, Sideritis algarbiensis subsp. algarbiensis, S. algarbiensis subsp. lusitanica, Staehelina dubia, Thesium divaricatum, Thymelaea hirsuta, Viola arborescens.

• O substrato é geralmente calcário duro de natureza dolomítica (calcários jurássicos). Mais raramente colonizam outros tipos de calcários e mesmo arenitos com cimento calcário. Os solos frequentemente são do tipo leptossolo com grande quantidade de afloramentos de rocha e coberturas pedregosas.

• São essencialmente termomediterrânicos.

Distribuição e abundância


• Têm uma distribuição essencialmente gaditano-onubo-algarvia. Estão presentes nos calcários da Província Gaditano-Onubo-Algarvia (Sector Divisório Português e Superdistritos Arrabidense, Costeiro-Vicentino, Promontório-Vicentino e Algarvio) e nos enclaves calcários do Alentejo (e.g. alto-alentejanos e araceno-pacenses: e.g. Sousel, Borba, Vila-Vicosa, Estremoz, Elvas, serra de Ficalho).
• O abandono da agricultura tem favorecido a sua expansão. No entanto existem zonas onde, pelo contrário, têm regredido (áreas de expansão urbana ou agrícola).

Bioindicadores
• Dominância de Ulex erinaceus (Superdistrito Promontório Vicentino), Corydothymus capitatus (Superdistritos Algarvio e Araceno-Pacense), Ulex densus e Thymus silvestris (Superdistrito Arrabidense e Sector Divisório-Português).

Serviços prestados
• Retenção do solo.
• Formação do solo.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Refúgio de biodiversidade.
o Espécies raras ou endémicas, e.g. Avenula hackelli, Serratula baetica subsp. lusitanica, S. estremadurensis, Sideritis algarbiensis subsp. algarbiensis, S. algarbiensis subsp. lusitanica, Hyacinthoides vicentina, Plantago almogravensis, Thymus lotocephalus, Ulex erinaceus, U. densus, Viola arborescens.
• Recursos de uso ornamental.
• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação
• De bom a moderado.

Ameaças
• Alteração do uso do solo com destruição directa do habitat, nomeadamente devido a:
o expansão urbana;
o expansao agrícola.
• Progressão sucessional: é provável que os matagais de carrasco [subtipo 5330pt5) tendam a predominar e a excluir dos biótopos em causa a vegetação camefítica.

Objectivos de conservação
• Manutenção da área de ocupação
• Melhoria do grau de conservação.

Orientações de gestão
• Condicionar a alteração do uso do solo, nomeadamente devida a:
o expansão agrícola;
o edificação;
o instalação de infraestruturas;
o abertura ou alargamento de vias de comunicação.
• Travar a progressão sucessional. Se cessarem os factores naturais de perturbação [fogo, pastoreio é necessário garantir a persistência de todos os elementos do mosaico através do controle racional do mato, numa proporção que garanta a persistência dos matos camefíticos calcícolas, com recurso a:
o uso de “fogo controlado”;
o desmatação por corte [roçadoras de lâminas);
o algum pastoreio muito condicionado;
o controlo de matos por gradagem ou outra mobilização do solo não é admissível.

Outra informação relevante
• Embora esta vegetação represente uma etapa avançada da degradação dos ecossistemas florestais e dosrespectivos matagais, é frequentemente mais valiosa do ponto de vista da conservação. Existe o perigo real do fenómeno espontâneo da progressão sucessional ter como consequência a extinção desta vegetação [vd. Orientações de gestão).

Bibliografia
Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2003) Mediterranean Region. Reference List of habitat types and species present in the region. Doc. Med/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente; Unidade Natureza e Biodiversidade) (2003). Interpretation Manual of European Union Habitats. Bruxelas.

Rivas-Martínez S, Díaz TE, Fernández-González F, Izco J, Loidi J, Lousã M & Penas A (2002). Vascular plant communities of Spain and Portugal. Addenda to the syntaxonomical checklist of 2001. Itinera Geobot. 15(1-2): 5-992.




1170 Recifes

1170 Recifes (segundo ICN, Plano Sectorial da Rede Natura 2000)



Recifes de Buarcos, Figueira da Foz




Protecção legal


Distribuição EUR15
• Região Biogeográfica Atlântica: Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Irlanda, Portugal e Reino Unido.
• Região Biogeográfica Mediterrânica: Espanha, França, Grécia, Itália e Portugal. 



Proposta de designação portuguesa

• Recifes.


Diagnose
• Substratos rochosos ou de origem biológica, submarinos ou expostos durante a maré baixa, desde o fundo do mar até às zonas sublitorais e litorais. Nestes recifes ocorrem comunidades bentónicas vegetais e animais, bem como comunidades não bentónicas associadas.

Correspondência fitossociológica
• Não aplicável.

Subtipos
• A extrema diversidade de subtipos existentes, torna premente a elaboração de uma classificação própria.

Caracterização
• É composto por substratos duros, de origem biogénica ou geogénica, que emergem do fundo marinho, podendo estender-se desde a zona entre marés até profundidades muito variáveis. Pode apresentar plataformas que se dispõem desde a costa até grandes profundidades ou ocorrer em manchas isoladas entre substratos de areia ou lôdo.

• Habitat caracterizado por uma muito elevada diversidade biológica. Apresenta sazonalmente um crescimento muito acentuado dos povoamentos de algas, que durante a Primavera e Verão dominam toda a paisagem subaquática até profundidades onde a luz é suficiente (ca. -30 metros). Os povoamentos animais, que neste habitat apresentam representantes de todos os grandes Filos, surgem nas mais diversas situações: fauna nectónica, fauna bentónica fixa aos substratos e fauna bentónica não fixa aos substratos. Pode apresentar concreções, incrustações ou formações recifiais biogénicas, em que a fauna é parte do recife, ocorrendo desde a zona entre marés até grandes profundidades, mesmo ultrapassando o limite de ocorrência de algas. Os recifes costeiros concentram mais de 80% da vida no mar. Deles dependem também, em muitos casos, formas de vida animal mais características do mar alto, particularmente nos períodos críticos de reprodução ou crescimento de juvenis.

• Substratos duros cobertos por uma camada fina e móvel de sedimento são considerados neste habitat se a fauna ou a flora associadas forem dependentes sobretudo dos substratos duros subjacentes.

• Pode dispor-se em mosaico com os tipos de habitat 1110 “Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda” e 1140 “Lodaçais e areais a descoberto na maré-baixa” Frequentemente é uma componente dos habitates 1130Estuáriose 1160 “Enseadas e baías pouco profundas”; pontual no habitat 1150 “Lagunas costeiras”.

Pode ainda contactar com os habitates 8330 “Grutas marinhas submersas ou semi-submersas”, 1230 “Falésias com vegetação das costas atlânticas e bálticas” e 1240 “Falésias com vegetação das costas mediterrânicas com Limonium spp.”.


Distribuição e abundância


• Comum nas zonas costeiras (Províncias Cantabro-Atlântica e Gaditano-Onubo-Algarvia).
Bioindicadores

• A grande maioria das algas, castanhas (Saccorhiza, Fucus, Laminaria, Cystoseira, etc.), vermelhas (família das Corillanaceae, Ceramiceaceae, Rhodomelaceae) e verdes (Ulva, etc.). Entre a fauna mais característica, é de assinalar a presença quase exclusiva neste habitat de muitos grupos tais como as esponjas (Porifera), as anémonas, antozoários e gorgónias (Cnidaria), os briozoários (Briozoa) e as ascídeas (Tunicata). Os restantes grupos animais, embora ocorram também noutros habitates marinhos, ocorrem maioritariamente nos recifes, como por exemplo os grupos dos moluscos (e.g. Mytilus, Charonia), crustáceos (e.g. Palaemon, Palinurus), equinodermes (e.g. Paracentrotus, Marthasterias), anelídeos (e.g. Spirographis, Filograna) e peixes (e.g. Parablennuis, Serranus).

Serviços prestados

• Refúgio de biodiversidade (local de desova e maternidade).
• Sequestração de CO2.
• Regulação climática.
• Prevenção de fenómenos catastróficos.
• Regulação do ciclo de nutrientes.
• Eliminação-reciclagem de resíduos.
• Alimentos.
• Recursos genéticos.
• Substâncias de uso farmacêutico.
• Recursos de uso ornamental.
• Informação estética.
• Recreação.
• Informação artística e cultural.
• Informação espiritual e histórica.
• Educação e ciência.

Conservação

Grau de conservação
• Sofrível a mau, por acção antropogénica.

Ameaças
• Dragagem de fundos marinhos, costeiros ou estuarinos.
• Pesca ou apanha por artes ou métodos que perturbem o fundo.
• Poluição por efluentes não tratados.
• Introdução de espécies exóticas invasoras por águas de lastro.
• Poluição por produtos poluentes (e.g. hidrocarbonetos) e catástrofes envolvendo o seu derrame no mar.
• Obras de engenharia costeira indutoras de alterações ao regime de correntes e à dinâmica sedimentar ou que impliquem a destruição directa do habitat.
• Fundeação desordenada de embarcações de recreio.
• Introdução de espécies exóticas invasoras.
• Excesso de pesca e apanha de organismos marinhos.

Objectivos de conservação
• Manutenção da área de ocupação.
• Melhoria do grau de conservação.

Orientações de gestão
• Condicionar dragagens.
• Condicionar obras de engenharia costeira que modifiquem a dinâmica de sedimentos junto à costa ou que impliquem a destruição directa do habitat.
• Reforçar a fiscalização sobre a pesca e a apanha de organismos marinhos.
• Condicionar a pesca ou apanha por artes ou métodos que revolvam o fundo.
• Criar áreas marinhas interditas a actividades de pesca, apanha ou extracção.
• Reforçar a fiscalização da lavagem de tanques de petroleiros.
• Afastar os corredores de circulação de navios com cargas perigosas para mais longe da costa.
• Controlar o despejo de águas de lastro.
• Promover o tratamento das águas de lastro.
• Reforçar o controle sobre o despejo de efluentes não tratados.
• Incrementar a qualidade do tratamento de esgotos e águas residuais.
• Condicionar actividades subaquáticas, nomeadamente as dirigidas para a pesca, apanha ou extracção.
• Ordenar a fundeação de embarcações de recreio.
• É urgente ampliar o conhecimento sobre o habitat, nomeadamente em situações de mar profundo ou offshore (e.g. recifes de coral de água fria; Lophelia pertusa), quanto a:
  • localização e cartografia;
  • biologia;
  • ameaças;
  • grau de afectação causado pelas actividades humanas, e.g. exploração dos recursos pesqueiros;
  • estado de conservação.

Outra informação relevante
• A aplicação da Directiva 92/43/CEE ao meio marinho obriga à classificação de áreas no Mar Territorial
(até às 12 nM) e na Zona Económica Exclusiva (até às 200 nM). Por lacunas de conhecimento,
dificuldades de delimitação de áreas e custos associados, a classificação de áreas deste habitat de
excepcional importância científica é incipiente.

Bibliografia
Almada V, Gonçalves E & Henriques M (2000). Inventariação e ecologia da ictiofauna do substrato rochoso da costa Arrábida/Espichel. Relatório. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente; Unidade Natureza e Biodiversidade) (2003). Interpretation Manual of European Union Habitats. Bruxelas.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2002) Atlantic Region. Reference List of habitat types and species present in the region. Doc. Atl/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.