domingo, 21 de Setembro de 2008

Tabelas fitossociológicas Parte Id

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte Id.



Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93)






Stauracantho genistoidis-Coremetum albi (tabela IX) é uma comunidade nanofanerofítica de pequenos arbustos,  endémica para o Superdistrito Costeiro Português. Esta comunidade é muito abundante por baixo dos pinheiros e forma  provavelmente o climax das dunas interiores, apesar de algum contacto com a comunidade de Juniperus. A comunidade é dominada por Stauracanthus genistoides, Corema album, Ulex europaeus ssp. latebracteatus, Helichrysum picardi var. virescens, Halimium calycinum, etc..
    Ela é uma comunidade transitória entre Cisto-Lavanduletea e Calluno-Ulicetea. Esta associação é o resultado da destruição da comunidade dos medronheiros Myrico fayae-Arbutetum unedonis que é o climax em solos arenosos do Superdistrito Costeiro Português. Arbutus unedo, Myrica faya, Erica arborea, Cytisus grandiflorus são as espécies mais frequentes (CAPELO et al. 1998).





Tabela IX. - Stauracantho genistoidis-Coremetum albi

(Relevés  extraídos da Tabela I de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )


Número do relevé
11
14
Relevés 11,14:  Quiaios
Área mínima (1-10m2)
6
3

Número de espécies
22
16

Características de associação, aliança e ordem



Stauracanthus genistoides
3
2






Corema album
+
2
Helichrysum picardi var. virescens
1
.

Halimium calycinum
1
3

Halimium halimifolium
2
3





Lavandula pedunculata ssp. lusitanica
1
2

Iberis welwitschii
.

Iberis spec.

Iberis spec.
Características do Cisto-Lavanduletea



Cistus salviifolius
1
+

Cistus crispus
.
.

Lavandula luisieri
.
.

Cytinus hypocistis
.
.

Differentiais do Ericion umbellatae:



Ulex europaeus ssp. latebracteatus
3
3











Calluna vulgaris
1
+

Genista triacanthos
+
.










Erica umbellata
+
.

Chamaespartium tridentatum
1
.

Tuberaria lignosa
.
.

Erica scoparia
.
.



Veja também: um blog sobre urzes:  http://asurzes.blogspot.com/

Agrostis curtisii
.
.

Erica australis
.
.

Companheiras:



Corynephorus canescens var. maritimus
+
.


Pinus pinaster
1
.


Carpobrotus edulis
.
.

Pteridium aquilinum
.
.

Carex arenaria
+
1

Carlina corymbosa
+
.

Thapsia villosa
+
..

Dactylis marina
+
.

?Dactylis hispanica ssp. marina


Linaria caesia ssp. decumbens
.
+

Armeria welwitschii
.
.

Ammophila arundinacea
.
.

Daphne gnidium
.
.

Scrophularia frutescens
+
+

Sedum sediforme
.
.

Seseli tortuosum
+
+

Briza maxima
+
+

Cytisus grandiflorus
.
.

Juniperus turbinata
.
.

Rubia peregrina
.
.

Aetheorhiza bulbosa
.
.

Artemísia crithmifolia
.
.

Asparagus aphyllus
.
.

Lotus creticus
.
.

Silene nicaeensis
.
.

Inula crithmoides
.
.



More relevé



Centaurea sphaerocephala ssp. polyacantha



Anagallis monelli var. microphylla




Lupinus angustifolius



Vulpia alopecurus



Brassica barrelieri



Euphorbia characias



Scilla monophyllos



Euphorbia portlandica



Umbilicus rupestris



Pistacia lentiscus



Myrica faya













Continuação: Parte Ie







Tabelas fitossociológicas Parte Ie

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte Ie.




Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93)




Em geral, sempre quando as comunidades das dunas têm entradas de componentes de azoto provenientes de matérias orgânicas (perturbação humana), a associação Chamaemelo mixti-Vulpietum alopecuoris aparece. Espécies frequentes são: Vulpia alopecurus, Chamaemelum mixtum, Centranthus calcitrapa, Bromus diandrus, Brassica barrelieri ssp. oxyrrhina, Arctotheca calendula, Lagurus ovatus, Reichardia gaditana, Silene colorata, etc. (syntypus releve 11, table X). Esta associação pode ser encontrada em solos arenosos semi-nitrófilos  a partir do sul de Aveiro até ao sul-oeste da Espanha (RIVAS-MARTÍNEZ et al., 1980, COSTA et al. 1997, LOUSÃ et al., 1999).

    A associação nitrófilo Anacyclo radiati-Hordeetum leporini arctothecetosum calendulae é encontrada ao pé de estradas com solos arenosos. Hordeum murinum ssp. leporinum, Anacyclus radiatus, Arctotheca calendula são as espécies dominantes nesta formação do Sul-Oeste Ibérica.





Tabela X. - Chamaemelo mixti-Vulpietum alopecuoris

(Relevés 3,5 extraídos da Tabela X de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )

Número de relevés
3
5
Relevés 3,5:  Quiaios
Área mínima (m2)
8
8

Número de espécies
23
20

Características:



Vulpia alopecurus
3
3

Chamaemelum mixtum
2
1

Centranthus calcitrapae
+
+

Senecio gallicus
+
+

Silene colorata
+
.


Reichardia gaditana
.
.

Bromus diandrus
.
2

Arctotheca calendula
.
1

Lagurus ovatus
.
1




Brassica barrelieri ssp. oxyrrhina
2
2

Paronychia argentea
.
1

Sonchus tenerrimus
+
+

Lolium rigidum
1
+

Bromus rigidus
.
+

Senecio vulgaris
+
+

Anagallis arvensis
.
.

Hordeum leporinum
.
1

Urospermum picroides
.
.

Echium gaditanum
.
.

Cerastium glomeratum
+
.

Emex spinosa
.
.

Hypochoeris glabra
+
.

Erodium moschatum
.
.

Carduus meonanthus
.
.

Spergularia purpurea
1
.

Anacyclus radiatus
.
.

Corrigiola littoralis
.
.

Trifolium glomeratum
.
.

Avena barbata
.
.

Bromus hordeaceus
.
.

Papaver dubium
+
.

Logfia minima
+
.

Geranium molle
.
.

Trifolium tomentosum
.
.

Oxalis pes-caprae
.
.



Bromus madritensis
2
.

Avena longiglumis
.
.

Lophochloa cristata
+
.

Geranium rotundifolium
.
+

Raphanus raphanistrum
.
.

Melilotus messanensis
.
.

Trifolium nigrescens
.
.

Plantago lagopus
.
.

Trifolium striatum
.
.

Companheiras:



Plantago coronopus
+
1

Briza maxima
1
1

Leontodon taraxacoides ssp. longirostris
.
+

Trifolium campestre
.
+

Silene scabriflora
1
1

Anagallis monelli var. microphylla
.
.


Medicago littoralis
.
.

Trifolium cherleri
.
.

Silene nicaeensis
.
.

Trifolium angustifolium
.
.

Euphorbia terracina
.
.

Pseudorlaya pumila
.
.

More relevé



Oenothera stricta



Lathyrus angulatus



Ornithopus pinnatus



Medicago tornata



Teesdalia nudicaulis



Polycarpon tetraphyllum






Continuação: --> Parte 2a. Arribas e Falésias (Sea Cliffs)







sábado, 20 de Setembro de 2008

Caminhadas na Praia de Quiaios

Encontro com a Natureza na Praia de Quiaios.

Uma perspectiva sistémica.

Fazem-se ao longo do ano (normalmente nas sexta-feiras de manha) pequenas caminhadas guiadas na zona de Praia de Quiaios. O objectivo das caminhadas é descobrir achados de Animais e Plantas da Praia de Quiaios:

- as espécies e habitats de plantas e de animais que se encontram aqui;

- os diversos habitats e ecossistemas nas quais estas espécies estão integradas.

Fig. 1 - Praia de Quiaios visto do lado do Cabo Mondego

O Cabo Mondego e das Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas, no extremo ocidente da Europa, reúnem, numa área relativamente pequena, um espéctro de ecossistemas e habitats bem diferenciados e de grande valor ecológico.

Fig. 2 - Cabo Mondego e Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas (PTCON0055 )

Fig. 2a - Habitats nas Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas (Habitats do Anexo I da Directiva "Habitats" (92/43/CEE ))
A seguinte lista de habitats naturais e semi-naturais (constantes d
o anexo B-I do Dec. Lei n.º 49/2005 ) é fornecida pelo
o Instituto da Conservação da Natureza (ICN) no âmbito do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 para as Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas:
1 - Habitats costeiros e vegetação halófila 11 - Águas marinhas e meios sob influência das marés 12 - Falésias marítimas e praias de calhaus rolados
1170 Recifes.
1210 Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos pela maré.
1240 Falésias com vegetação das costas mediterrânicas com Limonium spp. endémicas.
2 - Dunas marítimas e interiores 21 - Dunas marítimas das costas atlânticas, do mar do Norte e do Báltico 22 - Dunas marítimas das costas mediterrânicas
2110 Dunas móveis embrionárias.
2120 Dunas móveis do cordão litoral com Ammophila arenaria («dunas brancas»).
2130 * Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas»).
2150 * Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea).
2170 Dunas com Salix repens ssp. argentea (Salicion arenariae).
2190 Depressões húmidas intradunares.
2260 Dunas com vegetação esclerófila da Cisto-Lavenduletalia.
2270 * Dunas com florestas de Pinus pinea e ou Pinus pinaster
3 - Habitats de água doce 31 - Águas paradas 32 - Águas correntes — Troços de cursos de água com dinâmica natural e seminatural (leitos pequenos, médios e grandes) em que a qualidade da água não sofre mudanças significativas.
3110 Águas oligotróficas muito pouco mineralizadas das planícies arenosas (Littorelletalia uniflorae).
3150 Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion ou da Hydrocharition.
3270 Cursos de água de margens vasosas com vegetação da Chenopodion rubri p. p. e da Bidention p. p.
3280 Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix e Populus alba.
4 - Charnecas e matos das zonas temperadas
4030 Charnecas secas europeias.
5 - Matos esclerófilos 52 - Matagais arborescentes mediterrânicos 53 - Matos termomediterrânicos pré-estépicos
5230 * Matagais arborescentes de Laurus nobilis.
5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos.
6 - Formações herbáceas naturais e seminaturais 62 - Formações herbáceas secas seminaturais e fácies arbustivas 64 Pradarias húmidas seminaturais de ervas altas
6210 Prados secos seminaturais e fácies arbustivas em substrato calcário (Festuco-Brometalia) (* importantes habitats de orquídeas).
6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-Holoschoenion.
6430 Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos pisos montano a alpino
8 - Habitats rochosos e grutas 82 - Vertentes rochosas com vegetação casmofítica 83 - Outros habitats rochosos
8210 Vertentes rochosas calcárias com vegetação casmofítica.
8330 Grutas marinhas submersas ou semi-submersas.
91 - Florestas da Europa temperada
91E0 * Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae).
91F0 Florestas mistas de Quercus robur, Ulmus laevis, Ulmus minor, Fraxinus excelsior ou Fraxinus angustifolia das margens de grandes rios (Ulmenion minoris).
92A0 Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba.
Com fundo azulado: habitats prioritários

Existem aqui no limite ocidental do continente europeu, entre o oceano e o interior no litoral português atlântico, dunas litorais (móveis e arborizadas) com plantas endémicas da Península Ibérica ou mesmo de Portugal como p. ex. as camarinhas (Corema album) da Família dos Empetraceae cujas bagas brancas são comestíveis.

Fig 3 - Camarinhas (Corema album) nas dunas da Praia de Quiaios

O limite oriental da praia de Quiaios é formado por uma pequena serra, a Serra da Boaviagem, com comunidades de plantas na transição florística entre espécies mediterrânicas e atlânticas. Nestas comunidades de plantas existem orquídeas (habitat 6210 ) preciosas e tufos de espécies raras ou mesmo endémicas em pradarias sobre terrenos calcários - bem adaptadas ao clima ventoso desta costa.

Fig. 4 - Pulicaria odora - Espécie da família Compositae
Fig. 5a,b,c- Iberis procumbens ?ssp. microcarpa
Fig. 6 - Armeria welwitschii
O Cabo Mondego, limite sul da Praia de Quiaios, possui na zona do litoral marinho recifes de grande valor ecológico e um jazigo de fósseis num sistema geológico do Jurássico médio e superior com características únicas. Para Norte da praia estendem-se dunas móveis e arborizadas extensas: as Dunas de Gândara, Mira e Gafanhas. E o oceano atlântico à volta do Cabo, com o mar muitas vezes agitado, deixa recordações únicas para quem gosta da Natureza.
Fig. 7 - Cabo Mondego no Inverno
Fig. 8 - Os recifes do Cabo Mondego
Fig. 8a - Fósseis do Cabo Mondego
Fig. 8b - Fósseis do Cabo Mondego

Por lado sul do Cabo Mondego encontra-se o Estuário do Mondego. O estuário já não pertence às Dunas de Gândara, Mira e Gafanhas. Devido à pequena distância até ao estuário e à riqueza paisagística e ecológica deste estuário, vamos fazer também excursões para a Ilha da Murraceira. O sítio localiza-se na foz do Rio Mondego e faz parte dos sítios da Convenção Ramsar . Nesta zona o rio divide-se em dois braços, rodeando uma ilha de aluvião (Ilha da Murraceira). A Ilha da Murraceira e a zona a sul do Braço Sul compreende sapais, salinas e aquaculturas. Aí observam-se plantas bem adaptadas ao sal (halófitas) e sobretudo aves raras como flamingos ( Phoenicopterus roseus ) e pernilongos (Himantopus himantopus), entre outros.

Sapais e esteiros extensos no lado sul-este da Ilha da Murraceira
A Ponte da Figueira da Foz que atravessa o Rio Mondego
Um antigo Moinho do vento na Ilha da Murraceira - (veja também as contribuições valiosas do Prof. Carlos Machado sobre Moinhos de vento e Moinhos de água neste blog)
A extração de sal nas salinas
Flamingos nas salinas abandonadas

Antigo palheiro na Ilha da Murraceira Ao lado esquerdo na fotografia a planta Wegwarte* (Cichorium intybus) que tem aplicações interessantes na fitoterapia (veja também a página valiosa sobre "Plantas medicinais" da Carla Vasconcelos neste blog) (*A palavre "Warte" provém do alemão da Idade Média: "warte" = "um lugar de observação ou visão ampla". Possivelmente a planta obteve o nome porque crescia em lugares abertos onde se encontravam sinais indicativos no caminho ou onde se tinha uma visão ampla. Segundo uma lenda do povo a "wegwarte" é uma menina enfeitiçada que está com olhar de procura para o seu namorado.)

Caminhadas:2

  • (VI) As Lagoas (Caminhada/Partida: C@fé-Gelataria "Quiaios-Praia")
Palestras:
  • (VII) Estudos sobre dinâmica de sistemas (1h – Palestra: C@fé-Gelataria "Quiaios-Praia")
  • (VIII) Resume de palestras de Carl Friedrich von Weizsäcker sobre a questão "Para onde nós nos dirigimos e o que devemos fazer?" (1h – Palestra: C@fé-Gelataria "Quiaios-Praia")

Links:
Photos de horstengels http://www.panoramio.com/user/199980
Photos de horstengels2 http://www.panoramio.com/user/1601996
Maria da Assunção Ferreira Pedrosa de Araújo: Geomorfologia Litoral http://web.letras.up.pt/asaraujo/seminario/Aula7.htm
Fixação e Arborização das Dunas do Litoral http://www.drapc.min-agricultura.pt/base/documentos/fixacao_dunas.htm
Biogeografia de Portugal Continental https://woc.uc.pt/fluc/getFile.do?tipo=2&id=915
The Coastal Vegetation of the Portuguese Divisory sector: Dune cliffs and Low-Scrub Communities http://www.ceg.ul.pt/finisterra/numeros/2000-69/69_04.pdf (Esta publicação é a mais importante para conhecer os releves de comunidades florísticas da zona e constitui uma inestimável ajuda para uma orientação aprofundada sobre a flora costeira do Cabo Mondego.)
XXXII: Aditamentos à vegetação do Sector Divisório-Português http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/slu/v10n1/10n1a09.pdf
Invasões biológicas http://www1.ci.uc.pt/invasoras/

Flora Iberica http://www.rjb.csic.es/floraiberica/

(A Flora Iberica não está ainda completada, mas encontra-se aqui já a mais exaustiva informação sobre a Flora ibérica, disponível em formato pdf. A consulta e os downloads dos diversos taxa podem ser feitas a partir da página web da Flora Iberica. Mais uma vez obrigado por esta generosidade dos autores desta obra maravilhosa!)
Fauna Ibérica http://www.fauna-iberica.mncn.csic.es/index.php
Flora Digital de Portugal http://www.jb.utad.pt/pt/herbario/cons_reg.asp
Herbário da Universidade de Coimbra http://www.uc.pt/herbario_digital
Plano Sectorial da Rede Natura 2000 http://www.icn.pt/psrn2000/index.htm
Convenção Ramsar http://www.ramsar.org/
Veja também:
o blog: Fotofigueira
o blog: Casa do sal
o blog: Flora da Serra da Boaviagem

Inscrições: C@fé-Gelataria “Quiaios-Praia” – PRCT Pavilhão Terreiro 2/3, Praia de QuiaiosRua da Praia. 3080-515 Figueira da Foz. Mais Informações: Tel. 233919497 ou 967460855 e por email: coimbra312@claranet.pt

1O C@fé-Gelataria “Quiaios-Praia” tem hotspot e ligação à Internet por Wireless.

2Horários das caminhadas e de palestras serão anteriormente comunicados no café. Linguagem: Inglês, português ou alemão.

terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Gerência da floresta pública por terceiros - Ameaça ou benefício para as dunas de Quiaios?

Possível gerência da floresta pública por terceiros? - Ameaça ou benefícios para as Dunas arborizadas de Quiaios?

Por Horst Engels

40º12'59.84'' N 8º53'31.15'' O elev 44 pes


No jornal "O Público" foi publicado no domingo, dia 31. de Agosto, um artigo que deve deixar-nós preocupado: as matas públicas vão poder passar a ser geridas por privados. Isto parece-me uma decisão governamental sobre qual o público deve ser informado - e que deve fazer reflectir sobre capacidades de gerência, interesses económicos e obrigações ecológicas tanto do estado português como de instituições privadas (lembrando a acção desastrosa da Cimpor sobre o Cabo Mondego na destruição de grande parte do Cabo Mondego pela exploração do cimento e cal hidráulica - e a Cimpor que continua neste momento na destruição deste espólio da humanidade!).

Em relação à Mata Nacional das Dunas de Mira, Gandara e Gafanha (incluindo Quiaios) - vai-se dar a gerência destas dunas nas mão de uma instituição privada? Com que fins?

Aqui a minha opinhão em relação à este assunto:

Em primeiro lugar, estas dunas constituem uma zona ecológica de valor elevadíssimo - estas dunas têm de ser conservadas. Aqui não deve haver exploração económica com fins de maximização de lucros. Aqui deve-se preocupar com a preservação de habitats de valor elevadíssimos e únicos na Europa!

Eu também penso que estes habitats podem ser explorados turisticamente. Mas com o máximo cuidado!

E quem conhesse estes habitats melhor? A resposta é simples: É o ICN que tem desenvolvido um trabalho lindíssimo na elaboração do Plano Sectorial 2000 e na caracterização dos respectivos habitats - e são alguns investigadores do Instituto Superior da Agronomia (ISA) de Lisboa, como o Dr. J. C. Costa e outros que têm elaborados as tabelas fitossociológicos desta zona e que conhecem os habitats a proteger. Não há ninguem mais em Portugal que tem competência científica sobre esta zona em relação à conservação - enquanto não provar o contrário por disposição do conhecimento ao público. Portanto, a resposta é muito simples: apenas indivíduos ligados a estes grupos devem tomar conta da preservação deste achado. Mais ninguem!










Fazem-se ao longo do ano (normalmente nas sexta-feiras e fins-de-semana na parte da manha) pequenas caminhadas guiadas na zona da Praia de Quiaios (Figueira da Foz). O objectivo das caminhadas: Descobrir achados da Natureza da Praia de Quiaios.

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