terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Arbutus unedo

Arbutus unedo L.

Arbusto ou árvore de folha perene; porte pequeno que vai dos 5 aos 10 m de altura, excepcionalmente atinge 15 m. Possui copa oval e espessa. O tronco e os ramos são tortuosos. A casca é fendilhada, destacando-se em tiras, geralmente acastanhadas.


Medronheiros encontram-se em toda costa da Serra da Boaviagem e nas dunas terciárias ou arborizadas da Praia da Quiaios. Algumas partes da encosta da Serra da Boaviagem são densamente cobertas com este arbusto/árvore, sobretudo as partes que sofreram recentemente um incêndio e onde a cobertura vegetal está a renascer. Este arbusto/árvore é uma componente valiosa da flora autoctona desta região e merece ser protegida. Também tem um valor acrescentado devido ao valor que os frutos têm em aplicações alimentares - a madeira é apreciada como lenha e para trabalhos artesenais.


Links interessantes: Wikipédia e Árvores e Arbustos de Portugal













Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Wikipedia:Como ler uma caixa taxonómicaComo ler uma caixa taxonómica
Medronheiro
Arbutus unedo
Arbutus unedo
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Ericales
Família: Ericaceae
Género: Arbutus
Espécie: A. unedo
Nome binomial
Arbutus unedo
L.

O medronheiro (Arbutus unedo) é uma árvore frutífera e ornamental portuguesa que também é conhecida pelos nomes de Érvodo, Ervedeiro, Ervado, Ervedo ou Êrvedo. Ela tem normalmente um crescimento do tipo arbustivo até uma altura de aproximadamente 5 metros com ramos eretos, que brotam do tronco a partir de 0,50 metros do solo e são também bastante espaçados entre si.

A copa do medronheiro é arrendondada com folhas persistentes de formato elíptico que assumem uma coloração verde-escura semelhante à do sobreiro, e também possuem um brilho ceroso na face superior.

As flores desta árvore da cor branca ou levemente rosadas são muito decorativas. Logo, ela é considerada uma planta ornamental. Além disso, o medronheiro produz frutos comestíveis, bastante apreciados sobretudo no sul de Portugal, onde são usados na produção de licores e aguardentes destiladas do tipo licor de medronho.

Em 1995 o medronheiro ocupava 13,1% da área florestal do Algarve, chegando sendo maioritária no concelho de Monchique onde ocupa cerca de 10.000 hectares (25% do território concelhio). Com os incêndios da última década estes valores caíram para cerca de 1/3.



Substância

O estudo mais completo sobre a constituição química do medronho (tabela 1) foi feito no Instituto Superior de Agronomia da UTL, utilizando frutos colhidos num jardim da Tapada da Ajuda [2]. O medronho é um fruto de crescimento lento, podendo o processo de amadurecimento durar 10 meses. Geralmente está maduro para colheita entre Setembro e Novembro, dependendo da zona, chuva e temperatura.


  • Quantidade de alguns constituintes do medronho:
Nutriente Composto Fruto verde Fruto maduro
Açucares (%peso) Sacarose 8,77 8,68

Glucose 3,95 12,5

Frutose 2,33 20,8
Ácidos orgânicos (g/100g) Málico 1,95 2,63

Quínico 7,35 5,99

Fumárico Não detectado Vestígios
Vitaminas(mg/100g) Niacina 4,9 9,1

Ac. Ascórbico 542 346

B-caroteno 38,1 70,9
Actividade da PME (U/mL)
0,03 0,13
Proteínas (%)
4,6 3
Fenóis (mg/g) Taninos 3,13 1,75

Antocianinas 0,25 1,01
Totais
15,5 14,6


O conhecimento de alguns parâmetros da evolução no amadurecimento do fruto é importante para a optimização da qualidade da aguardente de medronho.

Comparando os valores relativos ao fruto verde e ao fruto maduro, verifica-se um grande aumento na percentagem de açúcares o que favorece o rendimento da fermentação. Foram identificados outros açucares de peso molecular maior embora não tenham sido quantificados. Quando maduro, tem teor de açucares entre 40% e 60%.

Verifica-se também um grande aumento da quantidade de -caroteno e antocianinas, com o amadurecimento do fruto, sendo responsáveis pela sua alteração da cor. Comparando os valores da tabela com a constituição de outros alimentos, verifica-se que alguns constituintes têm valores elevados. Alguns dos compostos identificados são potencialmente benéficos ou maléficos para a saúde humana[3].

Assim verifica-se que o medronho é uma boa fonte de ácido ascórbico (vitamina C), com valores semelhantes aos citrinos. É também um dos frutos com maior quantidade de -caroteno (pró-vitamina A), quando maduro. Outra vitamina em grande quantidade é a Niacina.

A quantidade de fenóis presente nos medronhos é importante para compreender o seu sabor característico. Por exemplo os taninos são polifenóis que formam agregados com proteínas causando a desnaturação de enzimas. Como consequência da formação de complexos com glicoproteínas da saliva, o sabor é desagradável. Também contribuem para a perda de actividade das proteínas do sistema digestivo. Desta forma é utilizado pelo reino vegetal como medida de defesa contra os predadores do reino animal. Assim não é de estranhar que a sua quantidade seja elevada nos frutos verdes, e diminua quando os frutos amadurecem. No entanto a maioria dos fenóis contribuem para o que se considera um sabor e cheiro agradável.

Para compreender melhor a formação de metanol, estudou-se a variação da quantidade da enzima Pectin methylesterase (PME), ao longo da maturação. Esta enzima cataliza a reacção de deesterificação de esteres metílicos, libertando metanol. Verificou-se que ao contrário da maioria das enzimas, a concentração de PME aumentou com a maturação do fruto, sendo a sua concentração elevada. No entanto esta enzima é pouco activa no meio natural, apenas sendo activada no processo de fermentação. Assim explica-se que embora o medronho não contenha metanol, este esteja presente aquando da destilação.

Aplicações do Medronho

Devido ao elevado teor em açúcares, o medronho pode ser utilizado em diferentes aplicações alimentares. O sabor doce associado a aromas característicos, tornam agradável a sua ingestão cru, com ou sem açúcar ou chocolate. Tradicionalmente fazem-se bolachas de medronho, depois de esmagados e cozidos no forno. É também possível fazer doces, e licor.

O licor comercialmente mais famoso é o BrandyMel, produto que nasceu em 1956, feito a partir de aguardente de medronho e mel.

No entanto a produção de aguardente é a principal utilização do medronho, tendo alguma importância económica para as pequenas povoações da serra algarvia, sendo considerado produto tradicional pela UE.

A produção de aguardente a partir do medronho tem sido alvo de grande controvérsia na última década. A diminuição da quantidade de medronho disponível e as leis impostas pelo estado, levaram a que alguns produtores se adaptassem ás novas regras. Uns modificando o processo de fabrico artesanal, outros refugiando-se na clandestinidade. Tentarei discutir algumas das adaptações ocorridas, e quais os benefícios e inconvenientes das alterações.

Os factores mencionados em conjunto com a deslocação das populações do interior para o litoral, levaram a uma quebra de produção dos 600mil L/ano, para cerca de 80mil L/ano, dos quais apenas 40% são para comercio.

Em 2001 existiam 266 produtores registados, embora se saiba que existe um número muito maior de pequenos produtores ilegais.





terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Praia de Quiaios - Enquadramento geográfico

Praia de Quiaios - Enquadramento geográfico e Infraestruturas.


As praias de Quiaios e Murtinheira situam-se na costa atlântica portuguesa à norte do Cabo Mondego no concelho da Figueira da Foz. Para norte das praias de Quiaios estendem-se as Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas com extensas arborizações de pinheiros. Para este das praias eleva-se a Serra da Boaviagem.

Fig. 1 - Praia da Murtinheira e de Quiaios

Fig. 2 - Cabo Mondego e Farol
Fig. 3 - Camarinhas nas dunas da Praia de Quiaios



Situação geográfica e infraestruturas

Possuidoras de extensos areais, oferecem uma paisagem exuberante e diversificada com a Serra da Boa Viagem como pano de fundo. É um apetecido destino de férias no concelho da Figueira da Foz, sendo das praias do concelho com mais habitações de férias.

    Com poucas dezenas de habitantes durante o ano, no Verão este número multiplica-se, chegando a atingir algumas centenas de habitantes. 



 

Fig. 4 - O Barco na Rua dos Pescadores

 

 


Fig. 5a - As Piscinas da Praia de Quiaios


Fig. 5b - As Piscinas da Praia de Quiaios


 



Fig. 6 - O Hotel "Quiaios Hotel" - na Praia de Quiaios

 

 



Fig. 7a - O Parque de campismo "Orbitur - Quiaios" na Praia de Quiaios


Fig. 7b - O Parque de campismo "Orbitur - Quiaios" na Praia de Quiaios

 



Fig. 8 - Comércio na Praia de Quiaios


Com infra-estruturas que incluem piscina, hotel (Quiaios Hotel), centro hípico (com residencial e restaurante), complexo desportivo/centro de estágio, parque de campismo (Camping Orbitur da Praia de Quiaios ), restaurantes, cafés, lojas deconveniência, talho, super-mercado, Associação Protecção Ambiental "Trilhos d'Esplendor" (antigo "C@fé-Gelataria"), estas praias são frequentadas por gente oriunda de todo o país, sobretudo da região centro.

Porém, tem de se alertar que a Praia de Quiaios está com uma grave crise de infraestruturas devido ao facto de haver um péssimo acesso à esta praia pela Figueira da Foz. A estrada que conduz de Buarcos ao longo do Cabo Mondego para a Murtinheira ainda não está alcatroada e em inverno é praticamente intransitável. Mesmo no verão as pessoas têm de fazer uma volta por Quiaios e pela Serra da Boaviagem para chegar à Praia de Quiaios.

A segunda causa que contribui para a quase impossibilidade de manter um estabelecimento comercial aberto nesta praia é a situação de muitas das casa da praia serem utilizadas apenas no verão. Desta forma os estabelecimentos comerciais tornam-se sazonais. Porém, a sazonalidade do comércio não está bem contemplado nas estruturas fiscais de Portugal.

A terceira causa é a falta de estatísticas e de ordenamento - se os comerciantes tivessem estatísticas sobre movimentos comerciais nesta praia fornecidos pela própria Câmara da Figueira da Foz, muitos não iam arriscar-se de abrir mais um café ou mais uma loja nesta praia. Assim, sem esta informação, os comerciantes fazem grandes investimentos para depois irem todos em conjunto à falência. Também neste aspecto devia-se respeitar e manter a perspectiva sistémica!

Eu apelo a isso por experiência pessoal e apelo seriamente às entidades governamentais para tomar estes aspectos do comércio mais em conta.

Pessoalmente penso que o turismo podia ser explorado de uma maneira responsável neste local lindíssimo de Portugal, sem prejuizo para a Natureza. De certeza, a concessão do espaço à CIMPOR (Fábrica de Cal) pela Figueira da Foz aconteceu numa altura quando a protecção do ambiente ainda não foi considerado prioritário. Mas agora ve-se que foi cometido um erro na exploração do Cabo Mondego por esta fábrica. No entanto, penso que este erro pode ser remediado de uma forma responsável e sobretudo com uma função medicinal potencialmente valiosa: se no local da fábrica fosse construido como medida de recuperação ambiental um complexo de termas com piscinas de marés, fazia-se assim uma bela recuperação paisagística do buraco enorme que se criou no Cabo.

A agitação forte do mar no Cabo gera constantemente aerossóis, enrequecidos com iodo e outros sais marinhos - que até reflecta-se indirectamente na flora no Cabo - existem aqui espécies de plantas que se encontram normalmente apenas nas salinas. Este ambiente puro deve ser extremamente saudável e curativo para pessoas com doenças respiratórias, por exemplo pessoas com asma (pessoas que sofrem de asma e de alergias contre pó confirmaram-me pessoalmente que sentiram na Praia de Quiaios efeitos imediatos positivos em relação à respiração).

Claro que um complexo hotelar, piscinas de marés e termas devem integrar-se bem e discretamente na paisagem, neste caso construidos apenas nos "buracos" já existentes. Mas para esta tarefa existem arquitectos paisagísticos. Ao mesmo tempo, criava-se com uma infraestrutura destes uma ligação à Praia da Murtinheira e à Praia de Quiaios, - bem necessária - e que nem estava em contradição com o projecto do Parque Geológico da cidade de Figueira nem com o objectivo de proteger o Cabo Mondego devido à sua estrutura geológica única e paisagística e florística valiosíssima.


Cabo Mondego com a exploração da fábrica de cal (CIMPOR)
- bem à vista as áreas para uma potencial estrutura de termas e de piscinas de marés

Estas infraestruturas futuras, propostas aqui, permitiam aos Figueirenses, sem prejuizo para a cidade, criar uma ligação às Dunas da Gândara, Gafanha e Mira para lazeres muito saudáveis  - caminhadas, percursos com bicicletas, acesso às águas puras e ares puros - para a apreciação desta natureza única do Cabo Mondego, da Serra da Boaviagem e das Dunas de Quiaios.



quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Novembro - tempo das castanhas e dos ...

Novembro - tempo das castanhas e dos cogumelos

O tempo está cinzento - está a chuviscar. Agora é o tempo ideal para ir aos míscaros, perto da Praia de Quiaios, nos pinhais de dunas arborizadas.  Aí existem ainda uns pinhais com árvores velhas, com arbustos de Stauracanthus , uma espécie de giesta, e o solo arenoso coberto com musgos e líquens (e ainda apenas algumas acácias!). É aqui que se encontram os cogumelos, porque os musgos e líquens conservam bem a humidade do orvalho da  noite.
  Outra razão, para que nós possamos encontrar os cogumelos nos lugares mencionados acima é a seguinte:  Cogumelos, estão frequentemente, em simbiose com determinados espécies de árvores, mais precisamente, com as raízes destas árvores, de onde tiram  os alimentos que não conseguem sintetizar sozinhos. O míscaro (
Tricholoma equestre ) (veja os fotos no Google) por exemplo é um destes, e está em simbiose com o pinheiro bravo (Pinus pinaster ). As árvores, também, tiram proveito dos cogumelos, sobretudo, da área grande do micélio para aumento da área de absorção de minerais do solo através do micélio do cogumelo. O míscaro é um cogumelo muito apreciado. Mas, nos últimos anos, tem havido alguns casos de intoxicação com míscaros, sobretudo, na França. Por isso, hoje, o míscaro é considerado um cogumelo venenoso e foi tirado da lista dos cogumelos comestíveis.

Bom, eu confesso que vou continuar a come-lo. Mas, em pequenas doses.

Quero aproveitar para apelar aos "fans" de caça aos cogumelos - Quando procurarem os míscaros, não vão armados com ancinhos para varrer o pinhal, porque o míscaro precisa  de vir à superfície para poder lagar os seus esporos ! Não tentem apanhar os jovens míscaros por baixo das agulhas e ainda enterrados no chão. Só poderão vir a estragar o lindo chão com os musgos e líquens e, daqui há uns anos, já não há míscaros nem outros cogumelos para ninguém!)



Deixo aqui também uma receita minha para cogumelos com arroz e castanhas em tigela de barro:

Arroz agulha - 500g
cogumelos mixtos - 500g
castanhas - uma dúzia
Caldo Knorr (meio cubo ou menos)

1 folha de louro
pimenta preta (5-6 grãos) e 1 piri-piri (para quem gosta muito picante)
1/2 cebola  picada
alho - 2-3 dentos
azeite - um bom fio
vinho branco seco - 1 copo (o resto da garrafa bebes na preparação da comida!)
tomilho seco  - uma pequena colher de chá (uso tomilho quase em todo - uma "erva santa"!)
sal

---
Ferve-se as castanhas 10min em água e tira-se a casca
Junta-se o arroz coberto com água numa tigela de barro com os cogumelos e as castanhas.
Depois junta-se todas as outras ingredientes e coloca-se a tigela, tapada, no forno (200ºC).
Deixas ferver 20-30 min no forno até que a água do arroz está consomida. (Também funciona no micro-ondas para quem não tem forno)

Se sobrarem cogumelos, pode-se preparar o resto dos cogumelos da seguinte maneira:

Colocar os cogumelos numa tigela de barro aberta e juntar azeite, sal, alho, tomilho seco ("erva santa"), piri-piri, toucinho fumado, pimenta preta, sal (mas cuidados - o toucinho fumado também tem sal) e colocar todo no forno. Assar os cogumelos até que a água dos cogumelos (cogumelos têm bastante água!) seja consomida e os cogumelos ligeiramente acastanhados.
Também pode juntar castanhas cozidas, é sempre bom!





Então aqui umas impressões fotográficas:


... uma pedra Zen com as acácias da Australia no pinhal de Quiaios - parece um diorama!



... um cogumelo do género Suillus (S.?granulatus; Suillus ?bellini). Muitas espécies deste género são comestíveis. Mas cuidado, existem mais do que 60 espécies do género Suillus e para a sua identificação é necessário um especialista. Todas as espécies do género Suillus possuem tubos em vez de lamelas. A superfície esporífera da parte inferior do chapéu, quando o cogumelo é adulto, é formada por uma camada amarelada de tubos macia e esponjosa. Uma chave de identificação para as espécies Norte-Americanas do género Suillus encontra-se aqui: Chave de identificação

(Os exemplares jovens do S. granulatus segregam um latex branco na parte inferior do chapéu que quando chegar às mãos ou utensílios de plástico etc. torna-se mais tarde escuro. As mãos ficam lindas - e é mesmo difícil de tirar! Mas daqui o sinónimo S. lactifluus para S. granulatus! - O nome "S. granulatus" indica que esta espécie possui pequenos gránulos castanhos no pé)





... o Suillus ?granulatus (= S. lactifluus) encontra-se sempre perto dos pinheiros - tal qual como o míscaro (Tricholoma equestre) porque formam a micorrhiza do pinheiro. Os exemplares jovens do S. granulatus segregam um latex branco na parte inferior do chapéu que torna-se escuro quando chegar às mãos ou utensílios de plástico etc. As mãos ficam lindas - e é mesmo difícil de tirar!




... nesta foto vê-se os gránulos castanhos no pé do S. ?granulatus



... a seguir o míscaro-amarelo (Tricholoma equestre), também chamado canário, limão ou simplesmente tortulho.

Os nomes vernaculares já dizem qual a característica principal deste cogumelo. Na realidade são as lamelas de cor amarela canário. O míscaro nem tem anel nem volva (A volva cobre algumas espécies de cogumelos em estado jovem como um ovo. Os cogumelos do género Amanita (que têm umas das espécies mais mortíferos) mostram esta característica).



... o Lactarius deliciosus

O Lactarius deliciosus que em algumas regiões de Trás-os-Montes é designado por sancha é um excelente cogumelo comestível apesar da cor avermelhada e do latex cor de laranja que deita do pé. O cogumelo pertence à família das Russulaceae na qual se encontram muitas espécies não-comestíveis devido ao sabor extremamente amargo que possuem. Mesmo o Lactarius comido cru tem um bocado sabor amargo. Mas uma vez assado desenvolve uma aroma esplêndido.






A seguir alguns cogumelos altamente venenosos
:


As espécies do género Amanita. Dentro deste género encontram-se umas das espécies mais venenosas que se podem encontrar nas nossas florestas. Uma delas é a Amanita verna que é mortalmente venenosa. A Amanita citrina não é tão perigosa porque é apenas venenosa quando comido cru. No entanto, por causa do perigo de poder confundir esta espécie com a Amanita verna , não se aconselha come-lo, nem cuisido. As amanitas brancas confundem-se facilmente com os Champignons (Agaricus spec.) em estado pequeno - porque as lamelas dos champignons quando jovens ainda são esbranquiçados e tornam-se (depois de um estado rosado intermédio) acastanhados apenas em estado mais avançado e mais adulto. As amanitas brancas também possuem sempre lamelas brancas. Também o nome Amanita verna engana: este cogumelo aparece normalmente a partir de Agosto, portanto no outono.

Aqui uma chave de identificação para as amanitas comuns: (Chave de Identificação )




Amanita muscaria

Esta espécie é mesmo muito bonita - mas também muito perigosa. Possui propriedades psicoativas e alucinógenas em humanos. O componente activo é o ácido ibotêmico.





... as lesmas não se importam da toxicidade - parece que gostam muito dos cogumelos alucinogénos!


...e encontram-se muitas outras espécies de cogumelos nesta altura do ano - algumas muito pequenas, outras maiores...


...e ainda algumas espécies não comestíveis, venenosas ou de pouca qualidade para la cuisine ....





... esta espécie que se encontra sobre as pinhas do Pinus pinaster



... e esta que está nos troncos das árvores:




... esta espécie nos prados:




Esta espécie encontrei na margem da estrada perto de um pinhal:




... mas os cogumelos (que são fungos) não deixam de ser atacados por outros fungos ... e observam-se coisas como estas...



...parece um cogumelo a sangrar, não parece!


Os fetos, os musgos e os líquens














terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Mais uma caminhada no outono ...

Mais uma caminhada no outono ...

2 de Novembro. O tempo estava explendido e decidi caminhar novamente ao longo da Encosta da Serra da Boavigem até Quiaios, partindo da Praia de Quiaios. O caminho passa ao lado do moinho do Pardal por uma subida íngreme, no meio de um carrascal - que nesta altura do ano é especialmente bonito com as bolotas de um pequeno carvalho, o carrasco (Quercus coccifera) - bem apreciados pelos javalis - e dos arbustos de medronheiros (Arbutus unedo) com os seus frutos vermelhos. Estes frutos deliciosos do medronheiro sabem a morangos, e na alemanha chama-se este arbusto/árvore "Erdbeerbaum" que se traduz por "Árvore de morango". Este arbusto que pode realmente atingir dimensões de árvore, não tem nada com morangos, mas pertence a familia das Ericáceas, em Portugal mais conhecidos por urzes. Dos frutos do medronheiro produz-se também um aguardente bem apreciado - produz-se um licor - e até geleia e um belissimo vinagre pode-se fazer a partir deste fruto. A madeira, de uma cor avermelhada e dura - ardendo em chama lenta - é apreciada para a destilação dos aguardentes e para queima nas lareiras.


Aqui umas impressões fotograficas desta caminhada:



... o carrasco (Quercus coccifera)


...a encosta da Serra da Boaviagem


... o medronheiro (Arbutus unedo)


... uma flor do medronheiro (Arbutus unedo)


...bem visível o carpelo e os estames appendiculadas


...mais uma ericácea, Erica arborea, com pelos plumosos  bem visíveis nos ramos novos.


...bela vista para o mar


... Pinus pinea - o pinheiro manso





... e Pinus pinaster, o pinheiro bravo - aqui um exemplar que assemelha-se com um bonsai gigante.


...cogumelos - aqui uns exemplares do género Suillus.


...alguns arbustos de Ulex ainda estão em flor


... e aqui parece haver outra espécie da familia das ericáceas, Erica scoparia, que se encontra frequentemente junto com Erica arborea. As flores desta espécie são ainda bem mais pequenos do que da Erica arborea. Nos ramos jovens da Erica scoparia, embora com cor acinzentada, não se observem os pelos brancos como na Erica arborea.


...estes frutos parecem azeitonas à primeira vista, mas são os frutos do loureiro (Laurus noblis) que se encontra aqui nesta mata ao pé de um leito de uma pequena ribeira que apenas tem água nos meses do inverno (o lugar de um ántigo moinho e azenhas de água ) no vale a seguir à Rua de Visa.


... o cardo-corredor (Eryngium campeste) - esta planta parece à primeira vista uma espécie de um cardo, mas pertence na realidade à familia dos Umbelliferae, e não a dos Compositae como os verdadeiros cardos.


... um velho choupo (Populus nigra) mostra bem que há água aqui no solo.

... e um lindo Quercus broteroi mostra que existem aqui também espécies de carvalhos com folhas caducifolias que cãem no inverno ou antes da primaveira chegar.



...isto é um antigo forno de cal - uma ruina assombrada.


...Quiaios à vista


...Euphorbias characias - também uma planta característica desta mata. Tem um leite branco e é venenosa.



...isto parecia-me à primeira vista os frutos da Lonicera. Mas na realidae, são provavelmente os frutos de uma ou de outra trepadeira, da Bryonia dioica ou de Tamus communis , cujos frutos se assemelham bastante. Porém, Tamus communis pertence à família de Dioscoreaceae é uma família de plantas monocotiledóneas, com cerca de 750 espécies distribuídas em oito ou nove géneros, enquanto Bryonia dioica pertence à familia dos Cucurbitaceae à qual pertencem os pepinos e as cabaças. Cuidado: as bagas de ambas as espécies são altamente venenosas!


... atrás o moinho ou arzenha de água e em frente o feto (Pteridium aquilinum)


...salgueiros (aqui Salix alba) cujas varas (os vimes) são usados no fabrico artesanal dos cestos e que também têm na casca e nas folhas uma substância que se usa na aspirina por fins medicinais, o ácido acetilsalicílico.


... figueiras (Ficus carica) na entrada de Quiaios


...algumas das figueiras já bem cobertas por heras (Hedera helix)





Fazem-se ao longo do ano (normalmente nas sexta-feiras e fins-de-semana na parte da manha) pequenas caminhadas guiadas na zona da Praia de Quiaios (Figueira da Foz). O objectivo das caminhadas: Descobrir achados da Natureza da Praia de Quiaios.

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