terça-feira, 24 de Junho de 2008

O moinho de vento do Pardal

O moinho de vento do Pardal, na Murtinheira



Carlos Alberto Dias Machado*


Foi por um mero acaso, que em finais de Dezembro de 2007, descobri um moinho de vento junto à povoação de Murtinheira, freguesia de Quiaios, concelho da Figueira da Foz.



Para aceder ao moinho deve-se tomar a estrada Quiaios – Praia de Quiaios e na rotunda seguir a direcção Murtinheira. À esquerda, já na povoação, entrar na Rua Fonte Regueira de Fôja e ao cimo da ladeira virar novamente à esquerda, por um caminho rural, entrando numa mata de pinheiro-do-aleppo (Pinus halepensis1 


 


Foto 1 - Pinheiro-do-aleppo (Pinus halepensis)



Este caminho vai dar exactamente ao moinho, sobranceiro à praia de Quiaios e o seu início tem as coordenadas 8º 53’ 14” Oeste 40º 12’ 37” Norte.


 


Foto 2 - Vista do Moinho de Sul para Norte


O moinho é do tipo rotativo, em madeira, com cobertura em chapa. Já não possui o sistema de fixação do velame e apenas existe uma das rodas em pedra que permitia a rotação do mesmo, para obter a melhor posição em relação à direcção do vento.


 


Foto 3 - Roda em pedra e caminho de rolamento

O último proprietário conhecido foi o Sr. António Lemos Pardal que consta tê-lo transferido da Serra da Boa Viagem quando veio para a Murtinheira; dizem que deixou de ser utilizado nos anos 80 do século XX.

Parece que junto à capela do Senhor dos Aflitos teriam existido mais dois moinhos de vento, entretanto sacrificados para dar lugar a moradias de férias.


 

Foto 4 - Sistema mecânico do moinho


O interior do moinho encontra-se relativamente bem conservado, como mostra a fotografia junta, vendo-se em primeiro plano o eixo do velame e a entrosga; engrenando nesta ainda se vê parte do carreto que transmitia o movimento rotativo ao veio da mó.

 

Foto 5 – Entrosga e carreto


 

Foto 6 - Mó, moega, quelha e tramela


O eixo do carreto ataca a mó e à direita da foto ainda se pode ver a moega que continha o grão, a quelha que conduzia o grão para o ôlho da mó e o chamadouro ou tramela, pau que ao raspar na mó fazia tremer a quelha facilitando assim a queda do grão.


 

Foto 7 - Regulação da folga entre mós

À direita das mós, na foto 6, pode ver-se o manípulo que, ao ser rodado permite fazer subir ou descer a mó andadeira em relação à mó fixa, dando assim origem a farinha mais grossa ou mais fina.


 

Foto 8 - Parte inferior do comando da foto 6


O veio em ferro que vem do manípulo suporta, na sua extremidade inferior, um barrote no qual se apoia o veio da mó andadeira, conseguindo-se assim regular a folga entre as mós.

 

Foto 9 - Dispositivo de elevação da mó andadeira


As mós, periodicamente, têm que ser picadas, para manter a rugosidade. À esquerda da foto 8 vê-se o dispositivo mecânico com o qual se conseguia levantar a mó andadeira e de seguida dar-lhe um movimento de translação para que a mó pudesse ficar em posição de ser picada.

Do moinho têm-se uma vista soberba sobre a praia de Quiaios.


 

Foto 10 - Vista sobre a praia de Quiaios


Moinhos semelhantes podem ser observados na Brenha (Serra da Boa-Viagem) e no Casal Novo à beira da estrada Figueira da Foz-Aveiro num sítio com as coordenadas: 40º 14’ 06” N; 08º 47’ 48” W.


___________________________

 

* Engenheiro electrotécnico (FEUP), membro da Rede Portuguesa de Moinhos ; perados.m@netvisao.pt



 




notes



1 http://arvoresdeportugal.free.fr/IndexArborium/Pinheiro_de_alepo/Pinheiro_de_alepo_Pinus_halepensis.htm

sábado, 7 de Junho de 2008

Tabelas fitossociológicas Parte Ib

Tabelas fitossociológicas das comunidades de dunas, arribas e matos de Murtinheira/Quiaios (Sector Divisório Português). Parte Ib.




Mapa biogeográfico da área de estudo
(
Extraído de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93)




Na primavera, as partes não cobertas por formações de pequenos arbustos das duas comunidades de Armerio welwitschii-Crucianelletum maritimae e Scrophulario-Vulpietum alopecuris são preenchidas com uma outra comunidade terofítica: Violo henriquesii-Silenetum littoreae (Silene littorea, Senecio gallicus, Polycarpon alsinifolium, Erodium aethiopicum ssp. pilosum, Medicago littoralis, Pseudorlaya minuscula, etc., tabela VI). Esta comunidade também é endémica e tem a sua distribuição de Cascaia até a Galiza (NW da Espanha).


Tabela VI. - Violo henriquesii-Silenetum littoreae

(Relevés 5,9 extraídos da Tabela VI de: Costa, J. C. et. al. Finisterra, XXXV, 69, 2000, pp. 69-93 )

Número de relevé
5
9
Releves 5,9: Murtinheira
Superfície mínima (m2)2
2

Número de espécies14
10

Espécies características


Silene littorea3
3

Polycarpon alsinifolium1
2

Erodium aethiopicum ssp. pilosum2
1

Medicago littoralis2
1

Leontodon longirostris1
.

Rumex bucephalophorus ssp. gallicus+
.

Cutandia maritima2
+

Pseudorlaya minuscula.
.

Tuberaria guttata.
.

Polycarpon diphyllum+
.

Malcolmia ramosissima+
1

Coronilla repanda.
.

Trifolium campestre.
.

Ornithopus pinnatus.
.

Companheiras


Senecio gallicus1
1

Centranthus calcitrapae1
.

Reichardia gaditana+
+

Plantago coronopus.
.

Vulpia alopecurus.
.

Anagallis arvensis.
.

Paronychia argentea.
+

Iberis procumbens (plant.).
.

Anagallis monelli var. microphylla+
.

Hedypnois cretica+
.

Lolium multiflorum.
.

Bromus rigidus.
.

More relevé
















Continuação: --> Parte Ic







Fazem-se ao longo do ano (normalmente nas sexta-feiras e fins-de-semana na parte da manha) pequenas caminhadas guiadas na zona da Praia de Quiaios (Figueira da Foz). O objectivo das caminhadas: Descobrir achados da Natureza da Praia de Quiaios.

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