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sexta-feira, 12 de abril de 2013

5210 Matagais arborescentes de Junipe...

5210 Matagais arborescentes de Juniperus spp.

Código EUNIS 2002

F5.1/P-32.13 p.p.

Inclui F5.1/P-32.131

Inclui F5.1/P-32.132

Código Paleártico 2001

32.13 p.p.

Inclui 32.131

Inclui 32.132

CORINE Land Cover

3.2.3. p.min.p

Zimbrais-carrascais de Juniperus turbinata subsp.

turbinata sobre calcários

Serra da Arrábida (Sandra Mesquita)

Matagais arborescentes de Juniperus oxycedrus no Rio

Douro

Miranda do Douro (Sandra Mesquita)

Protecção legal

• Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril – Anexo B-1.

• Directiva 92/43/CEE – Anexo I.

Distribuição EUR15

• Região Biogeográfica Atlântica: Espanha.

• Região Biogeográfica Mediterrânica: Espanha, França, Grécia, Itália e Portugal.

Proposta de designação portuguesa

• Matagais arborescentes de zimbros sobre substratos compactos.

Diagnose

• Comunidades xerofíticas arbustivas a arborescentes (i.e micro-bosques) dominadas ou co-dominadas por

Juniperus oxycedrus s.l.* ou J. turbinata subsp. turbinata**, sem Querci arbóreos e ocorrentes sobre

substratos rochosos compactos, siliciosos ou calcários.

* (inclui as var. oxycedrus e var. lagunae (=J. oxycedrus subsp. badia)).

** (=J. phoenicea auct. lusit. non L.)

Correspondência fitossociológica

• Alianças Asparago albi-Rhamnion oleoidis p.p. (classe Quercetea ilicis).

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 265

Subtipos

• Matagais arborescentes de Juniperus oxycedrus (5210pt1).

• Zimbrais-carrascais de Juniperus turbinata subsp. turbinata sobre calcários (5210pt2).

• Matagais arborescentes de Juniperus turbinata subsp. turbinata sobre silicatos (5210pt3).

Caracterização

• Comunidades xerofíticas de gimnospérmicas aciculifólias ou escamiformes, dominadas ou co-dominadas

por Juniperus oxycedrus s.l. ou J. turbinata subsp. turbinata arborescentes, assentes em solos pouco

profundos derivados de substratos rochosos compactos, quer siliciosos, quer calcários, que ocupam

tipicamente arribas e alcantilados, quer litorais e sub-litorais, quer interiores nos canhões dos grandes

rios (Douro, Tejo, Guadiana) e onde representam o clímax infra-florestal estável desses biótopos

edafoxerófilos.

• Para além da dominância das gimnospérmicas, existe nestas comunidades uma co-dominância de

arbustos esclerofilos e lianas, como sejam por exemplo, entre os mais comuns: Rhamnus oleoides subsp.

oleoides, Olea europaea var. sylvestris, Quercus coccifera subsp. coccifera, Jasminum fruticans,

Pistacia lentiscus, Rhamnus alaternus, Smilax aspera, Rubia peregrina subsp. longifolia e Phillyrea

angustifolia.

• São comunidades formadoras de húmus do tipo mull-moder, rico em actinomicetas, associado a

leptossolos ou cambissolos de espessura reduzida e com elevada percentagem de afloramentos rochosos.

• Este habitat ocorre sobretudo em territórios termo e mesomediterrânicos sub-húmidos inferiores e secos,

se bem que por ocuparem biótopos declivosos e expostos, se podem considerar topograficamente semiáridos.

Distribuição e abundância

Escala temporal (anos desde o presente) -103 -102 -101

Variação da área de ocupação ↔ ↓ ↓

Os zimbrais de Juniperus turbinata de substratos compactos não arenosos, ocorrem ao longo das arribas

marítimas (e serras calcárias) e xistosas desde o Barrocal do Algarve até à Figueira da Foz (serra da Boa

Viagem, inclusive) : Sectores Algarvio (todos os Superdistritos), Ribatagano-Sadense (só Superdistrito

Arrabidense) e litoral do Sector Divisório Português. Ocorrem ainda em sienitos na Serra de Monchique

(Picota; Superdistrito Serrano-Monchiquense); em xistos no vale e canhão do rio Guadiana, desde a foz

até ao Pulo do Lobo, a Sul de Serpa (Superdistrito Aracenense). Existe ainda evidência da sua ocorrência

pretérita no rio Douro (Barca de Alva).

• Os zimbrais arbustivos de Juniperus oxycedrus s.l. ocorrem no canhão do rio Tejo, campina da Idanha

(Sector Toledano-Tagano), canhão do rio Douro e respectivos afluentes a montante do rio Tua (Sector

Lusitano-Duriense).

• A sua área terá diminuído por influência da arroteia com fins agrícolas, pastoris e arborizações. No caso

dos zimbrais sub-litorais, a sua área terá diminuído por efeito directo da pressão turística e urbanística

sobre o litoral.

Outra informação relevante

• Trata-se de vegetação de carácter reliquial, de grande expansão durante os períodos continentais, frios e

secos do Quaternário, que actualmente ocupa biótopos menos acessíveis à vegetação esclerofila

angioespérmica paleo-mediterrânica e que subsiste em situação de desequilíbrio climático. A sua

recuperação, apesar de por vezes ocorrer após fogos ou cortes, pode estar assim comprometida pois os

seus biótopos preferenciais são facilmente invadidos por vegetação natural mais competitiva (e.g.

estevais, giestais).

• Não têm geralmente, no estado maduro, sobreiros ou azinheiras arbóreos (raramente e sob formas

achaparradas arbustivas). Apesar de muito afins, distinguem-se das florestas mistas de Juniperus

oxycedrus e Quercus rotundifolia ou Q. suber e das suas etapas de recuperação (habitat 9560),

precisamente pela ausência de um estrato arbóreo de Querci bem desenvolvido e relativamente cerrado.

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 266

• Noutras situações, alguns zimbrais não-associados a sobreiro ou azinheira, representam etapas

transitórias da sucessão ecológica progressiva, i.e. etapas de recuperação, das comunidades florestais

mistas (mesobosques) de Juniperus / Querci arbóreos correspondentes (i.e. azinhais e sobreirais com

Juniperus: habitat 9560). Neste último caso, devido à potencialidade corresponder, de facto, a azinhais

ou sobreirais, os zimbrais secundários deverão ser considerados como pertencendo ao mosaico de etapas

que se associa aos bosques e serem preferencialmente incluídos no habitat 9560 representando versões

ecologicamente imaturas das referidas comunidades florestais. Os biótopos correspondentes a esta última

situação possuem geralmente alguns vestígios arbóreos ou regeneração herbácea e arbustiva de Querci.

A maior profundidade do solo, por oposição aos biótopos rochosos com solos delgados, também pode

constituir um critério distintivo da potencialidade florestal.

Matagais arborescentes de Juniperus oxycedrus 5210pt1

Correspondência fitossociológica

• Associação Pistacio therebinthi-Juniperetum badiae (=Rubio longifoliae-Juniperetum oxycedri) no rio

Tejo.

• Comunidade permanente de J. oxycedrus var. oxycedrus do Douro (classe Quercetea ilicis).

• Nota 1. Esta comunidade permanente corresponde a um fácies edafoxerófilo da associação de azinhais com

zimbro Rusco aculeati-Juniperetum lagunae. Apesar de, em termos fitossociológicos, se incluirem nesta

associação, em situações de paredes rochosas verticais ou cristas a Quercus rotundifolia tende a não ocorrer e

formalmente estes zimbrais correspondem ao presente habitat (5210)).

• Nota 2. As etapas de recuperação dos azinhais mistos com zimbro, em que predomina o zimbro, ocorrem em

solos florestais (cambissolos profundos e luvissolos) de menores declives, com alguma presença de azinheira e

correspondem ao habitat 9560.

Caracterização

• Zimbrais arborescentes (microbosques) dominados por Juniperus oxycedrus s.l. ocupando cristas e

encostas rochosas graníticas, xistosas e quartzíticas nos canhões dos rios Douro e Tejo, apresentando

ausência de estrato arbóreo de quercíneas. Outros arbustos co-dominantes incluem, por exemplo: Olea

europaea var. sylvestris, Pistacia terebinthus, P. x saportae (=P. lentiscus x terebinthus), Rhamnus

oleoides subsp. oleoides, Rhamnus fontqueri, Jasminum fruticans e Asparagus acutifolius.

• Encontram-se normalmente em mosaico com comunidades arbustivas de Retama sphaerocarpa, Genista

hystrix subsp. hystrix, Cistus ladanifer e Lavandula sampaioana.

• Ocupam territórios mesomediterrânicos relativamente continentais e contactam territorialmente, em

ombroclima sub-húmido a seco, com os sobreirais do rio Tejo internacional Smilaco asperae-Quercetum

suberis e no rio Douro com os sobreirais Junipero lagunae-Quercetum suberis. Em territórios secos, no

rio Tejo internacional contactam territorialmente com os azinhais do Pyro bourgaeanae-Quercetum

rotundifoliae e com os azinhais-zimbrais durienses do Rusco aculeati-Juniperetum lagunae.

Distribuição e abundância

Escala temporal (anos desde o presente) -103 -102 -101

Variação da área de ocupação ↔ ↓ ↓

• Os zimbrais de J. oxycedrus circunscrevem-se à parte leste das bacias paleozóicas do rio Tejo (incluindo

a campina da Idanha) e às paredes rochosas verticais do rio Douro (incluindo os afluentes a Leste do rio

Tua).

• São localmente abundantes, apesar da sua área potencial corresponder apenas às zonas mais declivosas e

rochosas.

Bioindicadores

• Taxa dominantes: Juniperus oxycedrus (var. oxycedrus e/ou var. lagunae de porte não-arbóreo).

• Outros taxa: Arceuthobium oxycedri (extremamente raro ou extinto).

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 267

Serviços prestados

• Sequestração de CO2.

• Regulação do ciclo da água.

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Regulação do ciclo de nutrientes.

• Informação estética.

• Educação e ciência.

Conservação

Grau de conservação

• Em geral bom, podendo nalgumas situações ser mediano, por o zimbral arbustivo de J. oxycedrus ter

sofrido algum desadensamento e consequentemente ter sido invadido por cistáceas que favorecem o

fogo.

Ameaças

• Arborizações resultando na alteração substancial da estrutura ou desaparecimento completo do habitat.

• O desadensamento com fins pastoris ou agrícolas (e.g. vinhas novas).

• O excesso de trânsito (e.g. de caçadores), o pastoreio ou o descanso de gado também são prejudiciais aos

estratos herbáceos da comunidade.

• Os incêndios, nas situações em que o zimbral tem uma proporção importante de cistáceas em mosaico.

Objectivos de conservação

• Incremento da área de ocupação.

• Manutenção do estado de conservação.

Orientações de gestão

• Interditar arborizações e plantios de novas vinhas na área ocupada pelo habitat.

• Ordenar a pastorícia transumante.

• Reduzir o risco de incêndio, através de roça de mato selectiva.

• Promover, incentivar e divulgar a importância do habitat.

• Promover planos de recuperação, re-vegetação e bio-remediação tendendo a restaurar os zimbrais na sua

área potencial de ocorrência, onde tenha sido alterado ou extinto (e.g. “mortórios”).

• Promover planos de monitorização do estado do habitat numa malha espacial significativa e com

regularidade temporal suficiente.

Zimbrais-carrascais de Juniperus turbinata

subsp. turbinata sobre calcários 5210 pt2

Correspondência fitossociológica

• Associações Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae e Aristolochio baeticae-Juniperetum turbinatae

(= Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae aristolochietosum baeticae) (classe Quercetea ilicis).

Caracterização

• Matagais (zimbrais-carrascais) nano- a micro-fanerofíticos, litorais e sub-litorais co-dominados pela J.

turbinata subsp. turbinata e Quercus coccifera. Outros arbustos e lianas xerofíticos podem ser codominantes,

como por exemplo, Rhamnus oleoides subsp. oleoides, Pistacia lentiscus, Jasminum

fruticans, Olea europaea var. sylvestris, Asparagus albus, Myrtus communis, Smilax aspera, Rubia

peregrina e nas versões do Barrocal Algarvio ainda Chamaerops humilis e Aristolochia baetica.

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 268

• Ocorrem em territórios termomediterrânicos secos a sub-húmidos correspondentes por vezes a biótopos

semi-áridos topograficamente, por efeito da pouca espessura do solo e efeito dos ventos marítimos

persistentes.

• Ocupam leptossolos e cambissolos pouco profundos, rochosos (karst), derivados de calcários duros ou

dolomias jurássicas e cretácicas (terra rossa) das falésias marítimas litorais e das serras perto do mar.

• Menos frequentemente, podem constituir matagais de orla ou primeira etapa de substituição de bosques

esclerofilos de Quercus rotundifolia (e.g. Barrocal: Rhamno oleoidis-Quercetum rotundifoliae) ou de

carrascos arbóreos Quercus coccifera subsp. rivasmartinezii (serra da Arrábida: Viburno tini-Quercetum

rivasmartinezii).

• Os principais contactos, em mosaico, deste habitat são: vegetação rupícola (habitat 8210), matos baixos

termomediterrânicos (habitat 5330), matos almofadados do topo de falésias (habitat 5410), vegetação de

falésias com Limonium sp. pl. (habitat 1240) e campos de lapiás (habitat 8240).

• Nos contactos com o habitat, ocorrem endemismos importantes como por exemplo: Ulex densus, U.

erinaceus, Astragalus tragacantha subsp. vicentinus, Teucrium vicentinum, Ulex jussiaei subsp.

congestus, Cistus palhinhae, Serratula baetica subsp. lusitanica.

• Na Costa Vicentina e no litoral de Sintra, podem ocorrer em variantes floristicamente empobrecidas,

sobre solos siliciosos (xistos e sienitos respectivamente), mas análogas e biogeograficamente

consistentes com as calcárias territorialmente adjacentes. Não se consideram portanto, apesar do

substrato silicioso, pertencentes ao subtipo 5210pt3. Nota bene: este último sub-tipo está

biogeograficamente confinado à bacia do Rio Guadiana.

Distribuição e abundância

Escala temporal (anos desde o presente) -103 -102 -101

Variação da área de ocupação ↔ ↓ ↓

• Os zimbrais-carrascais do sub-tipo calcário ocorrem maioritariamente nas falésias marítimas jurássicas e

cretácicas a Sul (inclusive) da serra da Boa Viagem (Figueira da Foz), sendo notáveis em várias

localidades no litoral entre Sta. Cruz e Sintra (e.g. Praia da Adraga, Cabo da Roca), na serra da Arrábida

e Cabo Espichel, na Costa Vicentina (Bordeira, Ponta de Sagres, Cabo de S. Vicente) e na costa Sul do

Algarve (Barrocal).

• Presumivelmente a pressão turística e urbanística sobre o litoral no último século, acentuando-se nas

décadas mais recentes, terá contribuído para a regressão da sua área de ocorrência.

Bioindicadores

• Dominantes: Juniperus turbinata subsp. turbinata e Quercus coccifera subsp. coccifera.

• Outros taxa: toda a flora calcícola sub-litoral.

Serviços prestados

• Sequestração de CO2.

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Informação estética.

• Educação e ciência

• Refúgio de biodiversidade (grande quantidade de endemismos: e.g. Cistus palhinhae, Iberis procumbens

subsp. microcarpa, Serratula baetica subsp. lusitanica, Sideritis algarbiensis subsp. algarbiensis,

Thymus zygis subsp. sylvestris, Thymus lotocephalus, Teucrium vicentinum, Ulex densus, Ulex

erinaceus, Astragalus tragacantha subsp. vicentinus, Hyacinthoides vicentina, etc.).

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 269

Conservação

Grau de conservação

• Variável. Em áreas como a serra da Arrábida, litoral de Sintra e parte do Barrocal pode considerar-se

bom. No entanto, nas áreas com maior pressão turística encontra-se num estado de conservação mediano

(e.g. alguns locais da Costa Vicentina).

Ameaças

• Pressão turística:

o excesso de pisoteio;

o excesso de trânsito de veículos;

o construções e acessos viários;

o ausência de ordenamento.

• Despejos de lixo e entulho

• Pastoreio excessivo.

• Invasão por exóticas (e.g. Carpobrotus sp. pl.)

• Falta de informação sobre o valor do habitat.

Objectivos de conservação

• Manutenção da área de ocupação.

• Melhoria do estado de conservação médio, sobretudo através do incremento da conservação das áreas do

habitat mais degradadas.

Orientações de gestão

• Promover uma rede de reservas e micro-reservas para conservação estrita deste habitat, onde o grau de

conservação seja superior.

• Interditar a instalação de empreendimentos turísticos na área do habitat.

• Reavaliar projectos turísticos em curso impondo alterações, de forma a evitar a destruição do habitat.

• Condicionar o trânsito de veículos todo-o-terreno.

• Ordenar a pastorícia transumante.

• Reconverter áreas florestais ou agrícolas com potencialidade de recuperação dos zimbrais-carrascais.

• Controlar de forma não-destrutiva o risco de incêndio (aceiros e corta-fogos, rede de vigilância e

combate).

Matagais arborescentes de Juniperus turbinata

subsp. turbinata sobre silicatos 5210 pt3

Correspondência fitossociológica

• Associação Phlomido purpureae-Juniperetum turbinatae (classe Quercetea ilicis).

Caracterização

• Matagais micro-fanerofíticos dominados por Juniperus turbinata subsp. turbinata assentes sobre

esporões, cristas rochosas e encostas abruptas rochosas xistosas, grauváuqicas, quartzíticas e outros

substratos siliciosos ácidos da bacia do rio Guadiana.

• Podem ser co-dominantes outros arbustos xerofíticos paleomediterrânicos de porte arborescente como

por exemplo, Pistacia lentiscus, Olea europaea var. sylvestris, Osyris lanceolata (=O. quadripartita),

Myrtus communis; ou arbustos espinhosos termófilos, como Asparagus albus, Rhamnus oleoides subsp.

oleoides; e lianas como sejam, Clematis flammula, C. cirrhosa, Smilax aspera e Aristolochia baetica.

• A fisionomia peculiar do habitat, em face de Querco-Juniperetum turbinatae (subtipo 5210pt2) resulta

da dominância de indivíduos J. turbinata subsp. turbinata erectos e de porte piramidal (sem

eolomorfoses)

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 270

• Habitat de distribuição termomediterrânica seca a semi-árida, assente em cambissolos pouco profundos,

ou leptossolos de xistos, grauvaques, quartzitos ou mais raramente sienitos (Picota, serra de Monchique).

• Estão em contacto catenal com os azinhais termomediterrânicos silicícolas do Myrto communis-

Quercetum rotundifoliae (habitat 9340) e por vezes com os habitates edafo-higrófilos torrenciais das

comunidades de Fluggea tinctoria (habitat 92D0). Em mosaico, são particularmente notáveis as

comunidades de Genista polyanthos e os prados sub-rupícolas de Festuca duriotagana (habitat 6160).

Distribuição e abundância

Escala temporal (anos desde o presente) -103 -102 -101

Variação da área de ocupação ↔ ↓ ↓

• Os zimbrais silicícolas de J. turbinata subsp. turbinata distribuem-se no vale do rio Guadiana a jusante

do Pulo do Lobo (Serpa) e ribeiras e rios afluentes (e.g. ribeiras de Terges, Oeiras, Alvacar; rios Vascão

e Chança). Uma localidade isolada deste habitat ocorre na serra de Monchique (Picota) sobre sienitos

porfiróides, a cerca de 900 m de altitude.

• Estima-se que as tentativas de arborização com Pinus pinea no século passado e o incremento da

mecanização na roça de matos nos montados em encostas sobre as linhas de água terão contribuído para

a regressão da área deste habitat.

Bioindicadores

• Dominantes: Juniperus turbinata subsp. turbinata, Pistacia lentiscus arborescente.

• Outros taxa: Genista polyanthos, Phlomis purpurea, Osyris lanceolata, Clematis cirrhosa.

Serviços prestados

• Sequestração de CO2.

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Informação estética.

• Educação e ciência

• Refúgio de biodiversidade (e.g. Dianthus crassipes, Centaurea ornata subsp. interrupta, Daucus

setifolius, Viola kitaibeliana subsp. machadiana).

Conservação

Grau de conservação

• Variável. Áreas como o Pulo do Lobo apresentam um bom estado de conservação. Outras apresentam

conservação mediana. São exemplo algumas áreas sujeitas a desmatações destrutivas, por contactarem

com azinhais em montado. Outras áreas são percorridas por gado em pastoreio transumante. Algumas

áreas dos zimbrais foram sujeitas a projectos de arborização com Pinus sp. pl.e Quercus rotundifolia, o

que se considera degradativo da estrutura e composição do habitat.

Ameaças

• Desmatações não selectivas para prevenção de incêndios.

• Desmatações destrutivas constituindo tentativas de “limpeza” das ribeiras com o suposto objectivo de

impedir as cheias durante as chuvas de Inverno.

• Arborizações resultando na alteração substancial da estrutura ou desaparecimento completo do habitat.

• Pastoreio excessivo.

• Açudes ou outras estruturas hidráulicas projectadas no rio Guadiana e ribeiras afluentes associadas ao

Empreendimento de Alqueva (açudes de contra-embalse, barragens, estruturas de adução, etc.).

• Falta de informação sobre o valor do habitat.

• Instalação de projectos turísticos.

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 271

Objectivos de conservação

• Incremento de 15 % da área de ocupação, através da ocupação de zonas de ocorrência potencial onde

presumivelmente tenha sido destruído.

• Melhoria do estado de conservação médio, sobretudo através do incremento da conservação das áreas do

habitat mais degradadas.

Orientações de gestão

• Promover uma rede de reservas e micro-reservas para conservação estrita deste habitat dentro e fora das

Áreas Classificadas, onde o estado de conservação seja melhor.

• Interditar a implementação de projectos de arborização na área do habitat.

• Condicionar as “limpezas” de mato nos montados confinantes ou em mosaico com zimbrais.

• Reavaliar projectos turísticos em curso impondo alterações, de forma a evitar a destruição do habitat.

• Reconverter áreas florestais ou agrícolas com potencialidade de recuperação dos zimbrais.

• Ordenar a pastorícia transumante.

• Controlar de forma não-destrutiva o risco de incêndio dos zimbrais (aceiros e corta-fogos, rede de

vigilância e combate).

• Promover a monitorização do estado de conservação dos zimbrais.

Bibliografia

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e Sabor. Guia de campo. Associação Lusitana de Fitossociologia (ALFA). 57 p. (mimeografado).

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ALFA (2003). Checklist dos sintaxa de Portugal. Continente e Ilhas. 7ª versão. Associação Lusitana de

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Capelo J (1996). Esboço da paisagem vegetal da bacia portuguesa do Rio Guadiana. Silva Lusitana nº

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Capelo J, Lousã M & Costa JC (1993). Phlomido purpureae-Juniperetum turbinatae ass. nova: uma nova

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Guadiana. Anais Inst. Sup. Agronomia 44: 515-530.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático

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Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático

Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2003) Mediterranean Region. Reference List

of habitat types and species present in the region. Doc. Med/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente; Unidade Natureza e Biodiversidade) (2003).

Interpretation Manual of European Union Habitats. Bruxelas.

Costa JC, Capelo J, Lousã M & Aguiar C (1994). Les communautées de Juniperus L. au Portugal. Colloques

Phytosociologiques 22: 499-526.

Rivas-Martínez S, Lousã M, Díaz TE, Fernández-González F, & Costa JC (1990). La vegetación del sur de

Portugal (Sado, Alentejo y Algarve). Itinera Geobot. 3: 5- 126.

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