Se querem descobrir e fotografar achados da Natureza da Praia de Quiaios e da Serra da Boa Viagem, visitem uma das regiões mais ricas em Biodiversidade e Geologia de Portugal!

Pesquisar neste blogue

Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

sábado, 13 de abril de 2013

5330 Matos termomediterrânicos pré-de...

5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos (segundo ICN, Plano Sectorial da Rede Natura 2000)

Protecção legal

Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril  – Anexo B-1.

Directiva 92/43/CEE  – Anexo I.

Distribuição EUR15

• Região Biogeográfica Mediterrânica: Espanha, França, Grécia e Portugal.

Proposta de designação portuguesa

• Matagais altos e matos baixos meso-xerófilos mediterrânicos.

Diagnose

• Matagais e matos meso-xerófilos mediterrânicos dominados por microfanerófitos e/ou mesofanerófitos.

Correspondência fitossociológica

• Ordem Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni  p.p.max. (classe Quercetea ilicis ).

• Alianças Retamion sphaerocarpae  e Retamion monospermae  (classe Cytisetea scopario-striati ).

• Classe Rosmarinetea officinalis .

Subtipos

• Piornais psamófilos de Retama monosperma  (5330pt1).

• Piornais de Retama sphaerocarpa  (5330pt2).

• Medronhais (5330pt3).

• Matagais com Quercus lusitanica  (5330pt4).

• Carrascais, espargueirais e matagais afins basófilos (5330pt5).

• Carrascais, espargueirais e matagais afins acidófilos (5330pt6).

• Matos baixos calcícolas (5330pt7).

Caracterização

• Comunidades mediterrânicas arbustivas altas de características fisionómicas e ecológicas pré-florestais (microfanerofíticas) ou baixas (nanofanerófíticas), pontualmente arborescentes, dominadas por um leque muito variado de taxa e integrantes de um elevado número de sintaxa.

• Trata-se de um habitat estrutural e floristicamente heterogéneo que reúne comunidades arbustivas dominadas por espécies com estratégias adaptativas muito diversas, que têm em comum o facto de serem exclusivamente mediterrânicas e de não suportarem solos hidricamente compensados e encharcamentos estacionais muito prolongados.

• Constituem frequentemente etapas de substituição ou orlas naturais de bosques esclerofilos

mediterrânicos ( Quercetalia ilicis  – habitates 9320 , 9320  e 9340 ). Alternativamente representam clímaces infra-florestais permanentes em biótopos edafoxerófilos (e.g. cristas rochosas, topos de dunas) ou etapas seriais mais regressivas (vd. matos baixos calcícolas, subtipo 5330pt7 ).

• Os matos altos, genericamente, estão associados a níveis de perturbação relativamente baixos porém sempre superiores aos exigidos pelos bosques. A persistência dos matos baixos calcícolas de  Rosmarinetea  (subtipo 5330pt7 ), pelo contrário, depende de níveis elevados de perturbação pelo fogo e pela herbivoria de mamíferos.

• São formadores de matéria orgânica do tipo mull (xeromull) ou moder, se houver co-dominância de ericáceas ou gimnoespérmicas.

• São predominantemente termomediterrânicos, podendo atingir o mesomediterrânico em estações topograficamente expostas à insolação e abrigadas.

Distribuição e abundância

• O abandono agrícola está genericamente a favorecer a expansão da área de ocupação deste habitat.

Outra informação relevante

• A interpretação proposta nesta ficha, sendo mais lata do que a do Manual de Interpretação dos Habitats da União Europeia, aplica a flexibilidade permitida para integração das variações regionais.

Piornais psamófilos de Retama monosperma  5330pt1

Correspondência fitossociológica

Retamion monospermae  (classe Cytisetea scopario-striati ).

Caracterização

• Comunidades pauciespecíficas microfanerofíticas, microfilas e caducifólias retamóides, dominadas pela  Retama monosperma , um arqueófito da família Leguminosae  e da tribo das Cytiseae .

• Estas comunidades estritamente heliófilas surgem em dunas terciárias (pontualmente dunas secundárias ou paleodunas) perturbadas pelo homem (pisoteio, mobilização artificial das areias, etc.) e abrigadas dos ventos marinhos.

• As formações de Retama monosperma  dispõem-se, frequentemente, em mosaico com prados anuais psamófilos seminitrófilos da aliança Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris . Os contactos catenais mais comuns verificam-se com comunidades camefíticas de duna secundária (vd. habitat 2130 ).

• Ocupam regossolos psamíticos profundos oligotróficos e secos.

• Este subtipo é exclusivo de sistemas dunares termomediterrânicos semi-áridos a secos.

Distribuição e abundância

• Comunidade muito pontual nos cordões dunares mediterrânicos, particularmente bem representada em Tróia e na ria Formosa (Superdistritos Sadense e Algarvio; Província Gaditano-Onubo-Algarvia).

• Não se podem presumir variações sensíveis na área deste habitat. No entanto, a pressão sobre o litoral faz supôr uma diminuição da sua área nos anos mais recentes.

Bioindicadores

Retama monosperma , Pycnocomon rutifolium .

Serviços prestados

• Retenção do solo.

• Regulação do ciclo da água.

• Refúgio de biodiversidade.

• Informação estética.

• Informação espiritual e histórica.

• Educação e ciência.

Conservação

Grau de conservação

• Em geral bom.

Ameaças

• Destruição directa do habitat, nomeadamente através de:

o construções;

o aterros;

o abertura ou alargamento de estradas e caminhos.

• Invasão por plantas exóticas (e.g. Acacia  sp. pl.).

Objectivos de conservação

• Manutenção da área de ocupação

• Manutenção do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Condicionamento das alterações ao uso do solo que impliquem a destruição directa do habitat, nomeadamente a realização de obras (construções, aterros, abertura ou alargamento de vias de comunicação, etc.).

• Controlo de plantas exóticas invasoras em ecossistemas dunares.

Piornais de Retama sphaerocarpa  5330pt2

Correspondência fitossociológica

Retamion sphaerocarpae  (classe Cytisetea scopario-striati ).

Caracterização

• Comunidades microfanerofíticas microfilas e caducifólias retamóides, pouco densas, pauciespecíficas, dominadas pela Retama sphaerocarpa . Além da Retama sphaerocarpa  são frequentes outras leguminosas da tribo das Cytiseae  como o Cytisus scoparius  subsp. scoparius , C. scoparius  subsp.  bougaei , C. multiforus  e Genista polyanthos .

• Estas comunidades são subseriais de bosques perenifólios esclerofilos (habitates 9320 , 9330  e 9340 ). Apesar de poderem constituir a primeira etapa de substituição destes bosques (sentido regressivo da sucessão ecológica), estes matos são particularmente frequentes em solos agrícolas abandonados dada a natureza estritamente heliófila e o forte carácter pioneiro da R. sphaerocarpa .

• Dispõem-se em mosaico, principalmente, com matos baixos de cistáceas (classe Cisto-Lavanduletea ) e com um elevado número de comunidades herbáceas, e.g. arrelvados vivazes de Agrostis castellana, comunidades anuais seminitrófilas (e.g. comunidades Stipa capensis , Thero-Brometalia , classe  Stellarietea mediae ) e prados anuais não nitrófilos ( Helianthemetalia , classe Helianthemetea ). Como frequentemente são pastoreadas extensivamente por ovinos e caprinos, nestes mosaicos são ainda frequentes cardais de Carduus  sp.pl., Dipsacus fullonum , Centaurea calcitrapa , Scolymus hispanicus ,  Cynara  sp.pl., etc. ( Onopordenea acanthii , classe Artemisietea vulgaris ). Em territórios de ombroclima seco inferior, sobretudo em solos derivados de granitos, os matos de R. sphaerocarpa  organizam-se com menos frequência em mosaico com matos baixos de cistáceas (classe Cisto-Lavanduletea ) e demonstram uma enorme estabilidade temporal.

• Frequentemente, em torno da R. sphaerocarpa , sobretudo em territórios pouco chuvosos, observam-se ilhas de fertilidade, identificáveis por uma maior pujança da vegetação herbácea vivaz, certamente devido à presença de bactérias fixadoras do azoto nas raízes da R. sphaerocarpa, a um maior turn-over da matéria orgânica, à bombagem de nutrientes de camadas mais profundas do solo, a um balanço hídrico do solo mais favorável na sua vizinhança, a uma atenuação dos fenómenos erosivos e ao abrigo fornecido por este arbusto a espécies animais.

• Desenvolvem-se em solos relativamente profundos, oligo-mesotróficos, bem drenados, derivados de substratos rochosos ou de materiais coluvionares, normalmente siliciosos, com muita frequência do tipo luvissolo.

• Este habitat ocorre sobretudo em territórios termo e mesomediterrânicos secos.

Distribuição e abundância

• Frequente nas Províncias Carpetano-Ibérico-Leonesa e Luso-Estremadurense.

Bioindicadores

• Presença de Retama sphaerocarpa .

Serviços prestados

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Regulação do ciclo de nutrientes.

• Madeiras, lenha, pasto, etc. (sobretudo pasto).

• Recursos de uso ornamental.

• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação

• Muito variável.

• Dependente, por exemplo, de:

o estádio sucessional;

o uso do solo passado e presente;

o disponibilidade de diásporos.

Ameaças

• Arroteamentos para expansão agrícola e silvícola.

• Abertura ou alargamento de vias e caminhos.

• Expansão urbana.

• Progressão da sucessão ecológica.

• Fogo.

• Pastoreio intensivo.

• Regressão do pastoreio extensivo.

Objectivos de conservação

• Aceitável a conversão até 50% da área de ocupação, com 35% exclusivamente por progressão

sucessional.

• Melhoria do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Gestão da progressão sucessional

o Vd. Orientações de gestão, habitates 9320 , 9330  e 9340 .

• Manutenção e melhoria do grau de conservação da área actual do habitat:

o condicionar alteração do uso do solo, nomeadamente para:

􀂃 arborização;

􀂃 expansão agrícola;

􀂃 edificação;

􀂃 instalação de infraestruturas;

􀂃 abertura ou alargamento de vias de comunicação;

o ordenar o pastoreio, orientando-o para a manutenção de um modelo extensivo;

o limpeza mecânica da vegetação arbustiva baixa;

o redução dos riscos de incêndio (por exemplo, através da abertura de aceiros e corta-fogos, e instalação de pontos de água).

Medronhais 5330pt3

Correspondência fitossociológica

• Aliança Ericion arboreae  (classe Quercetea ilicis ).

Caracterização

• Matagais altos dominados por Arbutus unedo  e Erica arborea , de características pré-florestais, constituintes das orlas naturais de bosques de Quercus suber  (habitat 9330 ), menos vezes de carvalhais (habitates 9230  e 9240 ). Por vezes constituem comunidades permanentes edafoxerófilas em encostas rochosas ou cristas.

• Outros arbustos co-dominantes incluem, por exemplo, Phillyrea angustifolia , P. latifolia , Quercus coccifera , Rhamnus oleoides  sp. pl., Pistacia lentiscus , Asparagus  sp. pl.

• Ocorrem em mosaico com o remanescente dos bosques e com matos baixos que representam fases avançadas de degradação dos ecossistemas florestais.

• Ocupam preferencialmente solos do tipo cambissolo derivados de substratos siliciosos (nota: os medronhais do habitat 5230 , podem ser calcícolas).

• São essencialmente mesomediterrânicos. No andar termomediterrânico são substituídos pelos medronhais do habitat 5230 ).

Distribuição e abundância

• A sua área terá sido menor num passado recente, por efeito da agricultura. Actualmente assiste-se a alguma recuperação.

• Os medronhais distribuem-se por todo o território de Portugal continental. Predominam no entanto, nas unidades biogeográficas mais próximas do litoral, e.g. Superdistritos Serrano-Monchiquense (Província Luso-Estremadurense) e Geresiano-Queixense (Província Cantabro-Atlântica).

Bioindicadores

• Dominância de Arbutus unedo, Erica arborea.

Serviços prestados

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Regulação do ciclo de nutrientes.

• Madeiras, lenha, pasto, etc. (sobretudo lenha).

• Alimentação (medronho: fruto e aguardente).

• Recursos de uso ornamental.

• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação

• Em geral bom.

Ameaças

• Desmatação orientada para:

o protecção contra incêndios;

o transformação em montado de áreas de sobreiro com este habitat.

• Pastoreio.

• Incêndios florestais.

Objectivos de conservação

• Manutenção da área de ocupação

• Manutenção do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Condicionar as operações de desmatação.

• Condicionar a actividade pastoril na vizinhança deste habitat.

• Executar medidas preventivas dos incêndios florestais:

o rede de vigilância;

o existência de rede viária nas matas para fácil acesso de bombeiros e sapadores;

o instalação de pontos de água;

o aceiramento de faixas corta-fogo nas imediações das manchas pré-climácicas;

o plantação de faixas de folhosas de baixa inflamabilidade, como medida auxiliar de protecção.

• Sensibilizar os gestores e proprietários florestais para a conveniência e necessidade da conservação do habitat.

Outra informação relevante

• A exploração dos medronhais para colheita de medronho é, em princípio, compatível com a conservação do mesmo, se para tal não se proceder à desmatação ou poda. Deve, no entanto, ficar garantida a reserva de sementes, cerca de 20% dos frutos.

• Os medronhais co-dominados por outros taxa laurifólios – Laurus nobilis , Prunus lusitanica , Myrica faya , de carácter termófilo, paleotemperado/húmido são considerados no habitat 5230 .

Matagais com Quercus lusitanica 5330pt4

Correspondência fitossociológica

Quercion fruticosae  (classe Quercetea ilicis ).

Caracterização

• Matos densos, baixos, em tapete, dominados por Quercus lusitanica . Presença frequente de Avenella stricta , Centaurea  sp. pl., Drosophylum lusitanicum , Euphorbia transtagana , Juniperus navicularis ,  Serratula  sp.pl. Por vezes presença de plantas próprias dos matos da classe Calluno-Ulicetea  e.g.  Agrostis curtisii , Erica scoparia , E. umbellata , Stauracanthus boivinii , Tuberaria lignosa , Ulex jussiaei  (vd. habitat 4030 ).

• É normalmente uma etapa de substituição ou recuperação, em séries de vegetação com clímax de  Quercus suber .

• O tipo de substrato preferencial dos matagais de Quercus lusitanica  são solos do tipo cambissolo truncados, delgados, derivados de arenitos, conglomerados mio-pliocénicos, xistos ou areias consolidadas, com uma fina camada de matéria orgânica ácida do tipo moder ou mesmo mor.

• Andar termoclimático termomediterrânico, pontualmente termotemperado.

Distribuição e abundância

• A sua área terá sido menor num passado recente, por efeito da agricultura. Actualmente assiste-se a alguma recuperação.

• A sua maior área ocorre na Província Gaditano-Onubo-Algarvia. Atinge o litoral Sul do Subsector

Miniense (Província Cantabro-Atlântica).

Bioindicadores

• Dominância de Quercus lusitanica .

Serviços prestados

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Regulação do ciclo de nutrientes.

• Refúgio de biodiversidade (vd. Bioindicadores).

• Alimentação (medronho: fruto e aguardente).

• Recursos de uso ornamental.

• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação

• Genericamente bom.

Ameaças

• Desmatação dos montados de sobro e dos pinhais.

• Incêndios.

Objectivos de conservação

• Manutenção da área de ocupação

• Manutenção do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Condicionar as operações de desmatação.

• Executar medidas preventivas dos incêndios florestais (vd. subtipo 5330pt3).

Carrascais, espargueirais e matagais afins basófilos 5330pt5

Correspondência fitossociológica

• Aliança Asparago albi-Rhamnion oleoidis  p.p. (classe Quercetea ilicis ).

Caracterização

• Matagais densos dominados geralmente por carrasco ( Quercus coccifera  subsp. coccifera ) constituídos maioritariamente por arbustos pirófilos paleo-mediterânicos esclerofilos, adaptados a ciclos de recorrência de fogo não muito curtos (superiores aos matos baixos e inferiores aos bosques), com a capacidade de rebentar de toiça após perturbação (sprouters).

• Além do Quercus coccifera subsp. coccifera estão presentes, em combinações florísticas variáveis, muitas outras espécies de arbustos, e.g. Asparagus albus, A. aphyllus, A. acutifolius, Chamaerops humilis, Coronilla juncea, C. glauca, Ephedra fragilis, Jasminum fruticans, Myrtus communis, Olea europaea var.  sylvestris (arbustiva), Osyris alba, O. lanceolata, Pistacia lentiscus, P. terebinthus, Phillyrea angustifolia, Ph. media,   Quercus x airensis, Phlomis purpurea, Rhamnus alaternus, R. oleoides subsp.  oleoides, Teucrium fruticans, Viburnum tinus.

• Podem ser etapas de substituição de bosques basófilos (azinhais, habitat 9340 , ou carvalhais de Quercus faginea  subsp. broteroi , habitat 9240 ) ou vegetação de carácter permanente (clímaces pré-florestais).

Ocorrem em mosaico com matos baixos basófilos (subtipo 5330pt7 ), remanescentes de bosques (habitates 9340  e 9240 ) e arrelvados vivazes de Brachypodium phoenicoides  (habitat 6210 ).

• Ocorrem em cambissolos derivados de calcários.

• São essencialmente termomediterrânicos, com ligeiras disjunções mesomediterrânicas.

Distribuição e abundância

• Nos calcários da Província Gaditano-Onubo-Algarvia (Sector Divisório Português e Superdistritos Arrabidense e Algarvio).

• Noutros enclaves calcários do Alentejo (e.g. alto-alentejanos e araceno-pacenses: e.g. Sousel, Borba, Vila-Viçosa, Estremoz, Elvas, serra de Ficalho).

• O abandono da agricultura tem favorecido a sua expansão. No entanto existem zonas onde, pelo contrário, têm regredido (áreas de expansão urbana ou agrícola).

Bioindicadores

• Dominância em combinações florísticas variáveis de Asparagus albus, Rhamnus oleoides subsp. oleoides, Myrtus communis, Pistacia lentiscus, P. terebinthus, Osyris lanceolata, Quercus x airensis, Q. coccifera.

• Ausência de Juniperus  sp.pl.

Serviços prestados

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Regulação do ciclo da água.

• Regulação do ciclo de nutrientes.

• Refúgio de biodiversidade (vd. Bioindicadores).

o Pela sua associação em mosaico com matos basófilos, são importantes habitates de flora calcícola (vd. subtipo 5330pt7 ).

• Recursos de uso ornamental.

• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação

• Bom ou moderado.

Ameaças

• Alteração do uso do solo com destruição directa do habitat, nomeadamente devido a:

o expansão urbana;

o expansao agrícola.

• Incêndios.

Objectivos de conservação

• Manutenção da área de ocupação

• Manutenção do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Condicionar a alteração do uso do solo, nomeadamente devida a:

o expansão agrícola;

o edificação;

o instalação de infraestruturas;

o abertura ou alargamento de vias de comunicação.

• Prevenir e minimizar os incêndios com períodos de recorrência curtos (menores que 20 anos), através da

execução das seguintes medidas:

o rede de vigilância;

o existência de rede viária para fácil acesso de bombeiros e sapadores;

o instalação de pontos de água;

o aceiramento de faixas corta-fogo.

Outra informação relevante

• Estes matagais representam uma vegetação com um enorme valor ecológico e paisagístico.

Frequentemente cumprem funções análogas aos bosques no ciclo hidrológico, de nutrientes, etc.

• São frequentemente etapas de recuperação de bosques e importantes habitates de fauna.

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Habitats 296

Carrascais, espargueirais e matagais afins acidófilos 5330pt6

Correspondência fitossociológica

• Aliança Asparago albi-Rhamnion oleoidis  p.p.

Caracterização

• Matagais densos de Calicotome villosa, Myrtus communis, Olea europaea var. sylvestris, Pistacia terebinthus, Quercus coccifera, Rhamnus sp. pl. Além destas espécies podem ocorrer outros arbustos como, por exemplo, Crataegus monogyna  ou Asparagus  sp. pl.

• São normalmente etapas de substituição de bosques de sobreiro (habitat 9330 ) ou de azinheira (habitat  9340 ).

• Ocorrem em cambissolos ou regossolos (depósitos de vertente e coluviões) derivados de rochas ácidas, incluindo substratos compactos e areias (paleodunas). Algumas variantes (murteiras) podem ser ligeiramente freatófilas.

• Os carrascais e zambujais são essencialmente mesomediterrânicos. As murteiras e comunidades de  Calicotome villosa  maioritariamente termomediterrânicas.

Distribuição e abundância

• Distribuem-se sobretudo na porção mais interior da Província Luso-Estremadurense. Raros na Província Carpetano-Ibérico-Leonesa. As murteiras são essencialmente ribatagano-sadenses.

Bioindicadores

• Dominância em combinações florísticas variáveis por Calicotome villosa, Myrtus communis, Rhamnus sp. pl., Quercus coccifera  ou Pistacia therebinthus .

• Ausência de Juniperus sp.pl.

Serviços prestados

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Regulação do ciclo de nutrientes.

• Refúgio de biodiversidade

• Recursos de uso ornamental.

• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação

• De bom a moderado.

Ameaças

• Vd. subtipo 5330pt5.

Objectivos de conservação

• Vd. subtipo 5330pt5.

Orientações de gestão

• Vd. subtipo 5330pt5.

Matos baixos calcícolas 5330pt7

Correspondência fitossociológica

• Classe Rosmarinetea officinalis .

Caracterização

• Matos baixos de calcários, resultantes da degradação das comunidades florestais ou dos matagais calcícolas (subtipo 5330pt5 ), por efeito da agricultura, pastoreio, fogo e subsequente erosão dos horizontes superficiais do solo.

• Em Portugal continental, são representados por tojais e tomilhais dominados por Corydothymus capitatus, Thymus silvestris, Ulex erinaceus  ou U. densus . Entre as espécies com frequência codominantes citam-se Genista hirsuta subsp. algarviensis , Rosmarinus officinais , Teucrium polium  subsp. capitatum , T. polium subsp.  lusitanicum , T. hanseleri e Thymus lotocephalus .

• A diversidade florística destes matos é elevadíssima. Outras espécies que encontram o seu óptimo ecológico nestes matos são, por exemplo, Anthyllis vulneraria  subsp. gandogeri , Argyrolobium zanonii, Asperula hirsuta, Avenula hackelli subsp. algarbiensis, Cistus albidus, Coris monspeliensis, Coronilla minima subsp. lotoides, Dorycnium pentaphyllum, Euphorbia nicaensis, Fumana ericoides, F. thymifolia, Helianthemum apeninum, H. croceum subsp. stoechadifolium, H. hirtum subsp. bethuricum, H. origanifolium, H. violaceum, Hyacinthoides vicentina, Iberis microcarpa, Orobanche latisquama, Plantago almogravensis, Satureja graeca subsp. micrantha, Serratula baetica subsp. lusitanica, S. estremadurensis, S. flavescens var. leucantha, S. leucantha subsp. neglecta, Sideritis algarbiensis subsp. algarbiensis, S. algarbiensis subsp. lusitanica, Staehelina dubia, Thesium divaricatum, Thymelaea hirsuta, Viola arborescens.

• O substrato é geralmente calcário duro de natureza dolomítica (calcários jurássicos). Mais raramente colonizam outros tipos de calcários e mesmo arenitos com cimento calcário. Os solos frequentemente são do tipo leptossolo com grande quantidade de afloramentos de rocha e coberturas pedregosas.

• São essencialmente termomediterrânicos.

Distribuição e abundância

• Têm uma distribuição essencialmente gaditano-onubo-algarvia. Estão presentes nos calcários da Província Gaditano-Onubo-Algarvia (Sector Divisório Português e Superdistritos Arrabidense, Costeiro-Vicentino, Promontório-Vicentino e Algarvio) e nos enclaves calcários do Alentejo (e.g. alto-alentejanos e araceno-pacenses: e.g. Sousel, Borba, Vila-Vicosa, Estremoz, Elvas, serra de Ficalho).

• O abandono da agricultura tem favorecido a sua expansão. No entanto existem zonas onde, pelo contrário, têm regredido (áreas de expansão urbana ou agrícola).

Bioindicadores

• Dominância de Ulex erinaceus  (Superdistrito Promontório Vicentino), Corydothymus capitatus  (Superdistritos Algarvio e Araceno-Pacense), Ulex densus  e Thymus silvestris  (Superdistrito Arrabidense e Sector Divisório-Português).

Serviços prestados

• Retenção do solo.

• Formação do solo.

• Regulação do ciclo de nutrientes.

• Refúgio de biodiversidade.

o Espécies raras ou endémicas, e.g. Avenula hackelli, Serratula baetica subsp. lusitanica, S. estremadurensis, Sideritis algarbiensis subsp. algarbiensis, S. algarbiensis subsp. lusitanica, Hyacinthoides vicentina, Plantago almogravensis, Thymus lotocephalus, Ulex erinaceus, U. densus, Viola arborescens.

• Recursos de uso ornamental.

• Informação estética.

Conservação

Grau de conservação

• De bom a moderado.

Ameaças

• Alteração do uso do solo com destruição directa do habitat, nomeadamente devido a:

o expansão urbana;

o expansao agrícola.

• Progressão sucessional: é provável que os matagais de carrasco [subtipo 5330pt5) tendam a predominar e a excluir dos biótopos em causa a vegetação camefítica.

Objectivos de conservação

• Manutenção da área de ocupação

• Melhoria do grau de conservação.

Orientações de gestão

• Condicionar a alteração do uso do solo, nomeadamente devida a:

o expansão agrícola;

o edificação;

o instalação de infraestruturas;

o abertura ou alargamento de vias de comunicação.

• Travar a progressão sucessional. Se cessarem os factores naturais de perturbação [fogo, pastoreio  é necessário garantir a persistência de todos os elementos do mosaico através do controle racional do mato, numa proporção que garanta a persistência dos matos camefíticos calcícolas, com recurso a:

o uso de “fogo controlado”;

o desmatação por corte [roçadoras de lâminas);

o algum pastoreio muito condicionado;

o controlo de matos por gradagem ou outra mobilização do solo não é admissível.

Outra informação relevante

• Embora esta vegetação represente uma etapa avançada da degradação dos ecossistemas florestais e dosrespectivos matagais, é frequentemente mais valiosa do ponto de vista da conservação. Existe o perigo real do fenómeno espontâneo da progressão sucessional ter como consequência a extinção desta vegetação [vd. Orientações de gestão).

Bibliografia

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2003) Mediterranean Region. Reference List of habitat types and species present in the region.  Doc. Med/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente; Unidade Natureza e Biodiversidade) (2003).  Interpretation Manual of European Union Habitats.  Bruxelas.

Rivas-Martínez S, Díaz TE, Fernández-González F, Izco J, Loidi J, Lousã M & Penas A (2002). Vascular plant communities of Spain and Portugal. Addenda to the syntaxonomical checklist of 2001. Itinera Geobot. 15(1-2): 5-992.

Voltar

Sem comentários:

Arquivo do blogue

Seguidores

Contribuidores