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Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

sábado, 13 de abril de 2013

91F0 Florestas mistas de Quercus robu...

91F0 Florestas mistas de Quercus robur , Ulmus laevis , Ulmus minor , Fraxinus excelsior  ou Fraxinus angustifolia  das margens dos grandes rios (Ulmenion minoris) (Segundo ICN, Plano Sectorial da Rede Natura 2000)

Ulmus ?minor

 40°12'14.28"N 8°51'4.36"W

Populus alba

  40°13'38.52"N    8°50'54.29"W

Fraxinus angustifolia

40°14'36.92"N  8°48'30.19"W

Protecção legal

Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril  – Anexo B-1.

Directiva 92/43/CEE  – Anexo I.

Distribuição EUR15

• Região Biogeográfica Atlântica: Alemanha, Bélgica e França. Em Portugal provavelmente presente.

• Região Biogeográfica Mediterrânica: França, Grécia, Itália e Portugal.

Proposta de designação portuguesa

• Florestas mistas sub-higrófilas de Fraxinus angustifolia , Quercus robur  e Ulmus minor .

Diagnose

• Florestas mistas sub-higrófilas de Fraxinus angustifolia , Quercus robur  e Ulmus minor , próprias de depressões ligeiras, planas e extensas, em aluviões raramente inundados, nos limites mais afastados do leito do sistema estuarino.

Correspondência fitossociológica

• Aliança Populion albae  (= Fraxino angustifoliae-Ulmenion minoris ).

Subtipos

• Sem subtipos.

Caracterização

• Florestas mistas de árvores caducifólias ( Quercus robur , Fraxinus angustifolia , Ulmus minor , Salix atrocinerea , Celtis australis , muito raramente Q. suber ), de características sub-higrófilas, que ocupam depressões ligeiras, planas e geralmente extensas das grandes extensões aluvionares de grandes rios.

• O sub-bosque lianóide e herbáceo nemoral é bastante desenvolvido e inclui frequentemente: Arum italicum , Iris foetidissima , Solanum dulcamara , Humulus lupulus , Lonicera periclymenum  subsp.  periclymenum , Ulmus minor , Coryllus avelana , Carex arenaria , Molinia caerulea  subsp. arundinacea ,  Carex pendula , Carex hispida , Cheirolophus uliginosus , Cladium mariscus .

• Outro habitat adjacente importante são os amiais ripícolas (habitat 91E0 ).

• Estas depressões situam-se geralmente nos limites geomorfolóficos do sistema aluvionar associado a um grande rio e geralmente não longe da foz. São biótopos sujeitos a inundação esporádica e à influência, variável ao longo do ano, da toalha freática.

• Os solos correspondentes são aluviossolos com horizontes pseudo-gley .

• Este habitat ocorre secundariamente nas depressões intradunares ligeiras, nas imediações de pequenas lagoas de características lóticas ou “linhas de água”, situadas em paleodunas litorais (frequentemente em ambiente de pinhal).

• Estes bosques são azonais, isto é representam um tipo de vegetação caducifólia, de óptimo temperado, mas que tendem a ocorrer, por compensação freática do défice estival, em áreas mediterrânicas (termo e mesomediterânicas).

Distribuição e abundância

• A maior parte destes carvalhais/freixiais ocorre nas imediações do sistema estuarino do rio Mondego e em algumas zonas do estuário do rio Vouga. Secundariamente ocorre nas áreas de paleodunas da zona de Leiria. É possível que correspondam a vestígios de uma área maior anterior à colmatação pleistocénica do estuário do rio Liz ou a uma posterior re-invasão destes biótopos.

• A sua área de distribuição é maioritariamente no Subsector Beirense Litoral.

• Algumas depressões associadas a antigos areeiros, ou a margem de lagoas semi-artificiais, pateiras, antigos “maceiros” (e.g. Lagoa da Vela , Lagoa das Três Braças , Barrinha de Esmoriz, etc.) exibem este habitat.

• Trata-se de vegetação florestal sub-higrófila de características temperadas e como tal, presumivelmente, a sua área terá vindo a regredir naturalmente desde o período Atlântico com a mediterraneização do clima.

• Vestigialmente, esta vegetação ocorre (sem Quercus robur , mas por vezes com Quercus suber ) em aluviões dos rios Tejo e Sado.

• A influência antrópica, ou seja o aproveitamento agrícola das grandes extensões aluvionares, terá contribuído para a sua diminuição.

• Mesmo em rios de menor importância, a porção mais recuada do terraço aluvionar, onde se localizaria alguma desta vegetação está ocupada com agricultura.

Bioindicadores

Quercus robur, Fraxinus angustifolia, Ulmus minor, Salix atrocinerea, Celtis australis, Arum italicum, Iris foetidissima, Solanum dulcamara, Humulus lupulus, Lonicera periclymenum subsp. periclymenum, Ulmus minor, Corylus avellana, Carex arenaria, Molinia caerulea subsp.  arundinacea, Carex pendula, Carex hispida, Cheirolophus uliginosus, Cladium mariscus.

Serviços prestados

• Retenção do solo.

• Regulação do ciclo da água.

• Refúgio de biodiversidade.

• Informação estética.

• Informação espiritual e histórica.

• Educação e ciência.

Conservação

Grau de conservação

• Os núcleos bem conservados deste habitat são moderadamente abundantes. Outras situações acham-se semi-antropizadas sobretudo pelo aproveitamento hortícola dos aluviões. Estas hortas abandonadas frequentemente acham-se invadidas por canas ( Arundo donax ), Acacia  sp. pl. ou Eryngium pandanifolium .

Ameaças

• Conversão para uso hortícola.

• Pisoteio, pastoreio e nitrificação, por instalação de áreas de redil e bebedouro de gado.

• Obras de regularização hidráulica e construção de canais de rega.

• Invasão por plantas exóticas.

• Escassez de informação sobre a naturalidade e o valor do habitat para a conservação.

Objectivos de conservação

• Manter a área de ocupação.

• Incrementar o grau de conservação, através da recuperação das manchas degradadas.

Orientações de gestão

• Promover a cartografia da área de ocupação e do grau de conservação do habitat, assegurar uma representação suficiente em Sítios Classificadas.

• Interditar a conversão agrícola da área de ocupação.

• Interditar a instalação de áreas de redil e bebedouro de gado.

• Condicionar obras regularização hidráulica e construção de canais de rega.

• Controlar a infestação por plantas exóticas.

• Divulgar a importância do habitat para a conservação, destacando o seu carácter reliquial.

Outra informação relevante

• Este habitat apresenta algumas semelhanças geomorfológicas com os bosques paludosos de amieiro ( Alnetea glutinosa ). No entanto, estes últimos apesar de ocuparem depressões de características lênticas correspondem a situações de inundação durante uma parte importante do ano, condições de anóxia, baixo potencial redox e acumulação de turfa. As depressões de Populion albae , são em termos de condições ambientais muito distintas, pela presença muito menor de água.

• Esta vegetação é muito representativa dos estuários dos grandes rios da Europa Central (e.g. Pó, Danúbio, Reno, Lena). Ocorre vestigialmente nos estuários dos rios Mondego e Vouga, em acordo com alguma semelhança geomorfológica e ecofisiográfica e pela proximidade do macrobioclima temperado.

Bibliografia

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2002) Atlantic Region. Reference List of habitat types and species present in the region.  Doc. Atl/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente) & Agência Europeia do Ambiente (Centro Temático Europeu da Protecção da Natureza e da Biodiversidade) (2003) Mediterranean Region. Reference List of habitat types and species present in the region.  Doc. Med/B/fin. 5. Bruxelas-Paris.

Comissão Europeia (Direcção Geral de Ambiente; Unidade Natureza e Biodiversidade) (2003). Interpretation Manual of European Union Habitats.  Bruxelas.

Paiva J, Samaniego MCLM & Arriegas PI (1993). A flora e a vegetação da Reserva Natural do Paul de Arzila.  Colecção Natureza e Paisagem, 12. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza. Lisboa. 65 pp.

Rivas-Martínez S, Díaz TE, Fernández-González F, Izco J, Loidi J, Lousã M & Penas A (2002). Vascular plant communities of Spain and Portugal. Addenda to the syntaxonomical checklist of 2001. Itinera Geobot.  15(1-2): 5-992.

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