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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Plantas medicinais e chás (Parte III)

Plantas medicinais e chás (Parte III)

Por Carla Conde 

Fumaria officinalis

Fumaria

"Infestante com valor medicinal"

Família: Papaveraceae

Habitat: Europa, terrenos baldios, taludes, campos, bermas dos caminhos; disseminada por quase todo o território português; até 1700m.

Identificação: planta herbácea anual de 20 a 80 cm de altura. Anual, caule verde, frágil, delgado, erecto, de ramos difusos; folhas cinzento-esverdeadas, alternas, pecioladas; flores cor-de-rosa maculadas de cor púrpura (Abril-Setembro), pequenas, alongadas, reunidas em espiga, 2 sépalas petalóides, pétalas irregulares prolongadas em esporão curto e 6 estames em 2 feixes; fruto globoso, com vértice deprimido; raiz aprumada, de cor branco-amarelada. Cheiro acre (suco); sabor muito margo e salgado.

Partes utilizadas: planta florida, excepto a raíz (Maio-Setembro); secagem em camadas ou ramos.

Componentes: tanino, alcalóides, potássio, ácido fumárico.

Propriedades: antiescorbútico, aperitivo, depurativo, laxante, diurético, estomáquico, laxativo, cardiotónica.

Curiosidades

É possível que o nome da fumária advenha da cor cinzenta e indistinta das suas folhas, do seu sabor a fumo e fuligem ou ainda da tradição popular, que atribui o nascimento da planta não a uma semente, mas a uma emanação da terra. A fumária é uma infestante em lugares antes cultivados, crescendo espontaneamente em áreas por vezes extensas.

A planta é conhecida desde a Antiguidade devido às suas propriedades medicinais; Dioscórides, no século I, e Galeno, no século II, citam a sua acção sobre a secreção biliar e a função hepática; no século X, os médicos árabes elogiam as virtudes da planta, e Mattioli, no século XVI, faz o seu panegírico, como remédio específico para as perturbações das vísceras abdominais. Porém, o seu mais importante segredo é que, além da angélica e do freixo, é um dos simples que torna o homem centenário.

A fumária contém um alcalóide, a fumarina; é aconselhável usá-la sob controle médico e nunca em tratamentos longos pois é um pouco tóxica. As folhas, que se partem facilmente durante a secagem, devem ser guardadas em recipientes de cerâmica ou vidro. Nunca as colocar em contacto com o ferro.

  Utilizações medicinais

Na medicina popular é usada para purificar o organismo e desintoxicar o fígado.

Outras indicações:

Arteriosclerose. Infusão de fumária, 80g de sumidades floridas secas, ou 40g frescas, para 1l de água fervente, infundir 10 minutos, 1 chávena por dia, 8 dias por mês.

Astenia. Infusão de fumária, 60g de sumidades floridas secas para 1l de água fervente, infundir 15 minutos, 3 chávenas por dia entre as refeições, 1 semana por mês, durantre 3 meses.

Eczema. Infusão de fumária, 20g de planta florida para 1l de água fervente, infundir 10 minutos, colocar muito pouco açucar.

Urticária. Uso externo. Infusão de fumária, planta inteira, 60g para 1l de água fervente, infundir 15 minutos; lavar ou banhar as zonas afectadas.

A segurança acima de tudo

Usar durante poucos dias e em doses moderadas. O uso prolongado é prejudicial.

Hedera helix

Hera

"Trepadora e rastejante, amada ou odiada"

Família: Araliaceae

Habitat: trepadeira verdejante natural da Europa central e ocidental mas existente em toda a Europa e frequente em quase todo o território português; trepa muros, árvores, sebes e rasteja no chão de bosques húmidos; até 1000 m. Há muitas variedades que diferem na cor, na forma e crescimento.

Identificação: arbusto de 3 a 50 m de altura, trepador ou rastejante; caule que atinge os 30m de altura, vigoroso, com ramos lenhosos, flexíveis.Trepa por meio de raízes laterais aéreas; folhas verde-escuras, brilhantes, coriáceas, alternas, pecioladas, persistindo cerca de 3 anos, de triangulares a palmatilobadas, ovais nas sumidades floridas; inflorescências em peque nas umbelas esféricas com 6 a 8 raios curtos num só plano, flores hermafroditas, amarelo-esverdeadas, cálice com 5 dentes curtos, soldados ao ovário, 5 pétalas lanceoladas, reflexas; androceu com 5 estames, alternando com as pétalas. Floração de Setembro a Outubro. Fruto globoso, negro,, com 4 a 5 sementes cor-de-rosa. Cheiro aromático; sabor amargo.

Partes utilizadas: folhas novas, frescas.

Componentes: estrogéneos, hederina.

Propriedades: analgésico, antiespasmódico, emenagogo.

Curiosidades

À hera têm sido atribuídas as mais variadas designações, nomes populares na sua parte femininos, como acontece em todas as línguas românicas, com excepção do francês, que deu à planta o nome masculino: lierre.

É certo que a hera deteriora as paredes e que, quando invade o solo, nenhuma outra vegetação consegue encontrar o seu caminho para a luz. No entanto, não é parasita, pois apesar de se agarrar às árvores, não se alimenta da sua seiva.

A hera pode viver muito tempo: conhecem-se alguns exemplares com 400 anos em que o caule adquiriu a espessura de um tronco de árvore.

Tradicionalmente, a hera escondia os duendes sob a sua folhagem, protegia as casa dos espíritos malignos e era tida como símbolo de fidelidade e longevidade.

Juntamente com a vinha, associa-se ao Deus Baco.

Hera era também uma divindade grega, esposa de Zeus, agressiva e ciumenta, que perseguia os filhos das amantes de Zeus, como Hércules, que tentou matar quando este era ainda bébé.

Usos

Esta planta é comercializada como medicamento fitotarápico usado para tratamento de afecções broncopulmunares, sendo expectorante e broncodilatador.

Há povos que usam o cozimento das folhas de hera para escurecer cabelos embraqueçidos.

Banho anticelulítico. Decocção de folhas de hera-trepadeira frescas: ferver em lume muito brando, num recipiente tapado, em 3 l de água durante 2 horas, coar e adicionar ao banho.

Como utilizar:

Cabelo. Champô liquído. Decocção de hera, 50 g de folhas para 1 litro de  água, ferver 10 minutos, coar espremendo,  acrescentar com água fervente até obter 2 litros; esfregar.

Calo. É necessário proteger os tecidos vizinhos da acção corrosiva das plantas utilizadas. Folhas de hera maceradas em vinagre; após 4 dias de maceração, cortar a folha com uma tesoura, amontoar os pedaços sobre o calo, cobrir com um penso bem apertado, conservar durante 3 dias. Se, depois deste espaço de tempo, o calo não se despegar facilmente, renovar a operação.

Celulite. Aplicar 2 a 3 vezes ao dia sobre as zonas atingidas, compressas tão quentes quanto possível, embebidas numa decocção de hera, 100g de folhas frescas para 1l de água, ferver 15 minutos.

Edema. Para tornozelos inchados. Compressas de hera: decocção de 100g de folhas frescas para 1 litro de água. Ferver 10 minutos e coar.

Estrias. Cataplasma de hera, cozer algumas folhas num pouco de água, esmagar e aplicar entre dois pedaços de tecido firme.

Queimadura. Aplicar sobre a queimadura cataplasmas de folhas de hera frescas.

Queimadura solar. Cobrir a zona do corpo atingida com folhas de hera fresca e lavada.

Reumatismo. Aplicar compressas de decocção de hera. 60 g de folhas para 1 l de água. Ferver 10 minutos.

A segurança acima de tudo

Todas as partes da planta são venenosas e não devem ser comidas por seres humanos.

Hipericum perforatum

Hipericão

Um anti-depressivo natural

Família: Hypericaceae (Hipericáceas); outros membros incluem a rosa-da-síria.

Habitat:  Europa, Ásia, norte de África e aclimatada nos Estados Unidos e Canadá; terrenos incultos, bosques pouco densos, clareiras, solos secos e ensolarados de encostas, muros velhos, bermas da estrada, prados; presente em todo o País; até 1600m. Embora tolere uma grande variedade de condições, prefere solos alcalinos.

O Hipericão-do-Gerês, ou androsemo, é obtido de uma outra espécie, Hypericum androsaemum L., que pode ser encontrado nos locais húmidos e sombrios e margens dos rios do Minho, Beiras e Estremaduar (Sintra).

Identificação:  pequena planta de porte erecto atinge entre 0,30 a 0,80 cm de altura. Vivaz, perene, caule avermelhado, sub-roliço, com duas linhas longitudinais salientes, abundantemente ramificas; folhas opostas, sésseis, cobertas de glândulas translúcidas que podem ser observadas colocando-se a folha contra a luz; flores numerosas, persistentes, de coloração amarelo intenso (Junho a Setembro), grandes, 5 pétalas assimétricas, com pontuações negras ao longo da margem das flores que contêm elevadas concentrações do pigmento vermelho hipericina, estames em três feixes, cápsula ovóide, estriada e com vesículas. As flores amarelas que cheiram a limão, brotam em meados do Verão.

O hipericão cresce em maciços e a densidade da sua floração é tão intensa  que, nas grandes extensões de terreno que ocupa, faz surgir enormes manchas amarelo-douradas e avermelhadas. Na realidade, as flores estão abertas apenas um dia e murcham no dia seguinte, adquirindo as pétalas sem viço, a cor de ferrugem.

Quando as folhas são apertadas, o óleo vaza das glândulas, deixando nódoas semelhantes a ferrugem nos dedos de quem as colhe. Toda a planta exala um cheiro semelhante a terebintina.

Partes utilizadas:  folhas, sumidades floridas (na altura da floração máxima).

Componentes:  óleo essencial, hipericina, resina, tanino, vitamina C, pectina, ácidos e substâncias minerais, colina.

Propriedades:  anti-depressivo, tónico restaurador do sistema nervoso, adstingente, anti-séptico, analgésico, anti-inflamatório, cicatrizante, diurético, sedativo, vermífugo.

Origem dos nomes vulgares, lendas e histórias

As inflorescências abundantes de cor amarelo-dourado, desabrocham em pleno Verão mais concretamente por volta do dia 24 de Junho, a data em que São João Batista foi decapitado, por isso é chamado erva-de-São-João. Consta que as flores colhidas antes do nascer do sol do dia de S. João são mais poderosas e eficazes, sobretudo como protecção contra feitiçaria, fantasmas e espíritos malignos. Hypericum significa "ter poder sobre aparições".

Segundo a lenda, quem pisasse hipericão a caminho da cama, seria mantido em vigília durante toda a noite pelas fadas.

 

Também é denominada de Milfurada porque tem numerosas glândulas oleosas nas folhas, translúcidas que, observadas à transparência, se assemelham a mil pequenos oríficios, dando-lhe um aspecto perfurado.

 

Os antigos alegavam que as proriedades mágicas do hipericão eram, em parte, devidas ao pigmento vermelho- um flavenóide denominado hipericina-que escoa como sangue das flores esmagadas.

 

Culpeper escreveu: "Recomenda-se uma tintura das flores em aguardente de vinho, contra a melancolia e a loucura"

Os seus poderes curativos

Há mais de 2000 anos que o hipericão é conhecido como um remédio para curar as feridas rapidamente, actuando em particular nas zonas mais sensíveis (dedos, lábios, orelhas, olhos e cóccix), mas foi apenas recentemente que cientistas reuniram provas suficientes para comprovar a sua possível eficácia como estimulante do sistema imunológico. Agora é reconhecido como um poderoso anti-depressivo e recomendado para depressões ligeiras. Para além disso é ideal para combater a ansiedade e a irritabilidade, principalmente durante a menopausa.

A erva-de-São-João é ligeiramente sedativa. Os seus efeito anti-inflamatórios fazem dela um bom produto para tratamento de inflamações crónicas do estômago, do fígado, da vesícula e dos rins. este popular anti-depressivo também tem algumas propriedades anti-bacterianas. Alguns clínicos acreditam que esta planta actua como tratamento anti-viral, tanto assim, que é muito utilizada no tratamento da SIDA.

Mais especificamente o hipericão é recomendado em caso de:

perturbações psíquicas, estados depressivos, ansiedade e tensão nervosa . A hipericina parece interferir na actividade de uma substância química existente no corpo conhecida como oxidase de monoamina (MAO são as siglas em inglês), a qual faz com que seja um inibidor de MAO. Os inibidores de MAO são uma classe importante de medicamentos antidepressivos. Numa pequena investigação na Alemanha, 15 mulheres em tratamento para a depressão mostraram um alívio notável depois de tomarem o hipericão, incluindo um aumento de apetite, mais interesse pela vida, mais auto-estima e padrões de sono bastante mais normais. mas o Hipericão não é um antidepressivo instantâneo. De acordo com o herbolário alemão Rudolph Fritz weiss, "o efeito não é rápido...demora pelo menos dois ou três meses". Em conjunto com outras ervas já é bastante usado na desabituação de antidepressivos, sobretudo Prozac.

nevralgia periférica em diabéticos, esclerose múltipla e doença de parkinson. Auxiliar na radioterapia;

síndroma pré-menstrual e perturbações na menopausa;

feridas profundas ou dolorosas que podem envolver contusões e deslocamentos.  Vários estudos têm concordado com o uso de hipericão no tratamento de feridas. A hipericina e outras substâncias químicas antibióticas do óleo vermelho da erva podem ajudar a prevenir infecções nas feridas. Além disso, os flavenóides da planta, que potencialmente podem estimular o sistema imunológico, ajudam a desinflamar feridas. Um estudo alemão demonstrou que comparado com o tratamento convencional, o unguento (pomada) de hipericão, diminui o tempo de cura quando aplicado sobre queimaduras e aumenta consideravelmente a cicatrização;

inflamações do estômago, do fígado, da vesícula e dos rins;

infecção pelo vírus da SIDA .  A descoberta médica de maior importância ocorreu em 1988, quando investigadores da Universidade de Nova Iorque e do Instituto Weizmann descobriram que o hipericão exerce uma "dramática" actividade contra uma família de vírus que inclui o VIH (vírus da imunodeficiência humana), que provoca a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida  (SIDA). Desde essa altura, alguns pacientes tratados com esta erva têm mostrado "resultados positivos". Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que a "erva preveniu totalmente a doença"  quando se infectaram ratos com o vírus que provoca a leucemia e depois se lhes injectou extracto de hipericão. A erva teve o mesmo efeito quando se aplicou aos ratos oralmente. Experiências de laboratório preliminares indicaram uma acção semelhante sobre o vírus da SIDA. O hipericão também atravessa a barreira sangue/cérebro, o que é importante no tratamento da SIDA, já que o vírus, em geral, ataca o cérebro. O hipericão actua nos danos no sistema nervoso  e depressão na SIDA.

Desde o início de 1989, a publicação AIDS Treatment News publicou investigações sobre pacientes com SIDA que utilizaram hipericão, alguns dos quais manifestaram um reforço do sistema imunológico, aumento de peso, apetite e mais energia.

Uso doméstico:  existem evidências de que esta erva pode favorecer o sonho lúcido, um tipo de sonho no qual a pessoa consegue controlar alguns aspectos do que está a sonhar. A essência floral é usada para o medo da morte, para sonhos assustadores e para o medo de experiências fora do corpo". Esta planta também protege as pessoas demasiado abertas e vulneráveis, exercendo acção curativa e harmonizadora.

Como usá-lo

◆Para preparar uma infusão antidepressiva ou para estimular o sistema imunológico , use de uma a duas colherinhas de erva seca por chávena de água a ferver. Deixe-a em infusão de 10 a 15 minutos. tome até três chávenas por dia. o seu sabor ao princípio é doce, depois amargo e adstringente.

Em tintura, use de 1/4 a  1 colherinha até 3 vezes ao dia.

◆Para tratar feridas pode  aplicar folhas e flores trituradas sobre a zona afectada depois de lavar com água e sabão ou usar o óleo de infusão   que é a melhor preparação não só para tratar feridas, como queimaduras e úlceras e como óleo de massagem para dores de costas e nevralgias. Para o preparar colha as sumidades floridas de preferência numa manhã seca de Junho e pise-as num almofariz com uma pequena quantidade de óleo vegetal. Bata para esmagar e amaciar. Coloque a mistura num frasco de vidro claro, cubra completamente com óleo e agite bem. Deixe ao sol, agitando de vez em quando, até que o óleo se torne vermelho escuro. Coe, engarrafe, rotule e date. Frasco bem rolhado. Filtrar e aplicar com uma gaze em cima da ferida. Pode em vez de usar o óleo, preferir azeite (mais ou menos 500g de flores frescas em 1l de azeite, durante 10 dias ao sol). 

◆Para tratar a SIDA , consulte o seu médico sobre como obter o extracto estandardizado de hipericão ou para participar na investigação clínica da subtância.

Outras aplicações:

Asma.  Vinho de hipericão: macerar durante 10 dias 30g de flores e folhas em 1 l de vinho barnco; 3 copos de licor por dia. Conservar o vinho em frasco bem rolhado.

Banho tonificante para a pele . Infusão de 500g flores e folhas de hipericão em 3 ou 4 litros de água, passar pela peneira e adicionar ao banho no momento de utilização. Banho a 32ºC ou uma temperatura um pouco mais elevada.

Cistite  (inflamação dolorosa da bexiga, a maioria das vezes de origem infecciosa). Infusão com 30g de hipericão para 1l de água fervente; 1 chávena antes das refeições.

Entorse  (distensão violenta e dolorosa dos ligamentos, provocando uma lesão articular mais ou menos grave). USO EXTERNO: untar muito ligeiramente o entorse com óleo de hipericão. Cozer em lume brando, durante 3 horas, 200g de flores em 0,5l de azeite, deixar arrefecer, filtrar e conservar num frasco bem fechado ao abrigo da luz.

Frigidez / Impotência . Infusão com 20g de flores para 1l de água a ferver. Infundir 5 minutos, 1 chávena depois de jantar.

Leucorreia  (Corrimento esbranquiçado pela vulva, benigno se for passageiro e fraco, anormal se prolongar ou adquirir coloração mais amarelada ou mesmo vermelha e cheiro intenso. A causa deve ser diagnosticada. Consulte o seu médico). Infusão com 20g de flores para 1l de água a ferver. Infundir 5 minutos. Deixar amornar e coar. Beber de manhã e à noite uma chávena.

Queimadura solar . Óleo de hipericão. Macerar em 0,3l de vinho branco e 0,6l de azeite, 300g de flores secas durante 4 dias, mexendo de vez em quando, depois aquecer em banho-maria, deixar ferver muito lentamente e evaporar durante 3 horas, coar espremendo e conservar em vários frascos pequenos bem rolhados.

Úlcera cutânea  (perda se substância cutânea devido a uma má irrigação sanguínea, situada por vezes na perna depois do aparecimento de uma variz -úlcera varicosa. Infecta muitas vezes. É preciso limpá-la, secá-la e activar a sua cicatrização). Loção para lavagem de óleo de hipericão: misturar 1l de azeite, 0,5 l de vinho branco e 500g de flores frescas picadas de hipericão, pôr em banho-maria e ferver até à evaporação do vinho branco, deixar amornar e coar espremendo.

 

A Segurança acima de tudo  

O hipericão não deve ser administrado a crianças menores de dois anos. Para crianças maiores ou pessoas com mais de 65 anos comece com preparações ligeiras e torne-as mais fortes se necessário.

Apesar do hipericão ser chamado o Prozac da natureza, nunca deve ser usado sem supervisão profissional. Está contra-indicado em depressão grave, suicida e psicótica.

Ao combinarem-se certos medicamentos, os inibidores de MAO podem causar um aumento perigoso da tensão arterial (uma crise de hipertensão). Os sintomas são dor de cabeça, dor no pescoço, naúseas, vómitos e pele húmida. Nas quantidades recomendadas, a erva não é tão forte como os inibidores de MAO farmacêuticos.  No entanto, há que usar com precaução. Enquanto a usa, não tome anfetaminas, narcóticos, os aminoácidos triptofano e tirosina, comprimidos para dieta, inaladores para asma, descongestionantes nasais ou medicamentos para a gripe e febre. Além disso não beba cerveja, vinho ou café, nem coma chocolate ou produtos fumados ou em salmora.

Em gado alimentado com hipericão, a hipericina concentra-se perto da pele e provoca bolhas de queimaduras solares.

Os animais de laboratório injectados com doses altas de hipericina morreram quando foram expostos ao sol.

No entanto, o concenso científico mostra que, em doses recomendadas, o hipericão provoca pouca ou quase nenhuma fotossensibilidade, mas extractos muito fortes ou em pessoas de pele clara, que em geral são mais sensíveis à luz do sol, pode causar uma erupção fototrópica. Também pessoas que tomam tetraciclina ou outro medicamento que cause fotossensibilidade devem evitar o sol.

 

Alguns doentes com SIDA que o tomaram informam que lhes provocou sonolência, sensibilidade ao sol, naúseas e diarreia.

 

Para pessoas sãs, que não estejam grávidas nem a amamentar e que não sofram de hipertensão, nem estejam a tomar inibidores de MAO, ou medicamentos que actuem de forma negativa com estes, o hipericão é considerado seguro nas quantidades tipicamente recomendadas. No entanto apenas deve administrar-se sempre sob consentimento e vigilância médica.

Se sentir dor de cabeça, entumescimento do pescoço ou náuseas, use menos ou deixe de o usar. Se os sintomas persistirem, consulte rapidamente o seu médico.

Lonicera periclymenum

Madressilva-das-boticas

"Perfumando a Murtinheira e a Serra da Boa Viagem"

Família: Caprifoliaceae

Habitat: nativa da Europa, mas pode ser encontrada a Norte, como na Suécia ou na Noruega. Matos e ruderal; em Portugal, de Trás-os-montes ao Alentejo; até 1000m.

Identificação: de 1 a 10 m da altura. Arbusto; caule volúvel; ramos jovens com extremidades pubescentes; folhas opostas e simples, com pecíolo curto, sendo a superiores sésseis, caducas, ovais, mais claras na página inferior; flores hermafroditas, cor de marfim ou amareladas (Junho-Setembro), sésseis, agrupados em glomérulos pedunculados, em forma de trombeta; cálice curto com 5 dentes, corola tubulosa, bilabiada, com o lábio superior com 4 lóbulos curtos (quadrifendido) e o inferior inteiro, com 5 estames; fruto em forma de baga, suculento e vermelho, ovóide, com várias sementes; a polinização é feita pelas abelhas e traças; raiz com rebentos adventícios. Fragrância doce e muito agradável. Pode viver 40 anos.

Partes utilizadas: folhas, flores (Maio-Julho); secagem à sombra.

Componentes: ácido salicílico, mucilagem, essência, heterósido.

Propriedades: adstringente, anti-séptico, diurético, sudorífico.

Curiosidades

A madressilva pertence à mesma família do sabugueiro. É uma planta vivaz, cujos ramos volúveis se enrolam solidamente em redor dos seus suportes  e com flores em forma de campaínha.

O termo Lonicera foi usado por Carl Linné em 1753, adaptando ao latim o nome "Lonitzer" em homenagem ao médico e botânico Adam Lonitzer (1528-1586).

Pensa-se que periclymenon  vem do vocábulo grego perikleio , "eu agarro-me", com evidente referência à sua natureza de arbusto trepador de ramos flexíveis que podem atingir 5-6 metros.

Cresce em sebes de montanhas de baixa altitude, margens dos campos e matas  e perfuma o ar com as suas flores, a partir de Maio, sobretudo ao entardecer. É devido a estas suas aromáticas flores que a madressilva é muito apreciada como planta ornamental.

É usada pelas borboletas para colocarem os seus ovos.

Esta espécie é usada como remédio homeopatico para tratar irritabilidade súbita e explosões de cólera.

 

Pinus pinaster

  Pinheiro-marítimo

"Em todo o litoral português"

  Família: Pinaceae

Habitat e identificação:  Região  mediterrânica e litoral atlântico de Portugal, Espanha e França.

Originária do sudoeste da Europa e Norte de África. Introduzida na Bélgica, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

Frequente em solos não calcários (os solos com muito calcário solúvel, têm pH elevado)  e tem preferência por zonas onde a precipitação média anual seja superior a 800mm, com pelo menos 100 mm no período estival. Matos, matagais, terrenos incultos.

Até 1600m.

O pinheiro-bravo é uma árvore média, alcançando de 25 a 40 m de altura.  Gimnospérmica da família das pináceas tem um tronco direito, esguio de casca espessa e rugosa, de cor avermelhada ou castanho-avermelhada e fendida. Copa grande e arejada sendo nas árvores jovens piramidal e nas adultas arredondada;

Folhas persistentes, muito alongadas em forma de agulhas, rigidas, verde-esbranquiçadas, de 10 a 25 cm de comprimento, ligeiramente curvadas, aos pares, com base inclusa numa baínha membranosa. Os ramos mais jovens são espaçados e amplos.

Floração monóica (flores masculinas e femininas reunidas no mesmo pé), sendo as masculinas amareladas, com estames escamiformes, em espiga densa, e as femininas, com escamas avermelhadas, cada uma delas contendo 2 óvulos. As flores masculinas localizam-se na base dos rebentos anuais e os amentilhos femininos estão dispostos em inflorescências terminais, isto é, no topo dos rebentos anuais. A sua floração começa em Fevereiro e acaba em Março.

Pinhas cónicas, ovóides, simétricas ou quase, castanho-avermelhadas-brilhantes quando madura, de 8 a 22 cm de comprimento, escudos das escamas salientes e piramidais. Amadurecem no fim do Verão do segundo ano, libertando numerosas sementes, grandes e ovóides, com uma asa 4 ou 5 vezes mais comprida.

Propaga-se por sementes (peniscos) com facilidade, mas a maioria dos povoamentos é obtida por plantação.

Partes utilizadas:  agulhas (todo o ano), gemas (antes de desabrochar), seiva e lenho.

Componentes:  óleo essencial, resina, heterósidos, vitamina C.

Propriedades:  anti-séptico, balsâmico, diurético, excitante, expectorante, rubefaciente.

Curiosidades

O género Pinus, que faz parte da grande família das Pináceas, é o que conta maior número de espécies na Europa, pois existem cerca de uma dezena, incluindo os híbridos, cujas características bem distintas possibilitam identificá-las mediante alguma atenção. Apenas o pinheiro-bravo e o pinheiro-silvestre possuem propriedades medicinais.

O pinheiro-bravo faz parte da história natural da Península Ibérica, mas a sua área de distribuição começou a aumentar devido à intervenção humana, principalmente durante os séculos XII e XIII.

Em Portugal era uma espécie espontânea na faixa costeira a norte do Tejo, mas actualmente cresce em todo o País, principalmente no norte e centro, graças à acção do homem, adaptando-se a solos pobres mas necessitando sempre de luz e um mínimo de calor.

Nos tempos de D. Dinis semeou-se o  pinheiro-bravo na mata de Leiria, onde até então predominava o pinheiro-manso, de vegetação espontânea. Quer se deva a este rei, quer a seu pai, D. Afonso III, este famoso pinhal ocupa actualmente uma extensa área do litoral.

Árvore plantada em larga escala pois tem grande interesse económico, devido ao elevado aproveitamento da sua madeira, e também porque ajuda na fixação de dunas devido às suas profundas raízes e por ter crescimento rápido, oferecendo protecção contra ventos e permitindo a recuperação de solos que sofreram erosão, degradados por séculos de uso intensivo.

Florestalmente é uma resinosa, explorado para extracção de resina, localizada nos canais secretores do lenho, e que é recolhida por meio de incisões. Esta é usada na indústria de vernizes, tintas, aguarrás e pez.

A madeira, com abundantes nós, é pesada, pouco flexível, durável e por isso usada na construção civil e naval, em carpintaria para fazer mobiliário e na indústria da celulose.

Os produtos resultantes do pinheiro-bravo tiveram uma importância fundamental na economia do nosso país, principalmente nas comunidades rurais. Hoje em dia, esta utilização tradicional dos pinhais está a desaparecer, com o abandono dos campos e com a substituição dos pinheiros pelo eucalipto, numa procura de soluções florestais mais intensivas, para assegurar a satisfação das necessidades da indústria.

A casca do tronco é rica em tanino e é usada no curtimento de peles.

Usos

Das gemas, frescas ou secas, preparam-se, além de infusões, xaropes, pastilhas, muito utilizadas no Inverno, para tratar as bronquites, e também banhos medicinais relaxantes. A secagem é feita sobre caniços, durante um ou dois meses, ou em forno tépido.

◇Banho relaxante. 150g de agulhas de pinheiro-bravo colocadas num pequeno saco para 3l de água, ferver 30 minutos; misturar o líquido num banho muito quente, comprimindo o saco.

◇Bronquite. Uso Externo. Inalação de gemas de pinheiro-marítimo.

◇Cistite. Infusão de pinheiro-bravo, 30g de gemas para 1 l de água fervente. 3 chávenas por dia entre as refeições.

◇Gota. mergulhar as articulações afectadas num banho com 250g de gemas de pinheiro-bravo.

◇Pés húmidos e com mau cheiro. Banho com 1 Kg de agulhas em 2 l de água, ferver 15 minutos; banho de 15 minutos.

◇Reumatismo. Banho de agulhas e gemas de pinheiro.

◇Sudação. Para diminuir a produção de suor tomar um banho de 5g de agulhas para 1 l de água do banho. Preparar em 5l de decocção, que será depois adicionada à água do banho.

Rosa canina

  Silva-macha

"Tratamento para os asténicos"

  Família: Rosaceae

Habitat: Europa; frequente em Portugal nos bosques e margens dos campos, noroeste de África e Ásia ocidental; até 1600m.

Identificação: de 1 a 5 m de altura. Vivaz, caule esverdeado; ramos erectos e pendentes, providos de acúleos.

Folhas pinuladas com 5 a 7 folíolos serrados, ovais, glabros, estípulas alongadas.

Flores cor-de-rosa claro(Junho-Julho), solitárias ou em corimbo, grandes (de 2 a 8cm), sépalas triangulares, com estípulas compridas, 5 pétalas, numerosos estames,; aquénio peludo com pericarpo duro, encerrado no falso fruto ovóide, vermelho quando maduro, carnudo e liso.

Cheiro suave; sabor ligeiramente ácido.

Partes utilizadas: botões florais, folhas, fruto (Agosto-Outubro), galhas; secagem rápida depois de ter aberto o fruto e retirado os pêlos; longa conservação em local seco.

Componentes: vitaminas B, C, E, K, PP, provitamina A, tanino, pectina.

Propriedades: adstrigente, antiescorbútico, cicatrizante, diurético, laxativo, tónico.

 

O nome de rosa-cão poderá ter um sentido depreciativo por comparação com um jardim cultivado de rosas, querendo significar "inúteis" , de acordo com Vadel & Lange, 1960. Ou,  de acordo com a versão de Howard em 1987, talvez tenha este nome porque era utilizada para tratar as mordidas dos cães raivosos durante os séculos XVIII e XIX.

Foi plantada nos Estados Unidos durante a II Guerra mundial e ainda hoje se encontra ao longo da orla costeira.

Durante a guerra do Vietname era seca e fumada pelos soldados, que consideravam que esse tabaco produzia efeitos alucinogénicos.

Esta é uma das muitas espécies espontâneas que crescem nos campos europeus..

planta vivaz que pode atingir alguns metros de altura, forma na orla dos bosques barreiras impenetráveis.

Os jardineiros constroem com elas sebes decorativas para embelezar e perfumar os jardins.

Os cutivadores de roseiras utilizaram-na como cavalo de enxerto para numerosas variedades de roseiras cultivadas.

As suas flores e folhas , bem como os seus frutos denominados cinorrodos, e as galhas, excrescência que se desenvolve nos ramos após a picada de um insecto, são utilizados em medicina.Colhidos na primavera e secos á sombra, os botôes florais e as folhas são laxantes suaves; podem também aplicar-se nas feridas, como agentes cicatrizantes. as galhas, remédio muito vulgar desde a antiguidade, são, devido ao seu elevado teor em tanino, adstingentes e tónicos.

Os cinorrodos frescos são, pela sua riqueza em vitamina C, a base de um tratamento para o cansaço e o escurbuto. Libertos dos pêlos internos, podem ser utilizados em compotas, tisanas, xaropes ou para fazer marmelada. Era por isso uma planta muito utilizada em condições de escassez ou durante a guerra.

Angústia (inquietação profunda com perturbações fisiológicas como sensação de aperto na garganta e no estômago, opressão, sensação de falta de ar, acelaração do pulso e da respiração). 30g de frutos frescos ou secos, cortados em pedaços, para 1 l de água, deixar macerar durante 1 h, ferver 3 minutos e repousar 15 minutos; 1l por dia.

Astenia. Geleia de frutos de rosa-canina: colher os frutos muito maduros, cozer em lume brando apenas cobertos de água durante 30 minutos, esmagar, passar pela peneira ou centrifugar, juntar igual peso de açucar e sumo de limão, pôr de novo a cozer, mexendo sempre, durante 30 minutos, colocar em boiões e tapar.

Diarreia. Preparação para ter de reserva. Xarope de Rosa canina: esmagar 200g de frutos, espremer, ferver o sumo com igual peso de açucar, mexer até engrossar, conservar em frascos rolhados. Tomar 3 colheres de sopa para adultos, meia dose para crianças.

Fadiga. Infusão de rosa-canina, 50g de flores e folhas para 1 l de água fervente, infundir 10 minutos; 4 chávenas por dia.

Ferida. Lavar a ferida com infusão feita em 1l de água fervente de 50g de folhas de rosa-canina. Infundir 10 minutos.

Hemorragia. Qualquer hemorragia justifica uma consulta médica. Hemoptise (expectoração de sangue proveniente das vias respiratórias). Decocção de rosa-canina , 30g de frutos para 1 l de água, ferver 2 minutos.

Litíase (formação de areia ou cálculos biliares ou renais). Decocção de rosa-canina. 40g de bagas para 1 l de água, ferver 3 minutos e coar. Beber 3 chávenas por dia.

Queimadura. Uso externo. Compressas impregnadas de uma infusão de folhas e flores de rosa-canina.. 50g para 1l de água fervente. Infundir 10 minutos.

ROSMARINUS OFFICINALIS

  Alecrim

Símbolo da imortalidade e da fecundidade

Família: Lamiaceae, outros membros incluem as mentas.

Habitat e identificação : O alecrim é um arbusto silvestre muito ramificado e  aromático, que floresce quase todo o ano, comum na Europa, litoral mediterrânico e charnecas e pinhais do Centro e Sul de Portugal, preferindo solos cálcarios, terrenos secos e locais soalheiros e habitando até os 1500m de altitude.

Pode crescer entre os 0,50 a 2m de altura, os seus caules são lenhosos e folhosos; folhas pequenas e estreitas com bordos enrolados e persistentes, opostas, lanceoladas tendo a parte inferior das folhas uma cor verde-acinzentada e a superior uma cor quase prateada; flores azul claras e esbranquiçadas que florescem todo o ano.

Partes utilizadas:  folhas e flores.

 

Composição   química:  óleo volátil, incluindo cânfora, resinas, princípios amargos, ácido rosmarínico e flavenóides.

 

Propriedades:  anti-espasmódico, anti-séptico, colagogo, diurético, estimulante, estomáquico, tónico, vulnerário.

 

Curiosidades:  O alecrim tem cheiro a incenso e cânfora,  agradável e forte. Devido a este aroma os romanos designavam-no como rosmarinus , que em latim tem o significado de orvalho do mar .

O estado espontâneo confere-lhe vigor e quando tranplantado para jardins embora conserve as suas características aromáticas e conserve a sua beleza, não requerendo grandes cuidados, parece perder no entanto a sua eficácia. Pode tornar-se numa sebe, mas não convém cortar muito as partes mais velhas da planta.

As abelhas que o visitam produzem um mel de extrema qualidade e de intenso paladar, e é por isso plantado perto de apiários para influenciar o seu sabor.

O nome alecrim é por vezes usado para referir outras espécies como o rosmaninho. No entanto pertencem a géneros completamente diferentes, respectivamente, Rosmarinus e Lavandula, sendo morfologicamente distintos.

Lendas e histórias

Os atributos do alecrim foram muito apreciados na Idade Média e Renascimento. Na Idade Média , a associação do alecrim com o casamento deu origem ao seu uso como amuleto para o amor. Se uma pessoa jovem tocava outra com alecrim em flor, o casal, ficaria enamorado. Colocada debaixo da almofada acreditava-se que eliminava pesadelos e semeada à volta da casa espantava as bruxas.

Fala-se que a rainha Isabel da Hungria, septuagenária e enfraquecida pela doença (estava paralítica e sofria de gota), recebeu de um monge a receita de uma solução rejuvenescedora, que ela própria preparava, e que consistia apenas na mistura de alcoolatos de alfazema, alecrim e poejo. Esta é a famosa fórmula da "Água da Juventude", a "Água da Rainha da Hungria" que lhe permitiu recuperar a saúde, a alegria e beleza de tal forma que o rei da Polónia chegou a pedi-la em casamento.  Este preparado rejuvenescedor está ao alcance de qualquer pessoa.

Em Inglaterra durante o século XVII, se as mulheres semeavam alecrim à volta de casa, os homens ficavam preocupados, porque significava que a mulher mandava no lar. Para resolver a questão, os homens arrancavam furiosos as plantas de alecrim. Que problemas conjugais deviam existir nessa altura!

Com o passar dos séculos, incorporou-se nas cerimónias matrimoniais como símbolo de fidelidade entre marido e mulher e nos funerais, para que os vivos recordem os mortos. Em Hamlet, Ofélia oferece a Hamlet uma varinha e diz-lhe:"Aqui tem alecrim...para se recordar".

Madame de Sevigné, recomendava água de alecrim contra a tristeza.  

Os Espanhois dizem que foi o alecrim que protegeu a Virgem Maria na sua fuga para o Egipto, e que, quando o seu manto roçava as flores brancas estas iam ficando azuis. 

Reza a história que quando Maria fugiu para o Egipto, levando ao colo o menino Jesus:" As flores do caminho se iam abrindo à medida que eles passavam por elas. O lilás ergueu os seus galhos orgulhosos e emplumados, o lírio abriu o seu cálice. O alecrim, sem pétalas nem beleza entristeceu lamentando não poder agradar o menino. Cansada, Maria parou à beira do rio e, enquanto a criança dormia, lavou as suas roupas. Em seguida, olhou em seu redor, procurando um lugar para estendê-las. O lírio quebraria sob o seu peso, o lilás era alto demais. Colocou-as então sobre o alecrim e ele suspirou de alegria, agradeceu de coração a oportunidade e sustentou as roupas ao sol durante toda a manhã".

-Obrigado, gentil alecrim! Daqui por diante ostentarás flores azuis para recordarem o manto azul que estou usando. E não apenas flores te dou em agradecimento, mas todos os galhos que sustentarem as roupas de Jesus, serão aromáticos. Eu abencôo folha, caule e flor, que a partir deste instante terão aroma de santidade e emanarão alegria-disse Maria."

 

Em tempos idos a resina de alecrim era queimada nos quartos dos doentes para purificar o ar.

Durante a peste, as pessoas carregavam paus com ramos de alecrim na extremidade e saquinhos de alecrim ao pescoço, paro o cheirar quando fossem passar por zonas suspeitas.

O alecrim é até hoje queimado nas igrejas como incenso e o mesmo uso é dado nos cultos de religiões africanas, que também o utiliza para banhos.

Há milhares de anos antes de existir a refrigeração , os povos antigos envolviam a carne em folhas moídas de alecrim para a conservar e adquirir um aroma fresco e sabor especial. E até hoje o alecrim é apreciado na preparação de aves, caça, carne de porco e especialmente em Itália é muito utilizado em assados de carneiro, cabrito e vitela. A Wikipédia, enciclopédia livre, recomenda espalhar sobre as brasas de carvão aceso num churrasco para perfumar a carne e difundir um agradável odor no ambiente.

Pode utilizar-se os caules para espetar neles a carne par cozinhar na grelha ou queimá-los para afastar os insectos.

A capacidade do alecrim para conservar carne provocou a crença de que ajudava a conservar a memória. Os estudantes gregos usavam grinaldas de alecrim para os ajudarem a recordar-se.

Utilização e aplicações medicinais

Partes usadas: flores e folhas

Componentes: óleo essencial, ácidos orgânicos, heterósidos, saponósidos e colina.

Propriedades: antiespasmódico, anti-séptico, colagogo, diurético, estimulante, estomáquico, tónico,  vulnerário, aromático, narcótico.

O alecrim actua sobre o sistema nervoso sendo um excelente tónico para os nervos,  estimula os asténicos, fortalece a memória enfraquecida e eleva o moral dos deprimidos, sendo também empregue para combater febres intermitentes, febre tifóide, tosse convulsa, tosse pertinente, gripe, asma e dificulades digestivas.

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- Previne a intoxicação alimentar:  uma das razões porque a carne apodrece é porque as gorduras se oxidam e se tornam rançosas. O alecrim e o seu óleo contêm substâncias químicas altamente antioxidantes; inclusivamente podemos comparar o seu poder de preservar com os conservantes alimentares comerciais como o BHA e o BHT.

A acção conservante do alecrim pode ajudar a prevenir a intoxicação alimentar. A próxima vez que for a um piquenique misture as folhas trituradas generosamente no seu hambúrguer, atum, pastas e saladas.

-Auxiliar digestivo: o alecrim pode ajudar a relaxar o suave revestimento muscular do aparelho digestivo (é um antiespasmódico).

-Descongestionante: ajuda a aliviar o congestionamento das vias respiratórias (devido a catarro, gripe ou alergias).

-Prevenção de infecções:  o alecrim contém as substâncias químicas que podem ajudar a combater as bactérias e fungos que provocam infecções e intoxicações alimentares. Para as feridas pequenas, esfregue as folhas trituradas de alecrim fresco sobre a pele antes de as lavar e tapar.

-Saúde feminina: os antiespasmódicos não só relaxam o aparelho digestivo como também outros músculos suaves, como o útero. Como antiespasmódico em teoria o alecrim acalma o útero, mas os investigadores descobriram que sucede exactamente o contrário.

As mulheres grávidas devem evitar a todo o custo a preparação à base desta erva; as outras podem utilizar o alecrim para induzir a sua menstruação.

Como usá-lo:

Normalmente usa-se uma colherinha de alecrim triturado (mais ou menos 4 gramas de folhas) por cada chávena de água a ferver. Deixar em infusão de 10 a 15 minutos e beber até 3 chávenas por dia, de preferência após as refeições.

◆Aftas. Deixar de molho 1 punhado de folhas ou flores de alecrim em 100 ml de álcool a 75º durante oito dias. Coe e reserve. Tomar 15 gotas diluídas em meio copo de água, três vezes ao dia.

Asma.  Uso externo: cigarro de folhas secas e trituradas de alecrim, de eucalipto (Eucalytus globulus Labill.), de salva (Salvia officinalis L.-erva-santa, salva-mansa), de trevo d`água (Menyanthes trifoliata L.-fava-d`água, trevo dos charcos) e de tussilagem (Tussilago farfara L.-unha-de-cavalo, unha-de-asno, erva-de-são-quirino, farfara).

Astenia.  Vinho fortificante que deve ser conservado em frasco bem rolhado e ingerido em doses de 1 cálice de licor.

Vinho de alecrim e salva: num recipiente de barro colocar 20g de folhas de alecrim e 20g de folhas de salva, adicionar 1 litro de vinho tinto e uma colher de sopa de mel, aquecer 30 minutos em banho-maria, deixar repousar, arrefecer e filtrar; beber antes das refeições.

Para evitar a queda de cabelo.  Maceração composta de 60g de folhas secas e picadas de buxo e 60g da planta de alecrim.15 dias em 1l de álcool a 60º, mexer frequentemente e coar; friccionar 2 vezes por dia.

Depressão.  Infusão de 20g de flores de alecrim para 1 litro de água fervente, infundir 10 minutos. Beber 2 chávenas por dia.

 Em caso de insónia, para um sono reparador, tomar uma dessas chávenas ao deitar.

Colesterol.  Beber 2 copos por dia durante 20 dias:vinho de alecrim, 40g de flores secas em 1 litro de vinho tinto, macerar durante 3 ou 4 dias e filtrar.

Torcicolo.  USO EXTERNO.Compressas embebidas numa decocção quente de alecrim. 50 gramas para 1 litro de água, ferver 15 minutos e coar; cobrir com um xaile de lã. Aplicar 2 vezes por dia.

Memória. Tomar 3 chávena por dia , 10 dias por mês, durante 3 meses:infusão de 30g de flores de alecrim para 1 litro de água fervente, infundir 10 minutos e coar.

Restabelecer o equilíbrio do sistema nervoso.  Infusão de 20g de flores para 1 litro de água fervente; infudir 20 minutos.beber 2 chávenas por dia.

Para as peles com tendência oleosa.  USO EXTERNO. Loção com: 50g de flores para 1 litro de água fervente, infudir 10 minutos.

Rugas.  Colocar todas as noites sobre sobre o rosto e pescoço bem limpos compressas molhadas em: infusão de 50g de flores e folhas de alecrim para 1 litro de água fervente; infudir 10 minutos.

Usado em banhos para aliviar as dores reumáticas.  Fazer uma infusão concentrada da planta em 3 ou 4 litros de água que, depois passados por uma peneira, se adiciona ao banho no momento de utilização. Para o banho de um adulto são necessários normalmente 500g de planta.

NO SEU JARDIM

DESCRIÇÃO

CONDIÇÕES DE PLANTAÇÃO

CUIDADOS GERAIS

ÉPOCA E TIPOS DE PODA

MÉTODOS DE PROPAGAÇÃO

ALTURA E DIÂMETRO (PORTE)

EXPOSIÇÃO

RESISTÊNCIA AO FRIO

ÉPOCA DE FLORAÇÃO

OBSERVAÇÕES

Forma bonitas sebes.Fica muito bem cultivado junto de muros floridos e em jardins rochosos em zonas de clima ameno

Coloque turfa nas covas de plantação, juntando um pouco de adubo de decomposição lenta ou superfosfato. plante em qualquer solo, mesmo cálcário, em local soalheiro, entre Outubro e Março.

Uma vez estabelicido, o alecrim requer poucos cuidados. No entanto não deixe que o solo seque no Verão. Regue bastante na Primavera e, para manter a humidade do solo espalhe sobre ele  uma cobertura mulching.*

Corte os ramos queimados pela geada ou mortos em Março-Abril. Corte os caules desalinhados e talhe até metade os caules lenhosos dos exemplares mais velhos.

Estacaria lenhosa de 20-50cm de comprimento em Setembro-Outubro ou Fevereiro-Março. Estacaria semi-lenhosa de 10 cm de comprimento entre Julho e Setembro.

A-1,50-2m

D-1,50-1,80m

Sol

Boa

Fevereiro-Outubro

Muito bom para cultivar perto do mar. Forma uma bonita sebe livre.

* Turfa, folhas secas, composto ou casca de árvore estilhaçada-retém a humidade do solo e evita o aparecimento de infestantes.A cobertura de 5 cm de espessura, biodegradável , melhorará química e físicamente o solo, pois vai sendo gradualmente absorvida por ele.

 

A segurança acima de tudo

As quantidades alimentares de alecrim, não representam perigo nenhum, mas pequenas quantidades do seu óleo podem causar irritação no estômago, rins ou intestinos. Quantidades maiores podem causar envenenamento.

Se causar moléstias menores como mal-estar gástrico ou diarreia deixe de o usar ou use menos.

Em altas doses pode ser tóxico e abortivo.

Pesquisa do Google: Primavera-canção do alecrim. Recorde a sua infância.

Sambucus nigra L.

Sabugueiro

A árvore da Idade da Pedra

Família: Caprifolaceae ou Adoxaceae (na nova classificação)

Habitat:  nativa da Europa central e do Norte de África; em Portugal é cultivado, surgindo também espontâneo.   Encontrada em algumas regiões do Brasil e Rio Grande do Sul. Matas, caminhos, estradas, bosques  húmidos, beira de ribeiros, terras baldias.

Identificação:  de 2 a 5 m ,por vezes 10m de altura. Arbusto ou árvore; caule com casca cinzento-acastanhada, verrugosa, ramos fracos e quebradiços, com medula branca; folhas pecíoladas, com 5 a 7 folíolos, compridos e serrados, ; flores cor de pérola  (Março-Junho), pequenas e numerosas, em cimeiras corimbiformes planas, com 5 raios principais, 5 sépalas, 5 pétalas, 5 estames com anteras amarelas, 3 carpelos, 3 estigmas sésseis; baga ou fruto que surge logo após a floração de cor roxo escuro, quase preto, esférico e sumarento, com 3 sementes. Perfume leve, doce; sabor acídulo.

Notas:

Peciolado: provido de pecíolo. O contrário de séssil.

Pecíolo: a parte da folha que suporta o limbo.

Limbo: parte mais larga de uma folha, de uma pétala ou de uma sépala.

Folíolo: divisão de uma folha composta. Tem o seu próprio limbo preso ao pecíolo principal, preso por um peciólulo. Os folíolos podem distinguir-se das folhas pela inexistência do gomo na axila do peciólulo.

Peciólulo: pecíolo de um folíolo ou ramificação do pecíolo principal numa folha composta.

Cimeiras: inflorescência em que o eixo principal está pouco desenvolvido em relação aos eixos laterais, terminando todos por uma flor.

Corimbo: tipo de florescência com pedicelos desiguais, permitindo que as flores fiquem todas à mesma altura.

Pedicelos: ramificação de um pedúnculo que liga cada flor ao eixo comum da inflorescência.

Sépala: Peça do cálice, primeiro invólucro floral.

Estames: folha floral masculina, cujo conjunto constitui o androceu.

Antera: parte superior dilatada do estame. A antera contém as células mães dos grãos de pólen, os quais formarão os gâmetas masculinos. Está dividida interiormente em quatro sacos polínicos que se agrupam formando duas cavidades.

Carpelo: folha floral que produz os óvulos.

Estigmas:parte superior do estilete, que recebe os grãos de pólen nas Angiospérmicas.

Angiospérmicas: subdivisão do reino vegetal que compreende as plantas cujos óvulos estão encerrados num ovário fechado com estigma. Ex: cerejeira, pessegueiro, , pereira, etc.

Séssil: directamente ligado ao caule, sem pedúnculo (flor séssil) ou sem pecíolo (folha séssil). Por vezes as flores e as folhas são subsésseis, isto é, suportadas por um pedúnculo ou um pecíolo quase imperceptíveis.

Partes utilizadas:  flores frescas ou secas (mais saborosas quando secas), folhas (menos utilizadas), frutos maduros, segunda casca seca (secar ao ar).

Componentes:  esteróis, óleo volátil (flores), alcalóide, heterósido, tanino, mucilagem, vitamina C (bagas), flavonóides, e glicósidos cianogénicos (sementes e casca) e resina (casca). As flores são ricas em óleos essenciais que contém ácido lanoleico e mucilagem, esteróides, flavonóides, rutina, açucar e pectina.   As bagas contêm açucar, ácidos de fruta, vitaminas A e C e bioflavenóides .

Propriedades:  anti-inflamatório, depurativo, diurético, emoliente, laxante, adstringente, anti-viral.  As flores são anti-inflamatórias e diaforéticas.

Lendas e Histórias

A história do sabugueiro é, sem dúvida, tão longa como a do homem, pois foram encontrados alguns vestígios desta  árvores em estações arqueológicas da Idade da Pedra na Suíça e no Norte da Itália.

Sabe-se também que os gregos na Antiguidade bem como os habitantes da antiga Roma a utilizavam vulgarmente para fins medicinais, culinários e cosméticos.

Diz-se que da sua madeira foi feita a cruz onde Cristo morreu. A lenda vem talvez porque ao espremer o fruto de Sabugueiro escorre um liquído vermelho-sangue.

A árvore está associada com o sobrenatural. O sabugueiro encontra-se frequentemente na Europa próximo das povoações, porque outrora era ali plantado para atrair os espíritos do bem. Diz-se que o espírito do sabugueiro é forte e protector e que tem que se lhe pedir autorização antes de o cortar, para que o seu espírito não procure vingança.

Segundo lendas, nas noites quentes de Verão, estas são as árvores favoritas das fadas, devido à luminosidade das suas belas flores.

A partir do século XVI, popularizou-se como planta decorativa.

Nos meios rurais, as crianças fazem apitos com a madeira quebradiça e leve do sabugueiro. Esta medeira, fácil de talhar é também muito usada no fabrico de caixões e cruzes para decorar supulturas.

No Norte da Europa está associada à deusa Holda, deusa da morte e da fertlilidade,  havendo quem em seu nome pratique rituais de origem pagã.

As suas propriedades medicinais são inúmeras: as flores, as bagas, as folhas e a segunda casca fazem parte de grande número de preparações.

Com os seus frutos preparam-se doces com uma bela cor vermelho-violácea.

Esta planta é muito versátil: existem , pelo menos 50 receitas tradicionais com flores e bagas de sabugueiro. O vinho e o tónico da flor de sabugueiro feito com água, açucar, laranja e limão às fatias e flores frescas de árvores diferentes, para que os sabores mais ou menos doces se misturem, são bebidas refrescantes de Verão.

As flores podem ser adicionadas a saladas, fritas, transformadas em doce de flor de sabugueiro e groselha, na confecção de gelados de água  e arroz-doce (aquecer junto com o leite e coar sem deixar ferver). As flores são também utilizadas para a conservação das maçãs, devendo ser colocadas em camadas alternadas em caixas de cartão, que seguidamente se fecham.

As bagas fazem um óptimo vinho, tipo vinho do Porto. E também servem para fazer chutney , um condimento picante de bagas de sabugueiro e outros frutos silvestres.

Das flores também se faz champanhe e vinho, vendido em muitos pubs ingleses.

Das folhas faz-se uma decocção forte que se usa como insecticida de contacto para infestações de pulgão das roseiras.

Na tinturaria as bagas são usadas para obter uma cor violeta e as folhas verde amarelado.

As flores em cosmética são utilizadas no fabrico de cremes para peles sensíveis e sabonetes e a água das flores é um agradável after-shave.

Utilização e aplicações medicinais

Os sabugueiros têm tantas aplicações medicinais que eram tradicionalmente conhecidos como "a farmácia dos pobres", por fornecerem uma cura barata para todos os males. Pesquisas recentes revelaram que as bagas são anti-virais.

A casca é usada como laxante. As flores são adicionadas a receitas para hipertensão arterial. Elas são ricas em flavonóides, favorecem a estimulação dos fagócitos, contribuindo para o reforço geral do sistema imunitário, tornando-o mais resistente.

Promove a transpiração e a eliminação de liquídos, essenciais no alívio da febre. É muito utilizado em inflamações da faringe e laringe, com acção anti-edematosa das mucosas das vias respiratórias.

Usos Internos

Usos externos

As flores: protegem as mucosas da garganta e do nariz, aumentando a resistência às infecções, ajudando mesmo no caso de dores de ouvidos associadas a constipações. Para sinusite, febre dos fenos, no alívio da tosse,  como infusão quente para baixar a febre, promovendo a sudação; constituem  aliás um diforético suave e eficaz e por isso são também apropriadas para febres infantis e para constituições débeis.

Os bioflavenóides ajudam a melhorar a a circulação.

Estimulam a excreção de urina, ajudando a eliminar as toxinas do organismo, sendo portanto úteis em casos de artrite, gota e reumático.

As bagas, em decocção ou xarope, previnem constipações e outras infecções virais, como um remédio para a tosse, como laxante suave, e com sementes de funcho para a ciática.

A infusão de flores em vinagre, pode ser utilizada em gargarejos contra dores de garganta e amigdalites.

A infusão de flores numa compressa para conjuntivites e aftas ou simplesmente para lavar olhos irritados e inflamações da boca.

Como creme para pele irritada, mãos encieiradas e ânus com prurido.

As folhas podem ser transformadas num unguento para hemorróidas dolorosas.

Abcesso.  Uso externo. Para amadurecer o abcesso e acalmar a dor. Cataplasma de folhas de sabugueiro trituradas com sal e vinagre.

Arteriosclerose. Decocção de sabugueiro, 50g para 1l de água, ferver para reduzir a metade do volume. Beber em 3 vezes num só dia.

Bronquite . Infusão de sabugueiro, 50g de flores secas para 1l de água fervente, infundir 10 minutos.

Constipações e gripes: infusão de flores de sabugueiro, hortelã-pimenta e milfolhada (Achillea millefolium), em partes iguais, tomar 3 chávenas por dia como prevenção. Beber sem restrições como tratamento de estados febris.

Cistite . Vinho de sabugueiro, 3 punhados de casca inteira em 1l de vinho fervente, mexer, macerar durante 2 dias e coar; 2 copos pequenos por dia.

Coração . Vinho de sabugueiro, 200g da segunda casca seca em 1l de vinho tinto, macerar durante 48 horas, filtrar e só ingerir no dia seguinte, 2 copos pequenos por dia.

Cura da  Primavera  (curas revigorantes para desintoxicar o organismo, forçando-o a eliminar as suas toxinas. duração de 3 semanas). Infusão de sabugueiro. 5g de flores secas numa chávena de água fervente, coar sem infundir. Beber 1 chávena de manhã e uma chávena à noite.

Fígado. Infusão de sabugueiro, colocar 50g de flores em 1l de água fervente, mxer, não deixar infundir e filtrar.

Frieira.  Decocção de sabugueiro, 30g de flores secas para 1l de água, ferver 10 minutos, infundir 10 minutos; utilizar quente para lavar ou banhar as zonas afectadas.

Gota.  Decocção de sabugueiro, 70g da segunda casca para 1l de água, ferver 2 minutos e coar; somente 2 copos pequenos por dia.

Hemorróidas . Uso externo. Compressas embebidas em: infusão de sabugueiro, 80g de flores para 1l de água fervente, infundir 10minutos.                                                                                                                                                                                                          

Obstipação.  Decocção de sabugueiro. 80g de bagas secas em 1l de água, ferver 3 minutos e coar; meio copo em jejum e meio copo ao deitar .

Olhos. Loção para olhos irritados e fatigados. Lavar os olhos e depois conservar sobre cada um durante 15 minutos uma compressa impregnada de uma infusão de sabugueiro, 50g de flores para 1l de água fervente, infundir 15 minutos e filtrar.

Pele . Para amaciar a pele. Uso externo. Loção de sabugueiro, infundir durante 10 minutos, 100g de flores em 1l de água fervente.   A água de flor de sabugueiro é um adstringente suave para pele irritada e oleosa.

Picadas de abelhas e de vespas. Esfregar com folhas de sabugueiro.

Pontos negros . Uso externo.Loção de lavagem. Infusão de sabugueiro, 100g de flores frescas para 1l de água fervente, tapar e infundir 10 minutos, mexendo sempre.

Queimadura.  Uso externo. Compressas impregnadas de óleo de dormideira onde se maceram folhas frescas esmagadas de sabugueiro.

Reumatismo  .Mergulhar a rticulação dorida num banho de composto de 30g de alecrim e 20g de sabugueiro, fervidos com um punhado de sal grosso.

Sudação.  Para provocar a sudação. Uso interno. Infusão de sabugueiro, 40g de flores secas para 1l de água fervente, infundir 10 minutos.

Tabagismo.  Podem fumar-se folhas sãs e secas de sabugueiro para ajudar a vencer o hábito de fumar e lutar contra as afecções da boca.

Terçolho.  Banho para os olhos.Infusão  de sabugueiro, 100g de flores frescas ou secas para 1l de água fervente, infundir 10 minutos. Filtrar cuidadosamente e usar fria.

Para prevenir infecções de Inverno ou adicionar a xaropes ou chás para tosse  ou constipações:

Para o xarope de bagas de sabugueiro:

-Ripe as bagas dos pés com um garfo, esprema o sumo, usando por exemplo, uma prensa de vinho. Junte pimenta-da-jamaica (1 colher de chá -5ml- por cada litro de sumo de bagas de sabugueiro) e  gengibre ( menos de meia de colher de chá -2ml- por cada litro de sumo de bagas de sabugueiro). ferva em lume muito brando até ficar da consistência de melaço. Engarrafe e guarde em local fresco.

Este xarope é excelente só por si para prevenir infecções de Inverno .

A segurança acima de tudo

Salix Alba

Salgueiro-branco

O salgueiro de longas folhas nas Lagoas de Quiaios

Família: Salicaceae

Habitat e identificação:  Europa, bosques húmidos, ribanceiras; em Portugal, sobretudo nas zonas do centro e do sul, margens dos rios, vales; até 1800m.

Os salgueiros incluem plantas de porte muito diverso, desde plantas rastejantes, a arbustos e árvores de porte considerável. Casca gretada quando velha, ramos erectos, flexiveís, ramos jovens guarnecidos de pêlos finos; folhas com pecíolo curto, lanceoladas, acetinadas, prateadas pelo menos na página inferior, bordos inteiros ou serrados; flores amarelas ou esverdeadas (Abril-Maio), dióicas,  e numerosas sementes.  Inodoro; sabor amargo.

Componentes:  salisilatos, taninos e flavenóides.

Propriedades:  adstringente, anti-inflamatório, anestésico,  antiespasmódico, anti-reumatismal, febrífugo,  hemostático, sedativo, tónico.

Partes utilizadas:  casca, flores, botões, rebentos.

Descrição geral:  o género Salix, cujo nome se pensa vir do celta, querendo significar  "próximo da água",  é constituído por centenas  de espécies difíceis de determinar, das quais algumas, de menor porte, resistem ao frio e aos climas de altitude. Algumas espécies cruzam-se de tal maneira que é difícil distingui-las.

De entre os salgueiros da Europa, o maior e mais comum no estado espontâneo é o salgueiro-branco. Planta característica de zonas temperadas como o centro e sul da Europa, o Norte de África, o este asiático e naturalizada na América do Norte. O seu nome deriva das folhas, que são mais claras que a maioria dos salgueiros, devido a uma cobertura muito fina e acetinada, prateada na sua parte inferior. As folhas têm de 5 a 10 cm de comprimento e de 1 a 1,5cm de largura.. Necessita de estar em locais húmidos e não resiste a temperaturas extremas. É uma árvore caducifólia que chega a atingir 20 a 30 metros de altura, de crescimento rápido mas vida curta porque é susceptível a várias doenças.

Porém, o salgueiro mais conhecido é uma variedade do salgueiro-branco, uma espécie cultivada, hibrído entre o salgueiro-branco e o salgueiro-da-babilónia (Salix babylonica L.), o famoso chorão, com longa ramagem pendente. Com os seus ramos descaídos, o chorão é uma árvore associada ao luto.

O salgueiro-dourado , Salix alba "Vitellina", é outra variedade do salgueiro-branco.

O salix nigra ou salgueiro-preto é uma espécie americana, mais pequena que o salgueiro-branco e com casca dura e cinzenta,  muito cultivada em parques e jardins de muitos países.

Partes utilizadas:  casca, flores, botões, rebentos.

Histórias e curiosidades

Deus aconselhou Moisés a usar as cascas e folhas de salgueiro.

Hipócrates, no séc. V a.C. prescrevia chá de folhas e casca para dores de parto, cefaleias, febre e alívio de dores reumáticas.

Em 50 aC Caius Plinius Secundus escreve sobre os usos terapêuticos das folhas do salgueiro.

Os médicos da Antiguidade recorriam com frequência ao salgueiro, sem contudo precisar quais as espécies utilizadas; com efeito, todos os salgueiros de folhas estreitas têm na prática propriedades medicinais idênticas.

Os antigos egípcios usavam as sementes de salgueiro em unguentos para articulações inflamadas e em cataplasmas para acelarar a consolidação óssea. Eles misturavam as folhas queimadas do salgueiro com óleo de rosas para tratar doenças de pele inflamada e com escaras.

 

Mattioli assinalava, no século XVI, a eficácia das folhas de salgueiro contra as insónias; no século XVII. A dada altura, a sua casca era utilizada como febrífugo, para febres crónicas e recorrentes, mesmo para a malária. Sabe-se actualmente que este efeito se deve à sua riqueza em ácido salicílico. Foi suplantado pela casca da cinchona ou quina (a fonte de remédio quinina).

Em 1753 Edward Stone descreve os efeitos antipiréticos da casca do salgueiro.

Os índios nativos americanos faziam uma mistura para fumar com raspas da casca de salgueiro e com folhas de uva-ursina, devido ao seu aroma agradável. Também usavam a casca do salgueiro para combater cefaleias, febre, dores musculares e reumatismo.

Os amigos do poeta romântico Alfred de Musset plantaram um salgueiro-branco, após a sua morte, junto do seu túmulo, no cemitério do Pére-Lachaise, em Paris, cumprindo um pedido que o poeta lhes fizera numa estrofe melancólica.

 

Há quem use a essência floral de salgueiro, preparada a partir das flores do salgueiro-dourado, para ajudar pessoas agressivas e que se tornaram amargas a serem mais flexíveis.

Dos ramos do salgueiro preparam-se tradicionalmente vimes usados na cestaria e mobiliário artesanal.

Os tacos de críquete são feitos a partir do salgueiro-inglês, Salix alba  "Caerulea", porque a sua madeira é leve e difícil de rachar.

A Salicilina

Do extracto activo da casca, a salicilina, por hidrólise e oxidação, provém o ácido salícilico, que pode causar hemorragias e é irritamte do aparelho gastro-intestinal. Conjuntamente com sódio e cloreto de acetona forma-se o ácido acetilsalicílico, comercializado com o nome de aspirina pela farmacêutica alemã " Bayer" desde Março de 1899. Em 1999 a aspirina completou portanto 100 anos de sucesso sendo o fármaco mais popular em todo o mundo, do grupo das antiinflamatórios não-esteróides (AINE), usada no tratamento de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.   Foram as primeiras tabletes da história da medicina!

Em 1930 a invenção do gastroscópio mostrou lesões no estômago, provocadas pela aspirina. Muitas pessoas não toleram a aspirina mesmo em baixas doses, não sendo recomendada a quem tem problemas gástricos, biliares e renais.

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MECANISMO DE ACÇÃO: a aspirina interfere na síntese da prostaglandina (o hormônio responsável pela dor e inflamação) por inibir a enzima ciclooxigenase. Os efeitos antipiréticos resultam da inibição da síntese da prostaglandina no hipotálamo. A aspirina também aumenta a vasodilatação e o suor. A inibição da ciclooxigenase também resulta numa diminuição da agregação de plaquetas no sangue, prolongando o sangramento.

FARMACOCINÉTICA:  a aspirina é rapidamente absorvida no trato gastrointestinal. O fármaco é parcialmente hidrolizado para o salicilato na primeira passagem pelo fígado e amplamente distribuida pela maioria dos tecidos. Efeitos tóxicos relevantes somente ocorrem de a dosagem for maior que 400mg/ml de sangue. A aspirina é metabolizada para salicilato (99%), e o tempo de meia-vida na eliminação é de 15 minutos.

Salicilato e seus metabólitos são excretados primariamente pelos rins.

CONTRAINDICAÇÕES:  não deve ser administrada em crianças com varicela (pode provocar a síndrome de Reye).

Pode prolongar hemorragias, pois inibe a coagulação plaquetária; não deve ser ministrada a pacientes com hemofilia. Pode agravar casos de úlcera gástrica ou péptica. Se consumida com álcool, regularmente, pode vir a provocar u lcerações.

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Remédios caseiros

-Estado febril: vinho medicinal de salgueiro-branco macerando durante 2 semanas 40g de casca seca e moída em 1 litro de vinho tinto e coar; tomar 2 copos pequenos por dia.

-Nervosismo: Infusão de salgueiro-branco, 40 g de folhas e de amentilhos para 1l de água fervente, infundir 10 minutos.

-Pés doridos: banho de salgueiro-branco, 60g  de casca para 1l de água, ferver 10 minutos, infundir 10 minutos, adicionar 2l de água muito quente; conservar os pés no banho durante 10 minutos.

-Para peles com tendência oleosa: loção de salgueiro-branco, ferver durante 10 minutos 50g de casca em 1l de água.

-Psoríase. Uso interno: decocção de salgueiro-branco, 40g de casca seca para 1l de água, ferver 5 minutos, infundir 10 minutos.

-Reumatismo. Crises dolorosas: beber decocção  de 20g de casca de salgueiro-branco feita em 1l de  água fervente, ferver 10 minutos, infundir 5 minutos.

-Para  um sono reparador: 40g de folhas de salgueiro-branco para 1l de água fervente, tomar 1 chávena ao deitar.

-Úlcera cutânea. Uso externo: fazer cataplasmas com decocção de salgueiro-branco, 50g de casca para 1l de água, ferver 20minutos.

Outros usos:

Internos:

-para dores de cabeça: chá de casca de salgueiro e alecrim em partes iguais;

-para naúseas e arrepios: decocção de casca de salgueiro e gengibre em partes iguais, adicione mel e beba lentamente.

Externos:

-para eliminar a caspa: aplicar uma tintura ou decocção forte no couro cabeludo.

A segurança acima de tudo

As pessoas alérgicas a aspirina e a outros salicilatos devem evitar a casca de salgueiro.

Smilax aspera

Salsaparrilha-bastarda

Salsaparrilha: nome da famosa bebida refrescante Espanhola semelhante à Coca-Cola.

Família: Liliáceas

Habitat e identificação: Smilax aspera  é uma variedade europeia espontânea no centro e sul de Portugal e em Espanha embora existam mais de 200 espécies de salsaparrilha, algumas delas medicinais, em diversas zonas geográficas do globo como no Brasil, México, Jamaica e em outras regiões, normalmente quentes e húmidas. Até 300m.

Planta que prefere o calor, de 1 a 2 m de altura que se prende a árvores, arbustos e muros na região mediterrânica; caule sinuoso, fino, lenhoso e provido de acúleos; folhas triangulares, persistentes, pecioladas, brilhantes, maculadas de branco ou preto, aculeadas, com 5 a 7 nervuras e 2 gavinhas na base do pecíolo; flores branco-esverdeadas (Agosto-Outubro), em umbelas simples na axila das folhas e na extermidade dos ramos, 6 peças petalóides, patentes, flores masculinas: 6 estames, flores femininas: ovário com 3 estigmas; baga vermelha  com as dimensões de uma ervilha, muito semelhante às da groselheira, com 1 a 3 sementes redondas e castanhas; rizoma lenhoso, geralmente muito comprido, com raízes adventícias, raízes branco-acinzentadas ou castanhas.  Cheiro agradável.

O nome científico qualifica-a como rude e áspera.

Notas:

Acúleo: protuberância rígida e pontiaguda da casca que se desenvolve à superfície dos caules e se arranca com facilidade, ao contrário dos espinhos, que estão ligados ao sistema vascular da planta e por isso oferecem mais resistência.

Adventícia: que se desenvolve no caule ou na axila das folhas e tem uma dupla função, a de suporte e a de nutrição.

Estames: folha floral masculina cujo conjunto constitui o androceu.

Estigmas: parte superior do estilete que recebe os grãos de pólen nas Angiospérmicas. É muitas vezes guarnecido de papilas que segregam um liquído açucarado que propícia a fixação e a germinação do grão de pólen.

Gavinha :apêndice filiforme de origem foliar ou caulinar que pode enrolar-se em volta de um suporte. São também gavinhas os ramos com folhas muito pequenas como os da vinha. A gavinha é o meio de apoio do caules trepadores, que não são volúveis nem possuem espinhos, acúleos ou raízes laterais.

Panícula: inflorescência grande, muito ramificada, que corresponde a um cacho composto. Os ramos decrescem da base para o ápice.

Partes utilizadas:  raíz

Componentes : Glúcidos, colina, saponósidos, tanino, sais minerais (potássio, cálcio).

Propriedades : Depurativo, diurético, sudorífico.

Com os seus parentes exóticos, a salsaparrilha-bastarda possui propriedades depurativas, diuréticas e sudoríficas, porém em menor grau.

Depurativa   do sangue, combate a gota, ácido úrico e reumatismo. Diminui a dificuldade em urinar, elimina   pedras nos rins e bexiga.

No séc.XVI, Mattioli atribuiu-lhe uma acção anti-sifilítica que nunca foi confirmada. A raíz, branco-acinzentada, seca e moída é indicada para os asmáticos, que se sentirão confortados se a fumarem.

Teve fama de planta afrodisíaca por se ter descoberto que a testosterona (hormona sexual masculina) se encontra no rizoma, mas não foi comprovada esta característica.

Uso Tradicional : Esgotamento físico e psíquico, fadiga.

Como usá-lo

Artrite: decocção de salsaparrilha-bastarda, 40g de raízes secas para 1l de água, ferver 20 minutos./Decocção de uma mistura de 30g de salsaparrilha-bastarda e de 10g de raíz de saboeira, deixar ferver 10 minutos e coar imediatamente.

Asma: decocção de salsaparrilha-bastarda, 50g de raízes secas para 1l de água, ferver 10minutos, infundir 15 minutos, 1 chávena antes das refeições.

Gota: infusão de salsaparrilha-bastarda., 50g de raízes para 1 l de água fervente, infundir 10 minutos e coar.

Herpes: decocção de salsaparrilha-bastarda, 70g para 1l de água, ferver durante 20 minutos em lume brando.

Nefrite: decocção de salsaparrilha-bastarda, 50g de raízes secas para 1l de água, ferver 15 minutos, infundir 10 minutos, beber 1 litro por dia, às chávenas pequenas, entre as refeições.

Retenção de urina: decocção de salsaparrilha-bastarda, 50g de raízes cortadas para 1l de água, ferver 10 minutos, infundir 15 minutos.

Continuação: Parte IV (Glossário)

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