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Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

sábado, 13 de abril de 2013

O moinho de vento do Pardal

O moinho de vento do Pardal, na Murtinheira

Carlos Alberto Dias Machado*

Foi por um mero acaso, que em finais de Dezembro de 2007, descobri um moinho de vento junto à povoação de Murtinheira, freguesia de Quiaios, concelho da Figueira da Foz.

Para aceder ao moinho deve-se tomar a estrada Quiaios – Praia de Quiaios e na rotunda seguir a direcção Murtinheira. À esquerda, já na povoação, entrar na Rua Fonte Regueira de Fôja e ao cimo da ladeira virar novamente à esquerda, por um caminho rural, entrando numa mata de pinheiro-do-aleppo ( Pinus halepensis 1  

 

Foto 1 - Pinheiro-do-aleppo  (Pinus halepensis)

Este caminho vai dar exactamente ao moinho, sobranceiro à praia de Quiaios e o seu início tem as coordenadas 8º 53’ 14” Oeste 40º 12’ 37” Norte.

 

Foto 2 - Vista do Moinho de Sul para Norte

O moinho é do tipo rotativo, em madeira, com cobertura em chapa. Já não possui o sistema de fixação do velame e apenas existe uma das rodas em pedra que permitia a rotação do mesmo, para obter a melhor posição em relação à direcção do vento.

 

Foto 3 - Roda em pedra e caminho de rolamento

O último proprietário conhecido foi o Sr. António Lemos Pardal que consta tê-lo transferido da Serra da Boa Viagem quando veio para a Murtinheira; dizem que deixou de ser utilizado nos anos 80 do século XX.

Parece que junto à capela do Senhor dos Aflitos teriam existido mais dois moinhos de vento, entretanto sacrificados para dar lugar a moradias de férias.

 

Foto 4 - Sistema mecânico do moinho

O interior do moinho encontra-se relativamente bem conservado, como mostra a fotografia junta, vendo-se em primeiro plano o eixo do velame e a entrosga; engrenando nesta ainda se vê parte do carreto que transmitia o movimento rotativo ao veio da mó.

 

Foto 5 – Entrosga e carreto

 

Foto 6 - Mó, moega, quelha e tramela

O eixo do carreto ataca a mó e à direita da foto ainda se pode ver a moega que continha o grão, a quelha que conduzia o grão para o ôlho da mó e o chamadouro ou tramela, pau que ao raspar na mó fazia tremer a quelha facilitando assim a queda do grão.

 

Foto 7 - Regulação da folga entre mós

À direita das mós, na foto 6, pode ver-se o manípulo que, ao ser rodado permite fazer subir ou descer a mó andadeira em relação à mó fixa, dando assim origem a farinha mais grossa ou mais fina.

 

Foto 8 - Parte inferior do comando da foto 6

O veio em ferro que vem do manípulo suporta, na sua extremidade inferior, um barrote no qual se apoia o veio da mó andadeira, conseguindo-se assim regular a folga entre as mós.

 

Foto 9 - Dispositivo de elevação da mó andadeira

As mós, periodicamente, têm que ser picadas, para manter a rugosidade. À esquerda da foto 8 vê-se o dispositivo mecânico com o qual se conseguia levantar a mó andadeira e de seguida dar-lhe um movimento de translação para que a mó pudesse ficar em posição de ser picada.

Do moinho têm-se uma vista soberba sobre a praia de Quiaios.

 

Foto 10 - Vista sobre a praia de Quiaios

Moinhos semelhantes podem ser observados na Brenha (Serra da Boa-Viagem) e no Casal Novo à beira da estrada Figueira da Foz-Aveiro num sítio com as coordenadas: 40º 14’ 06” N; 08º 47’ 48” W.

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* Engenheiro electrotécnico (FEUP), membro da Rede Portuguesa de Moinhos ; perados.m@netvisao.pt

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[1]  http://arvoresdeportugal.free.fr/IndexArborium/Pinheiro_de_alepo/Pinheiro_de_alepo_Pinus_halepensis.htm

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