Se querem descobrir e fotografar achados da Natureza da Praia de Quiaios e da Serra da Boa Viagem, visitem uma das regiões mais ricas em Biodiversidade e Geologia de Portugal!

Pesquisar neste blogue

Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

sábado, 13 de abril de 2013

Caminhada de Natal para o Cabo Mondego

Caminhada de Natal para o Cabo Mondego

Por Horst Engels

Este ano fiz uma caminhada de Natal para o Cabo Mondego e à volta da escavação da CIMPOR. Pensei que talvez não seria má ideia de tirar umas fotografias panorâmicas desta zona. A última caminhada tinha sido aos cogumelos. E apesar de conhece-los muito bem - nunca se sabe. Mas os efeitos alucinogénicos já devem ter passado!

Em nome da Associação Trilhos de Esplendor  desejo lhes todos um Bom Natal e uma Boa Entrada em 2010!

Se quer fazer a caminhada virtualmente, aqui o link para a caminhada virtual através do Google-Earth:

20091219064259-4b2ce673783476.56230912.kmz

E aqui umas fotografias daquele que encontrei durante a caminhada:

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Link para --> Panorâmicas

Vale de Anta  - fazendo parte da área protegida no âmbito do: Monumento Natural do Cabo Mondego  criado pelo Decreto Regulamentar n.º 82/2007, de 3 de Outubro ,

Na introdução deste decreto pode ler-se:

"Os afloramentos jurássicos do Cabo Mondego  constituem um conjunto de excepcional importância, nacional e internacionalmente reconhecida. Para além dos elevados valores presentes nos domínios da paleontologia de amonites, da paleoecologia de ambientes de transição, da sedimentologia e da paleoicnologia dos dinossáurios, este conjunto sobressai, em particular, no domínio da estratigrafia.

O perfil geológico da passagem aaleniano-bajociano, consagrado como estratotipo de limite pela International Union of Geological Sciences , constitui um padrão internacional de referência, que materializa e representa um limite específico do tempo geológico, o que acontece pela primeira vez em Portugal.

A qualidade exemplar do registo geológico dos afloramentos emersos e submersos, expostos de forma contínua e correspondendo a um intervalo de 50 milhões de anos, conjugada com a situação geográfica estratégica, que proporciona excelentes condições de observação e estudo, conferem ao Cabo Mondego um valor científico, pedagógico e didáctico inexcedível, para além do seu grande interesse geomorfológico e notável qualidade paisagística."

Mapa que contorna a área protegida pelo Decreto Regulamentar n.º 82/2007, de 3 de Outubro

Sobreposição do mapa que contorna a área protegida (contornada em vermelho) pelo Decreto Regulamentar n.º 82/2007, de 3 de Outubro   com as áreas da excavação da CIMPOR (destacadas em amarelo) e da área onde se situam os edifícios da fábrica da CIMPOR (destacada em lilas) no Google Earth. Download do mapa para Google Earth:  20100104044411-4b41e29b3e2fc7.73909701.kmz

Link para --> Panorâmicas

Ainda queria lembrar um projecto semelhante de "Recuperação ecológico" que foi efectuado na Alemanha em Brühl (mais conhecido pelo famoso " Phantasialand ") onde se encontra a "Ville" - um sítio de exploração de carvão ( Rheinische Braunkohle ) e onde se encontravam "buracos" até 470m de profundidade devido às escavações e onde foram deslocadas populações de aldeias inteiras. No entanto, as zonas já escavadas foram totalmente recuperadas (permanecendo no entanto aqueles "buracos" onde as escavações continuam) e apresentam hoje um exemplo mundialmente reconhecido de recuperação ecológica ( Kottenforst-Ville ). Foram criados lagos artificiais e plantadas florestas caducifólias que em fases sucessíveis desenvolveram para biótopos de alta biodiversidade.

        Neste projecto alemão foram necessários 50 anos para recuperação dos habitats.  Mas existe também uma grande diferença em relação às falésias do Cabo Mondego. Estas nunca mais podem ser recuperadas! Na Alemanha foi uma planície com terras aluviais que tive de ser recuperada - aqui são falésias do Jurássico que existem há mais do que 60 milhões de anos!

Mas se já não é possível recuperar o estado inicial do Cabo Mondego - paisagem que foi descrita por pessoas que a conheciam há 30 anos ou mais como maravilhosamente bonita - pelo menos pode-se salvar aquilo que resta e tirar um proveito melhor do que deixar enormes buracos. É a minha opinião pessoal que se pode tirar proveito do que resta na medida que se utiliza esta área da CIMPOR fora da zona protegida conscientemente para um futuro turismo ecológico. Aquela visão que desenhei nas imagens anteriores fundamenta-se na observação que falta ao turismo na zona da Figueira, Cabo Mondego, Quiaios etc. uma componente essencial: a possibilidade de poder tomar banho no mar . Na Figueira e em Quiaios há bandeira vermelha ou amarela talvez durante 90% da época balnear, de forma que os turistas não podem entrar no mar. Uma solução seria a construção de áreas artificiais com piscinas de marés. Isso realiza-se em várias partes do país e do mundo, mas na Figueira ainda não. E como se vê nas imagens anteriores, a Figueira tinha todo o potencial para realizar uma atracção turistica destas. A área da CIMPOR dava para um enorme parque de recreio com piscinas de marés ou água salgada, ginásios, balniários, campos de ténis etc. sem necessidade de destruir mais nada do que já está destruído. Pelo contrário, esta obra desenvolvia um turismo verdadeiramente internacional na Figueira, sem acrescimos de custos de investimento e ligava as zonas esquecidas de Quiaios e da Murtinheira como zonas alternativas para actividades como caminhadas, passeios ecológicos, hiking etc. à cidade da Figueira. Esta obra oferecia possibilidades enormes de desenvolver um saudável turismo ecológico na zona, não apenas na época balnear, mas durante o ano inteiro. E os saudáveis e puros ares do Cabo Mondego - especialmente para pessoas com doenças asmáticas - podiam servir para desenvolver uma área balnear e termas com fins medicinais. Talvez valha a pena pensar nisso!

Ainda gostava de sublinhar que pelo ponto vista prático de uma possível realização de um plano de recuperação ecológico do Cabo Mondego incluindo criação de novas infraestruturas como hoteis, piscinas, balniários, campos de ténis etc., que uma realização destas nunca seria tão simples como demonstrado nos exemplos anteriores. Estes são apenas caricaturas humorísticas! Por isso, não se deve tomar essas imagens como sugestões concretas. Quero lembrar que já existe um Oasis artificial com palmeiras na Praia da Figueira! - mas uma criação destes é contestável pelo ponto vista de arquitectura paisagística uma vez que a Figueira não se situa na África do Norte! Por isso, palmeiras, em princípio, não deviam aparecer numa paisagem destas (senão talvez a única espécie nativa da Europa Chamaerops humilis  que normalmente não cresce mais do que 2-5 m em altura). No entanto, se olhamos para a vegetação actual do Cabo Mondego nas partes onde ainda há vegetação - mesmo aí, a vegetação frequentemente é já constituida maioritariamente por espécies não-autóctones quer dizer espécies que não provêm da zona do Cabo Mondego ou até da Europa. Por exemplo as agaves ( Agava americana ) que provêm do México, o chorão ( Carpobrotus edulis ) que provém da África do Sul, as diversas espécies de acácias que provêm da Australia, certas espécies de pinheiros (possivelmente o pinheiro-do-alepo ( Pinus halepensis ) que provém do Mediterrâneo), etc. Assim, uma realização de um projecto de reconstituição ecológica precisava de estudos sérios de arquitectura paisagística antes de ser realizado. No Kottenforst-Ville, na Alemanha, foram por exemplo plantadas inicialmente espécies de árvores não-autóctones, de crescimento rápido para acumulação de humus, e substituidas mas tardia por espécies que são nativos da zona de recuperação. Finalmente a importância do Cabo Mondego como Monumento Geológico também não se deve esquecer num projecto destas.

Talvez não seria uma ideia errada abrir um concurso premiado ou competição em que todos os interessados na participação do concurso (arquitectos paisagísticos, estudantes, etc.) podiam elaborar um projecto pessoal de recuperação das falésias do Cabo Mondego. Basta pegar num programa como o ' Google Sketchup'  e desenhar uma scena fictícia no ' Google Earth ' para poder transmitir a ideia. E a transformação do mundo, provavelmente mesmo necessária, faz-se por ideias. A ciência é sobretudo uma realização de ideias, não de descobertas. O Google Sketchup que na sua versão básica é gratuito permite desenhar e visualizar um projecto de arquitectura 3D no Google Earth a partir da topografia do terreno disponível no Google Earth. Isso seria um projecto verdadeiramente democrático que podia ser apoiado pelas entidades públicas e privadas incluindo as universidades portugueses no desenvolvimento de um trabalho educativo prático que evitava ao mesmo tempo o argumento que o voto em matérias ambientais seria apenas de uma pequena minoria em Portugal.

Outras contribuições recentes sobre o tema:

Diário de Coimbra - Falésias do Cabo Mondego candidatas às “7 ...

Cabo Mondego, Monumento Natural

Convicções e cepticismos: CENTRALISMO E AMBIENTALISTAS EM PORTUGAL

asbeirasonline - Cimpor receptiva a sair do Cabo Mondego

Veja também: Caminhada (Vd) -  Para o Vale de Anta à procura de fósseis

Caminhada à procura de pegadas dos dinossauros  

Voltar à página inicial

Sem comentários:

Arquivo do blogue

Seguidores

Contribuidores