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Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

sábado, 13 de abril de 2013

Novembro - tempo das castanhas e dos ...

Novembro - tempo das castanhas e dos cogumelos

O tempo está cinzento - está a chuviscar. Agora é o tempo ideal para ir aos míscaros, perto da Praia de Quiaios, nos pinhais de dunas arborizadas.  Aí existem ainda uns pinhais com árvores velhas, com arbustos de Stauracanthus  , uma espécie de giesta, e o solo arenoso coberto com musgos e líquens (e ainda apenas algumas acácias!). É aqui que se encontram os cogumelos, porque os musgos e líquens conservam bem a humidade do orvalho da  noite.

  Outra razão, para que nós possamos encontrar os cogumelos nos lugares mencionados acima é a seguinte:   Cogumelos , estão frequentemente, em simbiose com determinados espécies de árvores, mais precisamente, com as raízes destas árvores, de onde tiram  os alimentos que não conseguem sintetizar sozinhos. O míscaro ( Tricholoma equestre   ) (veja os fotos no Google ) por exemplo é um destes, e está em simbiose  com o pinheiro bravo ( Pinus pinaster   ). As árvores, também, tiram proveito dos cogumelos, sobretudo, da área grande do micélio para aumento da área de absorção de minerais do solo através do micélio do cogumelo. O míscaro é um cogumelo muito apreciado. Mas, nos últimos anos, tem havido alguns casos de intoxicação com míscaros, sobretudo, na França. Por isso, hoje, o míscaro é considerado um cogumelo venenoso e foi tirado da lista dos cogumelos comestíveis.

Bom, eu confesso que vou continuar a come-lo. Mas, em pequenas doses.

Quero aproveitar para apelar aos "fans" de caça aos cogumelos - Quando procurarem os míscaros, não vão armados com ancinhos para varrer o pinhal, porque o míscaro precisa  de vir à superfície para poder lagar os seus esporos ! Não tentem apanhar os jovens míscaros por baixo das agulhas e ainda enterrados no chão. Só poderão vir a estragar o lindo chão com os musgos e líquens e, daqui há uns anos, já não há míscaros nem outros cogumelos para ninguém!)

Deixo aqui também uma receita minha para cogumelos com arroz e castanhas em tigela de barro:

Arroz agulha - 500g

cogumelos mixtos - 500g

castanhas - uma dúzia

Caldo Knorr (meio cubo ou menos)

1 folha de louro

pimenta preta (5-6 grãos) e 1 piri-piri (para quem gosta muito picante)

1/2 cebola  picada

alho - 2-3 dentos

azeite - um bom fio

vinho branco seco - 1 copo (o resto da garrafa bebes na preparação da comida!)

tomilho seco  - uma pequena colher de chá (uso tomilho quase em todo - uma "erva santa"!)

sal

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Ferve-se as castanhas 10min em água e tira-se a casca

Junta-se o arroz coberto com água numa tigela de barro com os cogumelos e as castanhas.

Depois junta-se todas as outras ingredientes e coloca-se a tigela, tapada, no forno (200ºC).

Deixas ferver 20-30 min no forno até que a água do arroz está consomida. (Também funciona no micro-ondas para quem não tem forno)

Se sobrarem cogumelos, pode-se preparar o resto dos cogumelos da seguinte maneira:

Colocar os cogumelos numa tigela de barro aberta e juntar azeite, sal, alho, tomilho seco ("erva santa"), piri-piri, toucinho fumado, pimenta preta, sal (mas cuidados - o toucinho fumado também tem sal) e colocar todo no forno. Assar os cogumelos até que a água dos cogumelos (cogumelos têm bastante água!) seja consomida e os cogumelos ligeiramente acastanhados.

Também pode juntar castanhas cozidas, é sempre bom!

Então aqui umas impressões fotográficas:

... uma pedra Zen com as acácias da Australia no pinhal de Quiaios - parece um diorama!

... um cogumelo do género Suillus ( S.?granulatus ; Suillus ?bellini ). Muitas espécies deste género são comestíveis. Mas cuidado, existem mais do que 60 espécies do género Suillus e para a sua identificação é necessário um especialista. Todas as espécies do género Suillus  possuem tubos em vez de lamelas. A superfície esporífera da parte inferior do chapéu, quando o cogumelo é adulto, é formada por uma camada amarelada de tubos macia e esponjosa. Uma chave de identificação para as espécies Norte-Americanas do género Suillus  encontra-se aqui: Chave de identificação

(Os exemplares jovens do S. granulatus  segregam um latex branco na parte inferior do chapéu que quando chegar às mãos ou utensílios de plástico etc. torna-se mais tarde escuro. As mãos ficam lindas - e é mesmo difícil de tirar! Mas daqui o sinónimo S. lactifluus  para S. granulatus ! - O nome " S. granulatus " indica que esta espécie possui pequenos gránulos castanhos no pé)

... o Suillus ?granulatus  ( = S. lactifluus ) encontra-se sempre perto dos pinheiros - tal qual como o míscaro ( Tricholoma equestre ) porque formam a micorrhiza do pinheiro. Os exemplares jovens do S. granulatus segregam um latex branco na parte inferior do chapéu que torna-se escuro quando chegar às mãos ou utensílios de plástico etc. As mãos ficam lindas - e é mesmo difícil de tirar!

... nesta foto vê-se os gránulos castanhos no pé do S. ?granulatus

... a seguir o míscaro-amarelo  ( Tricholoma equestre ), também chamado canário , limão  ou simplesmente tortulho .

Os nomes vernaculares já dizem qual a característica principal deste cogumelo. Na realidade são as lamelas de cor amarela canário. O míscaro nem tem anel nem volva (A volva cobre algumas espécies de cogumelos em estado jovem como um ovo. Os cogumelos do género Amanita    (que têm umas das espécies mais mortíferos) mostram esta característica).

... o Lactarius deliciosus

O  Lactarius deliciosus que em algumas regiões de Trás-os-Montes é designado por sancha é um excelente cogumelo comestível apesar da cor avermelhada e do latex cor de laranja que deita do pé. O cogumelo pertence à família das Russulaceae na qual se encontram muitas espécies não-comestíveis devido ao sabor extremamente amargo que possuem. Mesmo o Lactarius    comido cru tem um bocado sabor amargo. Mas uma vez assado desenvolve uma aroma esplêndido.

A seguir alguns cogumelos altamente venenosos :

As espécies do género Amanita . Dentro deste género encontram-se umas das espécies mais venenosas que se podem encontrar nas nossas florestas. Uma delas é a Amanita verna    que é mortalmente venenosa. A Amanita citrina   não é tão perigosa porque é apenas venenosa quando comido cru. No entanto, por causa do perigo de poder confundir esta espécie com a Amanita verna  , não se aconselha come-lo, nem cuisido. As amanitas brancas confundem-se facilmente com os Champignons ( Agaricus  spec.) em estado pequeno - porque as lamelas dos champignons quando jovens ainda são esbranquiçados e tornam-se (depois de um estado rosado intermédio) acastanhados apenas em estado mais avançado e mais adulto. As amanitas brancas também possuem sempre lamelas brancas. Também o nome Amanita verna  engana: este cogumelo aparece normalmente a partir de Agosto, portanto no outono.

Aqui uma chave de identificação para as amanitas comuns: ( Chave de Identificação  )

Amanita muscaria

Esta espécie é mesmo muito bonita - mas também muito perigosa. Possui propriedades psicoativas e alucinógenas em humanos. O componente activo é o ácido ibotêmico.

... as lesmas não se importam da toxicidade - parece que gostam muito dos cogumelos alucinogénos!

...e encontram-se muitas outras espécies de cogumelos nesta altura do ano - algumas muito pequenas, outras maiores...

...e ainda algumas espécies não comestíveis, venenosas ou de pouca qualidade para la cuisine ....

... esta espécie que se encontra sobre as pinhas do Pinus pinaster

... e esta que está nos troncos das árvores:

... esta espécie nos prados:

Esta espécie encontrei na margem da estrada perto de um pinhal:

... mas os cogumelos (que são fungos) não deixam de ser atacados por outros fungos ... e observam-se coisas como estas...

...parece um cogumelo a sangrar, não parece!

Os fetos, os musgos e os líquens

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