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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Plantas medicinais e chás (Parte II)

Plantas medicinais e chás (Parte II - Anthyllis vulneraria - Fraxinus excelsior )

Por Carla Conde 

Anthyllis vulneraria

Vulneraria

                                                                                                 "No chá Suiço"

Família: Leguminosae

Habitat: Península Ibérica, Ilhas baleares e NW de África. Em relvados secos, taludes, rochedos, solos calcários. Em Portugal cresce em matos, terrenos incultos, pinhais, locais áridos e secos do Norte e Centro; até 3000 m.

Identificação: de 0,05 a 5 dm de altura. Bienal ou vivaz.

Caules prostados ou ascendentes.

Folhas ou roseta basilar, sendo as inferiores simples com um só folíolo e as restantes  compostas por 3 a 6 pares de folíolos e a terminal maior.

Flores vulgarmente de corola purpura e cálice esbranquiçado , mas também podem ser de corola amarela ou raras vezes branca (Maio-Setembro), na extremidade de um caule floral erecto, com inflorescência globosa rodeada de brácteas verdes; cálice muito viloso com 2 lábios, com uma intumescência em forma de bexiga, que aumenta de tamanho após a fecundação; corola papilionácea com estandarte curto; vagem inclusa semi-ovada comprida com 1 ou 2 sementes.

Sabor amargo.

Partes utilizadas: toda a planta, flores, inflorescências; secagem à sombra em camadas finas;  mexer o menos possível para evitar que as flores caiam.

Componentes: tanino, saponósidos, flavonóides.

Propriedades: adstringente, depurativo, vulnerário.

Curiosidades

A vulnerária encontra-se rente ao solo e por vezes entre pedras, erguendo os seus caules floridos e formando tapetes de magnífico aspecto púrpura ou dourado. Na nossa Serra da Boa Viagem ainda só a encontramos de cor púrpura.

A origem da palavra Anthyllis é grega e deriva de anthos, flor, e ioulus, penugem, numa alusão ao seu cálice viloso. Assim, o néctar das suas flores não está ao alcance das abelhas.

Nos prados a vulnerária é avidamente pastada pelo gado, para o qual constituí um excelente alimento.

Os Antigos e os médicos da Idade Média não deram qualquer importância à vulnerária. Nos meios rurais, as suas propriedades foram descobertas por empirismo; as suas flores fazem parte da composição do chá-suiço, depurativo muito utilizado .

Como usar

Contusão. aplicar em compressas sobre as lesões sem ferida. Decocção de vulnerária. 100g de folhas e raízes para 1 l de água.

Feridas superficiais. Lavar  a ferida com uma infusão em 1 litro de água fervente de 30g de folhas e raízes de vulnerária. Infundir 10 minutos.

Arbutus unedo

Medronheiro

 "Cor e sabor nos bosques mediterrânicos"

Família: Ericaceae

Habitat:  Espécie mediterrâneo-atlântica que se encontra no Sudoeste do continente, indo da Irlanda, Bretanha, regiões tipicamente do clima atlântico, à costa mediterrânica; em quase todo o continente português, mas principalmente nas serras de Monchique e Caldeirão. Bosques, matas, solos áridos, ácidos ou alcalinos; até 1200 m, sem geadas fortes. Suporta climas com períodos estivais secos e pluviosidade baixa. Com os incêndios da última década , o medronheiro tem vindo a ocupar uma menor área florestal em Portugal.

Identificação:  Pequena árvore ou arbusto frutífero e de grande beleza paisagística, pode atingir nas zonas protegidas de 6 a 10m de altura, excepcionalmente 15m, mas os incêndios das florestas e a exploração mantêm-no entre 2 e 3m de altura, pois o seu crescimento é lento. Possui copa oval e espessa.

Caule tortuoso, erecto, possui uma casca pardo-avermelhada ou pardo-acinzentada, delgada, gretada, muito escamosa, caduca em pequenas placas nos exemplares mais velhos;

Ramos jovens avermelhados que brotam do caule a partir de 0,50 metros do solo, espaçados entre si;

Folhas parecidas com as do loureiro, serradas, simples, persistentes, que existem na copa durante todo o ano, de 4 a 11 cm de comprimento, de formato elíptico e pecíolo curto, alternadas, de cor verde-escura com um brilho na face superior e mais claras na face inferior;

Flores hermafroditas, brancas com matizes verdes ou rosadas (Outubro-Janeiro), pequenas, reunidas em cachos (ramalhetes) compostos, pendentes, muito decorativos, corola gomilosa com 5 dentes. Debaixo do ovário, encontram-se 10 estames.

Fruto denominado medronho, esférico, carnudo, comestível, de amadurecimento lento, podendo este processo chegar a 10 meses, provido de saliências piramidais, inicialmente verde, depois amarelo e tornando-se  laranja a vermelho durante o amadurecimento que ocorre no Outono do ano seguinte; cotém de 20 a 25 sementes pequenas, angulares e de cor castanha.

A reprodução do medronheiro começa com a queda do fruto maduro no Outono ou Inverno, a partir do qual se produz uma maceração e fermentação das sementes. Esta é ajudada em grande parte pela manta vegetal e o sucesso de germinação na Primavera seguinte depende das condições climatéricas durante essa fase de maceração/fermentação.

Sabor farináceo, ligeiramente ácido e agradável, geralmente maduro para colheita entre Setembro e Novembro dependendo da chuva e temperatura da zona.

Floresce portanto no Outono ou no princípio do Inverno e a maturação dos frutos ocorre só no Outono do ano procedente. Porque a floração e a maturação dos frutos do ano anterior é simultânea, os medronheiros são considerados bonitas árvores ornamentais, muito decorativas e "vestem" coloridamente florestas e serras.

Raízes profundas.

Renova bem pelo cepo.

Vive até cerca dos 200 anos.

Partes utilizadas:  raízes, frutos, folhas, casca (sem efeitos medicinais).

Componentes:  o fruto maduro tem teores de açucar entre os 40 e os 60%, e é boa fonte de beta-caroteno (pró-vitamina A), tanino, niacina e ácido ascórbico (vitamina C) com valores semelhantes aos dos citrinos;  metanol presente na destilação.

Propriedades:  adstringente, anti-inflamatório, anti-séptico, depurativo, diurético.

Curiosidades

Lineu baseou-se em denominações romanas para designar esta espécie de Arbutus unedo .

Virgílio, nas Geórgicas, chama a esta pequena árvore, muito frequente em Itália, arbustus ; Plínio e alguns dos seus comtemporâneos designam o medronheiro, unedo, por  unum edo , "eu como um só", um e mais nenhum, fazendo assim referência ao gosto desagradável dos frutos.

Há autores que discordam e referem que a origem etimológica vem do celta arbois , que significa áspero, rude, aludindo aos seus frutos.

O medronheiro devido à degradação dos bosques naturais é muitas vezes uma das poucas espécies com porte arbustivo em bosques, matagais e encostas outrora cobertas de carvalhos.

Resistente à poluição urbana.

Os seus frutos, com elevado teor em tanino servem para preparar bebidas caseiras agradáveis e úteis e são bastante apreciados, especialmente no Sul de Portugal, para produzir  aguardentes e licores. 

O licor mais famoso comercializado, desde 1956, é o Brandymel, feito de aguardente de medronho e mel.

A chamada medronheira ou aguardente de medronho é não só uma bebida regional Algarvia, mas também é produzida em outras regiões do país, embora em menor quantidade. A diminuição da quantidade de medronho plantado e as leis impostas pelo Estado, leva a que muitos produtores se refugiem infelizmente na clandestinidade.

Os medronhos são fermentados em depósitos de madeira, barro ou cimento durante 1 a 2 meses, evitando-se o contacto com o ar. Para 5 partes de medronhos, junta-se 1 parte de água. Depois é guardado, bem vedado, durante 2 meses. Normalmente com 15Kg de frutos faz-se 15l de aguardente. O pico de produção verifica-se no terceiro ano da árvore, mantendo-se económicamente viável no máximo mais 8 anos. Ao fim de 20 anos é necessário substituir a planta.

Uma aguardente  de  medronho a 50º e envelhecida em barris durante 8 anos é considerada excelente.

Os medronhos, devido ao seu elevado teor em açucar, é utilizado em diversas aplicações alimentares.

Deles se fazem saborosos doces, compotas, bolachas e também há quem os coma crus, já bem maduros cobertos de açucar e/ou chocolate.

Usos:

Arteriosclerose. Decocção de medronheiro. Pôr a mecerar durante 1 noite 40 g de raízes secas cortadas em pedaços em 1 l de água. Deixar depois evaporar em lume brando até adquirir um terço do volume, deixar repousar e só coar na altura de beber; 1 copo todas as manhãs em jejum durante 3 dias.

Diarreia. Decocção de medronheiro, 40g de folhas para 1 l de água. Ferver 10 minutos. Filtar e adoçar.

A segurança acima de tudo

Os medronhos se consumidos em grande quantidade podem causar embriaguez e dores de cabeça, pois possuem uma certa quantidade de alcoól.

Calluna vulgaris

Torga-ordinária

 "A alegria dos solos pobres"

Família: Ericaceae

Habitat: Frequente em quase toda a Europa, Ásia Ocidental, NW África e introduzida na América do Norte, ilhas Baleares. Terras secas, pobres em calcário, incultas e áridas, charnecas e pinhais; até 2500m.

Identificação: de baixo crescimento (rasteiro) de  2 a 10dm de altura. Subarbusto que se encontra verde todo o ano,  lenhoso, sinuoso, erecto, podendo viver até 40 anos

Folhas pequenas, persistentes, opostas, imbricadas, lineares, sésseis, côncavas. Durante o Verão são verdes mas no Outono têm um tom amarelado, vermelho e prateado. As folhas formam um rebento parecido com um quadrado.

Flores rosa arroxeado (Fevereiro a Novembro), voltadas para baixo, em cachos sensivelmente unilaterais, estando dispostas nas ramas terminais com 3 e 4 cm, provido na base de pequenas brácteas verdes, pedicelo curto; cálice rosado ou branco, corola e estames inclusos no cálice que é maior que a corola.

Raíz que se ramifica profundamente.

Propagação por semente.  Reprodução por estaca.  

Partes utilizadas: sumidades floridas com as folhas, devendo ser utilizadas frescas.

Componentes: arbustósido, resina (ericolina), óleo (ericinol), tanino, ácidos (fumárico e cítrico), caroteno, amido, goma.

Propriedades: adstringente, anti-séptico, diurético.

Curiosidades

Pelo seu aspecto decorativo, muito semelhante ao de outras urzes do género Erica , a Calluna vulgaris  confere aos locais que habita um encanto especial: arribas, charnecas, bosques pouco densos de solos pobres alegram-se no fim do Verão com os tons das suas flores cor de violeta.

A urze é um nectarífero, fornecendo em abundância às abelhas a substância para o fabrico de um mel amarelo de média qualidade mas muito apreciado na confecção de bolos.

As raízes grossas acastanhadas e muito duras,  são utilizadas no fabrico de cachimbos e no fabrico de carvão de excelente qualidade.

As ramagens servem, na Bretanha, para cobrir os celeiros em substituição do colmo.

Para cultivar muitas espécies de plantas de interior, os jardineiros utilizam a terra de urze, formada pela decomposição deste vegetal nas camadas superficiais do solo.

Em Portugal, emprega-se a Calluna vulgaris  para secar os fornos de cozer o pão e para acender o lume, substituindo a carqueja.

Utilização

Os cachos floridos, quando a flor começa a desabrochar, constituem um remédio para diversas afecções renais e das vias urinárias.

Acne. Uso externo. Óleo de urze, macerar, pelo menos durante 8 dias, 100g de flores frescas em 0,5 l de azeite, conservar num frasco bem rolhado ao abrigo da luz.

Banho tónico muscular. Decocção de urze, planta inteira. 500 g de plantas (banho completo de um adulto) ou 250 g (para o de uma criança) com água a 32ºC, não ultrapassando 20 minutos. O banho prepara-se em duas fases: em primeiro lugar, a infusão ou decocção concentrada da planta em 3 ou 4 l de água, que, depois de passados pela peneira, se adicionam ao banho no momento da utilização.

Diarreia. Quando uma diarreia se prolonga anormalmente deve consultar o médico. Infusão de urze, 30 g de sumidades floridas para 1 l de água em ebulição, ferver 2 minutos, infundir 10 minutos.

Incontinência urinária. Decocção de urze, 50g de sumidades floridas para 1 l de água, ferver até reduzir a 0,75 l.; dose para 2 dias.

Nefrite. Decocção de urze, 30 g de planta florida para 1 l de água, ferver 15 minutos; 4 chávenas por dia.

Reumatismo. Crises dolorosas. Banho de urze. 150g de planta para 1 l de água.

CICHORIUM INTYBUS

Almeirão

  "Amigo do Fígado"

Família: Asteraceae

Habitat: Europa; Centro e Sul de Portugal. Encontra-se nas bermas dos caminhos, campos cultivados e incultos, solos secos, calcários e argilosos; também é cultivado; até 1500 metros.

Identificação: planta herbácia, de 0,30 a 1m de altura. Vivaz, caule rígido, anguloso, com numerosos ramos, hirtos, frequentemente divergentes na base; folhas inferiores profundamente divididas em dentes agudos, folhas superiores pequenas, lanceoladas; flores de um azul vivo, puro (Julho-Setembro), que se associam em belos capítulos que se abrem de manhã, cerca das 6 horas, e se fecham durante a tarde; raíz aprumada. Contém uma seiva leitosa, muito amarga, pelo que é conveniente colher as folhas antes da floração, após o que deixam de ser comestíveis.

Partes utilizadas: folhas (Junho-Setembro, antes da floração), flores e raíz (Outono).

Componentes: sais minerais, glúcidos, lípidos, prótidos, vitaminas B, C, P e K, aminoácidos, inulina, heterósido amargo.

Propriedades: aperitivo, colagogo, colerético, depurativo, diurético, estomáquico, febrífugo, laxativo, tónico.

Lendas e histórias

Existe uma lenda que descreve uma virgem, cujo bem amado partiu para a terra santa e deveria voltar um dia do leste com o sol nascente, o esperou todas as manhãs no caminho e foi transformada nessa flor. Talvez por isso esta flor transmita uma impressão moral de paciência, espara sempre renovada, sentimento de conformidade com o seu destino...

Utilização

Intybus deriva da palavra egípcia "tybi", que quer dizer Janeiro, o mês em que é costume comê-la. Apenas as folhas da plantas jovens podem ser usadas em saladas. Assim que as plantas entram em floração, as folhas já não são comestíveis. O aproveitamento das folhas cruas em saladas ou como vegetal cozido é comum no Brasil. Experimente acompanhar a salada com cenoura, alho e salsa, aumentando o seu valor nutritivo. São muito saborosas também em refogados acompanhando legumes, cereais ou carnes. O seu valor nutricional é superior ao da alface, sendo mais rica em vitaminas, minerais e fibras.

A utilização alimentar da chicória, data do séc.XVII; cultivada nas hortas deu mais tarde origem às inúmeras variedades hortículas por melhoramento genético, actualmente conhecidas, como as escarolas ou endívias, as quais devido a serem menos amargas, são também muito menos activas.

A conhecida chicória é afinal o tubérculo da planta Cichorium intybus, em forma de cenoura com mais volume. É utilizado torrado em fornos e moído, para fazer café de mistura, juntamente com cevada e café puro e tem cor escura e sabor amargo. Sendo um aditivo do café é usada para contrabalançar o efeito estimulante da cafeína.

A sua raíz apresenta também grandes quantidades do carbohidrato inulina, de importantes aplicações na indústria farmacêutica e de alimentos dietéticos.

As flores do almeirão também são comestíveis podendo embelezar saladas com efeito surpreendente.

 

É plantada para fins ornamentais, principalmente na Europa

No seu jardim

Condições de Plantação

Cuidados gerais

Métodos de Propagação

Colheita

Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente.

Tolera bem o frio e o calor

Multiplica-se por sementes directamente no local definitivo.

O desbaste deve ser realizado quando as plantas atingirem 10 cm. Período da safra é de Agosto a Novembro e em Janeiro.

Efeitos medicinais

Indicações:  Limpa e activa as funções do fígado e trata afecções da vesícula biliar, activando a função biliar , quando a secreção da bílis se mostra escassa. Protege o estômago e os rins. Estimula o baço. Útil em gastroenterites, dispepsia e diabetes.Trata  problemas de visão em geral, fortalece os ossos, dentes e cabelos. O chá feito com uma raíz de chicória é conhecido por ser diurético e bebido meia hora antes das refeições combate a falta de apetite. Actua como laxante contra a preguiça funcional dos intestinos. Também um bom remédio em inflamações da cavidade abdominal e apêndice.

Modos de usar:

 Anemia.  Somente a anemia provocada por carências alimentares pode ser parcialmente compensada por plantas. Ingerir por dia: 100g de suco de almeirão, 100g de beterraba-vermelha ralada ou 50g de suco da mesma, 150g de cenoura ou 100g do seu suco e 200g de suco de couve-rouxa ou verde temperado com sumo de limão. Tomar 1 colher de sopa 20 minutos antes de cada refeição.

Apetite. Para aumentar o apetite: infusão com 20g de folhas secas de almeirão para 1l de água fervente; 2 chávenas por dia.

Cura da Primavera.  São curas revigorantes cujo fim é desintoxicar  o organismo, forçando-o a eleminar as suas toxinas. Duram 3 semanas, em doses de 4 a 6 chávenas grandes de preparação por dia, das quais uma em jejum e uma ao deitar. Infusão composta de borragem (Borrago officinalis L.. Partes utilizadas: flores e suco das folhas e dos caules - Junho-Agosto), almeirão, fumária (Fumaria officinalis L.-erva moleirinha. Partes utilizadas: planta florida, excepto a raíz -Maio-Setembro; secagem em camadas ou ramos.) e taráxaco (Taraxacum officinale- dente-de-leão), 20g de cada planta para 1 l de água fervente;  infundir 10 minutos.

Diabetes. Uso Interno. Para substituir o pequeno-almoço: infusão de almeirão, 40g de raízes secas e torradas para 1l de água fervente ou decocção de almeirão, 20g de raízes secas para 1l de água; ferver 5 minutos; infundir 10 minutos.

Fígado.  Há muitas plantas benéficas para o Fígado. Quase todas são conhecidas e não necessitam de qualquer preparação especial, pois são geralmente consumidas cruas ou cozidas: o almeirão, o agrião, a beringela, a couve, o espargo, o feijão-verde.

Icterícia.  Decocção de almeirão, 30g de raízes para 1 litro de água, ferver 2 minutos, infundir 2 minutos e coar.

Obstipação.  Saladas de almeirão.

COREMA ALBUM

Camarinha

"Enorme controle da transpiração"

 Família: Empetraceae

Habitat e identificação: Península Ibérica, Açores, naturalizada na França, areias do litoral e lugares arenosos não longe da costa.

Pequeno arbusto, com ramos levantados, que libertam um cheiro adocicado.

Folhas rígidas, coriáceas, com a margem enrolada.

Flores terminais, pétalas rosadas, irregularmente franjeadas na margem (Fevereiro a Junho).

Fruto globoso branco ou vermelho.

  Curiosidades

 Corema album "é uma espécie homeohídrica e "poupada", que controla a transpiração de modo a manter o conteúdo hídrico.". Homeohídrica, significa que" tem a capacidade de regular o seu conteúdo hídrico, mantendo-o constante independentemente da humidade do ambiente (dentro de determinados limites), como por exemplo os fetos e as plantas com semente". É assim que explica o estudo "o salgueiro, o líquene e a camarinha-numa história de água e dunas" realizado pelo Centro de Ecologia e Biologia vegetal da Universidade de Lisboa, de fácil consulta no google e que não deve deixar de ler.

Arbusto infelizmente pouco usado como ornamental.

Lombo de Porco ou de Vaca com Geleia de Camarinhas

FIGUEIRA DA FOZ

fonte: Câmara Municipal da Figueira da Foz

Ingredientes:

  • 1 kg de lombo ;
  • 3 tomates médios ;
  • 2 ou 3 dentes de alho ;
  • 1 folha de louro ;
  • toucinho - q.b. ;
  • chouriço - q.b. ;
  • 100 g de margarina ou de banha caseira ;
  • azeite - q.b. ;
  • vinho branco - q.b. ;
  • água - q.b. ;
  • 1 piripiri ;
  • meio pimento ás tiras ;
  • 6 cebolas médias ;
  • 250 g de cenouras ;
  • sal - a gosto

Confecção:

Limpe a carne de veios e nervos, e lave-a muito bem. Faça nela incisões, introduzindo em cada uma rodelas de alho, de chouriço e de toucinho aos pedaços. Numa assadeira (de preferência de barro) disponha uma camada de rodelas de cebola e, logo a seguir, junte a carne, regada de água e vinho branco (na proporção de 3 para 1), azeite e margarina ou banha, louro, piripiri, pimento em tiras, cenouras lavadas, descascadas e cortadas em quartos, no sentido do comprimento. Acrescente o resto das cebolas (cortadas em rodelas), os tomates limpos de grainhas, mais pedaços de toucinho e rodelas de chouriço. Leve ao forno, já levemente aquecido, aumente o calor para um pouco mais de médio e deixe assar, regando a carne, de vez em quando, com o próprio molho. Quando começar a ganhar cor, volte a carne e rectifique o tempero de sal, se necessário.

Só retire do lume quando estiver bem assado.

Observação: Se a carne for de porco, não use tanta gordura.

Modo de preparar a geleia de camarinhas:

Passam-se as camarinhas (maduras), por muitas águas, até retirar todas as impurezas. Cozem-se em pouco água. Depois de bem cozidas, passam-se pelo coador de rede, esmagando-as com uma colher ou pilão de madeira. Pesada a quantidade de líquido obtido, junta-se-lhe um peso levemente inferior de açúcar e mistura-se muito bem. Vai ao lume para apurar e serve-se frio.

Cantiga popular

http://www.horta.uac.pt

 "Fostes ao Senhor da Pedra Minha rica Mariquinhas... Nem por isso me trouxestes Um ramo de camarinhas. Hei-de ir ao Senhor da Pedra Para colher as camarinhas... Mas, meu amor, é de lá Já mas tinha apanhadinhas. Fui ao mar às camarinhas E cacei um camarão... (coro) Ai sim, camarinha, ai sim! Ai sim, camarinha, ai não! Ai sim, camarinha, ai sim! Camarinha, ai sim! Camarinha, ai não " .

           

CRATAEGUS MONOGYNA

Pirliteiro

"A árvore do coração"

Família: Rosaceae (Rosáceas); outros membros incluem a rosa, o pêssego, a amêndoa, a maçã e o morango.

O Pilriteiro é uma bela árvore de médio porte  que chega aos 4 metros de altura. Símbolo de delicada e viçosa beleza, foi sempre celebrada por poetas e romancistas sob os mais diversos nomes, apesar de ter ramos espinhosos e da sua madeira ser dura como ferro. A casca jovem é cinzenta-clara, lisa, mais tarde castanha, fendida. Tem folha caduca, flores brancas ou rosadas e os frutos são bagas vermelhas comestíveis, de sabor agridoce e textura farinhenta.

Pode atingir uma idade avançada e chegar aos 500 anos.

 

Histórias

O seu nome científico vem do grego Kratos, que significa força, devido à extrema dureza da sua madeira.

Em Inglaterra é conhecido como May Tree ou May Flower pois a sua floração dá-se no mês de Maio (em Portugal floresce em Março ou Abril, nos anos mais quentes), ou vulgarmente, hawthorn.

Na américa as crianças na escola primária aprendem que o primeiro barco que levou os ingleses ao país se chamava Mayflower . No entanto, quase nenhum deles sabe que o nome do barco é referente ao Pirliteiro. May flower é sinónimo de hawthorn, a palavra inglesa vulgar para esta planta.

Associado também a lendas . Os Gregos e os Romanos relacionavam-no com gravidez, casamento e fertilidade. Na Grécia as damas de honor e a noiva levavam ramos de pirliteiro. Os Romanos, tinham por hábito, pendurar um ramo de Pirliteiro por cima do berço dos recém-nascidos, para os proteger de maus espíritos e na Idade Média  penduravam os seus ramos nas portas das casas para afastar as más energias.

Com o cristianismo esta planta transformou-se em símbolo de pouca sorte: os espinhos da Coroa de Cristo parecem ser de ramos de Pirliteiro. Também outrora se cortava da sua madeira os cepos dos suplícios.

A partir do século XVII perdeu a sua má fama e começou a ser usada para fins medicinais.

 

Hoje em dia fazem-se sebes de pirliteiros alinahdos e dobrados enquanto jovens que servem de habitat para a vida selvagem e produzem mais flores e frutos que as sebes podadas.

 

Efeitos medicinais

As bagas eram já alimento para os homens da Pré-História, como comprovam os vestígios de caroços encontrados em ruínas das cidades lacustres. Os frutos vermelhos do Pirliteiro são conhecidos desde há muito pelas suas propriedades diuréticas e adstringentes e no século XIX foi posta em evidência, por um médico Irlandês, a sua poderosa acção cardiovascular.

Partes utilizadas:  Tanto as folhas, como as flores em botão, os pequenos frutos vermelhos (fins de Setembro) e a casca dos ramos jovens apresentam propriedades medicinais.

Componentes:  pigmentos flavónicos, flavenóides (rutina e quercitina), derivados terpénicos, histamina, taninos, vitamina C.

Propriedades químicas e terapêuticas:  É conhecida como a "Árvore do Coração" porque tem a fabulosa acção de normalizar o batimento cardíaco e regular a tensão arterial agindo de forma eficaz e não agressiva.

As bagas são fortemente antioxidantes, protegendo os tecidos do Coração.

O Pirliteiro trata problemas cardíacos e de circulação sanguínea porque o alto teor em bioflavenóides permite relaxar e dilatar as artérias, sobretudo as coronárias e as periféricas. Aumenta portanto a irrigação sanguínea ao músculo cardíaco e atenua os sintomas de angina de peito. Também pode aumentar a força de bombeamento do coração e eliminar alguns tipos de problemas relacionados com o ritmo cardíaco (arritmias). Os bioflavenóides também são antioxidantes, o que evita e reduz a degeneração dos vasos sanguíneos. Certas evidências sugerem também que o piliteiro pode ajudar a limitar a quantidade de colesterol que se deposita nas paredes das artérias.

Hoje em dia usa-se em muitas zonas da Europa para tratar a cardiomiopatia. Nos Estados Unidos, onde a principal causa de morte são as doenças cardíacas, o pirliteiro tem sido praticamente ignorado.

Até Varro Tyler, Ph.D., bastante conservador nas suas avaliações dos potenciais medicinais das ervas, diz que o pirliteiro é  "valioso...um tónico cardíaco relativamente inócuo que...dá bons resultados".

Embora o pirliteiro se considere seguro e possa ser eficaz no tratamento de angina de peito, insuficiência cardíaca congestiva e arritmias cardíacas, estas doenças  são potencialmente mortais, por isso requerem atenção médica. Use apenas o pirliteiro como parte do plano geral do tratamento e não se esqueça que ele exerce um efeito contínuo mas a longo prazo.

Modos de usar

◆Os médicos alemães receitam uma colherinha de tintura de pirliteiro ao despertar e antes de ir para a cama durante várias semanas.Para diluir o seu sabor amargo, misture-o com açucar, mel ou limão e misture-o numa bebida à base de ervas.

◆Os herbolários recomendam usar 2 colheres de folhas ou frutos triturados por cada chávena de água a ferver.Deixar em infusão durante 20 minutos.2 chávenas por dia, durante 1 a 2 meses, protege o coração, melhora a circulação, combate a arteriosclerose.

◆O chá feito das folhas em forma de gargarejo alívia dores de garganta . Combinado com gingko biloba, melhora a memória, problemas de insónia de origem nervosa.

Outras prescrições:

Acufenos:  infusão de 50g de flores secas para 1 litro de água fervente, infudir 10minutos; 2 chávenas por dia.

Inflamação da garganta:  gargarejos. Preparar 1 litro de liquído por dia, filtrar cuidadosamente, adoçar com mel. Infusão de 30g de flores. Infundir 10 minutos.

Angústia:  infusão de 50g de flores para 1litro de água fervente; adicionar 1 ameixa seca e deixar infudir 15 minutos; 3 chávenas por dia, das quais 1 ao deitar, durante 1 mês.

Arteriosclerose: infusão de 50g de flores secas para 1 litro de água fervente; 3 chávenas por dia.

Banho sedativo:  Fazer primeiro uma infusão de folhas de melissa (Melissa officinalis L.- erva cidreira), malva (Malva silvestris L. - malva silvestre), flores de marmeleiro, folhas de matricária (Chrysanthemum parthenium Bernh. - artemísia dos ervanários), folhas de nogueira, satureja em flor, flores de tília (Tilia cordata officinalis L. - valeriana -silvestre ou erva -dos-gatos), da planta inteira de valeriana e flores de pirliteiro em 3 ou 4 litros de água. Passar por uma peneira e adicionar ao banho, no momento de utilização. Para o banho de um adulto são necessárias 500g de plantas. Na água quente do banho as plantas desenvolvem as suas propriedades por difusão e dissolução das suas substãncias activas. Deste modo deve vigiar-se a pessoa que toma banho. Os banhos muito quentes são fatigantes. Não devem ultrapassar os 20 minutos.

Acalmar os nervos:  tisana sedativa com infusão de 10g de flores secas para 1 litro de água fervente; infudir 10 minutos.Tomar 3 chávenas por dia durante 3 semanas.

Coração (as doenças do coração são inúmeras e provocadas por diversas causas, exigindo um diagnóstico preciso de um médico. As plantas podem aliviar o coração de diversos modos, mas não substituem uma consulta): infusão de 15g de flores  secas para 1 litro de água fervente. Infudir 10 minutos. 2 chávenas por dia durante 20 dias.

Diarreia (sintoma de numerosas afecções por vezes grave; quando se prolonga anormalmente é indispensável consultar o seu médico): infusão de frutos maduros secos para 1 litro de água fervente.

Espasmos (contracção involuntária, que pode situar-se também ao nível das vísceras): tintura alcoólica macerando durante 15 dias, 20g de frutos e de flores em 100g de álcool a 70º e filtrar; 20 gotas ao deitar.

Hipertensão arterial (é necessário um diagnóstico etiológico preciso.Consulte o seu médico!): infusão de 50g de flores para 1 litro de água fervente, 3 semanas por mês.

Litíase renal:  ferver 5 minutos 15 g de bagas secas para 1 litro de água, infundir 10 minutos.

◆Obesidade: conjuntamente com um regime de emagrecimento beber infusão de 15g de flores de pirliteiro para 1litro de água fervente; infudir 10 minutos. Beber 3 chávenas por dia durante a dieta estabelicida. O pirliteiro tem uma acção calmante.

Palpitações (só muito raramente são indicativas de doença cardíaca, são normalmente devidas a ansiedade. Neste caso as plantas mais úteis são as sedativas):  infusão de 20g de flores para 1 litro de água fervente, infundir 5 minutos, para acalmar a crise. Beber 1 chávena.

Sono (as plantas podem devolver a calma indispensável para um sono reparador):  tomar 1 chávena ao deitar de infusão de 30g de flores para 1 litro de água fervente; infundir 10 minutos.

 

Receita de Ketchup de bagas de pirliteiro: 750g de bagas maduras; 2 chávenas (450ml) de vinagre de sidra; 1/2 chávena (125g) de açucar; 1 colher de chá (5 ml) de sal; 2 colheres de chá (10 ml) de pimenta-da-jamaica. Coza as bagas no vinagre durante 20 minutos, até amolecerem. Passe a polpa através de um crivo com uma colher, para eleminar os caroços. Volte a colocar na panela, junte os outros ingredientes e aqueça durante mais 10 minutos. Conserve em frascos esterilizados e fechados.

 

As bagas podem ser adicionadas à geleia de maçã brava e servem também para fazer vinho.

Segurança

 

Grandes quantidades podem causar sedação, diminuição significativa da tensão arterial, o que pode causar desmaios.

Apenas pessoas com diagnóstico de angina de peito, arritmias cardíacas ou insuficiência cardíaca congestiva devem usar este estimulante cardíaco e sempre sobre vigilância médica.

Não usar durante a gravidez, período de amamentação ou em crianças .         

Crithmum maritimum

Funcho-marítimo

"Sabor salgado no Cabo Mondego "

Família: Umbelliferae (Apiaceae)

Habitat: funcho-marítimo conhecido também como perrixil-do-mar tem como habitat costas rochosas, ao alcance da brisa marítima, sendo frequente sobre os rochedos de toda a costa portuguesa. Frequente nas costas europeias e norte-africanas Atlânticas, Mediterrânicas e do Mar Negro e Macaronésia (excepto Cabo Verde)

Identificação: de 0,20 a 0,50 m de altura. Vivaz, caule prostrado ou ascendente, estriado e em ziguezague; folhas glaucas, difusas, carnudas, espessas, brilhantes, de um verde-azulado, erectas, pontiagudas; flores branco-esverdeadas (Maio-Outubro), em umbelas com pedúnculo curto, com 10 a 20 raios grossos, invólucro e involucelos com numerosas brácteas lanceoladas, pétalas arredondadas; fruto volumoso ovóide, esponjoso, assinalado por 10 costas salientes e aquilhadas. Sabor amargo e salgado. É ao seu aroma característico e à sua morfologia que se deve o nome vulgar funcho-marítimo.

Partes utilizadas: Folhas.

Componentes: essência, óleo, sais minerais, iodo, bromo, vitamina C.

Propriedades: antiescorbúrtico, aperitivo, depurativo, diurético, tónico.

Curiosidades

O funcho marítimo é uma espécie botânica abundante nas falésias do Cabo Mondego (sector ocidental da serra da Boa Viagem), no trajecto da Praia de Quiaios para Buarcos, onde outrora passearam dinossauros durante os tempos jurássicos. Vistosa com inflorescências em forma de umbela, com caule estriado e carnudo, a sua raíz penetra nas mais pequenas fendas dos rochedos, podendo atingir 5m de comprimento. Necessita de grandes quantidades de humidade, ambientes salgados, bem como da suavidade dos climas marítimos, oceânicos ou mediterrânicos.

 No séc. XIX, comercializavam-se estas folhas em algumas aldeias mediterrânicas; os marinheiros levavam-nas para bordo, pois apreciavam o sabor ligeiramente amargo e salgado, mas extremamente agradável, do funcho.

Hoje, sendo um vegetal comestível selvagem, é usado em pickles e molhos. O mais comum e agradável é utilizar as folhas deste funcho marinadas em vinagre e confeccionadas como pepinos.

O nome científico, Crithmum maritimum , vem do grego Krithe , que significa cevada, em alusão à semente.

É ao seu aroma característico e à sua morfologia que se deve o nome vulgar funcho-marítimo.

O nome perrixil-do-mar vem do castelhano perejil  , que significa salsa. Em italiano denomina-se finocchio di mare , em inglês denomina-se crest marine, rock samphire  ou sea fennel , em francês criste marine  ou perce-pierres .

Como utilizar

As suas folhas carnudas, espessas e brilhantes são utilizadas para fins medicinais; devem ingerir-se cruas para melhor beneficiar das suas acções aperitiva, tónica e antiescorbútica; porém se os efeitos desejados são o depurativo e o diurético, a preparação mais indicada é uma infusão da planta fresca. Após a preparação, os boiões devem ser hermeticamente rolhados e conservados em local seco.

O funcho-marítimo é usado na medicina popular para eliminar parasitas dos intestinos.

□Apetite. Para aumentar o apetite utilizar como condimento folhas de funcho-marítimo depois de tratadas com sal.

□Escorbuto (doença, rara nos nossos dias, provocada por uma carência de vitamina C). Conserva de funcho-marítimo: colocar num recipiente de barro folhas de funcho-marítimo com alguns ramos de estragão e 1 punhado de sal grosso, cobrir com vinagre de vinho fervente; 12 horas depois retirar o vinagre, passá-lo pela peneira, fervê-lo novamente, deitá-lo no recipiente e tapar.

Eryngium campestre

Cardo-corredor

"Tenacidade de sobrevivência "

Família: Umbelliferae

Habitat: Europa. Terrenos incultos e secos, solos calcários, arenosos e áridos; até 1500m.

Identificação: planta espinhosa de 30 a 70 cm de altura com caule erecto, vigoroso, ramoso;

Folhas verde-esbranquiçadas, coriáceas, onduladas, as basilares com o peçíolo comprido nu e bordejadas de espinhos.

Flores branco-esverdeadas (Julho-Setembro), sésseis, em capítulos compactos, pedunculados, ovóides, globosos, com invólucro espinhoso, de 3 a 6 brácteas rígidas, abertas e pontiagudas, bem maiores que os capítulos, cálice com dentes erectos sobre o fruto, 5 pétalas chanfradas e 5 estames; diaquénio coberto de escamas pontiagudas.

Concluída a frutificação no  Outono, toda a parte aérea da planta se despreende, graças a uma zona de abcisão perto da base  do caule. A planta ao rolar com o vento dispersa as suas sementes;

Raíz profunda, comprida e rastejante.

Cheiro a almíscar; sabor primeiramente adocicado e depois amargo e acre.

Partes utilizadas: folhas (Julho-Agosto) e raíz (Primavera-Outono).

Componentes: sais minerais (potássio, sódio e cálcio), óleo essencial, saponósido.

Propriedades: aperitivo, diurético, emanagogo.

Curiosidades

O nome do género provém do grego  eruggion  que designa uma planta conhecida como "barba-de-cabra".

O género Eryngium inclui cerca de 230 espécies, algumas com propriedades medicinais. É o caso de Eryngium   maritimum , muito abundante nas dunas da Praia de Quiaios, com propriedades anti-inflamatórias e usado para tratamento de afecções da boca. Existem também espécies cujas raízes são usadas como vegetal comestível ou na produção de doces.

Eryngium campestre  , vulgarmente conhecido como cardo-corredor, é uma planta estranha, umbelífera, que abandona, no Outono, os seus caules secos e leves ao sabor do vento, espalhando as suas sementes e colonizando outros solos, tendo por vezes características de tal modo invasoras que constituem um verdadeiro desagrado para quem tem terrenos de cultivo.  É uma planta vivaz, muito apreciada pelos médicos da Antiguidade devido às sua famosa capacidade de estimular o apetite e de ser diurética, acções confirmadas, ao longo dos séculos, pela experiência e, mais tarde, pela análise química das subtâncias contidas nos seus tecidos. No entanto não possui características afrodisíacas, como se pensava.

O cardo-corredor desempenha ainda um papel na alimentação, sendo também um condimento; dos jovens rebentos fazem-se saladas; as folhas jovens, conservadas em vinagre, têm uma utilização idêntica à do pepino e, conservadas em açucar, são um manjar delicado.

Como usá-lo

Apetite. Para aumentar o apetite utilizar como condimento folhas novas de cardo-corredor conservadas em vinagre.

Diurese. Decocção de cardo-corredor, 40g de raízes para 1 litro de água, ferver 5 minutos; 4 chávenas por dia entre as refeições.

Edema. Decocção de cardo-corredor, 40g de raízes  para 1 litro de água, ferver 5 minutos, infundir 10 minutos; quantidade para 2 dias.

Icterícia. Infusão de cardo-corredor, 40g de raízes para 1 de água fervente, infundir 10 minutos; dose para 24 horas.

Ureia. Decocção de cardo-corredor. 30g de raízes para 1l de água, ferver 5 minutos, infundir 10 minutos.

A segurança acima de tudo

Muitas  espécies de Eryngium são tóxicas, se não usadas nas doses recomendadas.

FOENICULUM VULGARE

Funcho

Filho do Sol, divinal auxiliar digestivo

Família: Umbelliferae; outros membros incluem a cenoura e a salsa.

Habitat: Nativo da bacia do Mediterrâneo; em Portugal cresce especialmente em regiões do norte e do centro. O Funcho expandiu-se com o decorrer dos séculos para oeste. Encontra-se  em terrenos baldios, colinas secas, bermas dos caminhos e próximo de povoações.

Descrição:  É uma grande umbelífera elegante e vivaz que pode atingir 2m de altura (em geral com menos de 80 centímetros). Caule erecto, finamente canelado, ramoso, verde com estrias azuis, brilhante, compacto, apresentando folhas alternas recortadas em segmentos filiformes, com baínha muito comprida e limbo curto, de cor verde-azulado-escuras, também brilhantes e muito flexíveis, mas que, quando expostas à secura, endurecem exteriormente para evitar a perda de água. No cimo deste caule ramificado aparecem umbelas compostas, formadas de diminutas flores de 2 a 5 mm de diâmetro, cor amarelo a amarelo-esverdeadas (Junho-Agosto). Os frutos são sementes secas, fortemente aromáticas, ovóides, de 4 a 9 mm de comprimento e 2 a 4 mm de largura, achatadas e com saliências longitudinais, simétricas em ambos os lados,  cor cinzento-escuro.

A raíz é rizomatosa, esbranquiçada e muito suculenta, armazenando grande quantidade de água.

Existem diversas variedades espontâneas de funcho com frutos ligeiramente doces, apimentados ou amargos, e uma variedade cultivada muito doce, da qual é comestível a base carnuda das folhas.

O perfume aromático e o sabor picante da planta devem-se a uma essência rica em anetol, substância estimulante e digestiva, existente sobretudo nas sementes.

Partes utilizadas:  Folhas frescas,  raíz (fim do primeiro ano); frutos (sementes em Setembro e Outubro).

Componentes:  contém até 6% de um óleo essencial cujos principais componentes são o anetol e a fenchona, possuindo também albuminas, açucares e mucilagem, flavenóides incluindo rutina, esteróis,  sais minerais, provitamina A, vitaminas B e C.

Propriedades:  espasmolítico, aperitivo, carminativo, emenagogo, expectorante, galactogénico, tónico, anti-séptico, vulnerário, aromático, purificante.

Espécies associadas:  dado a presença de óleos essenciais, a planta é muito resistente ao ataque de insectos e herbívoros. É no entanto, hospedeira de alguns lepidópteros especificamente adaptados ás suas características bioquímicas, incluindo formas larvais da Amphipyra tragopogonis e da Papilo zelicaon, que apenas se alimentam de umbelíferas.

Dado o seu cheiro a anis, a planta é muitas vezes confundida com a Pimpinella anisum (o anis), uma espécie aparentada, mas muito diferente.

Notas Históricas

A sua denominação provém do termo latim foenum (feno) devido à sua fragrância.

Pelas suas características aromáticas e pelos usos medicinais do anetol, a seu uso remonta  à Antiguidade, sendo já cultivado no Antigo Egipto.    

Na Grécia Antiga  era designado por  "marathon ", que significa "emagrecer", em alusão ao seu uso durante os jejuns e está na origem do nome Maratona, o local da mítica batalha de Maratona, travada em 490 a.C. entre gregos e persas, que se travou num campo de funcho.. Era pois considerado o símbolo da vitória.

 

A mitologia grega diz que Prometeu usou um talo de funcho -era com mais exactidão a espécie Ferula communis, conhecida como "funcho gigante"- para roubar o fogo dos deuses.

 

 

Os romanos adornavam-se com grinaldas de funcho, dado que também lhe eram atribuídas propriedades afrodisíacas.

As senhoras apreciavam comê-lo para combater a obesidade e os homens acreditavam que lhes dava força e ferocidade.

Também era usado para adornar a tocha  olímpica da maratona com os seus caules.

 

Nos textos de medicina antiga é citado como curativo.

Os puritanos da Nova Inglaterra chamaram ao funcho "sementes de reunião". As reuniões eram os seus intermináveis serviços eclesiásticos. Algumas fontes

dizem que os puritanos o usavam para suprimir o apetite. Outros dizem que muitos puritanos se fortificavam com whisky para poder aguentar os serviços e depois mastigavam sementes de funcho para ocultar o cheiro. Os puritanos também o utilizaram como auxiliar digestivo, o uso principal da cura com ervas desde o tempo dos faraós até aos nossos dias.

Diz a tradição que as cabras comem funcho para aclarar a vista... Aliás, um herbário galês do século XII recomenda o funcho para todas as doenças dos olhos e como purgante. Culpeper (1652) escreve: "A semente cozida em vinho e bebida é boa para mordidas de serpente ou para intoxicações por ervas venenosas ou cogumelos".

Uma variedade de funcho, originária da Macaronésia e designada por F. vulgare azoricum, caracterizada por caules mais suculentos e doces e menor concentração de óleos essenciais, o que o torna mais facilmente comestível em fresco, é hoje comercializada com a designação de Florence. Esta forma de planta é espontânea nos Açores e na Madeira. A sua abundância está na origem do nome da cidade do funchal, a actual capital Madeirense.

Utilização e poderes curativos

 

Toda a planta, da semente à raíz é comestível, especialmente os bolbos radiculares que são muito suculentos, tanto crus como cozinhados. As folhas em particular são utilizadas como condimento culinário.

Tem um intenso aroma que faz lembrar o anis, por isso combina bem com natas, serve para aromatizar castanhas e azeitonas e é excelente para rechear a barriga de um peixe. Aliás os molhos de funcho são excelentes para ajudar na digestão de peixe e um raminho fresco é sempre um bonito ornamento. Empregue como condimento popular em confeitaria, flans e pudins.

As hastes das plantas jovens picadas finamente são saborosas em saladas, batatas, pratos de arroz e em molhos de ervas para pastas.

Na ilha da Madeira existem os tradicionais e deliciosos rebuçados de funcho e um dos pratos típicos dos açores é uma sopa de feijão e inhame cm folhas e caules tenros de funcho.

Na Índia e China as sementes moídas são utilizadas para a produção de condimentos e especiarias, recebendo a designação de saunf  ou  moti saunf .

Os rebentos recentes empregam-se muito na Europa meridional como verdura. Trata-se, quase sempre, não do funcho de especiaria (Foeniculum vulgare ou officinale), mas sim do chamado funcho comestível ou doce ( Foeniculum dulce).

As sementes secas são utilizadas em chás e tisanas e como aromantizante em licores (como o anis) e bebidas alcoólicas destiladas.

Em concentrações elevadas os óleos essenciais do funcho apresentam actividade inseticida, afugentando insectos incómodos. Era comum usar as sementes moídas em estábulos e canis como um remédio contra as pulgas.

O óleo essencial do funcho doce (var.dulce) é o preferido na aromoterapia.

Uma diluição de 1% em óleo base é usada para massajar abdómens inchados.

Também é utilizado em cosmética e em perfumaria os óleos essenciais do funcho são utilizados para perfumar pastas dentríficas, champôs e sabonetes.

A ciência concorda aliás com alguns dos seus usos tradicionais:

- Auxiliar digestivo. As sementes do funcho têm o efeito de relaxar a suave cobertura muscular do aparelho digestivo (o que faz dele um antiespasmódico). Além disso ajuda a expulsar os gases intestinais (efeito carminativo).

Uma investigação europeia mostra que destrói algumas bactérias, o que assenta o seu uso tradicional com tisanas à base de funcho no tratamento da diarreia.

Na Alemanha, onde a cura pelas ervas é uma corrente muito mais importante que nos Estados Unidos, o funcho usa-se como o anis e a alcarvia contra a indigestão e dor devido aos gases e cólicas infantis (efeito analgésico). Também em Portugal, o chá de semente de funcho é muito dado pelas mães aos filhos, já que é conhecido por reduzir os gases intestinais em crianças lactentes e na primeira infância.

-Saúde feminina. Os antiespasmódicos acalmam o aparelho digestivo e também outros músculos suaves, como o útero. No entanto, o funcho usou-se tradicionalmente não para relaxar o útero, mas sim para induzir a menstruação. É possível que doses elevadas de funcho induzam suficientemente a menstruação.

Um estudo sugere que a erva tem um efeito estrogénico, o que significa que actua como estrogénico, a hormona sexual feminina. Esta acção talvez tenha algo a ver com o seu uso tradicional como indutor do leite e da menstruação.

as mulheres podem prová-lo para que estimule os seus períodos ou incremente a produção de leite. Mulheres em idade madura podem usar o funcho para aliviar as moléstias da menopausa.

-Cancro da próstata. As hormonas sexuais femininas ferquentemente são receitadas para o cancro da próstata. Qualquer forma de cancro requer atenção profissional. experimente o funcho como complemento da sua terapia normal e apenas sob vigilância do seu médico.

-As tisanas à base de funcho também são recomendadas contra doenças do aparelho urinário e no tratamento complementar da diabetes.

- A essência de funcho serve para fabricar uma água de funcho (Aqua foeniculi) usada em gargarejos e para lavagens oculares.

- O funcho é também proveitoso no catarro bronquial e tosse renitente. O efeito é determinado pelo óleo essencial, sobretudo pelo anetol que constitui um bom meio de expectoração. Acelera a actividade dos epitélios vibráteis das vias respiratórias.

- Só o efeito do emprego popular de cozimentos de funcho nas inflamações das pálpebras não está cientificamente comprovado.

Como usá-lo

Como auxiliar digestivo, mastigue uma mão cheia de sementes ou experimente uma infusão ou tintura.

 Use também infusão ou tintura, para induzir a menstruação  ou (sob vigilância médica) como possível ajuda no tratamento do cancro da próstata .

-O funcho é o melhor chá para mães a amamentar porque ajuda a ter leite e alivia as cólicas do bébé.

A crianças menores  de dois anos pode dar-se (com cuidado), um ligeiro preparado de funcho para as cólicas . Dê 1 a 3 colheres de chá (5-15ml) do chá, consoante a necessidade. O chá pode ser feito de folhas frescas ou secas ou de sementes, esmagando-as e usando metade de uma colher de chá por chávena de água a ferver. Se persistir o problema, consulte o pediatra.

Para crianças maiores e pessoas com mais de 65 anos de idade, recomenda-se começar com preparações ligeiras e fazê-las mais fortes se for necessário.

 -No emprego como infusão para flatulências , misturam-se 25g de funcho, 25g de anis, 25g de coentros e 25g de cominhos; prepara-se uma infusão com uma colher desta mistura e bebe-se uma ou duas chávenas por dia.

- Meteorismo  (distensão do abdómen devida à acumulação de gases nos intestinos). Beber uma chávena após as refeições. Infusão de sementes ou de frutos de cada planta ou de 30g da sua mistura, consoante o gosto: anis, cenoura, coentros, cominhos, aipo, alcarvia, endro, funcho.

- Diarreia . Dose para 1 dia: Decocção de funcho, 20g de raízes secas para um litro de água ferver 15 minutos, infundir 3 minutos; beber muito quente.

-No emprego como infusão expectorante , misturam-se para maior eficácia 25g de funcho, 25g de liquén e 25 g de malvaísco. Deitar uma colher desta mistura sobre um litro de água fervente. Deixar repousar 15 minutos. Beber 2 a 3 chávenas por dia.

- Aerofagia  (deglutição de ar que se acumula no estômago). Infusão de sementes, deixar em infusão 10 minutos em 1 litro de água fervente, acrescentar 1 pitada de canela e beber quente antes ou depois das principais refeições: 10g de alcarvia, 15g de angélica, 15g de anis, 40g de endro, 30g de funcho.

- Bronquite  (inflamação aguda ou crónica da mucosa brônquica). Infusão de funcho, 50g de sementes para 1 litro de água fervente, infundir 5 minutos.

- Rouquidão . USO INTERNO. Infusão de funcho, 5g de sementes numa chávena de leite fervente; infudir 10 minutos e adoçar com mel; beber muito quente.

- Tosse . Infusão de 15g de funcho para 1 litro de água fervente. Infundir 10 minutos.

-  Abcesso  (acumulação de pus numa parte do corpo, frequentemente acompanhada de fenómenos inflamatórios). USO EXTERNO para amadurecer o abcesso e acalmar a dor. Preparado mantido por meio de um penso e renovado de 2 em 2 ou de 3 em 3 horas. Cataplasma de plantas cozidas em água e pisadas: de folhas de acelga, de azedas, de bolbo de cebola, de cuscuta, de funcho, de lentilhas, de caule de ruibarbo.

- Lactação . Para aumentar a secreção láctea (plantas galactagogas): infusão de 30g de sementes de funcho para 1 litro de água fervente; tapar e infundir 10 minutos. 4 chávenas por dia entre as refeições.

- Fadiga . Vinho de funcho, macerar durante 2 semanas em 1 l de bom vinho tinto, 30g de sementes e coar; beber 2 copos pequenos por dia.

- Frigidez e impotência . Vinho de funcho, macerar durante 3 semanas 100g de sementes em 1 l de vinho do Porto, mexer todos os dias e filtrar; um copo pequeno antes ou depois do jantar.

- Olhos. Loção para olhos irritados e fatigados.  Lavar os olhos e depois conservar sobre cada um durante 15 minutos uma compressa impregnada: infusão de funcho, 10g de sementes numa tigela de água fervente, infundir 10 minutos.

Remédio antigo para a ciática  e dores de costas permanente:

O remédio original era uma destilação de funcho, pirliteiro e vinho branco tomado com xarope de sabugueiro.

Faz-se uma tintura com partes iguais de raízes de funcho e de bagas de pirliteiro com vinho branco de produção biológica. Neste caso Toma-se  2 colheres de sopa (30ml) da tintura aquecida e misturada com uma colher de chá (5ml) de xarope de bagas de sabugueiro.

Qualquer tintura faz-se normalmente usando 200g de ervas secas  ou 400g de ervas frescas  e 1l de líquido (por exemplo 3 partes de vodka ou vinho por cada 2 partes de água). Depois da mistura feita armazena-se num local escuro e fresco durante 2 semanas, agitando de vez em quando. Coa-se  por um pano que se torçe para retirar todo o liquído. Para doenças crónicas a dosagem para adultos é de normalmente  3 colheres de chá (5ml) 3 vezes ao dia  e para doenças agudas 1 colher de chá 6 vezes ao dia.

Para o xarope de bagas de sabugueiro:

-Ripe as bagas dos pés com um garfo, esprema o sumo, usando por exemplo, uma prensa de vinho. Junte pimenta-da-jamaica (1 colher de chá -5ml- por cada litro de sumo de bagas de sabugueiro) e  gengibre ( menos de meia de colher de chá -2ml- por cada litro de sumo de bagas de sabugueiro). ferva em lume muito brando até ficar da consistência de melaço. Engarrafe e guarde em local fresco.

Este xarope é excelente só por si para prevenir infecções de Inverno .

Herbalismo-Non Shaw

A segurança acima de tudo

Como o funcho tem um ligeiro efeito estrogénico, ingrediente chave das pílulas anticoncepcionais, tem muitos efeitos no organismo. Por isso as mulheres a quem os médicos advertiram para não tomar pílulas anticoncepcionais não devem usar quantidades medicinais de funcho, como também não o deve fazer quem tiver um historial de coagulação sanguínea anormal ou tumores dos seios dependentes do estrogénio. As mulheres grávidas não devem usar quantidades medicinais de funcho.

As sementes de funcho são seguras, mas óleo pode causar prurido na pele a pessoas sensíveis. Se o tomar pode causar náuseas, vómitos e possivelmente convulsões. Nunca o ingira!

Um estudo sugere também que o funcho tem efeitos curiosos sobre o fígado. Em animais de experimentação, a erva piora o mal hepático, mas ao mesmo tempo, estimula a regeneração do fígado em animais aos quais este foi extraído em parte. Até que se conheçam bem os seus efeitos sobre o fígado, as pessoas com um historial de alcoolismo, hepatite ou doenças hepáticas devem estar precavidas e não tomarem quantidades medicinais desta erva.

O funcho está incluído na lista de ervas seguras da Direcção de Alimentação e Fármacos dos estados Unidos (FDA, em inglês). Para pessoas sãs, que não etejam grávidas nem a amamentar, considera-se seguro se ingerido nas quantidade recomendadas.

Deve usar-se em quantidades medicinais sob vigilância médica.

Se causar moléstias menores como mal-estar estomacal ou diarreia, reduza a sua ingestão ou deixe de o usar.

Asmáticos com forte tendência alérgica devem evitar usá-lo.

No seu jardim

Variedades de funcho: "Hâtif de Genéve", "D`été", "Doce de Florença", "Latina", "Géant Mammouth perfection".

Esta planta é cultivada pelo bolbo carnudo, constituído pelo espessamento da base dos pecíolos das folhas. É um legume refrescante, de gosto delicado que pode ser consumido cozinhado ou cru.

Multiplicação e Sementeira

Cuidados

Luz e temperatura

Solos

Rega

Adubação

Floração

Pragas e doenças

Colheita

O funcho propaga-se por semente.

Sendo muito sensível durante a germinação, não deve ser semeado antes da data recomendada pelo viveirista, entre o início de Março e o fim de Maio, consoante as variedades.

Semeie os sulcos pouco profundos, espaçados 45-50cm e previamente regados. A germinação será rápida se as sementes estiverem pouco enterradas em solo húmido.

Convém desbastar, deixando 15-20cm entre cada planta em cada fila.

sache periodicamente e regue de forma a manter constante a humidade do solo.

Recomenda-se que se aproveite uma última sacha para chegar mais terra aos bolbos prestes a atingir a maturação. Consegue-se assim melhor a qualidade dos bolbos.

Sol.

O funcho não tolera geadas e está mais adaptado ao calor. De difícil conservação após a colheita. Quando ainda se encontra na terra, é possível proteger o funcho dos primeiros frios, cobrindo a cultura com uma boa camada de folhas ou de palha. Passado este período frio é ainda possível efectuar colheita.

Frescos e fortemente estrumados com matéria orgânica, com boa drenagem. É tolerante á salinidade e à acidez.

Particularmente importante na fase de formação do bolbo, para evitar a floração precoce.

Adubar com adubo orgânico

Verão

Esta planta é pouco atacada por parasitas. no entanto há que ter atenção as psilas, pois atacam as primeiras folhas após a germinação.

Como estas folhas são vitais para as plantas devem ser tratadas, em caso de necessidade com um produto à base de rotenona ou piretrinas.

Colher os frutos em Setembro, Outubro.

Fraxinus excelsior

Freixo-europeu

"O chá da juventude eterna"

Família: Oleáceas

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, bosques húmidos, ravinas, solos férteis; em Portugal existe em quase todas as regiões, sendo também cultivado: até 1500m.

Identificação: angiospérmica dicotiledónea, da família das Oleáceas é uma árvore de porte frondoso, de silhueta aberta e irregular com poucas ramificações secundárias. Cresce muito rapidamente se o terreno for favorável, como junto à margem de um rio,  de 20 a 40 m de altura e com uma idade máxima a rondar os 300 anos.

Tronco erecto, nu, casca cinzenta clara e lisa que se fende profundamente e escurece ao envelhecer; copa pouco fechada, ovóide, frondosa, ramos cinzentos, glabros gemas negras, aveludadas, volumosas, quadradas; folhas caducas,  As folhas são características, isto é, dividem-se num número ímpar de folíolos não pecíolados, com 7 a 15 folíolos sésseis de 4 a 10 cm de comprimento e finamente dentados nos bordos. As folhas  medem entre 20 e 35 cm de comprimento, verde-escuras na página superior, mais claras na inferior, ovais e serradas; flores acastanhadas (Abril-Maio), reduzidas a 1 estigma e 2 estames com anteras quase sésseis, são visíveis em cachos pendentes, não tendo o cálice e a corola. Os frutos são sâmaras, pequenas sementes envolvidas por uma pele semelhante a uma folha em forma de asa o que favorece a polinização pelo vento. Raiz aprumada e robusta. Inodoro; amargo.

Partes utilizadas: sementes, folhas, seiva, casca dos ramos entre 2 e 3 anos (Abril).

Componentes:heterósidos, açucares, resina, ácido málico, vitaminas C e P, tanino, sais minerais, pigmentos.

Propriedades: adstringente, diurético, laxativo, sudorífico, tónico.

Curiosidades

O Freixo cultivado pertence, como a oliveira, o lilás, o jasmineiro, o ligustro e o aderno, à família das Oleáceas, que é constituída por mais 400 espécies. É uma bela árvore dos climas europeus, que gosta de solos frescos e profundos, suporta mal o calor, a secura e as geadas. Tem tronco esbelto, casca branca e acinzentada, ramos frágeis e folhagem graciosa. É necessário colher as folhas jovens, ainda recobertas pelo revestimento ligeiramente aderente e açucarado, e retirar o pecíolo antes de as secar.

Os druídas atribuiam ao freixo a capacidade de fazer chover. No calendário celta é uma das 16 árvores de referência.

Um exemplar derrubado em 1941 no Trancoso era o maior da Europa e, segundo a lenda, foi à sua sombra  que D.Dinis aguardou a chegada de D. Isabel de Aragão.

É uma árvore importante do ponto de vista ecológico e industrial. A sua madeira porosa, resistente e dura serviu durante muito tempo de matéria-prima para o fabrico de esquis; actualmente é ainda muito utilizada na indústria de mobiliário, fabrico de escadas, cabos de ferramentas e outros utensílios em madeira.

Esta madeira provoca também um som rico em agudos, sendo usada no fabrico de guitarras.

Proporciona refúgio para a fauna bravia bem como boa comida para o gado. Muitos criadores dão folhas de freixo aos seus animais porque acreditam que eles assim não adoecem.

As raízes extensas do Freixo evitam a erosão do solo em regiões onde há quedas de neve frequentes e consequentes degelos.

Usos

Na medicina popular prepara-se com as folhas um chá muito saboroso, considerado uma verdadeira bebida de rejuvenescimento. Este chá é diurético, muito apreciado na cura de gota e reumatismo e para combater a obstipação e o colesterol. É necessário colher as folhas jovens, ainda recobertas pelo revestimento ligeiramente aderente e açucarado, e retirar o pecíolo antes de as secar.

A casca é usada  na cicatrização de feridas e ajuda a baixar a febre.

Outrora, atribuía-se à sua madeira, aplicada sobre as mordeduras de serpente, o poder de evitar envenenamento.

Como utilizar:

Celulite. Infusão composta de groselheira-negra e de freixo, 10g de cada planta para 1 l de água fervente, infundir 15 minutos. Tomar 3 chávenas por dia entre as refeições, das quais 1 em jejum.

Colesterol. Beber 1l por dia de decocção composta de 10g de casca de bétula (vidoeiro) e 10g de folhas secas de freixo para 1 l de água, ferver 5 minutos, infundir 5 minutos; tomar a primeira chávena em jejum.

Dor muscular. Infusão de folhas de freixo, 40g de folhas para 1 l de água fervente, infundir 20 minutos e coar; beber 2 chávenas por dia.

Envelhecimento. Beber chá de freixo em abundância: 40g de folhas secas para 1 l de água fervente.

Gota. Para eliminar o ácido úrico. Decocção de 20g de folhas de freixo e 20g de raízes de bardana-maior, ferver 10 minutos, coar sem infundir.

Hálito. Mastigar uma folha seca ou fresca de freixo.

Tendência à formação de cálculos renais. Decocção de freixo, 40g de casca para 1l de água, ferver 10 minutos, infundir 10 minutos e coar.

Nevralgia. Colocar sobre a região dorida uma compressa embebida numa decocção de freixo. 50g de folhas para 1 l de água, ferver 20 minutos.

Obesidade.  Infusão de folhas de freixo, 40g de folhas para 1 l de água fervente, infundir 10 minutos e coar; beber 3 chávenas por dia.

Obstipação. Seiva de freixo, 2g misturados com uma colher de café de compota; de manhã em jejum.

Reumatismo. Beber decocção de 30 g de folhas de freixo em 1l de água a ferver durante 10 minutos, infundir 5 minutos.

Continuação: Parte III (Fumaria officinalis - Smilax aspera)

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