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Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A vegetação das dunas

A vegetação das dunas

Segundo: J. C. Costa (2001):   Tipos de vegetação e adaptações das plantas do litoral de Portugal continental .

Em nenhuma parte do Globo terrestre, mesmo na vizinhança dos vulcões, se observa uma mudança tão permanente e tão rápida dos processos inorgânicos e bióticos como nas costas marítimas. No litoral português podemos encontrar três tipos de formações distintas: de dunas , de sapais  e de arribas . Estes meios são de difícil sobrevivência, pois em todos eles existe uma fraca disponibilidade de água, baixo teor de elementos nutritivos essenciais e acção abrasiva do mar, vivendo por isso em condições de secura fisiológica. As plantas para ultrapassarem estas limitações respondem com adaptações de natureza morfológica, anatómica, fenológica e fisiológica.

É no litoral ocidental de Portugal que o atlântico e mediterrâneo se encontram, como não existe uma fronteira com uma barreira física evidente é este o local onde as plantas migram entre estes dois “mundos”.

N os meios salgados podemos observar três formações distintas: mangais , sapais  e juncais . As salinas  como meio artificial criado pelo homem são também um meio salgado.

  1. Os mangais  ocorrem nas regiões em que o macroclima é tropical, e são formados por árvores.

  1. Os sapais  assinalam-se em territórios onde o macroclima é mediterrânico, e são dominados por nanofanerófitos e arbustos acompanhados de caméfitos (pequenos arbustos até 25 cm) e alguns hemicriptófitos (plantas bienais ou vivazes de rosetas basais).

  1. Enquanto os juncais e arrelvados halofíticos  observam-se preferencialmente no litoral com macroclima temperado, e na sua constituição dominam hemicriptófitos com alguns caméfitos como acontece nas costas atlânticas. 

  1. As salinas  também são um meio salgado, em que nos períodos que têm vegetação predominam os terófitos (plantas anuais).

O s halófitos são a designação das plantas que vivem em meios salgados. As espécies do sapal, apesar de terem bastante água à sua disposição, esta é salgada e às vezes, chegam a suportar concentrações de sal, durante períodos mais ou menos longos, superiores às águas do mar como pode acontecer com  Ruppia maritima  e algas do género Chara . Para sobreviver em ambiente tão hostil as plantas tiveram necessidade de adaptar o seu metabolismo, seguindo por isso várias estratégias:

  1. Desenvolvimento da suculência resultante do aumento da diluição iónica mediante o incremento da relação volume/superfície externa
  2. Absorção em alto grau de certos iões, como potássio
  3. Extrusão iónica mediante glândulas especiais de sais
  4. A existência de glândulas de sal é responsável pelo conteúdo mineral de muitos halófitos.

N as dunas - apesar das diferenças acentuadas entre salgados e dunas - existem três características comuns: instabilidade , carência de nutrientes  e falta de humidade do solo , que são melhoradas com restos orgânicos trazidos pelas marés, depositados no cimo da linha de inundação, sendo aqui o começo da formação da duna.

Para sobreviver em meio tão adverso as plantas das dunas também sofreram modificações morfológicas, anatómicas e fisiológicas, assim:

  1. Para diminuir a transpiração possuem folhas de reduzidas dimensões
  2. Possuir uma forma prostrada
  3. Raízes muito profundas para captar água em profundidade
  4. Aptidão e capacidade para formar entre-nós ou rizomas horizontais e verticais conforme as deposições sobre a planta e da mobilidade da areia ;
  5. Caules e folhas suculentas com reservas de água
  6. Plantas CAM, isto é que só abrem os estomas à noite
  7. Presença de micorrizas nas raízes que ajudam a sobreviver as plântulas e posteriormente colonizar as dunas.

Dunas embrionárias

N a praia  onde as águas da preia-mar depositam os detritos orgânicos desenvolve-se uma vegetação terofítica e migratória onde ocorrem

  1. Euphorbia peplis ,

  1. Salsola kali ,

  1. Cakile maritima,

  1. Honkenia peploides .

Em Portugal continental, na praia alta, onde a areia é muito móvel, encontra instalada uma comunidade dominada pelo pequeno hemicriptófito

  1. Elymus farctus subsp. boreali-atlanticus ,

  1. acompanhado frequentemente de  Eryngium maritimum ,

  1. Otanthus maritimus ,

  1. Polygonum maritimum ,

  1. Euphorbia paralias .

Dunas brancas

N as cristas das dunas , onde a areia ainda possui uma mobilidade elevada, domina o hemicriptófito

  1. Ammophila arenaria subsp. australis  (estorno) acompanhado de

  1. Calystegia soldanella ,

  1. Euphorbia paralias ,

  1. Otanthus maritimus ,

  1. Medicago marina ,

  1. Eryngium maritimum ,

  1. Pancratium maritimum

entre outras.

Dunas cinzentas

P or detrás das cristas  dunares a areia encontra-se fixada por caméfitos, esta formação é chamada de duna cinzenta. É na costa de Portugal continental onde se encontram as mais belas dunas cinzentas da Europa e com maior diversidade de espécies.

  1. Crucianella maritima ,

  1. Artemisia crithmifolia (= A. campestris) ,

  1. Helichrysum picardi ,

  1. ?Malcolmia littorea ,

  1. Anagallis monelli var. microphylla ,

  1. Scrophularia frutescens (= S. canina) ,

  1. Silene littorea

  1. Silene niceensis (= S. arenaria , S. littoralis )

  1. Cyperus capitatus ,

  1. Aetheorhiza bulbosa (= Crepis bulbosa) ,

  1. ? Leontodon taraxacoides arenaria

  1. Pancratium maritimum ,

  1. Euphorbia portlandica ,

  1. Medicago marina ,

  1. Corynephorus canescens var. maritimus ,

  1. Iberis procumbens

  1. Senecio gallicus

  1. Paronychia argentea

  1. ?Helianthemum spec.

  1. Sedum sediforme

  1. Seseli tortuosum

  1. Limonium sp.

podem aparecer em quase todas as dunas portuguesas.

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