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Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

As falésias, arribas, friganas e as...

As falésias, arribas, friganas e as plantas invasoras

O Cabo Mondego possui arribas que têm um elevado valor ecológico devido à flora que possuem. Porém, a flora característica e única destas arribas está gravemente ameaçada, nem apenas pela exploração da fábrica do cal, mas sobretudo por plantas invasoras.

Caracterização das arribas

• Arribas litorais sobranceiras ao mar, de litologia variável (calcários, margas, arenitos, etc.), submetidas a ventos marítimos carregados de sal (salsugem) com frequência moderados a fortes.

• Colonizadas por comunidades perenes, de fraco grau de cobertura, constituídas por pequenos geófitos, caméfitos e hemicriptófitos rupícolas, entre os quais se conta um elevado número de microendemismos de distribuição restrita dos géneros Limonium  e Armeria  (família das plumbagináceas).

• Estas plantas colonizam fendas ou pequenas acumulações terrosas ( casmofilia ) e estão adaptadas a condições de grande secura edáfica ( xerofilia ) e a elevados teores de cloreto de sódio no solo ( halofilia ).

• As comunidades halocasmófilas perenes são pouco diversas à escala local (α diversidade). No entanto, as arribas litorais portuguesas apresentam uma β e δ diversidades muito significativas. Este facto é, provavelmente, uma consequência das condições ecológicas extremas dos habitates de arriba marítima, da elevada taxa de especiação intrínseca aos géneros Limonium  e Armeria  e da alternância entre espaços dunares e arribas litorais, litologicamente diversas, que caracteriza boa parte da costa portuguesa.

• As comunidades halocasmófilas perenes litorais constituem a primeira banda de vegetação vascular das costas rochosas, dispõem-se em mosaico (microgeosigmeta) com comunidades anuais aero-halófilas pioneiras (classe Saginetea maritimae ) e contactando na parte superior das arribas com diferentes tipos de matos-baixos (e.g. urzais-tojais aero-halófilos, classe Calluno-Ulicetea , vd. habitat 4030) ou matagais (e.g. zimbrais-carrascais de Juniperus turbinata  subsp. turbinata , vd. habitat 5210).

• Têm uma composição florística muito variável: espécies com frequência dominantes: Limonium virgatum , L. ovalifolium , L. multiflorum , L. plurisquamatum , L. laxiusculum , Armeria pseudarmeria , A. pungens  subsp. major , A. welwitschii  subsp. cinerea , Crithmum maritimum , Dactylis marina , Daucus halophilus , Dianthus cintranus  subsp. cintranus , Helianthemum apenninum  subsp. stoechadifolium , Silene cintrana , S. obtusifolia , S. rothmaleri , Plantago coronopus  subsp. occidentalis , Spergularia australis , Spergularia rupicola , Helichrysum decumbens , Calendula incana .

  • Outras espécies: Astericus maritimus , Beta maritima , Calendula suffruticosa  subsp. algarviense , Euphorbia portlantica , Frankenia laevis , Helianthemum origanifolium , Inula crithmoides , Limonium ferulaceum , Leontodon taraxacoides , Lobularia maritima , Lotus creticus .

Bioindicadores

• Presença de Crithmum maritimum , Dactylis marina , Daucus halophilus , Limonium ferulaceum , L. virgatum , Plantago coronopus  subsp. occidentalis , Spergularia australis , S. rupicola , e ainda as espécies endémicas e diferenciais de cada território (vd. Caracterização, vd. Serviços prestados).

Invasoras

Uma ameaça para a preservação das espécies e da biodiversidade são plantas invasoras que foram utilizadas na fixação das dunas ou como plantas ornamentais e que ameaçam hoje a vegetação natural das zonas do litoral e do interior.

A introdução de espécies exóticas corresponde, no início, a um aumento da riqueza específica à escala regional. Com a continuidade, algumas espécies revelam elevado sucesso no seu estabelecimento, e aumentam exponencialmente a sua área de distribuição. Outras nunca chegam a expandir-se ou, em casos extremos, extinguem-se mesmo.

 

De todas as espécies que são introduzidas, uma parte fixa-se para além do seu local de introdução inicial e forma populações que se mantêm a si próprias, sem a intervenção do Homem, em habitat naturais ou semi-naturais. Quando isto sucede, diz-se que essa espécie está naturalizada (ver figura). Uma espécie naturalizada pode permanecer estável, com uma população em equilíbrio, durante tempo variável (em alguns casos para sempre) até que algum fenómeno estimule o aumento da sua distribuição. Se esse estímulo ocorrer a espécie torna-se invasora . O estímulo pode ser uma perturbação natural (como um fogo ou uma tempestade) ou antropogénica (como alterações no uso da terra, fogos de origem humana, ou construção de infra-estruturas). As perturbações traduzem-se, muitas vezes, por aberturas de clareiras e o aparecimento destes nichos vazios constitui uma excelente oportunidade para uma espécie invasora se fixar. O estímulo pode ainda ser dado pela introdução de um agente dispersor ou polinizador, ou pela ausência de inimigos naturais.

(Marchante, H.; Marchante, E. e Freitas, H. 2005. Plantas Invasoras em Portugal - fichas para identificação e controlo.  Coimbra. Weblink )

Exemplos de plantas invasoras nas falésias e arribas do Cabo Mondego:

Agave americana

Carpobrotus edulis

Carpobrotos edulis

Acacia ?longifolia

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