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Mapa da Serra da Boa Viagem com Trilhos (Triângulo do Cabo Mondego)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Cabo Mondego e os recifes

O Cabo Mondego e os recifes

O Cabo Mondego  situa-se na costa marítima portuguesa, pelo que é banhado pelo Oceano Atlântico . Localiza-se na ponta ocidental  da Serra da Boa Viagem , a uma latitude  de 40º 11´ 3´´ N e a uma longitude  de 08º 54´34´´W, a três quilómetros  a norte  da cidade da Figueira da Foz . Cortado a pique e com inúmeras falésias , tem cerca de quarenta metros  de altura. Junto dele está localizado o Farol do Cabo Mondego , com quinze metros de altura, destinado ao apoio da navegação marítima.

     Do ponto de vista geológico, este cabo  tem um alto valor científico, como é reconhecido mundialmente. Foi classificado como Monumento Natural, pelo Decreto Regulamentar n.º 82/2007, de 3 de Outubro.

A Serra da Boa Viagem  apresenta cerca de 6 km de comprimento, uma direcção sensivelmente NW-SE e uma cota máxima de 257m na Bandeira.

 

Termina abruptamente nas vertentes setentrional e ocidental onde dominam as escarpas de natureza carbonatada, de que é exemplo a "Escarpa da Murtinheira" na vertente setentrional, que correponderá a uma falha inversa, com eventual actividade quaternária - falha de Quiaios.

Esta falha, que limita o maciço a norte, terá contribuído para colocar em contacto terrenos margo-calcários do Liásico com areias eólicas quaternárias - Areias de Cantanhede.

Na vertente ocidental, as formações do Dogger e Malm formam a arriba litoral do promontório, que se encontra actualmente descaracterizada devido à actividade extrativa secular que se desenvolveu no local.

A transição para o flanco meridional processa-se de forma "suave", terminando com uma série cretácica greso-carbonatada, à qual se sobrepõem depósitos quaternários que marginam o estuário do Mondego.

ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO

A região da Serra da Boa Viagem  insere-se na Orla Meso-Cenozóica Ocidental onde predominam rochas sedimentares químicas e detríticas. Apresenta uma estrutura em monoclinal com desenvolvimento Este-Oeste, e cerca de 30º de inclinação para Sul.

O Jurássico Médio  é bastante monótono, corresponde geralmente a bancadas de calcário compacto mais ou menos argiloso alternando com camadas margosas. Alguns níveis revelam-se muito fossilíferos  destacando-se uma importante fauna de amonites.

A passagem para o Jurássico Superior é marcada por uma importante lacuna. Seguem-se importantes depósitos lacustres ou lagunares nos quais se intercalam algumas bancadas de fácies marinhas litoral que correspondem a três formações litostratigráficas (da base para o topo):

  • Complexo Carbonoso  com leitos de lignite. Na sua parte superior bancadas de calcário alternam com bancadas de arenito avermelhado, onde são visíveis pegadas de dinossáurio.

  • Calcários Hidráulicos . Começam por bancadas espessas de calcário cinzentos escuros alternados com argilas lignitosas, seguidas de bancadas pouco espessas de calcário margoso separados por leitos de xisto betuminoso.
    NOTA: Estas duas formações foram agrupadas recentemente sob o nome de Camadas de Vale Verde (Wilson, 1979; Wright,1985 in Pinto, 1997 ).

  • Camadas marinhas ricas de lamelibrânquios . Corresponde a um conjunto de depósitos litorais com tendência regressiva na parte superior onde se intercalam bancadas de calcário ou calcários margosos (onde se conhecem pegadas de dinossáurio, em frente à Fabrica do Cabo Mondego), com gastrópodes, braquiópodes e lamelibrânquios muito abundantes.

O Jurássico superior termina com o complexo arenítico - Arenitos de Boa Viagem  - que se prolongam na base do Cretácico. Trata-se de uma alternância de arenitos argilosos (vermelhos a amarelos) e de argilas (sendo as cores predominantes o amarelo, o cinzento e o esverdeado); que terão sido gerados em ambientes de plataforma-delta. Podem observar-se estruturas sedimentares entrecruzadas , figuras de carga ( slumping ) e marcas de ondulação  ( ripple marks ).

O Cretácico Inferior e Médio está representado pelos Arenitos do Carrascal  que assentam em discordância sobre as formações do Jurássico. É constituído por arenitos mais ou menos argilosos, finos a grosseiros e por argilas, em geral arenosas, sendo de natureza essencialmente flúvio-deltaica. A formação apresenta uma diminuição no calibre dos grãos para o topo. Apresenta estruturas sedimentares entrecruzadas. Nesta região não afloram rochas de idade compreendida entre o Cretácico Superior e o Miocénico.

O Plio-Quaternário pode ser reconhecido por um conjunto de afloramentos constituídos por depósitos de origem fluvial, marinha (praia), eólica e torrencial que, de maneira geral, colmatam plataformas resultantes de fenómenos transgressivos.

O Pliocénico está representado por complexo de areias com estratificações entrecruzadas, com seixos, de grés argiloso e de argilas. Surgem afloramentos tanto a Norte como a Sul do rio Mondego.

O Plistocénico é constituído por tufos calcários (que não surgem nesta região), e também por vestígios de praias quaternárias e de terraços fluviais, representados por areias e cascalheiras.

Os terrenos modernos são representados por aluviões, areias de praia e areias de dunas.

Os recifes  do Cabo Mondego são uma grande atração turística e de valor ecológico elevado.   Encontram-se na parte central e sul do Cabo Mondego donde se estendem até a praia de Buarcos.  

Habitats

Para poder compreender melhor a composição da fauna e a flora de uma determinada região, temos de estudar os locais e as condições ambientais  em que as espécies se encontram.  Neste ambiente, são os factores bióticos  e os factores abioticos  que determinam a presença ou não-presença de uma espécie.

    As espécies frequentemente não têm apenas tendência de encontrar-se em grupos da mesma espécie, mas encontram-se junto com outras espécies, portanto em comunidades de espécies  diferentes. As comunidades de espécies existem porque espécies estão ligadas a um determinado hábitat , um determinado ambiente que lhes é favorável.

    Quando queremos preservar espécies, temos de conservar e preservar os seus habitas potenciais. Um habitat potencial  é um habitat que pode servir de habitat para uma espécie, independentemente do facto se ela já existe neste habitat ou não.

Classificação dos habitats

Uma boa definição do habitat encontramos na Wikipédia:

Hábitat   [1]  ou habitat  (do latim , ele habita ) é um conceito usado em ecologia  que inclui o espaço físico e os factores abióticos  que condicionam um ecossistema  e por essa via determinam a distribuição das populações de determinada espécie . O conceito de hábitat é em geral usado em referência a uma ou mais espécies no sentido de estabelecer os locais e as condições ambientais onde o estabelecimento de populações desses organismos é viável (por exemplo, o hábitat da truta  são os cursos de água bem oxigenados e com baixa salinidade das zonas temperadas).

Uma classificação dos habitats europeus encontra-se no projecto EUNIS - European Nature Information System .

    Uma classificação dos habitats marinhos encontra-se na classificação dos habitas marinhos da Grande-Bretagne e da Irlândia . Esta classificação é compátivel e integrada na classificação EUNIS.  (The marine habitat classification for Britain and Ireland provides a tool to aid the management and conservation of marine habitats. It is one of the most comprehensive marine benthic classification systems currently in use, and has been developed through the analysis of empirical data sets, the review of other classifications and scientific literature, and in collaboration with a wide range of marine scientists and conservation managers. It is fully compatible with and contributes to the European EUNIS habitat classification system.)

    Os habitats do litoral (zona das marés ou intermareal)  são facilmente acessíveis ao visitante da praia, especialmente em dias de marés grandes. Porém, nos achados da praia encontram-se também espécies de outras zonas benticas como do sublitoral (zona subtidal) .

    Neste momento, a classificação dos habitats marinhos para a Grã-Bretanha e Irlanda é o que temos à disposição em Portugal, uma vez que uma classificação dos habitats marinhos da costa portuguesa ainda não existe. O ICN exprime isso no âmbito da elaboração do Plano Sectorial da Rede Natura 2000

A aplicação da Directiva 92/43/CEE ao meio marinho obriga à classificação de áreas no Mar Territorial (até às 12 nM) e na Zona Económica Exclusiva (até às 200 nM). Por lacunas de conhecimento, dificuldades de delimitação de áreas e custos associados, a classificação de áreas deste habitat de excepcional importância científica é incipiente.

Veja também :

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